quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Duas palavras


Enquanto eu buscava a Deus, meu espírito se deteve em duas palavras: Religiosidade e espiritualidade. Parecem afins; no entanto, quão diferentes são em seu real significado. Enquanto que a primeira leva as pessoas a adotar e formatar ao seu gosto e convicção, um tipo de culto e de sistema doutrinário, chegando a criar um deus que se encaixe em seu conceito; a segunda, promove um choque interior que nos coloca acima das discussões que reduzem a Palavra e a Obra de Deus aos limites do nosso próprio entendimento. Sei que há momentos em que ambas as experiências parecem ser a mesma coisa. No entanto, suas diferenças são bem maiores que suas semelhanças. Na verdade, a diferença entre elas está na essência e conteúdo das mesmas. Foi isso que levou muitos fariseus e doutores da lei a rejeitar a graça; pois o formato e significado que deram à Lei; bem como o seu apego a conceitos deturpados, os levaram a se tornar cada vez mais religiosos e menos espirituais. Enfim, tentar definir lei e graça à nosso modo - algo próprio da religiosidade - pode nos levar a negar o fim da Lei ou tentar mudar o sentido da Graça.
 
E ainda hoje, vemos pessoas agirem assim; bem mais religiosas do que espirituais. E, em decorrência disso, vemos conflitos religiosos ocorrendo em várias partes do mundo; deixando em sua esteira um número de mortos e feridos que não para de crescer; pois, enquanto que a religiosidade nos leva à loucura de brigar e até matar em prol dos conceitos que adotamos e da causa que defendemos; a espiritualidade, por sua vez, transfere o campo de luta para dentro de nós mesmos; onde residem as paixões carnais. Então passamos nos preocupar com o nosso pecado e não com o pecado do nosso irmão. E passamos a ver o Deus eterno acima dos conceitos que procuram defini-lo; ou da causa que julgamos ser Dele. Foi este sentimento que levou Jesus a acalmar os impetuosos discípulos, que queriam a todo custo silenciar alguém que expulsava demônios em Seu nome; dizendo-lhes: "Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós." (Marcos 9.39-40).
 
Creio ser de grande importância meditarmos nos termos deste texto: "E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande. Quem não é contra nós é por nós. E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós." (Lucas 9.46-50). Digo isto; pois percebo que, por falta desta visão, alguns vivem a tentar crescer por fora, investindo tempo e dinheiro em seu homem exterior; enquanto o seu homem interior definha e diminui de tamanho a cada dia.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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