quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sermão da Montanha


Domingo passado, enquanto eu meditava em um texto sobre o qual iria pregar na IMW do Itamarati - baseado no Sermão da Montanha - fiquei a pensar no quanto a grande maioria dos crentes vai se distanciado da galeria dos bem-aventurados. E isso não acontece, pelo fato de desejarem se esquivar deste estado de graça proposto por Jesus; mas, sim, devido às bem-aventuranças alternativas, que, estão sendo oferecidas em muitos púlpitos espalhados pelo mundo afora. Se atentarmos bem para o conteúdo de muitas mensagens; vamos perceber que as bem-aventuranças propostas em nossos dias, estão relacionadas a uma vida sem sofrimento, abastada e com forte atuação política e social (já estão até criando "partidos" próprios); como se a "razão de ser" do evangelho de Cristo fosse tão somente a de promover social e prosperidade; ou, então, algum tipo de guerra ideológica entre igrejas e religiões.
 
Naturalmente que não estou negando o fato de que a vida de uma pessoa pode melhorar em muito o seu padrão de conduta e o seu status social e econômico, quando se entrega verdadeiramente ao Senhor Jesus e se dispõe a andar em Seu caminho. E também sei o quanto o lar de alguém pode experimentar transformação relacional e mudanças - tanto materiais quanto morais - quando a família se rende a Deus e de deixa conduzir por Ele. No entanto, disso tenho absoluta certeza, estas transformações - na relação de causa e efeito - são apenas o resultado na vida de alguém que, ao ter um encontro com Deus, passa a ser amoroso e paciente em sua casa; honesto e dedicado em seus negócios; zeloso e pontual em seu trabalho; cordial e atencioso em sua comunidade... E, por aí vai; e, são inúmeros os exemplos de famílias cristãs abençoadas por sua escolha, a confirmar aquilo que estou dizendo.
 
Mas as bem-aventuranças ensinadas por Jesus contrariam aquilo que alguns estão ensinando em nossos dias. Em Mateus 5.2-12, vemos que o foco hoje mantido segue sentido inverso ao que Jesus propõe neste texto. Creio que a decadência que levou a Igreja a se enfraquecer, em vários momentos de sua história; tem relação com a secularização do testemunho cristão; fenômeno causador do tipo de cristianismo que hoje se pratica na Europa e nos EUA. E percebo que aqui no Brasil, grande parte da Igreja segue pelo mesmo caminho; banalizando a fé, ao propor que o testemunho de vida cristã vitoriosa se reduz ao fato de alguém obter seu carro novo, sua casa nova, seu novo cônjuge... Em detrimento dos valores morais e espirituais que a Igreja sempre defendeu. Enquanto o Juízo não vem, Laodicéia segue rumo incerto; com o nome de Deus nos lábios, o mundo no coração e o pé à beira do abismo.
 
Sermão da Montanha
 
"E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós."
(Mateus 5.1-12).
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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