segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ocupação desafiadora

 

Estamos em pleno mês de dezembro, já psicologicamente envolvidos por aquelas preocupações inerentes ao último mês do ano (proximidade das celebrações natalinas, romper de um novo ano, férias). No entanto, minhas preocupações se voltam para as transferências de obreiros... ainda bem que foram poucas; mas, talvez, não suficientes. Sei que o ministério pastoral é uma ocupação desafiadora, especialmente nos dias em que vivemos; e, também, a mais gratificante missão a ser cumprida por alguém verdadeiramente chamado por Deus para a missão. Todavia, sempre me pergunto: Terão sido realmente chamados por Deus, todos aqueles que estão investidos de uma função pastoral? Sei que não cabe à mim fazer este tipo de julgamento. Contudo, entre as atribuições que recebi de Deus; está a de avaliar o desempenho dos pastores e obreiros da 2ª Região.
 
Quando me refiro a desempenho; na verdade, estou pensando nas qualidades inerentes ao ministério pastoral, tais como: Amor sacrificial, preparo espiritual, palavra motivadora, administração eficiente, fé no poder de Deus para transformar ovelhas de índole difícil, empatia, paciência... e assim por diante. Sei que, nem sempre, estas qualidades estão todas reunidas em um só pastor. Contudo, a metade delas já seria de bom tamanho para tornar o mais simples dos pastores, muito bem sucedido na missão de cuidar de vidas que pertencem ao Senhor. Em meu trato com pastores, as vezes fica em mim a impressão de que alguns parecem sentir um certo alívio com a saída daqueles membros que cobram atitudes verdadeiramente pastorais de seu pastor; como se a perda de um irmão assim pudesse por fim aos seus conflitos ministeriais. É lastimável ver este tipo de atitude em um ministro de Deus.
 
Como seria bom se todos os pastores entendessem que a igreja não se alimenta de seus conceitos e radicalismos; e sim de sua dedicação desprovida de preconceito. E que, após sua transferência, poderá vir um novo pastor com opiniões diferentes das suas; e que a única coisa que as ovelhas guardarão com saudosa lembrança é a figura do pastor anterior que foi capaz de deixá-las tranquilas e em paz. Bem alimentadas, à sombra de um pastor amoroso e atento que se ocupava em orar, dedilhar sua harpa e cantar canções ao Deus de amor e de paz; enquanto mantinha o tipo de vigilância sacrificial que inibia os ursos, leões e lobos que tentavam a todo custo devorá-las. Isso mesmo! Um pastor presente no dia a dia do rebanho; vendo pela fé as ovelhas se multiplicarem; de tão satisfeitas e seguras; pois é deste tipo de cobertura que uma ovelha precisa, para ser feliz e se reproduzir.

Ao longo de minha vida, tenho procurado espelhar o meu ministério pastoral nos ensinos de Jesus. E este, em especial, tem feito o meu coração disparar: "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas." (João 10.11-15). Vejo crescer a cada dia, o número dos que pensam que pastorear é pregar nos cultos e dizer às ovelhas o que elas devem ou não fazer. Todavia, lendo os ensinos de Jesus, não consigo ver um outro modo de ser um pastor segundo o coração de Deus.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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