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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Uma agradável viagem ao passado

Quem dentre nós não sente - ao menos de quando em vez - um forte desejo de encontrar o seu passado? E não estou me referindo a um mergulho nas águas turvas de uma história sombria. Também não tem nada a ver com algum tipo de lembrança dolorosa; produzida por fatos que nos tenham magoado - ou mesmo nos apequenado - em algum lugar do passado. Não é isso!

O que desejo aqui transmitir - é aquele sentimento de definição imprecisa; de que precisamos novamente contemplar, ainda que seja com os olhos da imaginação, "algo bom aconteceu lá atrás". E, na medida em que este sentimento evolui, sentimos o desejo de viajar - seja nas asas do vento, seja nas asas do tempo - indo ao encontro do nosso venturoso passado.

Encontro com o passado

E hoje encontrei o meu passado; ou, pelo menos, parte dele. É verdade! Isso aconteceu, em uma visita que fiz a um grande amigo de outrora. Na verdade - muito mais do que amigo - um verdadeiro pai espiritual. Estivemos - Celia e eu - no Bairro S. Francisco, em Niteroi; na casa de Custódio Miranda. Ele fez oitenta e um anos no dia 8 deste mês. Na ocasião, segundo o seu filho primogênito - Dr. Edison Miranda - manifestou o desejo de nos rever "antes de ser promovido à glória". E assim, viajamos com o firme propósito de ver o irmão e amigo Custódio!

Custódio me ajudou muito em minha juventude. Assim como eu - sempre foi apaixonado por pássaros. Este prazer nos aproximou e nos tornou amigos. E foi assim, que acabou me conduzindo a Cristo. São seus filhos: Edison Miranda (seu filho médico); Edilson Miranda (seu filho pastor); Edna; Edilma; Miriam e Rebeca. Destes seus queridos filhos, só não conheci a Rebeca, por ser filha do seu segundo casamento. A saudosa irmã Nair faleceu alguns anos depois da minha conversão; em um tempo que já não tinhamos mais contato, devido as minhas viagens missionárias - levando-me cada vez mais distante de muitos daqueles que amo.

Enquanto rebuscávamos em nossa memória, alguns recortes do passado; sua esposa Deiva, preparava um café de agradavel aroma - aquele tipo de café que costumo chamar de "café medroso", por vir sempre muito bem acompanhado e guarnecido. Conversamos muito - sobre muitas coisas. Em dado momento, dos bastidores da memória, tentei reproduzir algumas cena muito especiais.

Visita dos seminaristas empolgados

Lembramos juntos, do dia em que nós dois estávamos no telhado de sua casa (sempre em "interminável construção), em um domingo, colocando telhas no telhado novo. Em dado momento, entraram alguns cadetes do Exército de Salvação, muito animados e ruidosos, pelo corredor lateral esquerdo da casa. Sua alegria devia ter pelo menos um motivo: Eles estavam chegando para almoçar com a irmã Nair (mulher alguma conseguia transformar um guisado de carne moída com batata inglesa cortada em cruz, em uma iguaria tão deliciosa, como a irmã Nair era capaz de fazer... Que saudade!). Ali, naquele exato momento - sem que eu soubesse - foi definido o meu futuro!

No dia seguinte, 26 de outubro de 1964 - uma segunda-feira fria (lembro-me que estava vestido com uma japona de lã de, cor cinza xadrez); estes jovens seminaristas realizaram um culto na Igreja Congregacional; cujo templo fica quase em frente ao ponto das barcas, em Niterói. Acompanhei o casal Custódio e Nair até este culto especial promovido pelo Colégio de Cadetes do Exército de Salvação. E lá, após a mensagem, entreguei minha vida a Cristo (uma das poucas coisas que me lembro, daquele culto, é que a pregação foi feita por um jovem muito alto, conhecido como "Cadete Frechou" (não sei se é assim que se escreve); o qual também orou por mim, enquanto eu me ajoelhava no "banco dos penitentes".

O caso da mulher endemoninhada

Lembramos também, juntos, do dia em que expulsei o primeiro demônio. Eu tinha me convertido a poucos dias. Naqueles dias, os cultos do Exército de Salvação em Niterói eram realizados no terreiro dos pais do Custódio, com alguns bicos de luz, sob uma árvore ali plantada (o Corpo Salvacionista da Rua Visconde do Itaboraí estava em construção).

Lembro-me perfeitamente que a irmã Nair teve uma participação nesse culto. Em dado momento, uma mulher gritou, assustadoramente endemoninhada. Houve então um início de tumulto; pois, ninguém sabia exatamente o que fazer. Comecei então a sentir uma espécie de estremecimento nas pernas, como se algo ou alguém tentasse me levantar.

Logo em seguida, sem que eu pudesse me conter, levantei-me e me dirigi à mulher possessa, bradando: "espírito maligno, eu te ordeno que deixe este corpo". Ela estremeceu, demonstrando espanto mesclado de alegria! Estava finalmente livre, graças a Deus! Desde aquele dia, perdi a conta das inúmeras vezes em que expulsei demônios. Todavia, jamais me esqueci daquele primeiro caso - no terreiro dos pais do Custódio.

O tempo não para

Outras lembranças afloraram. todavia, o tempo que passamos juntos, já estava de bom tamanho (passamos cerca de duas horas conversando); especialmente, para quem teria que se submeter a uma hemodiálise no dia seguinte e para quem teria que viajar logo após este abençoado encontro. Todavia, não sem antes saborear o café da irmã Deiva, que revelou-se não apenas aromático; mas também delicioso!

Ao final, oramos e choramos juntos - de mãos dadas - em profunda comunhão com o Pai! É notório que Custódio vive um tempo de saúde debilitada. No entanto, continua sendo o mesmo Custódio de sempre - exibindo, do alto dos seus 81 anos de existência (ou será 82 ou mais? Não sei) o mesmo vigor espiritual de antigamente; e uma mente admiravelmente lúcida e interativa. Obrigado Senhor!

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dolorosa despedida

O Bispo Elisiário Alves dos Santos e sua esposa Lucia, nos conduziram (a mim e Celia) em seu carro - rumo a Governador Valadares - para o velório do Pastor Gervaldo Gomes Rebouças. Na medida em que a viagem transcorria; íamos conversando sobre os mais diversos assuntos. Mas, entrecortando os assuntos sobre os quais conversávamos, vinha sempre a minha mente a vida de Gervaldo - quando em seus dias de jovem da igreja que me projetou no ministério.

E enquanto conversávamos, lá ia eu - em minha memória - rumo ao passado... Quando ainda pastoreava a querida "igreja da Rua Cinquenta" (hoje IMW Central de Governador Valadares). Gervaldo era um dentre centenas de wesleyanos daquele período da história da Igreja Metodista Wesleyana em Valadares - hoje distribuídos na diversas igrejas wesleyanas da cidade. Governador Valadares... Cidade carinhosamente chamada de "Princesa do Vale", pelo fato de se situar em ponto estratégico do Vale do Rio Doce. Sim! Eu acredito que a maioria dos membros históricos desta igreja concordam comigo - em que Gervaldo foi um dos mais importantes frutos daquele tempo. O seu chamado para o ministério fora ouvido naquela época; o agir de Deus era visível em sua vida! E toda a juventude wesleyana daquele tempo - mais de duzentos e cinquenta jovens - sabia que ele era um homem de Deus. Naquela altura, a "igreja de Valadares" era uma espécie de berçário de muitos ministérios que ali estavam sendo gerados e alimentados.

Sábado, dia 17 de setembro de 2011. Nesta data estávamos presentes a este doloroso velório. O culto se iniciou por volta das 23h15 - sob a direção do Pastor Valdívio, SD do Distrito de Valadares. Cantamos alguns hinos apropriados para este tipo de celebração. Em seguida, ministrei uma palavra sobre a essência da vida. E passei a oportunidade ao Bispo Elisiário Alves dos Santos; que pregou a mensagem oficial. O templo da IMW do Bairro de Lurdes estava super-lotado! Igreja que o Pastor Gervaldo fundara e pastoreara até a sua partida. Templo construído por ele - no terreno que ele mesmo comprara.

Mas, agora, estávamos ali - familiares, amigos e irmãos; irmanados na mesma dor produzida por tão dolorosa separação. E, como último traço visível da presença deste homem de Deus, lá estava o seu corpo sem vida. Corpo que fora apenas sua habitação temporária - agora descartado - pois o Pastor Gervaldo fora, finalmente, ao encontro do Pai!

Infelizmente, não tivemos condição de permanecer para o sepultamento. Pois, teríamos que estar presentes no culto de reinauguração do "Templo Memorial" da IMW do Valão do Guiricema, as 14 horas de domingo (falaremos sobre isso em próxima postagem). Todavia, saímos convictos de que o Gervaldo, naquele grande dia, ouvirá de Jesus: "Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" (Mateus 25 : 21).

Com gratidão;
Bispo Calegari

terça-feira, 10 de maio de 2011

Visita a lugares de Portugal (Porto)

Uma experiência que trouxe grande alegria para Celia e eu - foi abraçar diversos irmãos ciganos que se converteram durante a nossa primeira missão em Portugal. Ainda está viva em nossa lembrança a entrada de três ciganos muito especiais para nós, em um domingo do final de 1981 ou 1982 (já não me lembro muito bem).

Eu estava de malas prontas para viajar ao Brasil, onde participaria de um concílio. Aquele era o domingo de despedida, pois viajaria no dia seguinte (Maria Celia e as crianças ficariam). Percebi que entraram no antigo salão de cultos - na Rua do Carmo - três pessoas um tanto diferentes: Eram três ciganos; dois rapazes muito barbudos e com cabelos grandes, de chapéus e roupas pretas; uma moça também de preto, com um xale preto cobrindo inteiramente sua cabeça. Como eu não estava habituado a uma cena assim, fiquei um tanto admirado e curioso. Eles sentaram-se discretamente ao fundo e ficaram atentos a tudo o que se passava. Preguei naquela noite uma mensagem, como geralmente fazia; exortando o povo a uma vida com Deus. Cheguei a dizer: "Estou viajando amanhã para o Brasil; se o avião cair... Eu vou subir". Foi um maravilhoso culto! Ao apelo, os três jovens se converteram ao Senhor. Chamavam-se: Antonio, Romeu e Lurdes - três ciganos que haviam perdido sua irmã mais nova em acidente de carro, por aqueles dias.

A partir deste episódio, batizamos muitos ciganos em Portugal (não tenho um número preciso - talvez uns duzentos). A comunidade cigana na IMW portuguesa cresceu muito. Em meu espírito, eu sempre soube que eles precisariam formar uma comunidade autônoma, mesmo que se mantivessem ligados à IMW, devido aos seus costumes e cultura. Eles são um povo especial. Precisavam conservar seus costumes, para que pudessem se voltar para uma obra missionária entre o seu povo. Caso houvesse ruptura em seus padrões culturais, corriam o risco de afastar do Caminho do Senhor todos os ciganos que poderiam ser salvos mediante o seu testemunho.

E hoje - mesmo tendo diversos wesleyanos ciganos em Portugal - temos duas abençoadas igrejas ciganas neste País: A "Igreja Cristo Para Todos" e a "Igreja Evangélica Vida Nova". Ambas as igrejas estão reunindo inúmeros ciganos em todo Portugal. Preguei em ambas, nas quais fui recebido com grande honra. Louvo a Deus pelos laços espirituais e históricos que nos unem. Como sou grato a Deus por tudo isso... Aleluia!

E agora - depois de ficarmos treze anos sem aqui por os pés - retornamos a Portugal. O Pastor Antonio Rodrigues, Presidente da "Igreja de Vida Nova", nos convidou para que pregássemos em uma de suas igrejas - a "Vida Nova" de Areosa, no Porto. Nosso ponto-de-encontro foi no salão da "Vida Nova" de Aveiro. Ali ficamos conhecendo o Pastor Giovanni, genro do Pastor Romeu, que pastoreia a igreja em Aveiro. Pudemos rever a Severina, o Kiko, e outros que conhecêramos ainda meninos. Abraçamos a irmã Catarina. Saímos dali em caravana formada por alguns carros. Nós seguimos no carro do Pastor César - este companheiro que tem nos dado assistência durante os dias em que temos estado aqui. No caminho encontramos o Pastor Marcelino, que conheci ainda muito jovem - um homem de Deus.

Chegamos na igreja; a qual já estava repleta de irmãos ciganos. Um ambiente muito animado e ruidoso. Percebia-se a presença de Deus no lugar. O culto foi dinâmico - haviam vários obreiros ciganos, inclusive o Pastor de Areosa e Vila Nova de Gaia (lamentavelmente, não consegui gravar os seus nomes). Foi muito bom abraçar a irmã Salete, esposa do Pastor Antonio; abracei também o Pastor Romeu e a irmã Lurdes - aqueles sobre quem falei acima, quando da sua chegada à igreja pela primeira vez. O Ministério de Louvor conduziu a igreja em adoração, havendo grande quebrantamento e alegria, com seus hinos em ritmo flamenco, bem à moda cigana. Preguei com muita liberdade no espírito. Foi uma noite inesquecivel, aleluia!

Por tudo o que temos visto Deus fazer entre os ciganos portugueses, rendemos muitas glórias ao Senhor! Que suas vidas continuem sendo este referencial tão importante, apontando para o Deus que pretende reunir à Sua volta filhos de todas as tribos, povos e línguas - dentre os quais os ciganos estão incluídos.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lançamento da Pedra Fundamental

O fato se deu em Aveiro - no dia 25 de abril! A IMW da Gafanha da Nazaré fazia aniversário nesta data: 31 anos de existência. Como o X Concílio Regional da Região Europeia estava previsto para ser encerrado no horário do almoço; a "igreja da Gafanha" - como é carinhosamente conhecida por aqui - marcou o culto de Lançamento da Pedra Fundamental para as 16 horas desse mesmo dia. O dia 25 de abril é um feriado muito popular em Portugal, por ser o aniversário da "Revolução dos Cravos" - data definitivamente ligada à história de Portugal, pelos acontecimentos nela ocorridos.

Estavam lá diversos pastores, acompanhados de suas esposas; e muitos irmãos. O Pastor Márcio Santos - pastor local - deu abertura ao trabalho. O Bispo Oséas nos apresentou em seguida. Estavam os seguintes Pastores convidados: Antonio Faleiro, sua esposa Alvanir e filha Claudinha, que nos trouxe uma palavra de incentivo; Elizeu Gomes, acompanhado de Linéia e Lilian; Amilton Fernandes Chaves - Secretário Geral de Missões - acompanhado do Aspirante Sérgio; mais os Pastores: Jaime; Mateus, Armando; Moisés, Fausto; Joel, Manoel Delgado; César - entre outros.

E lá fomos nós, a caminho da Gafanha da Nazaré, para o culto de lançamento da Pedra Fundamental desta querida igreja wesleyana. Minhas lembranças retroagiram no tempo - rebuscando nos "bastidores da memória" alguns fatos marcantes daquele inesquecivel 25 de abril de 1980.

Naquele dia, estando eu a caminho do novo salão, fui atropelado por uma motocicleta bem defronte ao salão que estava sendo inaugurado - quase quebrei o joelho; que ficou bastante inchado por vários dias. Mas valeu à pena!

Naquele dia, enfrentei diversos desafios: Precisava ter tudo em ordem; preparado para aquela importante inauguração. A Pressão foi bem grande - quase me sufocando. Mas valeu à pena!

Estávamos esperando a chegada do Pastor Nivaldo - que estava vindo do Brasil para assumir o novo trabalho. Havia uma certa ansiedade, quando ao risco de seu atraso (tudo era muito dificil naquele tempo). Mas valeu à pena!

E agora - no lançamento da Pedra Fundamental, Celia e eu, nos demos conta de que a cerca de trinta anos atrás, havíamos morado na casa ao lado do terreno adquirido (não a bela casa hoje construída ali); mas uma pequena e simples casa, com um grande quintal, onde semeávamos nossas batatas, couves, tomates, cebolas, alhos e diversas outras hortaliças - tarefas que aprendemos a executar com a irmã Rosa Macedo, viúva do inesquecivel Pastor Macedo.

Fomos provados naquele lugar. Na segunda semana após a nossa mudança para aquela casa, o nosso filho Calinho (hoje o Pastor Calegari) aproveitou-se do descuido do motorista de um trator que estava aplainando a rua, para que a mesma recebesse uma capa de asfalto - e então, introduziu o seu dedo indicador direito entre os espaços da esteira, no momento em que o motorista punha o trator em movimento. Seu dedo ficou bastante ferido - bem amassado - espremido que foi pela esteira rolante daquele trator. Celia e eu sentimos um grande susto, quando vimos o seu estado - chorando muito. Mas orei por ele e o Senhor consertou o seu dedo, sem que fosse necessário ir ao hospital. Ficou tão bom aquele dedo; que tornou-se um dos seus melhores dedos para tocar muito bem o teclado - como ele gosta de fazer para o Senhor.

Enfim... Valeu a pena passar tudo aquilo que passamos ali; para podermos ver hoje tudo aquilo que ficou - como resultado da nossa ousadia em iniciar aquele trabalho. Glória ao Senhor por tudo!

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 29 de março de 2011

Quando o Passado abençoa o Presente

Recebi a cerca de dois meses, um honroso convite do Pastor Gutemberg, para pregar no culto de encerramento do aniversário da IMW Primeira de Nilópolis. No momento do convite, fui buscar nos bastidores da memória fatos que estão lá registrados. Tanto Maria Celia quanto eu, temos várias lembranças ligadas a esta querida igreja wesleyana.

Em nossa ida, passamos antes em casa da irmã Delza, minha sogra, que foi uma das pioneiras daquela igreja; cuja história de vida cristã se entrelaça a mesma (lá ela se converteu e conduziu os seus filhos no evangelho - tendo sido Maria Celia seu primeiro fruto de convertida). Lá ela é Celia foram batizadas pelo Pastor Antonio Faleiro Sobrinho. E foi lá que ela viu o meu sogro, de saudosa memória - o Pastor Moacir Sobral de Araújo, dar os seus primeiros passos na fé; tendo sido também batizado pelo Pastor Faleiro. É lembrança que não acaba mais!

Saímos de Olaria para Nilópolis, quase escurecendo. A irmã Ione, que cuida de minha sogra, foi conosco. Como a muitos anos não vou por aquelas bandas; acabei me perdendo - indo parar em Costa Barros, Pavuna... Tendo que voltar pela linha vermelha, até Jardim América, para começar de novo (tal como acontece com um crente, quando erra e precisa começar novamente). Enfim, chegamos ao culto, com mais de uma hora de atraso; mas ainda à tempo de ver e ouvir muitas coisas maravilhosas.

Pois é: Este convite nos colocou no templo, anexos e corredores da querida IMW Primeira de Nilópolis; local que fora palco de vários atos proféticos que marcaram a nossa vida. Para homenagear a aniversariante, resolvi escrever algo que pudesse ser lido no momento da mensagem:

Quando o Passado abençoa o Presente

Existe um ditado muito conhecido pela grande a maioria das pessoas. Nele se afirma que "Recordar é viver". E sou obrigado a concordar com ele - mas apenas em parte. Tenho em minha própria vida, lembranças de um passado que me torna vivo, grato a Deus e motivado.

Mas sabemos que as memórias - em sua tarefa de rebuscar as experiências do passado - projetam do seu banco de dados; não somente as boas experiências vividas, que tanto nos alegraram e enriqueceram; mas também algumas recordações que preferiríamos esquecer. Portanto, se o ditado, por um lado, declara uma grande verdade; ao afirmar que "recordar é viver"; por outro lado, entretanto, costuma omitir outra grande verdade: Que às vezes, dependendo do foco, "recordar também é morrer".

Quanto a mim, posso afirmar que tenho, nos registros da memória, ambas as fontes de informação - as boas e as ruins. Todavia, o Espírito Santo me ensinou a lidar com isso; mantendo nos bastidores da memória, duas "gavetas": Uma delas se chama "Arquivo para lembrar"; a outra se chama "Arquivo para esquecer". Uma é para ser constantemente aberta; a outra para ser definitivamente fechada.

E, para Célia e eu, a querida IMW de Nilópolis ocupa um capítulo à parte em nossas lembranças:

Para ela, a querida "igreja de Nilópolis" a faz lembrar-se de sua conversão; de seus primeiros passos no evangelho; de amizades contraídas, que se sobrepõem ao tempo que passou; do seu primeiro pastor - o Pastor Antonio Faleiro Sobrinho; do seu batismo nas águas e com o Espírito Santo; do seu chamado... Chamado para a obra que ela continua fazendo!

Para mim, a esta querida igreja foi palco de uma das primeiras campanhas de avivamento que fiz (na semana do Natal de 1969); da mensagem que preguei no penúltimo domingo daquela semana, em plena Escola Dominical - quando avistei Maria Célia pela primeira vez e obtive a certeza de que ela seria a minha esposa... E companheira por toda a vida! E nosso inesquecível casamento aconteceu aqui... Em 11 de julho de 1970.

E nesta semana mesmo - em nosso Seminário de Imersão, em Barbacena; onde reunimos cerca de trezentos obreiros, para o lançamento do "Projeto Gceu" o Pastor Perim, SD do Distrito de Vitória, me falou de sua ida à casa do Presbítero Valtinho, antigo obreiro desta querida igreja; na cidade de Domingos Martins-ES, para levar-lhe a Ceia do Senhor. Em dado momento, ele começou a falar: "Na semana do casamento do Calegari e da Maria Célia, eu estava fazendo o púlpito da igreja de Nilópolis - por determinação do Pastor Faleiro; correndo para que ficasse pronto para a cerimonia". Este querido obreiro tem uma bela história de vida naquela igreja.

Culto abençoado do início ao fim

O culto foi marcado por grande unção. Logo após a narrativa; fui informado da presença dos filhos do Presbítero Valtinho. Foi muito bom nos abraçarmos. Até a irmã Delza sentiu-se inspirada a dar uma palavra - do próprio lugar em que estava assentada - tendo sido levado o microfone sem fio até ela. Célia também compartilhou experiências. Deus me deu uma palavra profética para a igreja, baseada em Mateus 7 e 8. Houve grande quebrantamento e um clima de avivamento. Louvo a Deus pela vida do Pastor Gutemberg e família. Glória a Deus!

Após o culto, fomos servidos por um delicioso jantar - com direito a bacalhau e tudo - preparado por irmãs muito competentes nas artes culinárias. Obreiros e irmãos se opuseram à mesa - nós entre eles. Foi bom abraçar o Marquinhos Arona, sua esposa e filhos - o menino é sua cópia; embora - como ele mesmo diz - melhorada. O Marquinhos é filho da irmã Isabel Arona, que foi uma coluna nesta igreja; cuja vida se entrelaça com nossa história de vida conjugal. Ela disse à irmã Delza: "Deus trará um pastor para conhecer e casar com Maria Célia" (Deus lhe revelara).

Obrigado Jesus, por lembranças tão enriquecedoras! Amanhã, segunda-feira, é outro dia... E iremos revigorados, para pregar em mais um aniversário de igreja - o culto de celebração dos 31 anos de existência da IMW de Boa vista - em Volta Redonda.

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A quarenta e seis anos atrás...

Encerrei a alguns instantes a minha oração secreta, como faço ao fim de cada madrugada. Enquanto eu orava pelos diversos assuntos que fazem parte da minha rotina de oração - objeto que são da minha intercessão; o Espírito me fez lembrar que hoje - dia 02 de novembro de 2010 - faz quarenta e seis anos que dei o meu primeiro testemunho público. Isso aconteceu alguns dias após minha conversão ao Senhor, em um culto na cidade de Niterói, no dia 26 de outubro de 1964. Fui conduzido por Deus aos bastidores da memória e lá encontrei alguns detalhes daquele dia tão importante, os quais posso trazer a este post, com o título de:

A quarenta e seis anos atrás...

Lembro-me vagamente da maioria dos detalhes que, normalmente, fazem parte de um culto ao ar-livre (pessoas que cantaram, quem dirigiu, quem pregou, etc.). Não me lembro de tudo. Todavia, alguns detalhes que ficaram na lembrança são suficientes para me trazer a alegria que pretendo compartilhar nesta manhã.

Era um "Dia de Finados" (modo como muitos chamam o dia 2 de novembro). Eu havia me decidido por Cristo na semana anterior; estava ainda confuso com algumas coisas que eram novas para mim. Entretanto, o Espírito Santo me motivava a prosseguir no caminho do Senhor. O Exército de Salvação - igreja na qual me converti, realizava muitos cultos ao ar-livre, sempre aproveitando ocasiões oportunas para tais eventos. E o "Dia dos Mortos" era, de fato, uma data bem apropriada para se pregar o "Evangelho da Vida". Todos fomos convocados para o culto, que seria realizado no famoso "Cemitério de Maruí", em um bairro chamado Barreto, na divisa entre os municípios de Niterói e de S. Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro.

A igreja do Exército de Salvação, em Niterói, não era muito numerosa. Ela possuía uma pequena banda de música, da qual vim a fazer parte meses depois, tocando trombone de vara. Uns poucos jovens dela faziam parte (eu agora era um deles). E lá fomos nós: Oficiais (pastores), sargentos (presbíteros e diáconos), soldados (membros sem função específica) e recrutas (candidatos a membros, eu entre eles). Formamos no centro do cemitério de Maruí, um círculo com cerca de trinta irmãos, todos felizes e motivados; alguns com panfletos e jornais "Brado de Guerra" (periódico do Exército de Salvação, tipo o nosso "Voz Wesleyana"), para serem distribuídos entre os assistentes e passantes. Assim que formamos o círculo, ao som da nossa pequena e querida banda de música, o "Sargento Custódio", um dos líderes, assumiu a direção do culto. Não sei se ele ainda vive (foi ele, juntamente com sua esposa - a saudosa irmã Nair, que me levou à Jesus). Muita gente começou a se aproximar; alguns chorando; muitos deles com ramalhete de flores, para depositá-las sobre a sepultura de seus entes queridos.

Em meio ao clima de unção e emoção que se sentia, fui repentinamente surpreendido pela palavra do Sargento Custódio, convidando-me a dar o meu testemunho perante o povo que estava à nossa volta. Encaminhei-me para o centro da roda, ao som dos "aleluia" e "glória a Deus" que brotavam dos lábios dos irmãos que compunham o círculo. Senti-me nervoso e inseguro, mas fui firme. Quando comecei a falar, ainda gaguejando devido à emoção, olhei em redor e vi um amigo da velha vida, conhecido como "Nilton couro de sapo", de quem eu havia comprado uma pistola a umas duas semanas antes de me converter. Quando o vi, senti-me constrangido, só de imaginar o que ele poderia pensar ao me ver ali. Pensei comigo: "e se ele achar que eu era crente quando comprei a arma? Ele deve achar que sou um crente falso. Ele vai me ouvir falar e pode pensar que sou um enganador". Mas Deus foi me dando graça e testemunhei do seu amor, mesmo não conhecendo nada sobre a bíblia ou sobre a vida de um crente. Percebi que ele permaneceu atento, até o fim do ar-livre. Após a mensagem, pregada por um dos sargentos, algumas vidas se decidiram por Cristo. Logo que o culto chegou ao fim, o "grupo da panfletagem" iniciou um trabalho de distribuição de literatura,entregando um exemplar a cada um dos presentes, ao "Nilton couro de sapo" inclusive. Ao final de tudo, ele se dirigiu a mim, cumprimentando-me, e disse: "Você está num bom caminho; fique firme nele". Tempos depois, ao lembrar-me do fato, agradeci a Deus por ter usado um homem ímpio, violento, para incentivar-me de modo tão sincero e espontâneo, no início de minha vida com Jesus.

Nesta manhã, ao ser lembrado por Deus quanto a esta experiência, fiquei comovido. Quarenta e seis anos se passaram, e eu estou ainda por aqui, firmado na "Rocha Eterna". Neste momento, quando finalizo este testemunho, louvo a Deus por ter me permitido manter viva na memória, estas lembranças. Meu desejo é que, pela graça de Jesus, esta postagem possa te edificar. Toda a glória seja dada a Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma grande queda - Um grande livramento

O caso que vou contar, é um caso muito especial. Foi uma experiência que exigiu da minha parte uma grande dose de fé e equilíbrio emocional. Sabemos que quando o emocional se sobrepõe ao discernimento espiritual, nos tornamos vulneráveis e incapazes de lidar com aquilo que nos aflige; ou que nos desafia ao extremo. Pois é, enfrentei em minha própria família um golpe tremendamente doloroso naquela altura. A esta experiência, darei o título de:

"uma grande queda - um grande livramento".

Aconteceu no ano de 1979; bem no início do ano - não me recordo se em fevereiro ou março. Estávamos em Portugal à pouco tempo (eu chegara em setembro e Célia, com as crianças, em novembro de 1978). Nossa vinda para Portugal fora um grande desafio para a família. Deixáramos Governador Valadares para trás, atendendo ao desafio das missões estrangeiras. Tudo era novo para nós. Dentre as diversas medidas que tomamos, logo no início; uma das primeiras foi matricular nossos filhos maiores (Calegari Filho, Elizeu e Ezequiel) na escola próxima à nossa casa. Nem imaginávamos o que nos esperava.

Defronte àquela escola havia uma bela pracinha. Na parte lateral da mesma, havia uma escada que ia descendo - da pracinha até uma fonte lá em baixo. Do primeiro ao último degrau, o desnível chegava a seis metros de altura. Era uma escada de pedra; lá em baixo, havia um grande pátio de pedra com a fonte ao fundo; uma imagem bonita de se ver. Ocorre que o muro que circundava a escola oferecia grande perigo para as crianças, pois o balaústre que servia de cercado, não era suficientemente alto para que as crianças não se aventurassem por ele (segundo informações que tive, duas crianças já haviam morrido, caindo dele.

Naquele dia ensolarado, alguns meninos brincavam por ali. Calinho, Elizeu e Ezequiel estavam entre eles. Mas o Elizeu começou a encenar queda, soltando as mãos e fazendo de conta que caia. Em determinado momento, não conseguiu se agarrar... E caiu mesmo! E na parte mais alta. Ouvi o baque da nossa casa; e também os gritos do Ezequiel: "Elizeu morreu... Elizeu morreu". Desci às pressas, imaginando algo ruim. Em lá chegando, o corpinho do Elizeu já vinha sendo trazido pelo dono de um bar que ficava próximo, que o pegara desmaiado. Elizeu ainda respirava, graças a Deus. Mas o quadro era preocupante. Um caroço em sua cabeça, do tamanho de uma laranja, causava espanto em todos os que se ajuntaram para ver. Peguei seu corpo mole e o levantei diante do Senhor. Fiz uma oração, cujo conteúdo não me lembro mais. Mas sabia em meu íntimo que tudo estava bem, pois o Senhor tinha promessas para meus filhos. Levei-o ao hospital de Ovar, onde residíamos. Ele foi submetido a muitos exames. Nem um mal havia sido detectado, graças a Deus. Saí com ele de mãos dadas comigo. Mais uma vez, dentre as muitas, Deus havia agido em nosso favor.

Rebuscando nos bastidores da memória, pude encontrar esta história, da qual Maria Célia é testemunha; pois, tal como eu, vivera aqueles difíceis momentos, desde a queda até o diagnóstico de que nada havia acontecido (na verdade, acontecera algo que os médicos não detectaram; mas sobre isso falarei em outro post, pois está também gravado nos bastidores da minha memória).

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O caso da enfermeira que morreu de parada cardíaca

Este caso foi um dos mais impressionantes já ocorridos em meu ministério. Aconteceu em meados da década de setenta, por ocasião de um Congresso de Avivamento; que era promovido anualmente pela IMW do Itamarati; naquela ocasião sob o pastorado do saudoso Bispo Gessé Teixeira de Carvalho. A esta história, darei o título de:

O caso da enfermeira que morreu de parada cardíaca

O Congresso de Avivamento estava no auge. Grandes manifestações de Deus eram visíveis naquele lugar. Reuniões pela manhã, tarde e noite. Muitos batismos com o Espírito Santo. Na manhã de sábado, o Bispo Gessé presidia o trabalho e, de repente, alguém enviou um recado a ele. Seu semblante mudou radicalmente. Naquele momento, ele dirigiu-se a mim, com voz embargada: "Calegari, você precisa ir até à casa do Jacy (a casa deste irmão ficava, e ainda fica, na lateral esquerda do templo), pois é necessária a tua presença lá". Estava eu no templo, louvando a Deus por tudo o que estava acontecendo; e, atendi de imediato a ordem do Bispo, me encaminhando para a casa do querido amigo e irmão Jacy (ele era, na altura, presbítero da IMW do Itamarati).
Ao chegar em casa do Jacy, tendo entrado em sua sala, deparei-me com um ambiente de grande desespero e correria. Havia uma irmã deitada no chão (depois fiquei sabendo que fazia parte da caravana de Volta Redonda). Não havia mais pulsação; sofrera algumas paradas cardíacas. Seu semblante era cadavérico. Realmente, uma cena assustadora. O saudoso Pastor José Moreira estava ali, mas inerte perante aquela situação. Tentei chamar a atenção dos irmãos, para a leitura do salmo 121, que eu pretendia fazer. Mas ninguém dava atenção. Havia desespero em todos ali, pelo que pude perceber. Então, repentinamente, dei um grito: "Irmãos, em nome de Jesus! Façam silêncio e se aproximem, pois quero ler um texto da Palavra de Deus". Todos se voltaram para mim, perplexos.
Aí, pude ler o salmo indicado e, em seguida, fazer uma oração. Só que, em determinado momento da oração, dei um brado (eu já havia dado aquele tipo de brado antes, em situação um tanto parecida): "Espírito, em nome de Jesus, eu te ordeno que volte a este corpo"! De imediato, aquela mulher deitada deu um grito e começou a falar em línguas. De sua boca saia uma espuma branca. Então, ela levantou-se, ajeitando os seus cabelos. Todos os presentes começaram a glorificar a Deus. Logo depois, chegou a ambulância que havia sido chamada, para buscar aquela irmã. Mas a mesma foi dispensada; não sem que, antes, um profissional da saúde requeresse a assinatura de um responsável por aquela dispensa (não me lembro exatamente quem assinou a referida guia). Foi impressionante ver aquela querida irmã, passar toda a noite de sábado, na vigília, sem apresentar o menor problema (cheguei a encontrá-la, depois, em alguns eventos regionais).

Verdadeiramente, tenho visto o poder de Deus em ação! Ao longo do meu humilde ministério, tenho sido uma testemunha ocular de grandes feitos do Senhor. A muitos anos, tenho entendido que fé em Deus é, antes de tudo: Fé em Sua Palavra! Não sei o que se passou comigo naquele momento de tamanha consternação. Todavia, sei muito bem o que Deus fez! E, dos bastidores da minha memória, trago aos meus leitores esta história verídica e inesquecivel.

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 5 de setembro de 2010

IMW do Alto Coramara - Marco de conquista

Fui convidado, pelo Pastor Aberenias (carinhosamente conhecido como Pastor Berê), para o grande culto de dedicação a Deus, do templo da Terceira IMW de Cachoeiro do Itapemirim, mais conhecida como "igreja wesleyana do Alto Coramara". A data é, para registro histórico: 29/08/2010 (inclusive, acabei recebendo até presentes, pois meu aniversário fora no dia anterior). Diveros pastores do Distrito de Cachoeiro lá estavam, inclusive o seu SD Pastor Jorge Camargo. Lá estava também a querida irmã Luci, ao lado de sua igualmente querida irmã Sueli (conheci a irmã Sueli a muitos anos atrás. Frequentávamos sua casa em Mantiquira, onde tanto ela como o Presbítero Rui Benvindo - seu esposo; e também seus filhos, especialmente o Wesley - o mais velho deles - Líder da Banda RHEMA, nos recebiam com a maior das atenções.

Naquele momento, me dei conta de que alguns fatos do passado, tinham muito à ver com este momento especial na vida desta igreja e deste pastor. Resolvi então, ao fazer este registro, enriquecê-lo com algumas relíquias rebuscadas nos "Bastidores da Memória". E a história que se segue, é o retrato fiel dessas lembranças:

A família wesleyana da qual o Pastor Berê é parte integrante, eu a conheço a muitos anos (ele devia ser um garotinho na época em que tive os primeiros contatos com sua família). O ano era 1970 - mês de julho. A data está viva em minha memória, pois havia me casado com Maria Célia naquele mês. Estávamos visitando o Pastor Oséas Macedo Queiroz e sua esposa Ideilza ( eles haviam se casado um pouco antes que nós). Eles pastoreavam a IMW de Cachoeiro do Itapemirim e nós a IMW de Campos. Nossa estada em sua casa, coincidiu com um compromisso pastoral que ele tinha na IMW de Biquinha: Sábado a noite, culto; e domingo pela manhã, Escola Dominical (eu nada sabia sobre essa igreja, nem onde ficava). E lá fomos nós, rumo a Biquinha! Enquanto seguíamos naquela direção, íamos conversando sobre nossos sonhos e visões de ministério. Ideilza e Célia permaneceram em Cachoeiro (elas tinham muitos assuntos à conversar, sobre sua nova condição de esposas de pastores).

O culto na "igreja de Biquinha" foi maravilhoso! Bem no formato da "dupla do barulho": Oséas e Calegari. Dormiríamos em Biquinha - no sítio em que a igreja esta localizada, de propriedade dos avós do Berê - Luci e Eurico Ribeiro (não tenho certeza de que este seja seu nome, pois faz muito tempo). Todavia, o Pastor Oséas acabou esquecendo algumas caixas cheias de remédio (xaropes, fortificantes, vitaminas, etc). Quando o Oséas comunicou à irmã Luci - e ele o fez com algum receio; que teríamos que retornar a Cachoeiro, ela ficou muito aborrecida. Nós dois tínhamos idade para ser seus filhos. E para piorar a situação, o Oséas - que tinha naquele tempo alguma dificuldade para falar, especialmente quando ficava nervoso ou assustado - começou a gaguejar; e nem esclareceu à irmã luci o motivo da nossa ida: a busca das tais caixas com remédios. E, por falta dessa informação, ela imaginou que estávamos indo pelo fato de termos casado a pouco tempo. Adjetivos como "crente carnal" e outros semelhantes, saltaram dos lábios da consagrada e dedicada serva de Deus em nossa direção. (e quando ela era tomada de ira santa, não adiantava nem tentar explicar). E fomos embora em seguida. Chegando em casa, achamos muita graça de tudo aquilo. Víamos diante de nós a imagem da querida irmã Luci, tal e qual uma mãe zangada, tratando-nos como filhos - nos pondo em nosso devido lugar. As meninas (Ideilza e Célia) também riram muito, ao ficarem sabendo do que aconteceu.

No dia seguinte, saímos muito cedo, de ônibus (eram raros os pastores que possuíam carro naquele tempo). Lembro-me que, após saltarmos do ônibus, havia ainda uma razoavel distância a ser percorrida à pé. E lá íamos nós, com as caixas na cabeça. Os irmãos dali, nos esperavam para a Escola Dominical na "igreja de Biquinha". Em lá chegando, reparei melhor, por ser uma bela manhã, e vi que a igreja estava situada num local muito bonito e agradável do sítio. E o casal estava à nossa espera na entrada do templo. Os avós do Pastor Berê eram os responsáveis por aquele trabalho; e também proprietários do sítio. Seu avô, sempre muito atencioso; e a irmã Luci era, e ainda é - mesmo com idade bem avançada, uma mulher de um dinamismo admirável. Já naquela época, era bastante conhecida nos meios wesleyanos.

Enfim... O tempo passou. Em minha transferência para a II Região, me deparo retornando a lugares e caminhos por onde pensava jamais voltar a passar - e aquele lugar era um desses caminhos. Visitando Cachoeiro em fins de 2008, tive o prazer de reencontrar as queridas irmãs Luci e Dileiga (respectivamente avó e mãe de Berê). Conheci também a Deise, esposa do Pastor Berê. Ela tem sido um valioso instrumento ao lado de seu esposo, contribuindo positivamente para o êxito do seu ministério. Nessa ocasião, os encontrei à frente de uma pequena mas promissora congregação, no Bairro cachoeirense do Alto Coramara. Pela fé, percebi duas coisas grandiosas naquele dia: O embrião de uma grande igreja; e o embrião de um grande ministério.

E agora, sem que se tenha passado dois anos desde nossa primeira visita à IMW do Alto Coramara, retornamos ao local e encontramos uma igreja em franco desenvolvimento. Seus membros muito bem apascentados por um Pastor que transpira paixão pelas almas. Seu crescimento pode ser considerado explosivo, glória a Deus! Seu templo é um dos maiores e mais belos templos da II Região. A história de ambos - igreja e pastor - é uma história de luta e sacrifício, cheia de frutos para a glória de Deus.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O estranho caso dos besouros exterminados

A historia que vou aqui contar, já contei em diversas igrejas por onde passei pregando a Palavra de Deus. Célia e eu, fomos protagonistas desta experiência que marcou profundamente nossas vidas. Posso afirmar que a nossa compreensão sobre a dimensão sobrenatural da fé, evoluiu muito à partir de então. O fato aconteceu quando passávamos passando férias em nossa casa em Cabo Frio. A esta interessante história, vou dar o título de:

O caso dos besouros exterminados

Temos uma casa em Cabo Frio, a mais de vinte anos. Uma casa conhecida por muitos dos nossos amigos; alguns deles, inclusive, já desfrutaram férias nela. Hoje, o terreno em que ela está construída, está reduzido pela metade, pois alguns projetos que tínhamos nos obrigaram a vender uma parte do mesmo a cerca de um ano atrás. Dentre as plantas que haviam no terreno, tínhamos dois coqueiros - um com cocos de cor amarelada; outro com cocos de côr verde. Aqueles coqueiros estavam lá a muito tempo. Mas a vários anos, ninguém conseguia beber água dos cocos que produziam, devido a uma espécie de besouro que possuía sua colônia na copa dos mesmos. Os seus cocos, geralmente, caiam ao chão, mal atingiam o tamanho de uma laranja ou abacate - secos e estragados. É que os tais besouros os perfuravam e contaminavam.

Naquela ocasião, estávamos ministrando um "Curso de Fé Bíblica" em algumas igrejas. Nesse dia, após uma caminhada na orla da lagoa das Palmeiras, próxima de nossa casa, fiz um desafio de fé à Maria Célia: "Célia! Vamos por em prática a nossa fé bíblica. A Palavra de Deus, no Salmo 91.10, nos declara que praga alguma chegará à nossa casa; e estes besouros são uma praga. Portanto, vamos proclamar o seu fim, em nome de Jesus". Em seguida, nós dois, abraçamos aqueles dois coqueiros e proclamamos: "Besouros, nós proclamamos o seu fim, em nome de Jesus!". Agradecemos a Deus pela vitória e, em seguida, fomos tomar banho e cuidar de outras coisas, antes de dormir. No dia seguinte, ao nos levantarmos e irmos para o quintal, começamos a deparar com besouros mortos, de perninhas pra cima, e em grande quantidade. E à partir daquela data, os cocos começaram a se firmar em sua aste, crescendo até ao máximo de seu tamanho, tornando-se necessário arrancá-los para, então, saborear sua deliciosa água; bem como comer da poupa deliciosa que produziam.

Esta história é tão verdadeira, como a nossa própria existência. Na verdade, a visão daqueles besouros exterminados marcou para sempre nossa vida espiritual. E, de quando em vez, a rebuscamos nos bastidores da memória, para enriquecer algum testemunho ou mensagem que ministramos sobre a fé bíblica. Verdadeiramente, a fé bíblica funciona sempre: seja com inconvenientes besouros; seja com qualquer outra praga que tente nos atingir.

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 15 de agosto de 2010

Patrícia, a menina que sonhava ser veterinária

O caso que hoje vou narrar, revela o modo como nosso Deus age, para poupar Seus filhos das consequências de terríveis tragédias. Ou mesmo para reverter os efeitos de algo ruim que tenha acontecido com os Seus. Este maravilhoso caso ocorreu, quando fui pastor na IMW de Vila Nivi, no ano de 1985. O Senhor havia me trazido de Portugal a pouco tempo; e esta fora minha primeira nomeação após o regresso. A esta gloriosa experiência, darei o título de:

O livramento de Patrícia, "a meninazinha que sonhava ser veterinária".

Fui pastor de diversas famílias em Vila Nivi, com as quais sempre mantive um relacionamento pastoral afetivo e motivador, mesmo tendo sido seu pastor por tão pouco tempo. Uma das famílias que tive o privilégio de pastorear nessa ocasião, foi a família do Presbítero Amandio. O irmão Amandio era um homem excessivamente dedicado ao trabalho, sempre procurando algo que fazer, tanto em seu comércio, como em seu sítio. No entanto, suas multiplas ocupações não o impediam de estar em todas as reuniões, sendo sempre um dos mais pontuais na frequência aos cultos em Vila Nivi.

Logo de início, percebi que era um homem transparente e muito sincero. além de sua bela casa, que costumavamos frequentar de quando em vez, estive por diversas vezes em seu sítio, juntamente com Maria Célia, para passar momentos com Deus. Aliás, foi em seu sítio, que o Bispo Gessé, de saudosa memória, presidiu a primeira reunião do Colégio Episcopal, para elaborar o primeiro "Parecer dos Bispos". Sua esposa Fátima e suas filhas - Raquel, Eliana, Miriam e Patrícia, eram pessoas dóceis e sempre próximas do Pastor. Patrícia era a menorzinha - talvez uns três ou quatro anos, mas muito comunicativa. Ela afirmava sempre em alto e bom som: "quando crescer, quero ser veterinária, para cuidar dos bichinhos". E no seu dia-a-dia, percebia-se o carinho que nutria para com os mesmos. Gatinhos e cachorrinhos feridos; passaros maltratados; enfim... Todo animalzinho que encontrava, por mais ferido que estivesse, trazia com desvelo para o ambulatório que construira em sua imaginação infantil. Era mesmo uma veterinária em formação!

Num belo domingo, após o encerramento da Escola Dominical, desci para o salão social e fiquei conversando com alguns irmãos. De repente, desce o irmão Amândio pela escada de acesso (aquela escada que liga o salão social ao templo), com Patrícia no colo, demonstrando desespero. Ao perceber marcas de rodas em seu corpinho; em diagonal, de um lado a outro, entre o estômago e a coxa, ví que o caso era grave. Ele, chorando, me entregou a menina e eu levantei-a nos braços, repreendendo todo o mal em nome de Jesus, e declarando a vitória do Senhor sobre aquela criança. Em seguida, fomos para o hospital. No trajeto, ele foi contando o que acontecera: uma irmã, em seu carro cheio de crianças, estava manobrando para sair da vaga, do outro lado da rua, em frente à igreja. Ela não percebera que Patrícia, do outro lado do carro, tentava se comunicar com as crianças que estavam dentro. Ao fazer a manobra para sair da vaga, o pneu do veículo, além de derrubar Patrícia ao chão, passou por cima do seu corpinho. Foi um infeliz acidente. Chegamos ao hospital com Patrícia práticamente desmaiada. Lembro-me perfeitamente que o médico de plantão, a ver a extensão das marcas da roda, fez cara de desalento. Em seguida, encaminhou a menina para o raio-x. Após algum tempo, ele mesmo deu a notícia: Nenhum órgão se rompera; nenhuma fratura. Era como se nada tivesse acontecido. Patrícia retornou, bem disposta e livre de perigo. Deus agira e tudo se normalizara!

Lembro-me perfeitamente do sentimento de gratidão estampado no rosto do Presbítero Amândio e da irmã Fátima. Deus, naquele dia, os poupara de lágrimas de dor e agonia. E a Patrícia? É hoje uma competente Médica Veterinária, como sempre afirmara que seria. Experiências assim, me fazem cair prostrado aos pés do meu Senhor, em profunda gratidão a Ele; por poder nutrir com elas os bastidores da minha memória.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O caso da senhora "apunhalada"

O caso que aqui vou narrar, aconteceu num grande trabalho de avivamento, promovido pela IMW do Itamarati. Estavamos em meio a um grande mover do Espírito Santo. A unção que percorria o lugar era de intensa magnitude. Em meio a todo esse poder, Deus começou a me dar revelações sobre diversas situações e pessoas. E foi assim que chegamos ao caso, que achei por bem intitular de:

O caso da senhora "apunhalada"

Enquanto os louvores subiam aos céus; enquanto pessoas glorificavam em alta voz ao Senhor; enquanto alguns eram cheios do Espírito Santo; o Senhor começou a ministrar ao meu coração. As revelações se sucediam - uma após a outra. Em dado momento, tomado pelo Espírito de Deus, declarei que havia no recinto uma mulher, que, de quando em vez, sentia uma perfuração em seu peito, como se uma espada a perfurasse do peito às costas. Seu sofrimento era muito doloroso. Ela já havia tentado quase tudo; inclusive, já tinha ido a consultas e exames médicos. E o resultado era sempre o mesmo""Voce não tem nada". Mas as dôres, semelhantes a punhaladas, continuavam lá!

Outras revelações parecidas já haviam sido ministradas. Todavia, o que colocou esta em destaque naquela noite, é que Deus me mostrou que a mulher, a quem a revelação se aplicava, estava de blusa azul. Lembro-me como se fosse hoje: Veio se encaminhando para o púlpito, uma senhora ainda nova, morena, com semblante abatido. Naquele momento, procurei afastá-la, devido ao fato que ela estava vestida com um casaco marron. Sem titubear, a mulher arrancou o casaco marron... e lá estava a blusa azul, até então encoberta pelo casaco! Todos os presentes, atentos ao episódio, começaram a glorificar a Deus. Foi um momento emocionante! Ela saiu muito feliz, pois, naquele momento sentira-se completamente livre daquele mal.

Nosso Deus é o mesmo, hoje e sempre, aleluia! Ele não se enfraquece nem envelhece. Como me sinto feliz por manter vivas, nos "bastidores da memória", as experiências que, em tempos de sequidão, me fazem refletir sobre a providencia de Deus. Estas lembranças, nos mais diversos momentos da minha vida, são como lenha em meu espírito; tanto para manter viva a chama da fé, como para me conduzir no caminho do sobrenatural de Deus.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A cura milagrosa de garotinho de Rolim de Moura

Este caso que vou relatar, aconteceu em dezembro de 2004, por ocasião do encerramento de um dos nossos concílios da IV Região. O culto de encerramento foi no Clube "Botafogo", na manhã daquele domingo. Haviam cerca de mil e quinhentas pessoas presentes a esse culto. O mover de Deus era lindo, maravilhoso! Vidas sendo quebrantadas e avivadas, em um momento de fé e unção incomum. Em meio ao clima reinante, chegou ao meu conhecimento que uma tragédia havia acontecido em casa de uma das participantes do evento. A este caso, vou chamar de:

A cura milagrosa do "garotinho de Rolim de Moura".

Era o culto de encerramento do V Concílio Regional. Haviam caravanas de vários lugares da Região - uma multidão concentrada no "Clube do Botafogo", na Av. Jorge Teixeira, em Porto Velho - RO. Havia uma presença sobrenatural no ar; e todos tinham consciência disso. Louvores, clamores, glorificações... Era uma apoteóse para não ser esquecida! Jovens, adolescentes, adultos, crianças - um "mar de gente". Em determinado momento, chegou à Mesa uma informação que uma criancinha, filho de uma familia de Rolim de Moura, havia sofrido um sério acidente em sua casa: a porta do guarda-roupas desprendeu-se a caiu com um de seus bicos em cima do dedinho do pé do garotinho. Segundo o telefonema que a mãe recebera, seu filho fora levado às pressas ao posto médico, o médico que o atendeu, tirou toda a esperança de salvar o dedo acidentado, informando que teria que amputá-lo. A mãe, que antes estava tão feliz no Evento, agora vivia o desespero próprio de situações desse tipo. Naquele momento, fui tomado de santa ousadia e gritei, com palavras mais ou menos assim: "Neste dia tão maravilhoso, para a glória do nosso Deus, não posso admitir tragédia sobre quem participa de tamanha unção! Declaro, em nome de Jesus, que não se perderá o dedinho do menino". O auditório explodiu em glorificação ao Senhor!

Dias depois fui informado que o dedinho da criança, não somente havia sido poupado, como já estava totalmente restaurado - uma restauração rápida demais para ser algo comum. Portanto, esta era mais uma história com final feliz, graças à intervenção do nosso bondoso Deus. O milagre acontececera - um milagre que jamais será apagado dos bastidores da minha memória; nem da memória da família do garotinho de Rolim de Moura.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Bastidores da Memória

A experiência que aqui vou relatar, aconteceu em Governador Valadares, quando fui pastor daquela igreja; em uma época em que esta igreja era ainda bem pequena. Procurando dinamizar e fazer crescer a igreja, adotei como costume conduzir os membros, quase que semanalmente, a uma vigília no monte. Intercalávamos sempre a vigília entre o monte do Bairro S. Pedro e o monte do Batalhão da PM (não me lembro o nome do bairro) próximo ao Bairro de Lurdes. Eram reuniões cheias do Espírito; e o número de participantes aumentava a cada dia. Havia uma intensa manifestação do Espírito Santo de Deus, sempre trazendo renovo a todos nós. E foi em uma dessas idas ao monte, que aconteceu o fato que vou narrar. Ele permanece ainda bem vivo, nos bastidores da minha memória. E seu título editado abaixo, é o que julgo ser mais apropriado:

Deus revela segredos

Era uma noite de lua crescente ou minguante, pois não se via muito bem o rosto das pessoas. O "grupo do monte" formava um círculo de mãos dadas, orando e cantando louvores a Deus. Lembro-me perfeitamente que estava no centro do círculo, dirigindo alguns cânticos e incentivando aos cerca de 100 irmãos reunidos ali. De repente, fui invadido por uma unção sobrenatural, seguida de uma revelação específica da parte do Senhor. Pelo Espírito, comecei a exortar ao grupo, advertindo que estava em nosso meio uma jovem, que havia maltratado sua mãe naquele dia; inclusive com xingamentos. Em seguida, pedi a jovem que viesse ao centro do círculo, para que eu orasse por ela. Insisti um pouco mais e, como não compareceu ninguém, proclamei com ousadia profética: "Se a jovem não vier, irei buscá-la pessoalmente". Dito isto, comecei a caminhar, de olhos fechados, sem saber aonde o Espírito me conduziria. De repente, parei e segurei alguém pelos braços, ainda de olhos fechados. Quando abri os olhos, senti como se a terra fugisse sob os meus pés, pois achei que me tinha equivocado. Em meu íntimo, comecei a falar com Deus: "Meu Deus, a moça que está diante de mim é Marília, nossa diretora dos jovens; uma das jovens mais dedicadas da igreja! E agora, Senhor?"

No entanto, para minha surpresa, seguida de uma grande dose de alivio, Marília caiu de joelhos, clamando e pedindo perdão a Deus. Em seguida, foi abraçar sua mãe - a querida irmã Maria Bonifácio, pedindo-lhe perdão, por tê-la magoado com suas ofensas (sua mãe - a irmã Maria, ainda hoje milita entre os wesleyanos valadarenses). Não houve quem não glorificasse a Deus naquele momento! E seguiu-se, então, um grande derramamento do Espírito, trazendo unção sobrenatural a todos os presentes.

Desde que me senti chamado por Deus para a Sua obra, passei a entender que duas coisas deveriam ser fundamentais, para o bom andamento do meu ministério: A primeira, é que devemos sempre louvar e dar muitas graças a Deus, quando podemos contar histórias de milagres e revelações ocorridas em nosso ministério. A segunda é que, quando não temos histórias assim, devemos aprofundar nossas experiências com o Senhor, procurando reproduzí-las na única fonte verdadeiramente capaz de manifestá-las com poder, no exercício do nosso ministério: a presença do Deus eterno, que nos chamou por Sua glória e virtude - o Deus que revela segredos.

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Bastidores da Memória

Inicio da Obra Wesleyana no Triângulo Mineiro

Nestas visitas que tenho feito às IMW do Distrito de Uberaba, tenho sido transportado aos bastidores da memória. Mais propriamente ao ano de 1977, quando se iniciaram as atividades da nossa Igreja no Triângulo Mineiro. Esta missão nasceu de um projeto simples, despretencioso, de visitar a cidade de Uberaba, por ser a cidade em que vivia o irmão Adalberto, um novo membro da IMW de governador Valadares, então, sob meu pastorado a quase cinco anos. Adalberto, hoje pastor batista, havia sido batizado naquele ano em nossa igreja. Ele era representante comercial e estava sempre viajando por diversas cidades mineiras, vendendo chapeus. Ele trabalhava também para o irmão Jonaídes, que vendia em sua loja diversos modelos de chapeus e outros artefatos relacionados à vida no campo (a cerca de dois meses estive com o querido irmão Jonaides, em seu comércio em Valadares). Foi deste relacionamento, que Adalberto acabou tendo contato conosco. Com seu jeitão simples e peculiar, costumava frequentar nossa casa; e acabou tornando-se membro da IMW de Governador Valadares, e também um grande amigo.

De quando em vez, Adalberto viajava para Uberaba, onde morava com sua mãe, de saudosa memória, e sua irmã. Na altura ele era um solteirão inveterado - muito engraçado em suas conversas, sempre falando sobre casamento e sobre seus sonhos (quando fomos para Portugal, ele nos visitou lá). Comecei a interessar-me por sua família, embora ele falasse muito pouco sobre este assunto. Em uma de suas viagens a Uberaba, resolvi acompanhá-lo. Partimos juntos, percorrendo em seu carro, os oitocentos quilômetros que separavam Uberaba de Governador Valadares. Quando chegamos à entrada da cidade, movido a um impulso, pedi-lhe que parasse o carro. Saí para o acostamento e fiz uma oração a Deus. Lembro-me muito bem das palavras, que soaram mais ou menos assim: "Senhor, dá-me esta cidade, para que eu possa plantar nela uma igreja". Entramos novamente no carro (um fusquinha, carro muito usado na época, pelos representantes comerciais). Fiquei hospedado em sua casa. Dali, levou-me a vários lugares da cidade, para visitar alguns amigos dele - dentre eles a figura inesquecivel do Dr Luiz Durant, advogado e oficial da PM. Concluida esta etapa, retornamos a Valadares. Deixei Uberaba, mas Uberaba ficou gravada em meu coração. Orava sempre, pedindo a Deus que me abrisse uma porta naquela cidade.

Naquele mesmo ano de 1977, depois de um entendimento com o Presbitério da IMW de Valadares, fui em missão para Uberaba, levando comigo um jovem obreiro, de nome Carlos, já falecido. Levei também algum dinheiro, para instalarmos a IMW naquela cidade. Deixei a família em Valadares; entreguei a igreja ao Presbitério, e partimos para este desafio missionário. Encontrei um amplo salão que fora um supermercado, na Prudente de Morais, importante rua do Bairro da Abadia. Como não tinhamos fiador, paguei tres meses adiantados. Fomos também à emissora de rádio mais popular da cidade e contratei um programa diário, as 7 da manhã, pagando tres meses adiantados, pelas mesmas razões. Nos instalamos numa pensãozinha bem simples e barata, pois o dinheiro trazido de Valadares estava no fim. O que sobrou daria para comermos apenas uma vez por dia. Perguntei ao Carlos se ele preferia almoçar ou jantar, ao que ele respondeu: "num dia a gente almoça; no outro a gente janta; para não perdermos o costume...". Achei engraçado! Mandei confeccionar cinco mil folhetos e demos uns trocados a dois meninos, para que distribuissem no Bairro da Abadia. As reuniões seriam diárias: de segunda a sábado, as 15 e as 19.30; e no domingo, tres reuniões - as 09, as 15 e as 19.30 horas.

Lembro-me da primeira reunião: uma segunda-feira, as 15 horas. Haviam oito pessoas naquele amplo salão escuro, pois os que desocuparam o mesmo, deixaram as contas de energia em atraso. Das oito pessoas que vieram, uma estava terrivelmente possessa; o demônio falava por sua boca: "Já matei o filho, e agora vou matar a mãe". Declarei-lhe que o poder da vida e da morte estava com o Senhor Jesus e, em seguida, ordenei-lhe que se retirasse daquela mulher (depois fui informado de que ela sofrera um aborto a cerca de oito dias). Foi o primeiro milagre operado naquela frente missionária, para a glória do nosso Deus! Na reunião da noite, o grupo aumentou para 12 pessoas. Como não havia iluminação, comprei alguns pacotes de velas e acendemos em volta. Isso deu um aspecto estranho; mas não tinhamos outra solução. Durante esse tempo, Célia vinha de vez em quando de Valadares, para ficar comigo ois ou tres dias (nessas ocasiões, nos hospedávamos sempre em casa do Dr. Luiz Durant e sua esposa). Célia me ajudou muito no ministério de libertação; pois, a mulher que Deus me deu, é uma grande guerreira do Senhor!

Lembro-me da Edna e Darci, que ainda estão por lá, como membros dedicadas da igreja. Eram bem jovens na altura. Havia também a Maria das Graças, que atualmente está em outra igreja. No primeiro mês, converteu-se também uma advogada, de nome Aliceluza, que tornou-se uma coluna naquele trabalho (ela era filha do Dr. Luiz e sobrinha daquela senhora que foi liberta na primeira reunião). Costumavamos subir ao monte, nas noites de sexta-feira, para orarmos. Alguns crentes iam sendo batizados com o Espírito Santo naquelas vigílias. Após noventa dias de trabalho, batizei os primeiros crentes - 54 vidas que haviam se convertido ao Senhor naqueles 90 dias de reuniões, e que estavam prontas para servir a Jesus.

Havia também uma vizinha que costumava levar uma moringa d'agua para que bebêssemos; e chegou a emprestar-me umas duas cadeiras, para que eu subisse em cima, para dirigir e pregar. Quebrei as duas cadeiras dela. Ela se converteu, mas nunca mais me emprestou das suas cadeiras (Na verdade, todos ficavam em pé, pois não haviam cadeiras no salão). Num dos dias, atrasei-me; ao chegar, encontrei as jovens Edna e Maria das Graças dirigindo o trabalho, cantando com os presentes alguns dos corinhos que costumavamos entoar. Foi um quadro muito comovente - ver as meninas tentando se equilibrar sobre aquelas frágeis cadeiras, procurando ajudar enquanto não chegávamos!

Logo após nosso primeiro batismo, precisei retornar para Valadares. Entretanto, ao longo do ano de 1977, enviei alguns obreiros para Uberaba: Primeiramente o Atílio, que era do Paraná; depois o Paulo, que havia vindo da Presbiteriana Renovada; e também Paulão e alvino, que eram obreiros nossos em Valadares. No meu espírito, eu sabia que meu ministério em Valadares estava chegando ao fim. Sabia também que, dentro de alguns meses, Deus me levaria para Portugal, para lá iniciar a obra wesleyana - o trabalho de missões estrangeiras mais bem sucedido da IMW, em um dos maiores desafios missionários que já enfrentei. Mas esta é uma outra história, marcada por diversos episódios que vale a pena serem contados; pois, assim como esta, também está bem viva nos bastidores da minha memória.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Bastidores da Memória

No dia 31 de maio passado, logo após o Concílio Geral Extraordinário; encontrava-me eu, juntamente com Maria Célia, em um culto na IMW Central de Petrópolis, comemorativo dos 80 anos de vida abençoada da querida irmã Glória, mulher de testemunho exemplar naquela igreja. Entre seus filhos estão o Bispo Sinvaldo, o Pastor Silmar, o Pastor Silvio e a Missionária Solimar (todos presentes ao culto solene). Na ocasião, foi-me dada a oportunidade de orar por ela, naquela cerimônia tão emocionante. Ao final, em meio aos cumprimentos de familiares e convidados presentes, deparei-me com um irmão que não via a muitos anos. Ele abraçou-me e perguntou-me se por acaso me lembrava dele. Respondi que sim! Então, comovido, falou-me sobre sua filha. Naquele instante, minhas lembrancas se reportaram a um grande trabalho de avivamento, que o inesquecivel Bispo Gessé promovia todos os anos na IMW do Itamarati, nos anos 70. Portanto, dos bastidores da memória, trago para enriquecer esta página, a história que passo a contar, com o titulo de:

Revelação Constrangedora

A cena permanece viva em minha mente: Em um culto marcado por gloriosa unção, foi-me passada, pelo Bispo Gessé, a oportunidade para pregar. Alguns membros do Conselho Geral ocupavam o púlpito. Dentre eles, lembro-me muito bem dos Pastores José Moreira da Silva e Oriele Soares do Nascimento, os quais já estão com o Senhor. A partir do momento em que passei a fazer uso da palavra, comecei a receber revelações do Senhor; e naquela noite em especial, foram diversas revelações em sequência!

Dentre as muitas revelações recebidas, recordo-me de ter chamado à frente, para receber a benção de Deus, um homem que tinha sério problema de impotência sexual (Deus me revelou até a idade do homem). Sem vacilar, me pronunciei: "Deus me revela que existe no recinto um homem, com 28 anos, com grave problema de impotência, motivo pelo qual vive com o seu casamento em crise. Que venha a frente, para ser curado"! Veio então um rapaz, bastante constrangido, e se postou à minha frente. No meu espírito, eu sabia que era ele o homem da revelação. Orei por ele, e passei a outras revelações naquela noite.

Após o culto, o Pastor Oriele, então pastor da IMW Central de Petrópolis, chamou-me para conversar. Eu sabia que ele era um implacavel crítico ao meu ministério, por achar que aquilo não passava de "adivinhação". O que ouvi dos seus lábios me devolveu a tranquilidade que sua presença geralmente me tirava, pois sabia o que pensava a meu respeito: "Calegari, voce sabe que nunca vi o teu dom como algo de Deus. Para mim tudo isso tinha a ver com espírito de adivinhação. No entanto, este rapaz é minha ovelha. Ele procurou-me a dias atrás para buscar ajuda, compartilhando-me o seu sofrimento com este problema. E voce revelou o problema e até a idade. Vejo que tuas revelações são realmente de Deus". E este irmão viu nascer sua filha, um ano depois, como testemunho do milagre que Deus operara!

Encontrá-lo agora, depois de tantos anos, me trouxe uma satisfação muito grande. Ao me abraçar, ele não mencionou o milagre que experimentara. Todavia, ao perguntar se eu me lembrava dele, referindo-se também à sua filha, sinalizou para mim que o tempo não o fez esquecer. Realmente, Aquilo não fora um sonho; ou mesmo fruto de uma imaginação influenciada pela emoção. Naquela noite, mediante divina revelação, Deus agira de fato em sua vida!

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bastidores da Memória

Uma das coisas boas que carregamos conosco, é a capacidade de reter na memória fatos marcantes ocorridos ao longo de nossa vida. E o fato que aqui vou narrar, rebuscando nos bastidores da memória, marcou definitivamente a minha vida. A esta experiência, darei o seguinte título:



Uma mulher desesperada


A experiência que aqui vou contar, ocorreu em julho de 1972, por ocasião do II Concílio Geral da IMW, realizado no templo da Primeira Igreja de Nilópolis. A IMW, ainda em seus primeiros anos, não tinha tantos delegados a um Concílio Geral. Todavia, o seu número era suficiente para que o templo da igreja ficasse repleto. As reuniões plenárias eram presididas pelo Bispo Gessé Teixeira de Carvalho, de saudosa memória.


Era o domingo do encerramento do Concílio Geral. O culto já havia se iniciado. O fervor e entusiasmo dos presentes era contagiante. No púlpito estavam os membros do Conselho Geral de então. O culto estava sendo dirigido pelo saudoso Pastor Francisco Teodoro Batista, com a graça e a unção que lhe eram peculiar. A maioria dos pastores estava postada tal e qual um coral bem disciplinado, pois estava assentada na parte lateral direita do púlpito, em um local onde os corais costumam estar. O culto se encaminhava para o momento da mensagem; e o Pastor Teodoro estava prestes a passar a palavra ao Presidente - Bispo Gessé, que seria o pregador; e a quem caberia também a responsabilidade de declarar encerrado o Concílio.


Em meio a tão elevado clima de alegria e adoração, um fato inusitado chamou a atenção de todos: Eis que uma mulher adentra o templo aos gritos, desesperada e chorando muito. Ela trazia um bebê ao colo e seus gritos soavam assim: "Me ajudem pelo amor de Deus; meu filho morreu"! Para os mais atentos observadores, era patente que aquele corpinho estava sem vida. A mulher aproximou-se do balaustre do púlpito e, sem vacilar, entregou o corpo do seu filho nas mãos do Pastor Teodoro, que demonstrava perplexidade. Sem saber o que fazer, o mesmo transferiu o corpinho ao Bispo Gessé, igualmente perplexo.


Meus irmãos; lembro-me como se fosse hoje: Senti como se mãos invisíveis me pegassem pelas pernas, tentando levantar-me. Fui resistindo, sem entender aquilo, até que fui literalmente jogado prá cima. De imediato, me encaminhei para o balaustre do púlpito, tomando a criança das mãos do Bispo Gessé. Era um corpinho mole e muito frio, que levantei o mais alto que pude. O grito que dei naquele instante, ainda soa em meus ouvidos: "espírito, em nome de Jesus, te ordeno que volte a este corpo"! O bebezinho estremeceu e deu um grito assustador, ficando com o corpo quente e muito corado. Logo em seguida, entreguei-o a sua mãe, que glorificava a Deus em alta voz, gritando com viva emoção.


Sabemos que nossa Igreja não tem por costume ficar divulgando milagres que ocorrem em suas reuniões. Em assim sendo, este episódio, e outros igualmente marcantes, poderia ter se perdido no tempo, caso não estivesse bem vivo nos bastidores da minha memória.


Cordialmente;

Bispo Calegari

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Bastidores da Memória

Com este título, estamos inaugurando um novo tipo de blog. Nele, estaremos relatando experiências obtidas ao longo do nosso ministério. Procuraremos contar fatos interessantes que ocorreram, ao longo dos quarenta e dois anos de trabalho ininterrupto que realizamos para o Senhor. E começaremos este projeto, narrando uma experiência que colocamos o título de:

Entre a água e o fogo


Esta experiencia ocorreu em Valadares, quando fui pastor naquela cidade entre os anos de 1973 e 1978. Já era de praxe, em todos os meses, ministrarmos a Ceia do Senhor no primeiro sábado do mes. Esta ceia sempre era precedida de uma semana de jejum e oração no monte. Que benção era subirmos ao monte, todas as noites da semana, nos preparando para a "festa de sábado". E após a Santa Ceia, havia sempre o "sopão da bênção" gratuito para todos os participantes! Era preparado carinhosamente por um grupo de irmãs; daquelas que existem em todas as igrejas (são irmãs que se sentem chamadas por Deus para este tipo de ministério).

Mas naquela semana em especial, haveria algo diferente! Mal começamos a subir o monte do Bairro S. Pedro, na antiga pedreira (hoje é caminho para um condomínio de luxo), começou a chover. Dos cerca de vinte irmãos que subiam o monte comigo, alguns achavam que era melhor voltarmos. Respondi-lhes que estavamos indo ao encontro de Deus; que Ele sabia disso; que a chuva não era para desistirmos, e sim, para perseverarmos na fé.

E lá fomos nós, cheios de confiança! Ao chegarmos no lagedo que circundava a cratera produzida pela exploração de pedra, começamos a orar, em meio a uma forte chuva. Mas sentimos uma grande unção sobre aquele lugar! Em meio aos participantes, havia uma irmã (a irmã Tereza, de saudosa memória, mãe dos Pastores Nivaldo, Gervaldo e Gessivaldo). Ela estava proibida pelos médicos de molhar a cabeça. Vejam só o que aconteceu: Ao final da vigília, ela estava com o corpo todo molhado e a cabeça completamente enxuta! Glória a Deus! Num lampejo de fé, declarei aos irmãos: "Não podemos faltar amanhã, pois, se hoje Deus mandou água; amanhã Ele vai mandar fogo"!

E no dia seguinte, ao anoitecer, lá fomos nós novamente ao monte, em um número maior de participantes. Mal chegamos, começamos a cantar. Eu, com o meu acordeon, acompanhando os corinhos de fogo. Que maravilha! Quando foi chegando a hora de finalizarmos, fizemos um grande círculo de mãos dadas. Começamos, então, a orar para o encerramento. Na verdade, não era encerramento, pois foi aí que começou a melhor parte: De repente, desceu sobre nós uma bola iluminada, do tamanho de uma bola de futebol, e parou a mais ou menos uns 15 metros sobre nossas cabeças, bem no centro do círculo. Ela explodiu em seguida; e cerca de 15 irmãos foram batizados com o Espírito Santo. Nem eu nem os que estavam ali, jamais conseguimos esquecer tão glorioso episódio.

Cordialmente;

Bispo Calegari



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