terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Existem razões que o coração desconhece

Sou grato a Deus por fazer parte de uma Igreja Evangélica que conserva em seu Regimento Interno o Princípio da Itinerância. E temos diversos textos na Palavra de Deus, que indicam com clareza ser a itinerância um princípio a ser respeitado e praticado por aqueles que são chamados por Deus para o Ministério. Achei por bem relacionar alguns:

1. "Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem" (Mateus 10.23).

A possibilidade de pormos em prática este mandamento, é abrindo mão da "cidade permanente". Alguns, por não conseguirem abrir mão de um lugar preferencial, acabam por frustrar o propósito de Deus para sua vida.

2. "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura" (Hebreus 13.14).

O verdadeiro cristão, mesmo que esteja preparado para residir por muito tempo em um mesmo lugar, tem o seu coração voltado para a "cidade futura". Se Abraão "batesse o pé", não teria chegado ao ponto em que chegou. Ele poderia até ser o "reizinho" de uma cidadezinha qualquer; mas jamais seria o "pai de nações" em que se tornou.

3. "Disse, pois, Abraão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim. Se tu escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, irei eu para a esquerda" (Gênesis 13.8-9).

Uma das maiores demonstrações de que Abraão não "lutava por lugar", foi no episódio de Ló: Quando os pastores de ambos entraram em conflito - mesmo tendo ele o direito de escolher - ele decidiu "abrir mão" de um direito que para ele não era tão importante quanto andar na direção de Deus .

4. "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15).

Para podermos cumprir plenamente a Grande Comissão, não é necessário que percorramos o mundo. Basta estarmos prontos para sair do lugar em que estamos, quando isso se tornar necessário.

Mas, concernente a isso, existe algo que me preocupa

Um dos problemas que enfrento, é minha preocupação com o modo como alguns dos nossos pastores lidam com a itinerância. Os tais agem, como se não soubessem que este é um princípio vigente na IMW.

E em função da maneira dúbia como estes agem - prontos a exigir direitos que julgam ter na lei; mas indispostos a cumprir os deveres que se baseiam na mesma lei - acabo sendo assaltado em meu íntimo por algumas dúvidas, quanto aos reais motivos que levam alguns a agirem de modo tão contraditório.

Por que será que agem assim?

Pelo modo como alguns pastores reagem, ao serem nomeados para uma outra cidade; me ponho a pensar nas possíveis causas para tais atitudes; e chego as seguintes razões:

Ou eles não entendem perfeitamente a relação existente entre líderes e liderados (alguns chegam a exigir obediência incontestável dos seus liderados; mas não conseguem demonstrar o mesmo nível de submissão para com os seus líderes);

Ou eles não conseguem entender que - com raras exceções - Deus não nos chama para cuidar de um lugar; e sim de pessoas às quais Ele nos envia. E mesmo quando parece termos sido chamados para um lugar - na verdade - o interesse de Deus é que cuidemos das pessoas que ali vivem (é que alguns parecem mais preocupados em impor seus interesses pessoais e familiares, do que em procurar conhecer a vontade de Deus para sua vida);

Ou eles não sentem segurança para iniciar um novo trabalho (sentem uma espécie de "medo", por ter que enfrentar um novo desafio; ou de trabalhar em um novo campo);

Ou eles não são capazes de arbitrar o rumo de sua família (alguns são claramente dirigidos por sua esposa; outros são dirigidos por seus pais). Enfim, dá prá perceber que não é o Espírito Santo quem os dirige;

Ou eles não querem abrir mãos de privilégios que, em muitos casos, nem foram eles que conquistaram (outros conquistaram e eles tentam apenas usufruir). É como o povo costuma dizer em seus famosos ditos populares: "fulano não quer largar o osso".

O que fazer então

Como a II Região já deve ter notado, não sou inflexível. Procuro ser um negociador na família, nos negócios, na liderança regional. Sempre acreditei num princípio elementar, muito difundido entre os mineiros, de que "é melhor um mau acordo do que uma boa briga". Entendo que precisamos evitar posições intransigentes que possam comprometer a vida daquelas pessoas que são afetadas por nossas decisões. Porem, tudo tem um limite!

Existem situações que não nos permitem negociar. Por exemplo: Um Pastor que "bate o pé", exigindo o lugar aonde ir: "É aqui ou aqui - assunto encerrado"! Lamentável! E quando este pastor está iniciando, a coisa é ainda mais preocupante. Se ele, ainda no início do ministério, já procede assim; imaginem como serão suas atitudes no futuro. Não posso aceitar isso!

As vezes, um pastor assim precisa ficar temporariamente sem igreja; pois, alimentar seu "vício" pode piorar ainda mais a sua condição. É aquele momento em que não temos a mínima condição de ajudar, ainda que queiramos. Meu conselho a pastores que pensam e agem assim: É que reflitam quanto ao seu ministério na IMW. Existem Denominações que tem o que eles procuram. Por que não se transferir? Não digo que esta seja a solução ideal. Todavia, pode ser a única solução possível.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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