terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 3)

Tolerância para com os fracos na fé

"1 ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. 2 Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. 3 O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. 4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. 5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. 6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus. 7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor"
(Romanos 14.1-8).


Com este artigo, estou concluindo o estudo com o tema "Lei ou Graça", em três partes. Como já tenho declarado, meu objetivo é fazer a defesa da graça de Deus revelada em Cristo Jesus. Desde que comecei a pregar, tenho procurado afinar o meu ministério com as doutrinas apostólicas. E qualquer um que examine as mesmas, irá perceber que não falo por mim mesmo.

O grande Apóstolo Paulo foi o pioneiro na tarefa de elaborar a defesa da graça de Deus, em meio aos ataques perpetrados contra ela, por parte dos judaizantes de seu tempo. Na verdade, o Espírito Santo o ungiu para proclamar a graça salvadora em todos os lugares por onde andou.

Cheio de ousadia, ele declara: "Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde" (Gálatas 3.21). Ao colocar a pregação da fé em nível superior às obras da Lei, ele indaga aos crentes gálatas: "Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" (Gálatas 3.5). E sabemos que este grande Apóstolo enfrentou sérios problemas com os judaizantes devido a suas posições apostólicas.

Prazo de validade da Antiga Aliança

É fato que até a vinda de Jesus, a Antiga Aliança estava em pleno vigor. As Escrituras afirmam que o Messias veio em primeiro lugar para os judeus: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11). Os "seus" referidos neste texto são de fato os judeus.

Ao enviar os seus discípulos, o Senhor deu ordens específicas, deixando bem claro a prioridade da missão: "Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mateus 10.5-6). Realmente, a mensagem da graça salvadora deveria ser pregada primeiro aos judeus, devido à promessa feita a Abraão - até que estes a rejeitassem formalmente.

Em certa ocasião, Jesus foi abordado por uma mulher desesperada, que clamava em favor de sua filha possessa:"Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mateus 15.23-24). Neste texto, vemos que os próprios discípulos intercederam em favor dela; mas ele deixa claro aos discípulos o seu primeiro compromisso.

Fica claro nas Escrituras do Novo Testamento que a Antiga Aliança tinha prazo de validade. E este estava prestes a terminar. "Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar" (Hebreus 8.13). Na verdade, todo o capitulo 8 da epístola aos Hebreus mostra a superioridade da nova Aliança: "Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda" (Hebreus 8.6-7).

Rejeição pelos judeus: Senha para a Nova Aliança

O texto de João 1.11 declara que "os seus não o receberam". Portanto, neste texto está implícita a rejeição - consumada por ocasião de sua crucificação e morte. E ele se refere veladamente a esta rejeição, ao proclamar: "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim" (João 12:32). No último ato do seu martírio na cruz, Jesus declara que tudo está consumado: "E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (João 19.30).

Após ressuscitar, e antes de ascender ao céu, Jesus proclama a Grande Comissão: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16:15). E, deste modo, os discípulos foram cientificados que a porta da graça fora aberta. Sua missão agora não era apenas ir às ovelhas perdidas da casa de Israel; mas, por todo o mundo - proclamando a salvação a toda a humanidade.

Podemos perceber nas Escrituras, que o Apóstolo Paulo foi aquele a quem foi dada a plena revelação desta verdade. Seus escritos, divinamente inspirados, fazem a apologia da Nova Aliança; demonstrando por todos os meios que a graça revelada em Cristo era superior a lei dada por Moisés. Inclusive, demonstra o caráter profético da rejeição de Cristo pelos judeus.

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado" (Romanos 11.25). Com esta afirmação, ele demonstra que a rejeição de Cristo pelos judeus tornou-se necessária, para que a salvação pudesse ser anunciada a toda a criatura.

A Cruz é a base da nova aliança de Deus com os homens

Ao desafiar os seus discípulos, Jesus associa o verdadeiro discipulado com a cruz: "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me" (Lucas 9:23). "E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:27). Fica bem claro nestes textos que ser discípulo significa levar a cruz.

Lemos nas Escrituras que o Evangelho de Cristo é também chamado de Palavra da Cruz: "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (I Coríntios 1:18). Não tenho a menor dúvida de que a cruz é o nosso "altar de quatro pontas".

Paulo chama a atenção para o fato de que alguns cristãos procuravam submeter-se ao judaísmo, apenas para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo: "Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo" (Gálatas 6:12).

E Paulo dá o seu testemunho pessoal, apresentando-se como crucificado com Cristo: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6:14). "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20).

E proclama todas as coisas são justificadas e reconciliadas com Deus, mediante o sangue de Cristo derramado na cruz: "E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus" (Colossenses 1:20).

Quero concluir este assunto com o seguinte texto

"6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, 7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. 8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; 10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; 11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; 12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. 13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, 14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. 15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. 16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, 17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. 18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, 19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. 20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: 21 Não toques, não proves, não manuseies? 22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; 23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne"
(Colossenses 2.06-23).

Cordialmente;
Bispo Calegari

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