sábado, 26 de fevereiro de 2011

Visita ao Distrito de Belo Horizonte

Que visita maravilhosa, foi esta que fizemos ao Distrito de Belo Horizonte. Deus nos deu a oportunidade de visitar algumas da igrejas agregadas ao mesmo, com grande proveito espiritual. Durante os dias em que visitamos o Distrito, tivemos o imprescindível apoio do SD-Pastor Benildo; e do irmão Saulo; o qual, com o seu veículo, nos conduziu em todas as visitas (só não "achamos" a igreja de Justinópolis - fica para outra vez). Tivemos também uma reunião muito abençoada com os Pastores e Obreiros do Distrito, no sábado pela manhã, no templo da igreja de Palmeiras.

IMW de Durval de Barros

Nesta visita; Célia e eu, juntamente com o Pastor Benildo e o irmão Saulo, chegamos com o culto já iniciado. Foi uma reunião marcada pelo poder de Deus! A igreja de Durval de Barros vive uma experiência de alegria, com o seu novo pastor. Talvez, devido a isso, estivesse com tantos membros e visitantes em seu culto.

O Ministério de Louvor, sob a direção de Dheivid e Elias - com seus integrantes: André, Rayane e Michelle - teve uma brilhante participação; conduzindo todos nós, em maravilhoso momento de adoração a Deus. Seguiu-se uma bela coreografia, sob a direção de Thuany. Logo em seguida, a irmã Sandra apresentou um número especial, com o grupo de canto "Rosa de Saron", do Departamento de Adultos; que edificou a todos nós.

Anotei também a presença da Cantora Paula Moreira, acompanhada de seu esposo - o Missionário Moisés Salgado - a qual cantou três belíssimos hinos. A igreja foi muito edificada pela presença destes amados irmãos.

Foi muito bom ter encontrado o Pastor Sinval e sua esposa Ednéia; os quais conheço a muito anos, dando os passos iniciais para um trabalho pastoral que já começa muito bem, para a glória de Deus.

IMW do Glória

Cada vez que voltamos à igreja do Glória, ficamos maravilhados com o que o Senhor tem feito ali. E desta vez não foi diferente. Um culto verdadeiramente cheio da graça de Deus. O Pastor Nélio já estava à porta do templo - à nossa espera. E a cada momento, chegava mais gente.

O culto teve o seu início, com abertura pelo Pastor Nélio. Estavam no púlpito - além de mim e do Pastor Benildo - os Presbíteros: Alcino, José Luiz e Pacheco. O Ministério de Louvor, sob a direção de Walter e Denilson; e com a presença dos seus componentes: Lucas, Talita, Abner, Vinicius, Filipe, Vania, Pedro, Raquel, João Márcio, Cassia, Celeste e André, entoou belos cânticos ao Senhor.

O culto teve também participação do Grupo de Coreografia, dirigido pela irmã Talita. E também do grupo de canto das irmãs do "Desperta Débora", sob direção das irmãs Valéria e Sônia. Célia trouxe uma palavra da parte do Senhor, que inflamou os corações. Embora eu fosse o pregador - a palavra profética estava verdadeiramente com ela; a qual trouxe grande edificação à igreja.

IMW de Milionários

Esta visita à igreja de Milionários foi diferente da última visita que fizemos - então abalada pelo falecimento do saudoso Pastor José Wilson. Sentimos que, com a chegada do Pastor Derciley, tudo está se normalizando. Percebi o agir de Deus em nosso meio. O Pastor Derciley Chaves, nomeado recentemente para aquela igreja, nos aguardava; juntamente com sua esposa - irmã Ivone, e suas filhas: Priscila e Patrícia.

O culto contou também com a presença dos Presbíteros, Wanderley e Juvenal. O Ministério de Louvor, dirigido pela irmã Irinéia e seus componentes - Marcos, Patrícia, Patrica e Priscila - nos conduziu em um abençoado período de adoração e louvor. Foi um momento de grande edificação para todos nós.

O Ministério de Coreografia, liderado por Patrícia, teve também uma brilhante participação. Célia trouxe da parte de Deus, uma palavra; e em seguida ministrei a mensagem, Foram momentos de grande unção; os momentos que passamos ali, na presença do Senhor.

Sobre as igrejas feitas às igrejas de Venda Nova e Palmeiras - bem como a reunião de Obreiros do Distrito de Belo Horizonte, falaremos depois (estou finalizando os preparativos para nossa viagem ao Distrito de Visconde do Rio Branco, daqui a pouco).

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frente Missionária de Linhares

Como eu prometi em postagem anterior, passarei a divulgar agora a instalação da Igreja Metodista Wesleyana em Linhares - cidade que fica ao norte do Estado do Espírito Santo.

No sábado passado, pela manhã, viajamos com o Pastor Luiz Carlos - pastor da IMW de Barcelona - e sua esposa Lúcia, rumo a Linhares. Alguns obreiros da "Grande Vitória" se fizeram presentes. Pelo Distrito de Vitória, estiveram presentes os Pastores: Jorge Perim - SD do Distrito - da IMW de S. André; Marcos Batista Machado, da IMW Central de Vitória, com sua sua esposa Thais, e seus ajudantes - Amando e Elizeu; e também o Pastor Zéferino e sua esposa Glorinha - da Congregação de Feu Rosa. Pelo Distrito de Vila Velha, representando o Pastor Geraldo Lúcio - seu SD, anotamos a presença dos pastores: Sidenilson - da IMW de Jardim Colorado; e Carlos Salvador, ajudante do Pastor Aroldo. Também anotamos a presença dos seguintes Presbíteros: Adilson, da IMW de Feu Rosa; e Júlio, filho do Pastor Amisso, com sua esposa Lucinéia (O Presbítero Júlio e esposa mudaram-se de BH para Linhares, devido a seu trabalho na Termoelétrica de Linhares). Registramos ainda a presença dos Diáconos: Erildo e Reinaldo - este com sua mãe, Irmã Izolina.

Chegamos a Linhares, após uma viagem que durou cerca de duas horas. Fomos diretamente para a casa dos irmãos Franco e Andreia, onde fomos servidos com um delicioso almoço (lasanha e arroz, juntamente com bife de panela e salada). A Andreia preparou um delicioso almoço para nós cinco. Todavia, chegaram mais cinco! E todos comeram muito bem; e ainda sobrou comida (nosso Deus é o Deus da multiplicação).

Logo após o almoço e "um dedinho de prosa" (como dizem os mineiros); o Pastor Luiz Carlos - responsável pela Frente Missionária, nos conduziu à residência da irmã Luzia e sua filha Juliana, onde fizemos um abençoado culto. Houve a participação de amigos e vizinhos. Cantamos belos cânticos e ouvimos uma palavra de incentivo do Pastor Jorge Perim. Preguei em seguida.

Após o término do culto, o Pastor Luiz Carlos nos conduziu à residência do casal de irmãos - Edson e Manuela, onde mais um culto foi realizado. Mais uma vez a presença de Deus se manifestou. Ficamos conhecendo a Kelly - irmã de Manuela - e o simpático Samuel, pai de ambas, que precisa muito de nossas orações.

Enfim, chegamos ao local do último culto - na casa do irmão Ademir e sua esposa Najara. A abertura do culto foi feita pelo Pastor Luiz Carlos, que passou a oportunidade ao Ministério de Louvor da IMW Central de Vitória, com participação do Pastor Amando - auxiliar do Pastor Marcos; Guilherme - lider de jovens da Central; e Thais - esposa do Pastor Marcos. Após um testemunho do Presbítero Júlio, o Pastor Jorge Perim trouxe uma palavra como SD. Em seguida, discorri sobre a IMW e seus projetos e desafios. O Pastor Marcos Batista pregou a mensagem final. Antes do encerramento, chegou o Dr. Tulio - dedicado médico cristão da cidade - e sua esposa Jamily.

Após o culto, seguiu-se um momento social, em que a família anfitriã serviu-nos um delicioso cachorro-quente com refrigerante. O que mais me impressionou em tudo isso, é que quase todos os irmãos ali, são fruto do trabalho de evangelização. Posso afirmar aqui, sem nenhuma sombra de dúvida, que este foi um marco importante para a abertura da IMW em Linhares.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Visita ao Distrito de Vitória

Deus nos deu a graça de voltar a fazer o nosso "giro episcopal pela II Região". Celia e eu, partimos para o Distrito de vitória, onde passaríamos o fim-de-semana. Esta foi uma visita feita a convite do Pastor Luiz Carlos. O objetivo era visitar três trabalhos de sua jurisdição, sobre os quais falaremos agora:

IMW de Jardim Tropical

Creio que quase todos os membros da II Região sabem algo sobre os problemas vividos pela IMW no município de Serra, na "Grande Vitória". A IMW de Jardim Tropical foi o trabalho mais forte de Serra; sendo na altura a sede de seis trabalhos wesleyanos no município. Este trabalho chegou a encerrar suas atividades, devido aos prejuízos sofridos então. A Sede foi transferida para Barcelona. Todavia, mediante o esforço da IMW de Barcelona; com o apoio de vários irmãos que oraram e cooperam com este projeto, Jardim Tropical pode dizer finalmente que ali existe uma IMW.

Na sexta-feira, visitamos esta congregação, já com cara de igreja, de Jd Tropical. Nos acompanharam diversos obreiros: Jorge Perim - SD do Distrito de Vitória - com os seguintes obreiros do Distrito: Luiz Carlos, da igreja de Barcelona; Zeferino, da congregação de Feu Rosa; Antonio Veríssimo, da igreja de Pq Continental; e Pedro Feliciano, sindico da "Cidade Salém". Geraldo Lúcio - SD do Distrito de Vila Velha - com os seguintes obreiros do Distrito: Sidenilson, da igreja de Jd Colorado; Aroldo, e Carlos Salvador, da igreja de Alvorada. A congregação vem sendo dirigida pelo Presbítero Jeneir. Este amado irmão vem fazendo um extraordinário trabalho de restauração, com frutos visíveis para a glória de Deus.

IMW de Barcelona

No domingo pela manhã, estivemos em uma maravilhosa "Manhã com Deus", no templo da igreja de Barcelona, para o culto de ministração da Ceia do Senhor. Participação do Ministério de Louvor; Presenças dos líderes das congregações: Pastor Zeferino e sua esposa glórinha - de Feu Rosa; Presbítero Jeneir e sua esposa Gláucia - de Jardim Tropical; Presbítero Júlio e sua esposa Lucinéia - de Linhares.

Estivemos hospedados em casa do Pastor Luiz Carlos e irmã Lúcia, onde fomos recebidos com o carinho de sempre. Na sexta-feira já havíamos jantado uma lasanha deliciosa preparada pela irmã Helena, quando tivemos a companhia também do Pastor Zeferino, irmã Glorinha e seus filhos. No almoço de domingo, fomos surpreendidos por um deliciosa muqueca capixaba, preparada pelo seu genro Danilo e sua esposa Ludmila. O Presbítero Júlio e Lucinéia também participaram.

Culto da noite - Festa do segundo aniversário da igreja.Tivemos a brilhante participação do Ministério de Louvor, formado pelo Presbitero Jorge e sua esposa Dc Silvana, o Dc Pedro e o Daniel - que estava muito inspirado na direção do mesmo. Maria Célia deu uma palavra muito abençoada e fez oração. A irmã Jocilene cantou um belíssimo cântico em playback; a irmã Lúcia deu uma palavra de testemunho de grande edificação. Após o culto, foi servida uma torta de frango a todos os presentes, regada a refrigerante.

No sábado, estivemos durante todo o dia em Linhares; para a instalação da Igreja Metodista Wesleyana nesta cidade, que fica ao norte do Estado do Espírito Santo. Mas daremos notícia sobre este trabalho, em postagem posterior; dada a importância desta informação.

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Esta noite pedirão a tua alma

"15 E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui. 16 Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; 17 e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. 18 Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; 19 e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. 20 Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21 Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus" (Lucas 12.15-21).

Ontem pela manhã, antes de viajarmos, procurei por em ordem as postagens sobre o "giro episcopal pela II Região". É que estivemos, neste fim de semana, nos Municípios de Serra e Linhares - ES. Foram experiências maravilhosas! De grande valor para o projeto de expansão da II Região. Entretanto, aconteceu algo que me levou a transferir esta postagem para amanhã.

É que, na viagem que Célia e eu fizemos ontem - de Vitória para Belo Horizonte, aconteceu um fato que mudou um pouco a nossa rotina. Vínhamos, como sempre fazemos, conversando sobre os mais diversos assuntos (geralmente, os temas de nossas conversas à dois focam a família, a II Região e seus desafios, o propósito de Deus para com as nossas vidas... Coisas desse gênero).

Ao chegarmos nas proximidades da cidade de João Monlevade, Celia sentiu o desejo de dar uma paradinha no "Graal" ali existente. Foi uma parada ligeira. Ela - como sempre gosta de fazer - tomou um cafezinho expresso, enquanto eu fiquei olhando umas coisinhas. Saímos tão rápido como chegamos. Alguns quilômetros à frente (a cerca de 50 km de BH), percebemos o trânsito parado: É que houvera naqueles instantes um grave acidente. Eram pouquíssimos carros à nossa frente, em um engarrafamento que foi crescendo - de ambos os lados da rodovia, até chegar a vários quilômetros (ficamos ali cerca de duas horas e meia).

Deixei Célia no carro e me dirigi até o local do acidente. Lá estavam os dois carros envolvidos - Uma saveiro e uma fiorino. Um dos veículos, em plena curva fechada, resolvera ultrapassar; e chocaram-se de frente. Cena triste. Os dois motoristas estavam vivos; mas bastante feridos. O motorista - provável causador do acidente, foi retirado das ferragens e colocado deitado no chão, enquanto aguardava os primeiros socorros. O outro motorista teria que ser retirado pelos bombeiros, pois estava preso entre as ferragens.

Célia e eu ficamos conversando com outros motoristas, sobre o perigo das rodovias - especialmente aquela rodovia. Célia, com seu pacote de biscoitos dietéticos, oferecia a um e outro daqueles com quem conversávamos; e ouvimos o ruído do helicóptero dos bombeiros, que chegava para providenciar o resgate dos feridos. Um carro dos bombeiros chegou, com ferramentas para cortar o outro veículo; e retirar a vítima de entre as ferragens. E os dois motoristas ainda conseguiam conversar; informando como se sentiam, onde doia mais, etc.

Enquanto o helicóptero alçava voo com um dos feridos, o outro recebia os cuidados para também ser removido. Havia muita impaciência em vários motoristas; aqueles que ficam buzinando, apressados, enquanto o resgate estava em andamento (é que os mais distantes não se davam conta do que estava acontecendo ali). De repente, enquanto os paramédicos aplicavam os primeiros socorros, aquele ferido que ficara começou a enfraquecer. Foi impressionante ver a luta dos socorristas, tentando reanimá-lo com massagens cardíacas. Mas, havia uma hemorragia interna, e sua vida se esvaiu, juntamente com o sangue que vazava de artérias rompidas por dentro. E aquele homem partiu para a eternidade.

Durante aqueles momentos, dois pensamentos me assaltaram: O primeiro - com relação ao moribundo, me alertava quanto a fragilidade da vida. Alguém cheio de sonhos e de afazeres, acabara de partir; e sem ter tido, ao menos, o tempo suficiente para se despedir dos seus queridos. O segundo pensamento - com relação a nós mesmos, me fazia crer que aquela súbita parada no "Graal", pedida por Maria Célia, provavelmente impedira que as vítimas fôssemos nós. Comecei a pensar no tempo gasto e no momento em que o desastre ocorreu. Pensei comigo: "Deus nos livrou de uma tragédia".

Cheguei a comentar com Célia: "Filha, alguns obreiros se preocupam conosco; achando até que precisaríamos de um motorista. Mas os desastres acontecem também com motoristas que conduzem alguém" (lembrei-me de Juscelino - o inesquecível presidente do Brasil, que morreu em um desastre na via Dutra; sendo o seu carro conduzido por seu motorista particular). Conheço muitos outros casos semelhantes. E agradecemos a Deus por Seu cuidado para conosco!

Chegamos em casa três horas mais tarde (por volta das 21 horas). Bastante cansados; mas gratos a Deus, porque o Seu cuidado supera as mais importantes medidas preventivas, que visam a nossa segurança e bem estar. Esta postagem não encerra este assunto. É que Deus nos levou a uma profunda reflexão; especialmente quanto ao modo da viver e agir de alguns obreiros. Os quais parecem não perceber que nos aproximamos - a cada dia - Daquele a quem haveremos de dar contas dos nossos atos e palavras. Misericórdia!

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Como escapar da solidão

"Eis que vem a hora, e já é chegada, em que vós sereis dispersos cada um para o seu lado, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo" (João 16.32).

Neste texto, ao dirigir-se aos seus discípulos, jesus faz duas declarações sobre a hora que "já é chegada": A primeira delas, é quanto ao estado de solidão em que seria deixado pelos seus próprios discípulos - as pessoas mais chegadas; aqueles que viveram sempre mais próximos dele. A segunda declaração - uma espécie de antídoto à primeira - revela a esses mesmos discípulos que ele não estaria só: "O Pai está comigo".

O servo de Deus; especialmente aquele que é chamado para o ministério, vive uma vida que alterna companhia e solidão. Ora, sente-se cercado de pessoas que o admiram - que expressam empatia, carinho e adesão ao seu ministério - alguns chegando mesmo a dizer que estarão sempre ao seu lado. Outras vezes, olha à sua volta e não percebe ninguém; e justamente naqueles momentos em que precisava tanto de alguém ao seu lado.

Se examinarmos atentamente o dia-a-dia de Jesus, iremos perceber que ele alternava momentos assim: Ora a multidão o "apertava"; ora sentia-se tão só - sem ninguém ao seu lado. Mas ele declara que jamais estaria só. A companhia do Pai é testemunhada por ele, em diversos textos.

"E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado" (João 8.29).

Jesus atribui a presença do Pai consigo, ao fato de fazer sempre a Sua vontade. Vivemos hoje um ambiente cristão, no qual a maioria parece procurar viver fora da vontade de Deus. Um grande número de crentes sofre a influência de uma maneira errada de pensar o verdadeiro cristianismo (é como se tivessem feito uma espécie de vida cristã. Para consumo interno). Muitos crêem na Palavra de Deus, mas vivem padrões comportamentais totalmente opostos a ela. Seus relacionamentos; seu modo de criar os filhos; enfim, seu modo de viver a vida não condiz em nada com os ensinamentos da Bíblia.

"Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas provações" (Lucas 22.28).

O texto pronunciado por Jesus, valoriza a presença dos seus discípulos em momentos de provação. E cada um de nós tem pessoas amigas e companheiras; prontas a estar ao nosso lado em momentos de dificuldade. Tenho visto isso ao longo de toda a minha vida. O fato é que nunca estamos inteiramente sós. Mas existem cristãos de difícil relacionamento; que não conseguem demonstrar simpatia, nem inspiram confiança. Seu modo de agir para com os que deles se aproximam acaba por afastá-los de si. Com o tempo, além dos amigos, acabam por afastar de si a sua própria família. Os tais precisam aprender que a semente da solidão não germina de imediato; mas, se a plantarmos, iremos comer do seu fruto - que é a solidão.

"Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo" (1 Coríntios 15.10).

O apóstolo Paulo testemunha da graça de Deus presente em sua vida. A graça de Deus, quando presente em nossa vida, abre o caminho para outras presenças importantes. A graça de Deus é contagiante; é interativa; é conciliadora. Se esta graça estiver em nós, isso significa que o próprio Deus está em nós. E também significa que manteremos as pessoas que amamos próximas de nós (esposa, filhos, amigos, irmãos, etc). Afinal de contas, quem não deseja estar próximo de alguém que transpira a graça de Deus?

"Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28.20).

Temos aqui, a promessa da presença do Senhor conosco "todos os dias". Tenho pregado ao longo do meu ministério, que Jesus se faz presente na vida do Seu povo. E, além de pregar, tenho experimentado esta verdade ao longo de minha vida. Em momentos de tentação; em momentos de dor; em momentos de solidão aparente, Jesus sempre esteve ao meu lado. Tenho plena convicção quanto a isso! Contudo, o que geralmente nos falta, é sermos dotados de "olhos de ver", para perceber esta gloriosa presença; e "ouvidos de ouvir", para escutar quando nos fala.

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre" (João 14.16).

Vemos aqui, que o próprio Jesus intercedeu por nós, para que não nos sentíssemos sós. Ele bem sabia que seu retorno ao Pai estava próximo. E tinha perfeita noção da dor e solidão que sua ausência iria provocar na vida dos Seus. Então rogou ao Pai, para que nos desse "outro ajudador". Ele se referia ao Espírito Santo, "o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós" (João 14.17). E o Espírito Santo é uma presença infalível; sempre pronta a agir em nosso favor.

"Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco" (2 Coríntios 13.11).

Deixei este texto para o final, devido ao fato que ele nos torna responsáveis pela presença de Deus, ou pela ausência dela, em nossa vida. A palavra de Deus alerta quanto ao tipo de vida que devemos viver, se de fato pretendemos ter a presença de Deus conosco:

Uma vida de regozijo

Realmente, precisamos convir que não existe companhia mais desagradável do que aquela que só vive reclamando de tudo; sempre criticando qualquer coisa. Nada consegue agradar alguém assim. Por outro lado, uma vida que se regozija - que se alegra; é uma vida agradável para com todos. Sua presença sempre edifica. Este tipo de pessoa raramente está só.

Uma vida de perfeição

O tipo de perfeição aqui proposto, não é perfeição absoluta. É uma perfeição que se manifesta em dois níveis: O primeiro nível, é o da perfeição cristã - aquela que se baseia na Palavra de Deus; uma vida de santidade. O segundo nível, é o da perfeição relacional - cujo princípio está estabelecido na Palavra de Deus, no seguinte termo: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7.12). Este texto se contrapõe à lei do Gerson, de que "Temos que levar vantagem em tudo"; e ao conceito de "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Um mesmo parecer

De modo geral, todos os crentes desejam ter comunhão com todos os crentes. Acontece que comunhão é afinidade. Nem mesmo um casamento consegue caminhar bem, se não houver um parecer comum pautando a vida do casal. Se assim não for, mesmo que se amem muito, acabarão por viver em permanente estado de tensão e de sofrimento. E quanto a isso, a Palavra de Deus nos adverte: "Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3.3).

Vivei em paz

Existem muitos cristãos, que vivem sempre em conflito com os outros; especialmente com aqueles que estão mais próximos deles. Vivem sempre "cobrando" coisas e obrigações. E, pior do que isso, vivem sempre impondo sua vontade e seus caprichos sobre seus amigos. É muito difícil conviver com alguém assim. Viver em paz é "viver e deixar viver". Viver em paz é andar junto sem dada impor, sem nada cobrar. Viver em paz é viver bem; sempre em boa companhia.

Conhecemos casos de pastores e obreiros que não conseguem fazer amigos dentro de sua própria casa; ou em seu próprio rebanho. E quando fazem algum amigo, tornam-se tão invasivos e inconvenientes, incomodando demasiadamente os seus amigos, que acabam por perdê-los.

E o Deus de amor e de paz será convosco

É isso, meus amados irmãos! Se conseguirmos por em prática os princípios aqui expostos; mesmo que nossos amigos se afastem, Deus sempre se fará presente em nossas vidas. Portanto, procuremos praticar estes princípios; e vivamos uma vida livre da solidão.

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dormi agora e descansai

"42 Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43 E, voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados. 44 Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Então voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. 46 Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai" (Mateus 26.42-46).

A experiência de Jesus, no Getsêmani, é tão profunda e contém lições tão aplicáveis aos nossos dias, que este é já o terceiro trabalho que faço sobre a mesma. Conforme vimos nos dois títulos anteriores, Jesus comunica aos discípulos a decisão de ir "ali orar"; e pede aos três que levara consigo - "vigiai comigo". Neste título, ele cumpre o seu propósito de oração e tranquilliza os discípulos, dizendo-lhes: "Dormi agora e descansai"!

Verdadeiramente, a oração de Jesus no Getsêmani transmite a intensidade do seu sofrimento - tanto aquele sofrimento que ele experimentava em seu dia-a-dia; como o sofrimento atroz que desabaria sobre ele nas próximas horas. Todavia, sua vitória no "campo de batalha da oração" conquista para todos nós o direito de dormir e descansar. Aleluia! Creio que será de grande proveito refletirmos sobre algumas expressões em consonância com aquele "instante Getsêmani":

Retirando-se mais uma vez, orou

"Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (v.42).

Naquele momento, Jesus carregava sobre si uma dor imensurável. Sua agonia era tão intensa, que decidiu retornar ao altar da oração. E sua oração, no verso 42, nos mostra "que oração fazer" e "que decisão tomar", quando aquilo que nos está reservado pressupõe dor e angústia.

Com sua oração, Jesus nos ensina que, o fato de termos que enfrentar algo que não nos agrade, não é razão suficiente para deixarmos de fazer a vontade de Deus. Tenho ouvido obreiros do Senhor afirmarem que todo o sofrimento é do diabo. Existem até aqueles que acham que o fim do sofrimento depende de uma vontade imperativa e determinante da nossa parte; e, nesta convicção, chegam a advertir: "Pare de sofrer"!

Entretanto - entre uma coisa e outra - prefiro ficar com o que a Palavra de Deus ensina. E nela fica patente que certos tipos de sofrimento são pedagógicos terapêuticos. O sofrimento que suportamos, pode trazer lições importantes para cada um de nós. E pode também nos tornar maduros e preparados para os desafios da vida. Não pretendo dizer com isso, que devemos buscar o sofrimento, devido aos benefícios que o mesmo pode trazer. Estou tão somente afirmando que nem todo o sofrimento é um mal em si mesmo.

Olhos carregados

"E, voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados. Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras" (v.43-44).

Voltando novamente da oração, Jesus encontra mais uma vez os seus discípulos dormindo profundamente. Ele sabia que aquela não era hora para dormir. Porém, seus discípulos não se davam conta disso. Os seus olhos estavam tão carregados de sono, que eles não conseguiam mantê-los abertos. E Jesus retorna mais uma vez, ao "altar da oração".

Dormi agora e descansai

"Então voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores" (v.45).

Logo após encerrar aquele momento de oração, na certeza de ter alcançado a graça que buscara; e que fora fortalecido o bastante, para enfrentar os horrores do julgamento e da crucificação; Jesus chega para tranquilizar os sonolentos discípulos. Ele não se deixou influenciar pela letargia dos seus discípulos. Antes, pelo contrário, lutou até o fim.

E sua oração nos ensina que jamais devemos esmorecer, mesmo quando nossos olhos estiverem carregados de sono. Tenho aprendido que a oração é um descanso. Mas também é uma luta! E jamais devemos fechar os nossos olhos e adormecer, enquanto há uma batalha sendo travada. Neste tipo de luta, não se conquista vitória com conversa; a vitória vem pela oração!

Foi depois de perseverar e prevalecer em oração, que Jesus conseguiu lidar com a traição, com a perseguição e com a injustiça; todavia, sem demonstrar ressentimento para com os seus perseguidores e algozes. A Palavra de Deus registra que, logo após a oração vitoriosa, ele exorta os discípulos dizendo: "Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai" (v.46). Aquele instante era o início do fim de sua existência terrena. Mas também era o inicio do fim da bem sucedida missão de salvar a humanidade.

Cordialmente;
bispo Calegari

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Solidão - o que é isso?

"Eis que vem a hora, e já é chegada, em que vós sereis dispersos cada um para o seu lado, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo" (João 16.32).

Creio ter sido este um dos momentos mais angustiantes da vida e do ministério do Senhor jesus. Aquele grupo vivera, por cerca de três anos, intensa de vida comunitária. Nesse período, foram muitas as ministrações; viagens constantes; inúmeros casos de vidas libertas e curadas. A popularidade do grupo, devido a presença de Jesus, fora crescente; especialmente entre os mais humildes e sofredores. Multidões se "acotovelavam" em volta do grupo. Também viveram momentos de perseguição; de afronta; de inúmeras tentações.

E agora, naquele cenáculo tosco, o grupo reunido em torno de Jesus ouvia aquele que, talvez, fosse o mais profundo sermão proferido pelo Mestre. Nele, o Senhor fala sobre diversos assuntos. Os discípulos atentos ouviam sobre perseguição, solidão, missão; ouviam também sobre promessas, presença, poder... E, antes de iniciar a "oração final", Jesus os incentiva a seguirem em frente: "Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33).

Ao longo de meus 43 anos de ministério, tenho me debruçado sobre este texto inúmeras vezes. E nesta manhã, ao examiná-lo novamente, sou assaltado por três perguntas:

O que é a solidão?

Se formos nos basear no "Aurélio", podemos chegar às seguintes conclusões: Solidão é o estado em que se encontra quem vive só; em isolamento. O termo também se aplica a lugar ermo e despovoado. No "Aurélio", admite-se também o estado de solidão mesmo entre pessoas: como alguém em um internato, cercado de gente, mas sentindo-se só. Ou mesmo a "solidão a dois": Que é o estado em que alguns casais se encontram; os quais, mesmo vivendo juntos, acabam por se sentirem sós; por não haver entre eles nenhum entendimento.

Todavia, a solidão é um fenômento que vai além das definições possíveis. O sentimento provocado por ela, além de contraditório, pode tornar-se perigoso. Temos visto casos de pessoas que, dominadas por um sentimento de solidão, acabam por dar cabo da própria vida. E em muitos desses casos, a realidade comprovou que os suicidas sempre estiveram cercados de pessoas atenciosas e preocupadas consigo.

Devido a casos assim, podemos deduzir que a solidão pode ser uma "força" que nos aprisiona por dentro. Um sentimento capaz de isolar alguém dentro de si mesmo; a ponto de leva-lo a ir, aos poucos, perdendo o contato com o mundo de relacionamentos que ele tem a sua volta, incluindo os seus entes queridos e seus amigos mais chegados.

Existe também a solidão no meio da multidão. São aqueles que caminham entre centenas; que convivem com muitas pessoas em seu local de trabalho; que vivem cercados de vizinhos bem próximos. Todavia, não conseguem estabelecer pontes de comunicação com aquele "mundão de gente" à sua volta, com o qual vive em constante contato.

Como detectar a "presença" da solidão?

A solidão, mesmo que não possa ser percebida no início, acabará por ser notada, na medida em que for evoluindo. Primeiramente os familiares e por fim amigos mais chegados - todos irão notar aquele, dentre eles, que foi se isolando. Ela não consegue se ocultar por muito tempo - mesmo camuflada por um sorriso descontraído ou por conversas frequentes. Se formos atentos, iremos notá-la nos momentos "pré e pós" descontração e interação; quando ela não pode se esconder.

A solidão sempre deixa alguns indícios de sua presença na vida de suas vítimas. Podemos constatar isso, especialmente no ambiente da família ou no ambiente da igreja. Infelizmente, detectar a solidão na vida de alguém é muito mais simples do que encontrar a solução para este mal tão comum em nossos dias.

Muitas vezes, acabamos por contribuir para o agravamento do estado de solidão de alguém; e isso, pelo simples fato de não sabermos como interagir com a vítima da solidão. Quantas vezes nos afastamos gradativamente de uma pessoa, tão somente por não conseguirmos encontrar meios estabelecer comunicação com ela.

Afinal, quando é que vivemos em solidão?

Em primeiro lugar, vivemos em solidão quando nos sentimos em solidão! A causa primária da solidão se manifesta dentro de nós mesmos. E alguns sentimentos que acalentamos em nosso íntimo, acabam por gerar e alimentar a solidão que nos consome. Quando começamos a achar que ninguém nos ama - que ninguém nos dá atenção. Enfim, quando nos deixamos dominar por aquelas queixas subjetivas contra o nosso próximo, a solidão tem o seu terreno preparado para exercer domínio e posse.

E o mais lamentável em tudo isso é que, na grande maioria das vezes, o nosso próximo nem chega a se dar conta de que atribuímos a ele a culpa do nosso drama. Muitas vezes, uma desatenção involuntária ou um semblante tenso de alguém que amamos, podem ser entendidos por nós como um sinal de que já não somos amados ou valorizados; e aí por diante.

Não creio que o sentimento daquele que se sente prejudicado por nosso aparente descaso, nos torne, de fato, culpados por sua solidão. Se formos estabelecer uma relação de causa e efeito, podemos ter a certeza de que o motivo que leva alguém nesse estado a nos atribuir alguma culpa, é apenas o efeito - um dos sintomas de uma enfermidade, cujas causas estão aprofundadas no íntimo do ser.

Entretanto, penso que nos tornamos responsáveis pelo prolongamento da dor de alguém, quando deixamos de colaborar. Entre nossos parentes e amigos, precisamos dar atenção especial àqueles que parecem ter algum tipo de problema. Devemos procurar ser especialmente atenciosos e gentis com os que estão em crise. Geralmente, não fazemos ideia do bem que um cumprimento alegre e um sorriso, podem fazer a determinadas pessoas. E não custa nada sorrir! Nas lutas do nosso próximo, nem sempre somos culpados; mas sempre somos responsáveis.

Na próxima postagem sobre este tema, finalizaremos com um remédio infalível para este mal.

Cordialmente;
bispo Calegari

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ainda sobre as bem-aventuranças

Como eu havia prometido em postagem anterior, segue continuação do artigo com o título: "Bem aventurados sois".

Sempre vi as "bem-aventuranças" como uma espécie de tônico estimulante do apetite (daqueles encontrados nas farmácias, cuja finalidade é abrir o apetite de pessoas subnutridas, anémicas, necessitadas de alimento). Tal como aqueles, as "bem-aventuranças" nos estimulam na busca de valores essenciais para a o fortalecimento da nova natureza que recebemos de Deus.

As bem-aventuranças aparecem, no contexto do "Sermão da Montanha", agrupadas em nove elementos (O "fruto do espírito" também é constituído de nove elementos). Vamos examiná-los, um a um, procurando tirar de suas maravilhosas declarações, as lições que podem nos fazer melhores crentes; vivendo uma vida cristã pautada em seus valores.

Os nove elementos

1) "Bem-aventurados os humildes de espírito" (v.3). A humildade é uma virtude muito apreciada na vida de qualquer pessoa. Todavia, ela se torna indispensável na vida de uma pessoa que serve a Deus. Um crente, para ser honrado, precisa ser humilde; pois, a Palavra de Deus afirma que a humildade precede a honra. No Reino de Deus, não há como buscar honra por outros caminhos! O cristão que pretende alcançá-la, precisa ser humilde.

2) "Bem-aventurados os que choram" (v.4). Existem vários textos na Bíblia, que conferem ao pranto, propriedades terapêuticas. A canção do Pastor e cantor Elizeu Gomes nos incentiva: "Chore pra Deus; o choro não cai! O Choro da alma sobe, sobe, sobe mais...". Realmente, o choro perante o Senhor, é um choro que sobe - cujas lágrimas são levadas, por anjos, a Deus. E ainda que o choro dure uma noite inteira, a alegria há de vir pela manhã (Salmo 30.5)!

3) "Bem-aventurados os mansos" (v.5). A mansidão é uma virtude que pode evitar grandes males. Ele se contrapõe à ira e ao descontrole emocional. Moisés é tido como um dos homens mais mansos que já existiram. É bem verdade que a mansidão, por si só, é incapaz de adicionar grandeza a alguém; mas qualquer pessoa que seja vocacionada à grandeza, poderá ser ainda maior se for dotada de mansidão.

4) "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça" (v.6). Aqueles que conhecem a Palavra de Deus, sabem que só existe uma justiça "justa" (permitam-me a redundância): A justiça de Deus. E muitas vezes, por falta da justiça de Deus nas ações de governos e instituições, muitos começam a reclamar fome e sede de justiça. Alguns chegam a tomar medidas extremas - que não é um bom caminho - para lutar em prol da justiça. Outros acabam por se tornar em "justiceiros", procurando "fazer justiça" com as próprias mãos - como se isto fosse possível. todavia, ao verdadeiro servo de Deus, a única justiça que satisfaz, é a que vem do próprio Deus.

5) "Bem-aventurados os misericordiosos" (v.7). Qualquer pessoa que age com misericórdia, pode ter a certeza de que será contemplada com misericórdia. Jesus, repudiando o legalismo dos doutores da lei, cita um texto do Antigo Testamento que diz: "Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício" (Mateus 9.13). Temos diversos exemplos, tanto na Bíblia como na história, de pessoas misericordiosas; as quais acabaram sendo agraciadas com o mesmo tipo de misericórdia que sempre demonstraram ter.

6) "Bem-aventurados os limpos de coração" (v.8). Todos os cristãos comprometidos com a Palavra de Deus, sabem que o sinal de uma vida cristã autêntica é um coração puro. Existem vários textos bíblicos, bem como canções cristãs, que enaltecem as virtudes de um coração limpo. Um cristão que tenha um coração puro, certamente que verá a face do Senhor; mesmo que seja desprovido de algumas virtudes fundamentais. Os "limpos de coração" possuem o selo da santidade. Seu testemunho edifica a todos os que com ele convivem.

7) "Bem-aventurados os pacificadores" (v.9). É uma cena bonita de se ver: Quando alguém se interpõe entre dois litigantes, já prontos a ir a "vias de fato", e os acalma, evitando uma possível tragédia entre ambos. O dito popular chama aos que assim agem, como "a turma do deixa disso". Todavia, a Bíblia os chama de pacificadores. Existem textos bíblicos que garantem bênçãos aos que trabalham pela reconciliação entre irmãos em desavença. É uma bênção!

8) "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça" (v.10). Este tipo de perseguição, não é aquela perseguição que a justiça empreende, procurando um foragido, ou alguém condenado por crimes. Não é isso! A perseguição referida no texto, é aquela em que alguém incorre, apenas por ser uma pessoa justa. São os perseguidos por aqueles que se sentem incomodados com o seu senso de justiça ou por sua retidão. É um tipo de perseguição muito comum, até mesmo nos meios religiosos.

9) "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa" (v.11). É, meus irmãos: esta talvez seja a cena mais comum, até mesmo entre os cristãos. A injúria é um mal corriqueiro; assim como a perseguição injusta. E quando este mal em dose dupla é dirigido contra alguém, apenas porque esse alguém professa e proclama o nome de Jesus; acaba por se tornar um grave pecado contra o próprio Deus. Ou seja: O que este tipo de perseguidor pretende, com calúnia e injúria, é atingir o próprio Senhor Jesus. Por exemplo: É como se o seu vizinho não gostasse de você e, então, perseguisse o seu filho; ou matasse o seu cachorro. Misericórdia!

Concluindo

"Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós" (Mateus 5.12).

Mas a melhor parte deste quadro, meus irmãos, ficou reservada para o final! Se tivermos a ventura de estar, verdadeiramente, inseridos nas "bem-aventuranças", iremos então nos alegrar e exultar pra valer! Pois, como o texto afirma, será grande o nosso galardão nos céus.

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Daqueles que me deste, nenhum se perdeu

"Depois de assim falar, Jesus, levantando os olhos ao céu, disse" (v.1)

Este texto (João 17.1-24) é também conhecido como a "oração sacerdotal". Com esta oração, Jesus finaliza o sermão que pregara. Portanto, ela é o desfecho do mais profundo sermão pregado por Jesus. O sermão do cenáculo ocupa cerca de 1/4 do evangelho de João (capítulo 13 ao 17). Ao final deste glorioso sermão, a Palavra de Deus diz que - depois de falar - Jesus levantou os olhos ao céu e orou. Esta oração tem três objetivos principais: A exaltação do Pai; a afirmação de sua autoridade "sobre toda a carne"; o testemunho de que é o único salvador; e a intercessão em favor daqueles que o Pai lhe entregara.

Esta sublime oração coloca perante os nossos olhos um testemunho inigualável de amor e compaixão. Na "oração sacerdotal" Jesus revela a dimensão do Seu sacrifício em favor dos perdidos; movendo "os olhos do Pai" em direção aos mesmos. Aqui fica patente a missão de Jesus: Salvar os perdidos! Em outro texto, ele declara que "o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19.10).

Se observarmos atentamente esta oração de Jesus, iremos aprender como interceder:

"Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer" (v.4)

Na intercessão, devemos estar prontos a proclamar a principal razão da nossa existência terrena: que é glorificar o Deus eterno. Outra razão, é lutar em oração; intercedendo pelo que estamos fazendo. Devemos também, interceder pelo permanência daquilo que conseguimos finalizar.

"Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra" (v.6).

Na oração deve constar o nosso compromisso com a proclamação do nome do Senhor aos homens. E devemos levar conosco, em oração, a convicção quanto ao fato de que Deus nos entregou pessoas, para estarem sob os nossos cuidados. Pessoas pelas quais, um dia, haveremos de dar contas a Ele.

"Porque eu lhes dei as palavras que tu me deste" (v.8)

Também devemos, na oração, declarar que não temos nada de nós mesmos a oferecer aos homens. E que a palavra que ministramos é aquela que recebemos de Deus; a qual não pode ser misturada com doutrinas de homens ou de demônios. Devemos abrir mão de tudo aquilo que possa comprometer a essência da mensagem, mesmo que seja algo aparentemente correto.

"Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus" (v.9)

Quando oramos, precisamos saber que o objetivo principal da nossa intercessão, são aqueles que Deus confiou à nossa guarda. Um pastor de almas, precisa ser um intercessor por excelência em favor de suas ovelhas. E - quanto mais fracas e problemáticas - mais ele precisará interceder em favor delas. Ele deve ter sempre em mente que um dia terá que responder por cada um daqueles que ficaram sob seus cuidados pastorais. Sua missão maior não é viver "procurando pecadores ou culpados" entre os membros do seu rebanho; mas cuidar de todos com amor e desvelo.

"Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo" (v.14)

Outra coisa que o intercessor precisa saber, é que o mundo odeia aqueles que são do Senhor. Portanto, o verdadeiro intercessor deverá manter constante cobertura de oração pelos mesmos. O pastor em linha com este princípio, deve evitar promover a divulgação de "fofocas" sobre membros do seu rebanho. Um pastor assim, jamais ficará à favor do mundo e contra suas ovelhas. É lamentável quando um pastor começa a atuar como uma espécie de "advogado do diabo", tornando-se no maior adversário contra as ovelhas que Deus lhe confiou.

"Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade" (v.17)

O intercessor deve orar sempre pela santificação do povo de Deus. E deve também ministrar a Palavra de Deus para o crescimento de suas ovelhas. Existem armadilhas contra os filhos de Deus em todos os setores de atividade. Todavia, quando um pastor intercede pelo seu rebanho; o mesmo se sente fortalecido e motivado, para fugir das "astutas ciladas do diabo".

"E por eles eu me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade" (v.19 )

Quando um intercessor é consciente de sua responsabilidade, ele procura se santificar a cada dia, para não constranger nem expor aqueles que confiam nele - para que não seja motivo de enfraquecimento e desânimo daqueles que o conhecem como um homem de Deus. É fato notório que a santidade de um homem de Deus, acaba se tornando referencial de santidade para aqueles que com ele convivem.

"E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim" (v.20)

Outro fator de grande importância, no ministério de um intercessor, é dar cobertura de oração também aos que Deus irá salvar, mediante o trabalho realizado pela igreja. Portanto, nossa oração deve ser em favor daqueles que o Senhor nos entregou como ovelhas; e também por aqueles que estão sendo evangelizados e influenciados pelo testemunho do povo de Deus.

"Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado" (v.24)

Um verdadeiro pastor vive sempre em oração, para que o melhor de Deus se estenda aos membros do seu rebanho. Suas orações são sempre direcionadas em prol do bem-estar das ovelhas. O seu ardente desejo é que aqueles que Deus entregou aos seus cuidados pastorais, sejam abençoados com as mesmas bênçãos que ele costuma receber de Deus.

A mais sublime missão

O Senhor Jesus, em meio a intensa oração que fazia, fez uma colocação de incalculável valor: "Enquanto eu estava com eles, eu os guardava no teu nome que me deste; e os conservei, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura" (v.12).

Para um melhor entendimento quanto ao texto, devemos examiná-la sob dois aspectos: Em primeiro lugar, Jesus afirma que guardou aqueles que o Pai lhe entregou, enquanto esteve com eles. Sua oração nos leva a entender que somos responsáveis por aqueles que nos foram confiados pelo Senhor, enquanto estiverem sob a nossa guarda. Em segundo lugar, Jesus declara que, dos que lhe foram entregues, nenhum se perdeu, exceto o "filho da perdição", "para que se cumprisse a Escritura".

A Palavra de Deus nos ensina que uma das missões mais importantes, a ser cumprida por alguém chamado por Deus, é procurar conduzir à Cristo tantos quantos puder influenciar ao longo de sua vida. Paulo declara nas Escrituras, que nós somos "o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem" (2 Coríntios 2.15). Este texto indica que aqueles que vivem sob a influência do nosso trabalho - tanto os que são salvos mediante o nosso ministério, como os que se perdem por não aceitarem o nosso testemunho - acabam ficando marcados por aquilo que fazemos em favor deles.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bem-aventurados sois vós

"Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo" (Mateus 5.1-2)

Com este versículo como termo de abertura, Jesus inicia o admirável "Sermão da Montanha", que se estende até o final do capítulo 7 de Mateus; sendo as "bem-aventuranças" (v. 2-12), a introdução deste magnifico sermão. É um texto de rara beleza; tanto pelo conteúdo, como pelo objetivo. Sabemos que não é tarefa fácil tentar encontrar o texto mais importante da Bíblia - se é que esse texto existe. Todavia, podemos encontrar na palavra de Deus, diversos textos de especial importância para diversas situações. E tenho a plena convicção de que Mateus 5.2-12 está entre eles.

Já li em algum lugar, que o texto de João 3.16 é a mensagem central da Bíblia. E se examinarmos detidamente este versículo, nos convencemos de que o autor desta suposição tinha razão para assim pensar. Entretanto, ao lermos a Palavra de Deus, precisamos entender que suas mensagens visam focar uma diversidade de quadros; tais como: Circunstância histórica e cultural; nível de revelação e experiência; definição doutrinária; sintomas de decadência espiritual e moral; ocorrências futuras e julgamento divino, etc. Portanto, para cada um desses quadros há de existir um texto correspondente; o qual poderá ser o mais apropriado para o mesmo.

Na verdade, a Palavra de Deus é o melhor remédio para todas as doenças - do corpo e da alma. A Bíblia é um livro de Mistérios e um livro de promessas. Mas é também um livro de respostas. Não aquelas respostas que esperamos, para todas as indagações desta vida. Mas a resposta de Deus para os indagantes; mostrando-lhes o Seu eterno propósito e o fim de tudo. É isso! Deus parece querer demonstrar, nas Escrituras, que todo o Seu esforço e preocupação está relacionado com o homem por inteiro: Declarando o que ele já foi; denunciando aquilo em que ele se tornou; proclamando o que ele precisa ser.

Resumindo: A natureza do homem - suas emoções, seu carater, sua personalidade - é o verdadeiro campo de batalha entre a carne e o espírito. Não é difícil perceber que - no desenvolvimento do ser humano - aquilo que ele pensa (pensamentos); aquilo que ele diz (palavras); e aquilo que ele faz (obras), pode ser questionado, redirecionado, modificado e até refeito, mediante um processo pedagógico e/ou disciplinar; sem que seja necessário a operação de um milagre para tais mudanças nesta área. Todavia, aquilo que o homem é - sua natureza - está fora do alcance de qualquer processo natural. O estado de sua natureza define a sua condição eterna; e somente uma intervenção sobrenatural de Deus pode alterar sua condição "in natura". E obra alguma em toda a terra - seja ela literária, científica ou religiosa, é capaz de explicar isso tão bem como a Palavra de Deus.

Mas... e quanto as "Bem-Aventuranças"?! Pois é, meus irmãos; esta parte ficará para a próxima postagem.

Cordialmente;
Bispo Calegari