terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Itinerância (parte I)

"Ora veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença do Senhor para Társis. E, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, da presença do Senhor" (Jonas 1.1-3).

Dentre as muitas histórias da Bíblia, concernente a itinerância, a que mais me impressiona é a do Profeta Jonas. É inegável o fato de que Jonas era um verdadeiro homem de Deus. Também inegável o fato de que este homem de Deus recebera do Senhor uma missão incomum: profetizar à uma cidade-estado. Mas... Onde Jonas errou? Por que agiu da maneira como agiu? Que razões seriam fortes o bastante, para que este homem de Deus, com uma missão dada por Deus, optasse por um rumo alternativo; arbitrando o seu próprio destino?

Verdadeiramente, a história de Jonas é marcada por diversas interrogações - do início ao fim. O interessante, é que este é o único livro da Bíblia que termina com um ponto de interrogação. Estranho...

Levanta-te

Jonas recebera uma ordem de Deus: "Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive". Mas o que ocorre é o inverso disso: "Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença do Senhor". Na verdade, quando Deus nos levanta para uma determinada missão; qualquer outro lugar para onde nos "levantemos" não passa de fuga. O problema de Jonas não era ir para Tarsis: Era deixar de ir para Ninive! Na mordomia do tempo podem existir caminhos alternativos. Todavia, no propósito de Deus, todo o caminho alternativo nada mais é do que "rota de fuga".

É como no princípio elementar do "oito ou oitenta"! Aconteceu com o "profeta novo"; o qual, por indicação do "profeta velho", seguiu um caminho alternativo (e devemos observar que ele estava voltando - já tendo cumprido a missão). Deu-se muito mal na escolha que fizera! Outro caso digno de referência - o episódio de Moisés: Deus mandou que falasse à Rocha; mas ele golpeou-a (caminho alternativo)! O resultado foi o mesmo que ocorreria, caso Moisés seguisse a ordem explicita: Jorraram abundantes águas para dessedentar o povo de Deus. Todavia, esta "mudança de rumo" custou a Moisés o ingresso na terra prometida.

Sobe ou desce

Uma das cenas que sempre me causam um sentimento diferente: É quando o ascensorista de um elevador (como naqueles grandes edifícios, cujo elevador está sempre num vai-e-vem); a parar em determinado andar, com voz em tom monótono, informa: "Sobe"; "Desce". Não sei muito bem porque... Mas esta cena sempre me chama a atenção.

Existe também o "sobe e desce" na esfera do nosso relacionamento com Deus. Só que, nessa relação, apenas a voz de comando é do Senhor; as ações que respondem a essa voz, são as nossas ações. Resumindo: Somos os ascensoristas do elevador. A condição do mesmo - em subir ou descer - depende do modo como respondemos a voz Daquele que nos fala. Quando respondemos em sintonia com a mesma, nosso "elevador" está sempre subindo. Quando agimos de modo contrário, a descida é inevitavel.

Jonas, ao escolher seguir seu próprio caminho, começou a descer. A partir dali, estaria sempre descendo: Desceu para Jope... Desceu para do navio... Desceu ao porão... E ali , "tendo-se deitado, dormia um profundo sono". Mas a descida de Jonas ainda não havia terminado! Iria ainda descer ao profundo oceano... Iria descer até as entranhas de um grande peixe... Poderia ter descido até as profundezas do inferno, caso não tivesse se arrependido profundamente do caminho que escolhera.

Enfim, a subida

Das profundezas a que chegara, Jonas orou a Deus: "Eu desci até os fundamentos dos montes; a terra encerrou-me para sempre com os seus ferrolhos; mas tu, Senhor meu Deus, fizeste subir da cova a minha vida. Quando dentro de mim desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo" (Jonas 2.6-7). Sim! Antes que tudo se findasse Jonas orou a Deus!

Ele finalmente entendera que sua loucura o levara aos "fundamentos da terra - encerrado para sempre com seus ferrolhos". O arrependimento do Profeta - ainda em tempo hábil, moveu o coração de Deus, que o fez "subir da cova". Ele mesmo declara que, quando desfalecia sua alma, lembrou-se do Senhor. Glória a Deus! A mudança de Jonas provocara a mudança de Deus. Aleluia! Haveria salvação para o profeta fujão.

Mas... Talvez você me pergunte: Onde se situa a itinerância? Falarei sobre ela na parte II desta mensagem. Se Deus me permitir, falarei sobre isso no próximo "post". Até lá então.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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