segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Orçamento familiar II

Parábola acerca da previdência

"28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29 Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz" 
(Lucas 14.28-32).

Como eu afirmei na primeira parte deste artigo, recordo-me que meus primeiros anos no ministério, foram anos muito difíceis. Lembro-me muito bem que nossa preocupação material estava relacionada ao comer. E, mesmo assim, o básico dos básicos (arroz, feijão e alguma verdura). Carne e outros "exageros", só uma vez ou outra.

Ah... Esta foi muito interessante: Quando fui nomeado para plantar a IMW em solo português (lembro-me como se fosse hoje), embarquei no Aeroporto do Galeão por volta das 22 horas do dia 17 de setembro de 1978. Fui sozinho; pois, Celia e as crianças só iriam em novembro. Como eu não sabia o que iria encontrar por lá, não queria envolvê-los em minhas dificuldades iniciais.

O Pastor Jose Ribeiro (naquela altura, um jovem com cerca de 18 anos) foi sempre um grande companheiro. Nos conhecemos em Lisboa, na casa do Capitão Paulo Franke, do Exército de Salvação, amigo de longa data. Ali mesmo nasceu um discipulado que nunca chegou a ser concluído. Ele me acompanhou para Aveiro, residindo conosco durante mais de dois anos. Nas primeiras semanas, ficamos em casa de um irmão que nos ajudou muito, tornando-se mais tarde um dos pastores da IMW portuguesa (Pastor Joaquim Soares).

Todavia, o ponto que quero destacar nesta introdução é o seguinte: Antes de Celia embarcar com as crianças, no cais do porto da Praça Mauá - Rio de Janeiro; mandei-lhe uma carta, orientando: "Traga na bagagem 40 kg de arroz, 20 kg de feijão, 10 kg de açúcar e 5 kg de café. Os dias que iremos passar por aqui serão muito difíceis; e, não sei quando vão melhorar." Ela atendeu ao meu pedido; e, assim, tivemos provisão para muitos dias de "vacas magras".

O obreiro deve se preparar para os "dias maus"

Ao observarmos o modo como alguns obreiros esbanjam dinheiro, ficamos estarrecidos. "Será que não percebem que este tempo de fartura pode acabar?" Não é uma questão de fé; é sim, uma questão de previdência. Isso mesmo! O servo do Senhor precisa ser previdente, para que os maus dias não o peguem desprevenido. Geralmente, alguns obreiros que conhecemos - revoltados com a sua fraca condição financeira - nunca se preocuparam com economia.

É triste vermos irmãos afundados em dívidas (a dívida do carro novo; a dívida da roupa nova; a dívida do salão de beleza). Alguns devem até mesmo a comida que comeram no mês anterior. O princípio da estabilidade econômica impõe que, em tempo de abundância, devemos economizar, gastando apenas o necessário; e, mesmo assim, em algo que seja necessário.

Quero aqui declarar - sem pôr em dúvida o poder de Deus para nos socorrer - que é temerário ficarmos nos atolando em dívidas desnecessárias; e depois ficarmos implorando a Deus para "pagar as nossas contas". O reino de Deus é um reino de princípios. E quero aqui ensinar um valioso princípio do reino de Deus: A prosperidade não vem apenas pelo ganho ou pela fidelidade para com Deus. Ela vem também pelo senso de economia!

E mesmo a prosperidade que se recebe por fidelidade de Deus não resiste por muito tempo ao consumo exagerado daqueles que a possuem. A natureza consumista é tão inimiga da prosperidade, quanto a infidelidade ao Senhor. Portanto, se queremos ser prósperos, não devemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. Este é um passo muito importante para chegarmos ao futuro risonho que almejamos.

O obreiro não deve "amar o dinheiro" 

Em nossa condição humana, convivemos com dúvidas concernentes a diversos assuntos que envolvem a nossa existência. Na verdade, o ser humano vive cercado de indagações que jamais terão resposta nesta vida. No entanto, dentre as certezas que já possuímos, não podemos ignorar a de que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10).

Jesus adverte quanto ao perigo da avareza, ao usar como referência a história do homem rico; que falava consigo mesmo: "E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus" (Lucas 12.19-21). Neste texto, Jesus deixa bem claro que nossas maiores riquezas são as espirituais.

O obreiro deve se adequar aos seus rendimentos

É muito comum vermos servos e servas de Deus procurando viver "a vida dos outros". Se alguém compra uma nova mobília, eles decidem também comprar. Se alguém compra um carro novo, eles fazem imensas dívidas, para também comprar. Vivem sempre de olho no padrão de vida de alguém que tentam igualar ou superar. É triste este tipo de vida. Uma verdadeira prisão!

Precisamos aprender com a Palavra de Deus. E ela nos ensina que não devemos ambicionar aquilo que está acima das nossas posses. Pelo contrário, diz ela, "sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Outro princípio do reino de Deus é que, devemos aprender a nos contentar e dar graças a Deus por aquilo que temos.

Ao ministrar sobre o discípulo carregar a sua cruz e segui-lo, Jesus adverte que nada justifica colocarmos em risco a nossa alma: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26). Geralmente, a falta de planejamento financeiro na economia do lar pode colocar em risco a nossa própria alma.

O obreiro deve ter sua prioridade-mor

Todo servo e serva de Deus deve estabelecer uma relação de prioridades. E, uma vez que tenha feito isso, deve colocar como sua prioridade nº 1, que é o princípio do Reino de Deus baseado neste texto: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). Aprendemos aqui que, se queremos ter sucesso em algo que fazemos, precisamos buscar o reino de Deus em primeiro lugar.

Existem ocasiões em que precisamos acordar e perceber que nos desviamos do "primeiro amor". É muito comum, nos dias de hoje, vermos obreiros que estão agindo bem diferente do modo como iniciaram sua carreira ministerial. E quando descobrimos seus motivos, chegamos a conclusão de que olharam na direção errada. Em suma, escolheram modelos errados para imitar. E, devido a isso, começam a naufragar em seu ministério. É muito triste isso!

Conclusão

Quando postei a mensagem "Orçamento Familiar I", procurei deixar claro que o meu objetivo é advertir quanto ao perigo do consumismo e, ao mesmo tempo, falar sobre a necessidade de administrarmos bem os recursos - poucos ou muitos - que o Senhor coloca em nossas mãos. E, ao dar por encerrado este assunto, quero afirmar que existem dois tipos de futuro a nossa espera: O futuro risonho e o futuro incerto. E o modo como agirmos em relação aos princípios aqui alinhavados é que vai determinar qual o futuro que teremos quando chegarmos à jubilação.
"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" 
(Mateus 25:21).

Cordialmente;
Bispo Calegari

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