terça-feira, 1 de março de 2011

Os Atos de um Pastor

Um dos mais importantes fenômenos que se verifica nos dias de hoje - em tratando-se do "mundo evangélico" - é a diversificação e secularização das atividades pastorais. Vemos pastores empresários (não estou me referindo aos empresários que acabam por se tornar pastores - por terem sido chamados por Deus já nesta condição). Me refiro, sim, a pastores que se tornaram empresários para "administrar" melhor os recursos que granjeou com seu ministério bem sucedido.

Como pastor que tenho sido, ao longo de 43 anos, preocupa-me sobremodo a crescente mistura do secular com o sagrado - em prejuízo deste último. E o que é de se lamentar: A mistura do profano com o sagrado no "santo dos santos". Digo isso porque, em diversos púlpitos - a par e passo com as verdades sagradas ali proclamadas - vende-e de tudo, em nome da fé (é lógico que, assim como nos sites de vendas, o preço nem sempre é mencionado): É o "óleo consagrado no monte"; que pode ser aplicado em qualquer pessoa e para debelar qualquer tipo de mal. É a "água orada em consagração", capaz de aliviar os problemas do corpo e da alma. É a "rosa mística", capaz de levar fluídos ao recesso familiar; e assim por diante. E isso sem contar o "enxurrada" de livros e mais livros - tudo em nome de uma unção e graça de conteúdo duvidoso e de motivação suspeita.

Quero aqui afirmar que não estou desqualificando o trabalho bem intencionado de obreiros dedicados; os quais seguem este método de oferecer óleo e água, nas condições acima, mas com motivação correta e sem interesse financeiro. Sei que existem obreiros dedicados fazendo isso; os quais acabam por se tornar um canal de bênçãos para muitos; não em função do método utilizado - mas, em função de uma vida no altar do Senhor.

E existem também aqueles pastores que se arrogam em uma espécie de "faz tudo" à frente de uma igreja. Agem como se fossem "de mil e uma utilidades". Falam em nome de Deus - exigindo obediência irrestrita de um rebanho cada vez mais enfraquecido e desmotivado. Ou então, falam em seu próprio nome, exigindo "direitos" que nunca tiveram, se considerarmos o que se exige e se espera de um verdadeiro Pastor nas Escrituras sagradas. São capazes de exigir salários e benesses, como se fossem os mais competentes e qualificados profissionais do mercado. Procedem, enfim, como se fossem verdadeiros "dominadores" do rebanho do Senhor; rebanho este que, a cada dia, vai se tornando menos do Senhor e mais daquele pastor. Alguns destes, se procedessem de igual modo no mercado de trabalho, já teriam sido dispensados por "justa causa" a muito tempo.

Mas... Falemos sobre os verdadeiros Atos de um verdadeiro Pastor:

Os atos de um Pastor, à frente de uma igreja, se resumem em três: Atos administrativos; atos pastorais; e atos proféticos. Estes atos, se forem corretamente sincronizados e aplicados, podem produzir uma igreja saudável e próspera. Uma igreja capaz de cumprir plenamente o "Ide" de Jesus - tanto a nível local como a nível geral. Segue -se, em breve resumo, nossa tentativa de conceituar estes três atos.

1. Atos Administrativos

1.1. Atos administrativos são atos de governo. O pastor, no exercício do governo espiritual da igreja, precisa praticar os atos administrativos inerentes a esta responsabilidade. Suas decisões serão sempre o resultado de uma análise dos órgãos de administração local, sob sua presidência.

1.2. Em suma: sua decisões não serão o resultado do seu isolamento administrativo; e sim do parecer daqueles líderes que Deus colocou ao seu lado na administração da igreja. Elas nascem e prosperam como resultado do concenso desta liderança.

2. Atos Pastorais

2.1. Atos pastorais são atos de compaixão. Eles são gerados no sentimento de compaixão do Pastor; daí são canalizados para a edificação do rebanho e da comunidade. Estes atos manifestam-se através de empatia e presença constante do pastor, nas diversas ocasiões que marcam a vida das ovelhas e membros da comunidade em geral (nascimento de um filho; falecimento de um ente querido; doença na família; problemas conjugais e de desemprego, etc).

2.2. Os atos de compaixão só podem ser produzidos no amor de Deus reinante na vida do pastor. E sua manifestação, marcada por sincera emoção, permeia a relação existente entre as partes.

3. Atos Proféticos

3.1. Atos proféticos são atos de revelação - natural ou sobrenatural. Sua manifestação se dá, quando as verdades sagradas são proclamadas. Eles transpiram do coração do pastor e adquirem vida em sua tribuna, mediante a unção do Espírito santo. A mensagem daí nascida, não é um simples estudo bíblico, com temas sistematizados. A pregação profética e, antes de qualquer coisa, um sinal transformador para os ouvintes atentos.

3.2. Os atos de revelação podem ser de carater natural ou sobrenatural. Eles são capazes de transformar um crente a cada culto. Quantas vezes um membro da igreja, desanimado e infeliz, ao receber o ato profético da pregação, sai do templo totalmente revigorado - transformado pela palavra profética liberada pela pregação ungida.

Só para concluir, mas sem esgotar o assunto

É necessário aqui frisar, que os atos de um Pastor se entrelaçam e se interdependem. Por exemplo: Um ato profético da maior importância pode perder sua eficácia, se os atos pastorais não alcançarem o rebanho e da comunidade, em seus momentos de necessidade. Um Pastor que se omite de apascentar, poderá ter seus proféticos enfraquecidos, tanto na mente como no coração e no testemunho de um rebanho mal assistido.

Por outro lado, atos administrativos equivocados podem causar um crescente desgaste no ministério de um Pastor; a ponto de tornar seu rebanho insensível aos seus atos pastorais e proféticos - mesmo que seu pastorado e sua pregação sejam de alto nivel espiritual.

E também existe a possibilidade de um Pastor com atos pastorais e administrativos eficientes, deixar de ser relevante por não ter atos proféticos definidos. Isto acontece quando o Pastor, ao invés de pregar a mensagem, começa a contar histórias de sua infância e juventude; ou fala banalidades; ou, ainda pior, lança sobre seus ouvintes suas queixas, mágoas e frustrações. Misericórdia, Senhor!

Enfim, estes três atos precisam funcionar em perfeita sincronia, para um trabalho pastoral de resultados concretos. O rebanho e a comunidade serão edificados; e de tal maneira, que a obra do Pastor deixará marcas de amor para a eternidade.

Cordialmente;
Bispo Calegari

Um comentário:

  1. Maravilhosa palavra, Reverendíssimo ! É pena que é cada vez menor o número de colegas que agem assim. Aí está o segredo de um Ministério bem estruturado e vitorioso( ainda que aos olhos dos homens possa não parecer ). Louvo ao Senhor por tua vida, meu bispo e pastor. Maranata ! Pr. J,P,Sotéro.

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