sábado, 10 de dezembro de 2011

Servindo de exemplo ao rebanho

Desde que me entendo por crente, tenho percebido que o testemunho da genuína vida cristã se baseia em duas plataformas fundamentais: Obediência e submissão. Está escrito que obedecer é melhor do que sacrificar (I Samuel 15.22). Também está escrito que devemos nos submeter àqueles que tem autoridade sobre nossas vidas.

Obediência e submissão nas relações diversas

Na vida familiar, segundo as Escrituras, os filhos devem obediência aos seus pais. "Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor" (Colossenses 3:20). E este é, na Bíblia, o primeiro mandamento com promessa (Efésios 6.2).

Na vida secular, a Palavra de Deus assevera que os empregados devem obediência a seus patrões. "Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus" (Colossenses 3:22). É o princípio da obediência baseada no temor de Deus.

Na vida cristã, a Bíblia exorta os liderados a obedeceram seus líderes. "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil" (Hebreus 13:17).

Obediência e submissão por amor ao Senhor

Em última análise, os seres humanos devem obediência a toda a autoridade constituída sobre eles. "Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior" (I Pedro 2:13). É obvio que esta sujeição só perde a validade, quando a autoridade constituída impõe ou exige coisas que se situem fora dos limites da sua competência; ou, quando violam as leis vigentes.

Portanto, a menos que eu esteja redondamente enganado em minha interpretação, os princípios da obediência e da submissão devem balizar, tanto na Igreja como na sociedade, a relação entre líderes e liderados. Em assim sendo, deduzo que a quebra dos mesmos pode abrir brechas...

Tempos de insubordinação

No entanto... O mundo em que vivemos evidencia o crescente enfraquecimento destas duas plataformas. E a insubordinação generalizada tem acontecido até mesmo entre cristãos - tanto os que lideram como os que são liderados. Na cadeia de comando, vemos líderes que - com o mesmo rigor com que exigem obediência de seus liderados - recusam-se a obedecer aos seus líderes. Parece ser este o tempo da anarquia predito nas Escrituras sagradas.

Existem ainda aqueles crentes que declaram, em tom arrogante, obedecer "apenas a Deus e não ao homem" - fazendo deste argumento sua base de insubmissão aos líderes que Deus pôs acima deles. As vezes, utiliza-se até mesmo a obra de Deus, como argumento para justificar falta de submissão. O que me conforta é saber que Deus conhece os reais motivos de cada um!

O conceito de hierarquia reconhecido por Jesus

Ao se dirigir à Pilatos, "Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem" (João 19:11). Nesta declaração, Jesus reconhece dois princípios: 1. O princípio da hierarquia; 2. O principio da submissão. E ambos fazem parte de um outro princípio consagrado nas Escrituras: O princípio da Cadeia de Comando.

Portanto, ao se submeter inteiramente a Pilatos, baseado em princípios bíblicos, o próprio Jesus dá o exemplo maior de obediência e submissão. E, implicitamente, proclama que a autoridade de quem comanda está condicionada ao cumprimento do propósito de Deus; pelo qual cada homem ou mulher - líder ou liderado - dará contas no Dia do Juízo. Deste modo, mesmo que o principio da hierarquia seja usado de modo equivocado, o princípio da submissão permanece em vigor.

Marcas de um verdadeiro líder cristão

Fato é que existem diferenças entre o falso e o verdadeiro líder. Uma delas é o modo diferente como cada um deles faz uso da autoridade. Enquanto o falso líder vocifera: "Eu proíbo isso ou aquilo" - o líder autêntico arrazoa: "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós que procedais deste ou daquele modo". Entendo que devemos estar atentos a estes pequenos detalhes!

Outra diferença é a que se dá entre a prédica e a prática: O líder autêntico é tão solícito em pedir contas dos seus liderados, como em prestá-las aos seus líderes. Ao passo que o falso líder, muitas vezes em tom arrogante, exige obediência indiscutível de seus liderados; entretanto, não admite obedecer aos seus líderes - salvo em decisões que sejam de seu interesse pessoal.

Com a palavra, a Bíblia Sagrada: "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho" (1 Pedro 5.2-3)."

Cordialmente;
Bispo Calegari

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