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sexta-feira, 13 de julho de 2012

O encontro



Era uma vez... Um personagem chamado 'Não Sou', que caminhava - frustrado e solitário - pelos caminhos sinuosos desta vida; sem compreender a razão de sua própria aparente existência. Em sua solitária caminhada - ora motivada; ora depressiva - lá ia 'Não Sou'; tentando entender a si mesmo e sua relação com o mundo a sua volta. Algumas vezes cansado; algumas vezes tristonho; sempre melancólico... Mesmo claudicante - prosseguia em sua caminhada ao encontro de... Ninguém!

Em um "dia seguinte" - dos muitos que, há muito, deixará de contar ou lembrar - sem que planejasse ou imaginasse, encontrou alguém que se postou a seu lado. Sem terem sido apresentados, 'Não Sou' ficou sabendo da existência de 'Eu Sou'. E então - caminhando juntos - ambos iniciaram agradável conversa; uma conversa a princípio trivial. Todavia, o diálogo foi evoluindo, a medida em que o tempo passava e a viagem prosseguia. E assim, com o passar das horas, 'Não Sou' se pôs mais a ouvir do que falar.

Em dado momento, 'Eu Sou' disse pra ele: Você precisa entregar-se aos meu cuidados, pois... Você é como leito seco de rio inexistente; Eu Sou fonte pura e cristalina que conduz a vida. Minhas águas percorrendo este leito seco, transmitirá vida e beleza por onde passar; e sua vida, então, terá sentido. Você é vazio, Eu Sou presença; você é frasco, Eu Sou essência; você é forma, Eu Sou conteúdo. Logo, se você me acolher, sua existência passará a ter sentido. Pois, você é nada; Eu Sou... Tudo o que você precisa!

Finalmente, aquela história de vida que parecia estar terminando... Na verdade, estava apenas começando. E, deste modo, como resultado daquele encontro transformador entre 'Não Sou' e 'Eu Sou', surgiu uma nova e feliz criatura - com forma, sentido e razão. E assim, aquele ser insignificante - antes conhecido como 'Não Sou' - recebeu até um novo nome: 'Sou o que Sou'... Pela graça de Deus!

"Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" 
(I Coríntios 15.10)

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Céu estrelado

Ao sentar-me, frente ao meu computador, trouxe comigo uma cena que me acompanhou parte da noite. Cena que me fez imaginar detalhes interessantes. Detalhes que se estendem, entre um campo verde e um céu estrelado, em uma noite que tinha tudo para ser uma noite bem especial.

Céu estrelado

"Era uma vez... Sob um céu estrelado, um grupo de homens reunidos em um campo verde, nos arredores de Belém de Judá. Eles não estavam ali apenas passando o tempo... Ou, jogando conversa fora. Na verdade, sua presença naquele campo verde fazia parte de sua rotina de vida. Eram pastores de ovelhas. É que "havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho" (Lc. 2.8). Portanto, sua missão era guardar as ovelhas esparramadas por aquele campo verde.

Alguns deles, de tão cansados que estavam, não resistiram ao pesado sono - enrolados em seu manto e acomodados em volta do que restava de uma fogueira. Outros, se aproveitando do brilho de um céu pontilhado de estrelas brilhantes, ficaram conversando entre si; compartilhando sonhos que alimentavam o seu espírito - sobre um futuro cheio de incertezas - no qual se viam prósperos... Ou, cercados de filhos e netos... Ou mesmo, terminando os seus dias guardando ovelhas. E a conversa, em voz baixa, enquanto um e outro davam sinal de cansaço - já vencidos pela sonolência - se estenderia um pouco mais, caso não surgisse em pleno campo verde uma cena surpreendente: "Eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor" (Lc. 2.9).

Tendo como divina missão entregar-lhes sublime mensagem, "o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura" (Lc.2.10-12). Enquanto ouviam o recado de Deus - pensando no que fazer ante tudo aquilo - eis que uma nova cena os surpreende ainda mais:

E então, "no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens" (Lc. 2.13-14). Foi estonteante contemplar, em pleno céu estrelado, a uma pequena altura (dez metros... Vinte metros... Não sei) - um animada e fervorosa multidão de seres celestiais, formando um coral.

Parecia mesmo uma obra de arte! Um quadro de anjos resplandecentes com um céu de estrelas ao fundo, emoldurado por um halo de luz em toda a sua volta. Que espetáculo! E este deslumbrante coral começou a entoar uma canção tão afinadinha que inebriava os seus poucos ouvintes. Seriam mesmo poucos? Não mesmo! O universo inteiro ouvia e aclamava tão gloriosos intérpretes!

Surpresos e boquiabertos, aqueles homens aplaudiam sem parar - tal e qual meninos felizes - os celestiais cantores! "E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber" (Lc. 2.15). E assim, felizes da vida, correram aqueles humildes homens de Deus, pela estrada afora - rumo a uma estrebaria.

E como corriam os pastores, cheios de unção e temor, ao encontro do Salvador - Cristo, o Senhor - nascido em humilde manjedoura. Eles "foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura" (Lc. 2.16). Ficaram li por algum tempo, vendo o Messias.

Saindo dali, "divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam" (Lc. 2.17-18). Finalmente, o povo recebia daqueles pastores uma palavra sobre Jesus, sem mescla, que a todos edificava.

E assim, impactados pelo agir de Deus em suas vidas, "voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito" (Lc. 2.20). E deste modo, transformados pela visão do Salvador, aqueles homens retornaram à sua missão de cuidar das suas ovelhas - não mais como eram antes."

Lições que nos ficam

Esta história revela um tempo em que Deus podia enviar anjos ao encontro de pastores. E eu espero, sinceramente, que estejamos a viver em um tempo em que Deus também possa enviar anjos, ao encontro dos Pastores, com mensagens celestiais. Um tempo, semelhante aos dias de Belém, em que os pastores podiam sonhar sonhos de vida sem mania de grandeza; vida humilde e pacata - sem ambição por opulência - despojada de desejo obsessivo por fama e riqueza.

Segue-se o texto que inspirou este "Era uma vez":

Os pastores de Belém

"8  Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. 9  E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. 10  E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: 11  Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12  E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. 13  E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: 14  Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. 15  E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. 16  E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. 17  E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; 18  E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. 19  Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. 20  E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito"
(Lucas 2.8-20).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 20 de novembro de 2011

Praia deserta

Nesta manhã, quando eu orava a Deus, consegui vislumbrar uma cena especial. Na verdade, não posso afirmar que tenha sido uma visão plena; pois, é sempre um relance. Mas, foi este vislumbre que me inspirou a postar a história que se segue:

"Era uma vez... Uma praia deserta em uma noite parcialmente iluminada pela luz da lua. Um grupo de amigos, seguidores de uma nova religião, estava ali. Sentados, cabisbaixos - olhos fixos no horizonte... Tentando entender os acontecimentos que marcaram definitivamente suas humildes vidas. Enquanto isso, as marolas do grande lago - também chamado de "mar de Tiberíades" - chegavam mansamente, em movimento cadenciado, espumando nas areias daquela praia deserta.

E então... O que faremos agora? Alguém tem um plano "B"? Isso mesmo: Um plano B; posto que o plano "A" se desfizera - em uma semana de intenso sofrimento produzido por um julgamento forjado; que condenou à morte o seu Mestre e Senhor, sob cruel tortura. O quadro clínico do frágil grupo, era de stress crescente. Seu líder espiritual - carismático e convincente - morrera e fora sepultado. Fato consumado! E, pensando deste modo, não havia muito mais o que fazer. Esperança frustrada... Sonhos desfeitos... E aquela branca e intermitente espuma produzia um som de coisa alguma. Eles estavam sozinhos... Ou, pelo menos, assim pensavam.

O mais velho dentre eles - homem de palavra fácil e de humor imprevisivel - tomou a iniciativa: Vou pescar! Nós vamos contigo - respondem em tom submisso os demais - sem muita convicção quanto ao que iriam fazer. O velho barco, a algum tempo ancorado e sem uso, singraria novamente aquelas águas. Águas que foram palco de cenas sobrenaturais, protagonizadas por seu misterioso Líder; cujas cenas por eles testemunhadas, seriam dentro em breve imortalizadas. E lá se foram, sem um destino certo, lançando suas redes aqui e ali... Talvez a procura de nada; ou, então, algo muito distante daquele lugar.

Enquanto a lua se recolhia, um misterioso personagem ocupava o lugar ainda marcado por seus assentos. Ele os contemplava de pé - ainda sob a penumbra de um amanhecer não concluído. Tendes algo para comer? Pergunta o estranho personagem. Ao que respondem: Nada... Nada... Nada... Tal e qual o som produzido por uma agulha aprisionada na ranhura de um disco de acetato. Lancem a rede para o lado direito! Verdadeiramente, a voz em tom determinante sabia o que dizia. E a obediência do grupo àquela voz de comando, resultou em uma das melhores pescarias de todos os tempos. Aproximai-vos, ordenou o estranho ao grupo perplexo.

É o Senhor! Gritou o mais velho dentre eles - nu como no dia em que nascera. Dito isto, lançou-se ao mar e seguiu a nado a distância que os separava. Era mesmo o Senhor - deles e nosso - que já os esperava com peixe assado e pão; e, também, com o conforto produzido pelo calor de uma fogueira. Senhor, cuja presença - em uma manhã agora plenamente definida - trouxe alegria, alimento e calor àquela praia - já não deserta como antes."

Não posso terminar esta história, baseada no texto de João 21.1-14; sem antes afirmar - com absoluta certeza - que o nosso mundo é como aquela praia: Um deserto sombrio e sem futuro, quando estamos distantes de Deus. No entanto - na presença do Mestre - a vida se se renova; e com ela a luz, o calor, o alimento - enfim... O conforto que a presença de Jesus sempre nos traz.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quebar: Fronteira entre o natural e o sobrenatural

Nesta manhã, orando a Deus, veio ao meu espírito o livro de Ezequiel. Na verdade, já tenho pregado ultimamente, pelo menos umas duas vezes, sobre um assunto especial deste maravilhoso livro. E, no altar - enquanto orava - senti-me inspirado a escrever esta história que brotou em meu espírito. E, então, segue-se a história intitulada:

Quebar: Fronteira entre o natural e o sobrenatural

"Era uma vez... Um peregrino cansado e abatido, seguindo com outros peregrinos tão cansados e abatidos quanto ele. Caminhavam a passos lentos pela região desértica da Caldeia. Seus pés feridos caminhavam com dificuldade - tanto pelo calor provocado por aquelas areias quentes, como pelas inúmeras dunas que precisavam subir - em sua caminhada rumo a um destino incerto.

Todavia, o seu maior sofrimento não era produzido pela hostilidade do terreno em que caminhavam. Nem mesmo pela condição precária em que prosseguiam, em sua condição de exilados. Na verdade, o seu drama estava longe daquele deserto em brasas. Eles formavam um grupo de judeus cabisbaixos... Sua querida nação tombará vítima da loucura de seus reis e sacerdotes; os quais - ultrapassando o limite da insanidade - deixaram o Deus de seus pais. A consequência imediata desta loucura, foi um cativeiro humilhante deste povo amado de Deus - sob o jugo babilônico. E as consequências futuras... Incerteza e mais incerteza.

Entretanto, quando o seu abatimento e cansaço começava a se transformar em desespero pela própria vida, enxergaram - do alto de uma duna - um rio que serpenteava aquela região árida. "Um rio!" - alguém deve ter gritado entre eles. E assim, buscando forças em seu interior, correram para aquelas águas. Mergulharam... Beberam... E se divertiram - esquecendo por um pouco da sua humilhante condição e do motivo que os levara a tão grande sofrimento.

É que, sem que eles percebessem, Deus os levara por um caminho não traçado. Sua caminhada sem rumo, na verdade, tinha mesmo um rumo! Não aquele que eles pensavam ter escolhido ao acaso. Mas, o que Deus preparara para eles. Afinal, o Deus de Seus pais era ainda o seu Deus - mesmo com a decadência de sua querida nação. E assim, guiados pelo Espírito Santo, eles chegaram ao Rio Quebar - o rio das visões de Deus".

Esta experiência é muito importante para nós; que vivemos uma realidade não muito diferente daquela que eles viveram, em passado tão distante. Dentro de uns dois dias, postarei uma palavra pastoral sobre esta experiência. Pois, também vemos a decadência carcomer aos poucos a nossa nação. Injustiça, arrogância, imoralidade... E outros substantivos de semelhante significado - Consomem o que parece restar de nossas reservas morais e espirituais. Isso mesmo: Somos peregrinos caminhando em um deserto sem fim... Sem saber como terminará tudo isso.

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A vida não é brincadeira

Gosto muito de pensar naquelas histórias cheias de aventura e de algum mistério. Talvez tenha sido por isso que sempre apreciei aqueles filmes de suspense. Sei que não sou um grande contador de história; mas, gosto de contá-las. Hoje, resolvi contar uma história que sempre me impressionou. Uma história cheia de força e de um enredo incomum. Uma história, cuja finalidade é nos transmitir lições que jamais devem ser esquecidas.

O preço da inconsequência

Era uma vez... Um homem que terminou os seus dias andando em círculo. Todavia, necessário se faz dizer que seu futuro se afigurava promissor. O seu nascimento foi precedido por uma palavra profética que conferia "ao menino que iria nascer" uma força descomunal. Inclusive, segundo a mesma palavra profética, sua mãe precisaria tomar alguns cuidados especiais durante a sua gravidez - para que não houvesse o menor risco capaz de comprometer a saúde e o destino daquele menino.

A criação de um menino especial como aquele, iria também exigir medidas e ensinamentos especiais. Uma das medidas a serem tomadas, seria a de manter os seus cabelos crescidos - sobre os quais jamais deveria passar o fio da navalha. Sua comida e bebida também deveriam ser destituídas de qualquer componente alcoólico. E os ensinamentos sobre o Deus de seus pais, bem como sobre a história do seu povo, deveriam ser-lhes sempre ministrados.

E assim, ao nascer, recebeu de sua mãe "o nome de Sansão". E, cercado de cuidado e instruções, "o menino cresceu, e o SENHOR o abençoou". Segundo o registro de sua história, "o Espírito do SENHOR começou a incitá-lo de quando em quando" ao encontro dos filisteus - povo cujo destino estava de algum modo ligado ao seu - a missão de sua vida. E assim, as pequenas rusgas iam se tornando cada dia mais intensas; até que passou a ser o homem mais temido e odiado por este povo pagão.

Entretanto, juntamente com sua força e fama, algo crescia com ele: Uma ingenuidade mesclada com irreverência o fazia viver uma vida superficial e marcada pelo improviso. Na verdade, ele não se dava conta do perigo que o rondava; e seguia - tomando atitudes impróprias para um nazireu de Deus. Aquele jovem tinha uma natureza brincalhona; e gostava de contar suas façanhas. As vezes se exibia - até mesmo quando precisava utilizar sua força física, em situações de perigo real.

Lamentavelmente, uniu sua vida a uma mulher frívola; leviana. E, deste modo, sua paixão inconsequente viria a se tornar em sua ruína. E o homem Sansão, separado por Deus para uma grande obra, caminhava com os seus próprios pés em direção a sua humilhante prisão. Suas brincadeiras foram enfraquecendo suas defesas morais e sobrenaturais. Mas ele, indiferente a tudo isso, continuava brincando. Finalmente, a força que Deus lhe tinha dado, estava sob o controle de uma mulher sem Deus.

Naquele dia, ele perdeu os seus cabelos; perdeu a sua honra; perdeu os seus olhos; perdeu a sua liberdade. E assim, devido a brincadeiras irresponsáveis - em meio a um relacionamento errado - acabou por tornar-se em uma espécie de "bobo da corte"; alguém sem honra e sem dignidade. O homem desceu ao mais profundo calabouço! Em regime de prisão perpétua, passou a viver a vida andando em círculo - preso a uma corrente, em uma masmorra - fazendo o trabalho de um animal. Triste fim para um escolhido de Deus!

Por misericórdia, Deus se compadeceu dele e foi lhe devolvendo a força aos poucos até que - com os cabelos inteiramente crescidos - percebeu que Deus o levantara de novo. Este ato misericordioso de Deus não iria ajudá-lo a ter uma vida melhor; mas... O ajudaria a ter uma morte honrosa - cumprindo em sua morte, a missão que não conseguira cumprir em vida.

Uma lição para não ser esquecida

E esta lição está registrada no Livro Sagrado, como um sinal de alerta a todos aqueles que tratam com leviandade os dons e ministério que receberam do Senhor. Homem de Deus algum está livre de sofrer as mesmas penas, caso entregue sua alma à vaidade e sua força a serviço do inimigo - seja envolvendo-se em relacionamentos errados; seja transformando seus dons e talentos dados por Deus em motivo de brincadeira - utilizando-os com futilidade; ou, para sua glória pessoal.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O vale escuro

Salmo de Davi

"1 O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. 2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. 3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. 4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. 5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. 6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias" (Salmo 23)

Era uma vez... Um vale muito escuro

Este vale era tão escuro, que chegava até mesmo a assustar os mais intrépidos e corajosos guerreiros. Segundo as histórias escritas acerca desse vale sombrio - não foram poucos os que perderam sua pureza e saúde, ao passarem pelo mesmo. Alguns chegaram a pagar com a própria vida, ao resolverem transitar descuidadamente e por sua própria conta - por este perigoso vale.

No entanto, a muito tempo atrás, um jovem humilde e idealista, acabou sendo "empurrado" para este vale escuro; devido ao ciume e inveja de quem não se alegrava nem um pouquinho com o seu talento e simplicidade. É que circulava uma profecia. E nela constava que Deus levantaria um novo rei, que governaria com justiça e paz aquele pobre povo. Mas aquele jovem, alheio a tudo isso, ocupava o seu tempo entre o cuidado de um pequeno rebanho de ovelhas de seu pai e a missão de compor e cantar. É verdade! Ele era dotado de rara habilidade para compor belos e eternos poemas e dedilhar sua harpa, tirando dela o mavioso som produzido por seu dom divino. Segundo narrativas feitas a seu respeito; até mesmo as criaturas malignas - habitantes do vale escuro - temiam e se aplacavam, quando ele tangia sua harpa e cantava os seus suaves salmos.

E assim, perseguido pela inveja de quem não lhe queria bem - empurrado em direção ao vale escuro - foi obrigado a enveredar por suas trilhas sombrias. Ele não diz isso claramente... Todavia, ao examinarmos o "diário de sua vida", somos levados a crer que ele atravessou todo esse vale assustador, movido tão somente por sua fé no Deus de seus pais. E, nesta perigosa travessia; teve o cuidado de usar como referência, a poesia e o som dos mais belos salmos que conduziam os seus passos pelo vale da sombra da morte.

E assim, ele - mesmo ferido e quase destruído - conseguiu sobreviver e reencontrar o caminho do seu destino em Deus. Tornou-se um grande guerreiro e um monarca justo e piedoso, que procurou sempre o bem do povo por ele governado. Durante o seu reinado, tornou aquela terra tão prospera; que causava inveja até mesmo em nações longínquas. E, ao mesmo tempo, tão temida por seus adversários, que ninguém ousava intentar contra ela. Finalmente, ao terminar os seus longos dias, cercado do respeito e do amor de seus súditos; deixou ao seu sucessor uma herança de valor incalculável.

E assim termina esta história. O vale escuro não conseguiu destruir sua vida; nem impedir sua missão. E as profecias a seu respeito? Todas se cumpriram! O seu nome ainda se propaga por aquelas terras - registrado na história de sua nação - como um dos mais brilhantes governantes que este mundo já conheceu. E tudo isso, tão somente porque crera no Deus de seus pais e a Ele se apegara com amor e paixão.

É sabido por muitos, que este vale escuro ainda está por aí - assustando os viajantes sem rumo e, também, aqueles peregrinos com destino certo. As feras e seres da noite que nele se encontram, continuam a ameaçar e assustar - tanto os que são para este vale empurrados, como também os que resolvem nele perambular por vontade própria. Todavia... Aqueles que neste vale se encontram, só poderão sobreviver se forem guardados pelo Deus deste glorioso rei.

Ao resolver escrever esta história verdadeira, me recordei que fui obrigado a percorrer este vale algumas vezes - desde os meus dias de jovem pastor. Me lembro então de um cântico que tem tudo a ver com ela! Um cântico que cantei muitas vezes - a frente da pequena igreja sob meus cuidados pastorais, no tempo da minha juventude. Medite em sua letra:

"Pelo vale escuro, seguirei Jesus.
Mas por ti seguro, vendo a tua luz;
O meu passo incerto tu dirigirás.
Ao sentir-te perto, nunca perco a paz!

Breve a noite desce, noite de Emaús;
E meu ser carece de te ver Jesus.
Companheiro amigo, ao meu lado vem.
Fica ó Deus comigo - infinito bem!

Os espinhos tantos que me vem sangrar;
São remédio santo para me curar.
Onde existe a graça do bondoso Deus,
Tudo o que se passa me conduz ao céu!

Não há dor que seja sem divino fim.
Faze, ó Deus, que a Igreja compreenda assim;
Que, apesar das trevas, possa ver Senhor;
Que tu mesmo a levas, com imenso amor"!

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Laodicéia e Filadélfia

Era uma vez... Duas Senhoras de fino trato, seguindo juntas no curso da História - em caminhos distintos e com opções e destinos diferentes. Trata-se de Filadélfia e Laodicéia; duas damas que caminham na noite escura. Sua história é antiga... Mas, o contexto profético que ambas protagonizam é bem atual. As vezes penso que elas nem se dão conta do importante papel profético que desempenham, no grande palco da existência humana.

Laodicéia e filadélfia... Damas muito bem vestidas, cuja aparência não revela aquilo que trazem oculto em seu íntimo. São experiências e segredos acumulados ao longo do tempo. Os bastidores de sua existência são tão insondáveis como as gemas preciosas em seu casulo de granito. Apenas os olhos de Deus conseguem ver com clareza aquilo que trazem dentro de si. E elas seguem com segurança o caminho que escolheram seguir - em direção ao seu eterno destino.

Uma delas - Filadélfia - é a dama do dia! Sempre discreta; exibindo suas vestes alvas, sem manchas alguma, enquanto caminha. Sua roupagem se parece com a branca lã de um carneirinho. Em sua necessidade de claridade; contenta-se com a luz do sol batendo em seu rosto - fazendo-o brilhar naturalmente. Sua brancura é semelhante a neve no topo de uma montanha gelada. Caminha firme, embora cansada, procurando chegar ao destino antes do anoitecer.

Já a outra - Laodicéia - é a dama da noite! Apresenta-se sempre insinuante; exibindo a exuberância de seus vestidos de cor escarlate. E assim, consegue atrair, de imediato, o olhar daquele que por ela passa. Ela vive em busca da luz dos holofotes deste mundo; que refletem sobremodo o esplendor de suas vestes. E ela sabe acentuar o seu brilho; recorrendo as lantejoulas e purpurina que usa em excesso. Caminha com desenvoltura - sem ter o destino como preocupação imediata - pois, a noite lhe faz bem.

Filadélfia - enquanto caminha - necessita, de quando em vez, procurar a sombra do caminho; por onde perambulam vidas sem rumo e de destino incerto. Já Laodicéia - pelo contrário - procura ser o centro das atenções. Gosta muito das luzes da noite; pois, as mesmas ajudam a ocultar o estado sombrio em que vive. Enquanto Filadélfia caminha vacilante - as vezes sem forças para prosseguir. Laodicéia, em seus sapatos altos - julgando-se rica e poderosa - caminha como se fosse a "senhora do destino".

Elas são tão diferentes entre si... À primeira vista, é bem fácil saber distinguir uma da outra. Filadélfia e Laodicéia estão por aí - caminhando entre nós. Creio que você conseguirá identificá-las muito bem, mediante o modo como andam e procedem; e, por suas preferências aqui postadas.

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vivendo entre feras

A cena descortinada é a de um ancião caminhando cansado; com seus passos sendo dados, sob o peso da idade, um após outro. E lá ia o velho profeta de Deus. Certamente que esta caminhada forçada, lhe provocava um turbilhão de sentimentos. E havia algo diferente naquele roteiro; diferente das idas e vindas a que estava habituado - entre o palácio e sua casa. É que ele fora alvejado pelos dardos da inveja e da cobiça. Mas estava consciente de que - ao fim daquela caminhada - o esperava o martírio e a glória. Ou, então, mais uma vitória - dentre as muitas que acumulava ao longo de sua vida. Seus inimigos o entregaram às feras. E nem imaginavam o quanto Daniel tinha noção de que as feras que o condenaram eram bem piores do que as feras que o aguardavam. O que fazer, em uma situação como essa?

Mas Daniel sabia como proceder. Ele procuraria, com seus olhos espirituais, um ponto entre o céu e a terra; um sinal da gloriosa presença do seu Deus. Sabia muito bem que o seu Deus não o deixaria só. Nem mesmo os vorazes leões que o esperavam o intimidavam. E sua fé lhe bradava que este sinal - para vida ou para morte - haveria de chegar...

Ele fora vítima de uma rede de intrigas engendrada por seus inimigos. E eles eram muito piores do que os leões ensandecidos. No entanto, havia algo que os seus adversários desconheciam: Daniel fora alvejado muito tempo antes, em algum ponto entre Jerusalém e o deserto, por uma unção que o distinguiria dentre os demais jovens que seguiam com ele, rumo a Babilônia - em cativeiro sem esperança. Sim! Porque Daniel, ainda em sua juventude, fora atingido em cheio pela unção de Deus. E era esta unção a verdadeira razão pela qual fora perseguido ao longo de toda a sua vida; mas, era também por esta mesma unção que sempre escapara dos seus perseguidores.

Por inúmeras vezes; esta unção que o blindava já o havia protegido, em lutas e provas que tivera que enfrentar. É algo parecido com o que ocorre nos diversos níveis de um jogo de videogame: Daniel, o grande guerreiro, vinha subindo de nível e acumulando pontos a muito tempo. Nunca sabia quando seria o "gran finale"; mas, sentia-se sempre preparado para a próxima etapa!

E esta seria uma etapa muito especial! Fora surpreendido por seus inimigos, fazendo aquilo que mais gostava: Orar a Deus! Diferente de muitos de nós - jamais deixava de orar; nem mesmo quando as lutas e afazeres recrudesciam. Era obstinado em buscar a Deus! As dobradiças de suas janelas nunca enrijeciam... Posto que, três vezes ao dia, num misto de devoção e temor, as abria na direção de Jerusalém e buscava a face do Seu Deus. Sim! O mesmo Deus que Abraão e Moisés outrora cultuaram! O qual também é o nosso Deus - embora nem sempre o busquemos - poderoso para nos livrar, assim como livrou a Daniel.

E, com passos cansados, seguia Daniel a sua visão - rumo à caverna escura para onde se dirigia. Tão escura como a noite que a envolvia. E lá foi lançado o homem Daniel. Não um homem qualquer; mas, um homem de Deus!

Os leões estavam lá - inquietos e agressivos; prontos para o repasto, como determina a natureza de um felino. Todavia; era sentida naquela caverna fria - além de Daniel - uma presença que incomodava e assustava aquelas bestas enfurecidas. É que o sinal que Daniel esperava, chegara antecipada e preventivamente - vindo na forma de um anjo. Não havia tempo a perder; e Deus sabia disso! Ele cuidaria do Seu velho profeta. Sim, Daniel: Haveria para você glória em algum lugar no futuro. Mas, naquele momento, o que aconteceria mesmo era o livramento do Senhor - o qual deixaria as feras ainda mais irritadas - tanto as de dentro como as de fora. E mal sabiam elas que, dentro de algumas horas teriam a oportunidade de ter o seu merecido encontro.

E, ao final deste ato, seus inimigos partiriam perplexos para um encontro de morte. Enquanto que Daniel tivera mais um encontro de vida. Pois o seu Deus entrara com providência.

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Era uma vez...

Tenho a grata satisfação de conseguir postar mais um "Era uma vez...". Tenho buscado de Deus a motivação e a inspiração, para poder manter a regularidade deste "marcador". Nesta segunda edição, estou tomando como base a narrativa do capítulo 23 do evangelho de Mateus. Espero que sirva de subsídio para uma boa reflexão sobre os verdadeiros valores pelos quais a vida cristã deve se pautar. Portanto, leiam esta história que tem como título:

Os Engolidores de Camelos

Era uma vez... "Uma terra de gigantes. O seu povo era de estatura mediana; mas, seus dominadores faziam parte de uma estranha estirpe de gigantes. Estes, exerciam domínio e posse sobre um povinho que dependia inteiramente dos rumos que os gigantes determinavam. É preciso dizer que este povo nem sempre fora um povinho. Eles vinham de uma linhagem real. Possuíam um sistema de governo e de leis que o colocavam acima de todos os povos que viviam a sua volta. Mas isto era coisa do passado. O que prevalecia agora era o "governo dos gigantes"; e o povo de estatura mediana via seu glorioso passado cada vez mais distante; e sua estatura diminuir cada vez mais.

No dia-a-dia da vida desse povo, mesmo existindo leis milenares que pautaram por séculos sua história e sua vida; seus dominadores - não contentes com a aplicação pura e simples de suas leis milenares - elaboravam conceitos ainda mais rígidos do que as leis vigentes determinavam. Além dos rigores interpretativos, imprimiam costumes e tradições que tornavam a vida daquele pequeno povo sob seu comando, ainda mais dominado e infeliz.

Estes gigantes eram tão conscientes de sua voracidade, que, em suas horas de ócio, disputavam entre si, quem conseguiria "engolir" o maior animal daquelas terras. Como o maior animal era o camelo, resolveram transforma-lo em uma espécie de aferidor de sua estranha capacidade de engolir grandes volumes - capacidade esta, de utilidade duvidosa. E lá iam os camelos descendo por sua garganta abaixo - um camelo aqui, um camelo ali. E quanto a seu povo? Cada vez menor e mais sofrido. Era de dar pena!

Todavia, como acontece em toda história, apareceu por aquelas terras um herói - um herói de verdade; de carne e ossos. Embora todos os que conviviam com ele afirmassem que era Deus; o que se percebia, de fato, é que ele era um herói sofrido. Suas dores eram visíveis, Seu semblante sempre marcado por sofrimento; embora sempre conseguisse sorrir para o sofrido povo que o rodeava - que o acompanhava por onde ia. Este herói denunciou a falta de rumo daqueles gigantes, chamando sua atenção para um detalhe aparentemente insignificante daquela estranha "brincadeira" de engolir camelos. "Guias cegos! Que coais um mosquito, e engolis um camelo" (Mateus 23.24). O herói chamado Jesus apontou para o fato de que eles sentiam o maior medo de se engasgarem com algum mosquito que se interpusesse entre o camelo pretendido e a garganta ávida por engolir grandiosidades, mesmo que estas tivessem a forma e o cheiro de um camelo. Resumindo: Para aqueles gigantes, engolir um pequeno inseto era muito perigoso e assustador. Portanto, tinham que preservar, a qualquer custo, a cultura de engolir camelos; ou mesmo um dromedário. E lá ia o pobre animal... Sua cabeça primeiro, com pescoço tão comprido. Ou começavam pela cauda? Uma corcova... não! Isto é coisa de dromedário. Duas corcovas! E aquelas pernas e patas enormes. Que bruta indigestão não causaria, se seus estomagos não fossem tão insensíveis e habituados a degustação de péssimo gosto. Todavia, precisavam deixar o pequeno inseto de fora... Assim como faziam questão de deixar o seu cada dia mais pequeno povo de fora... De fora das promessas do Deus de seus pais; de fora da graça do Deus que prometera um glorioso futuro para aquela nação... Enfim, de fora do cenário profético mais importante de sua história - a chegada do Messias prometido, na pessoa do grande herói que se movimentava entre eles. Quanto prejuízo causado pelos engolidores de camelos. Uma lástima!"

Lições que ficam

O objetivo desta história, é demonstrar que só conseguiremos entender plenamente o valor de uma alma, quando conseguirmos pensar nela com a "mente de Deus"; e a olhá-la com os "olhos de Cristo". Quando a Palavra de Deus declara que "uma alma vale mais do que o mundo todo" - ela está simplesmente afirmando que uma vida vale mais do que o meio ambiente em que ela se desenvolve; do que o conjunto de leis que a governam; do que o lugar onde vive; do que as próprias medidas de segurança criadas para protegê-la. Enfim... Falando em termos humanos, uma vida só se iguala em valor a uma outra vida!

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 2 de janeiro de 2011

Era uma vez...

"Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada" (Lucas 10.41-42).

Hoje pela manhã bem cedo, quando eu orava, minha intercessão focava alguns conflitos que tentam nos levar a quebra de alianças. Já de a muito tempo, tenho sabido que uma quebra de aliança tem efeitos colaterais que podem ir de ruim a trágico. E vários exemplos - tanto no mundo bíblico como no mundo secular - respaldam esta minha profunda convicção. Enquanto orava, meu espírito cantarolou a canção de Ludmila Ferber, que adverte, dentre outras coisas, que em tempo de guerra nunca devemos parar de lutar. Nesta canção ela também expõe que os ferimentos de um soldado de Cristo podem ser produzidos por "uma quebra de aliança ou um contra-ataque do mal". E aquilo que meu espírito vislumbrou me fez um grande bem. Senti-me fortalecido e renovado!

Deus me fez lembrar das marcas dos ferimentos de guerra que trago comigo. Deus me fez ver que eles não gangrenaram; nem se tornaram feridas cronicas. Antes, pelo contrário: Ao cicatrizarem, tornaram-se marcas históricas do meu ministério. Que satisfação isso me trouxe! Não sei por onde anda a maioria daqueles que me desferiram golpes - bem ou mau intencionados; por uma boa causa ou sem justa causa. Mas sou grato pelos golpes sofridos. Espero que eles tenham sido tão felizes pelos golpes que me infringiram; como sou feliz pelos golpes sofridos.

Entretanto, o foco desta manhã não é este. Recebi também uma palavra do Senhor sobre quatro alianças muito importantes que comprometem radicalmente a nossa vida. Também não vou escrever sobre isso hoje. Vamos então ao foco: Enquanto eu orava, o Senhor me levou a Betânia, por ocasião de uma das visitas de Jesus aos três irmãos - Lázaro, Marta e Maria (Lucas 10.38-42). Enquanto meu espírito se alimentava com esta história, nasceu ali um novo marcador para o meu blog: Era uma vez... Isso Mesmo! E assim nasce a primeira história deste momento tão especial. E a ela darei o título de:

Muitas Coisas & Boa Parte

Era uma vez... Dois personagens por nome "Muitas Coisas" & "Boa Parte". Eles iam caminhando juntos, procurando um lugar onde pudessem pousar. Depois de terem percorrido um longo percurso, tendo estado em vários lugares e se hospedado em várias casas, chegaram finalmente a uma pequenina aldeia por nome Betânia. Então, resolveram entre si ficar ali por algum tempo. Acharam guarida em uma humilde residência, pertencente a uma família muito piedosa e estimada naquela aldeia As duas irmãs que ali residiam resolveram dar-lhes uma atenção especial. E como as duas acharam que não poderiam cuidar dos dois ao mesmo tempo; acabaram tomando a seguinte decisão: Marta escolheu ficar com "Muitas Coisas", enquanto Maria Escolheu ficar com "Boa Parte".

Com o passar dos dias, ambas começaram a ter pequenos conflitos, devido a escolha que fizeram. Na verdade, o conflito tinha tudo a ver com a escolha de Marta, pois, esta - sem perceber - escolhera o personagem mais trabalhoso, "Muitas Coisas", que afligia sua alma a ponto de tirá-la do sério, provocando-lhe surtos de nervosismo e reclamação. Como Maria fora mais feliz na escolha que fizera - "Boa Parte" - sentia-se tranquila e descansada. Entretanto, o que elas não perceberam é que ambas poderiam, conjuntamente, cuidar de "Muitas Coisas" e "Boa Parte" ao mesmo tempo. Se assim tivessem feito. Ambas teriam sido beneficiadas! "Boa Parte" poderia ter fortalecido e acalmado Marta no cuidado de "Muitas Coisas"; ao passo que "Muitas Coisas" poderia ter enriquecido Maria, sob a supervisão de "Boa Parte". Mas elas não pensaram nisso quando fizeram suas escolhas. Na verdade, Maria estava em vantagem, pois, ao menos tinha descanso. Todavia, se ela tivesse cuidado de ambas conjuntamente, poderia ter enriquecido ainda mais a sua história. Quanto a Marta - esta teria mas alegria e paz em suas realizações, se tivesse cuidado de "Muitas coisas" e "Boa Parte" ao mesmo tempo. Enfim... Jesus chegou naquela casa e nada disso teria sido focado, se Marta não estivesse tão cansada e agitada por causa de "Muitas Coisas". Jesus calou as queixas de Marta contra sua irmã, demonstrando que Maria fizera muito bem ao escolher "Boa Parte".

Ao examinarmos esta história, ficamos com a nítida impressão que Jesus não desqualificou "Muitas Coisas"; Ele apenas a colocou em seu devido lugar - em nível abaixo de "Boa Parte". Porém, ele parece indicar uma terceira via: É como se ele sugerisse que, entre "Muitas coisas" e "Boa Parte", existe um terceiro elemento chamado "Poucas Coisas"; o qual, em dupla com "Boa Parte", poderia ter dado um melhor final a esta história (contanto que "Boa Parte" fosse o elemento prioritário). É isso!

E assim encerramos este episódio, de uma interessante história que não termina aqui (sendo este apenas um de seus capítulos). É que estes dois personagens continuam sua jornada, visitando cidades e aldeias; procurando famílias e pessoas que os acolham. E o modo como lidarmos com eles vai determinar o estado de espírito que conseguiremos cultivar - tanto diante de Deus como diante dos homens.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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