segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Orçamento familiar II

Parábola acerca da previdência

"28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29 Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz" 
(Lucas 14.28-32).

Como eu afirmei na primeira parte deste artigo, recordo-me que meus primeiros anos no ministério, foram anos muito difíceis. Lembro-me muito bem que nossa preocupação material estava relacionada ao comer. E, mesmo assim, o básico dos básicos (arroz, feijão e alguma verdura). Carne e outros "exageros", só uma vez ou outra.

Ah... Esta foi muito interessante: Quando fui nomeado para plantar a IMW em solo português (lembro-me como se fosse hoje), embarquei no Aeroporto do Galeão por volta das 22 horas do dia 17 de setembro de 1978. Fui sozinho; pois, Celia e as crianças só iriam em novembro. Como eu não sabia o que iria encontrar por lá, não queria envolvê-los em minhas dificuldades iniciais.

O Pastor Jose Ribeiro (naquela altura, um jovem com cerca de 18 anos) foi sempre um grande companheiro. Nos conhecemos em Lisboa, na casa do Capitão Paulo Franke, do Exército de Salvação, amigo de longa data. Ali mesmo nasceu um discipulado que nunca chegou a ser concluído. Ele me acompanhou para Aveiro, residindo conosco durante mais de dois anos. Nas primeiras semanas, ficamos em casa de um irmão que nos ajudou muito, tornando-se mais tarde um dos pastores da IMW portuguesa (Pastor Joaquim Soares).

Todavia, o ponto que quero destacar nesta introdução é o seguinte: Antes de Celia embarcar com as crianças, no cais do porto da Praça Mauá - Rio de Janeiro; mandei-lhe uma carta, orientando: "Traga na bagagem 40 kg de arroz, 20 kg de feijão, 10 kg de açúcar e 5 kg de café. Os dias que iremos passar por aqui serão muito difíceis; e, não sei quando vão melhorar." Ela atendeu ao meu pedido; e, assim, tivemos provisão para muitos dias de "vacas magras".

O obreiro deve se preparar para os "dias maus"

Ao observarmos o modo como alguns obreiros esbanjam dinheiro, ficamos estarrecidos. "Será que não percebem que este tempo de fartura pode acabar?" Não é uma questão de fé; é sim, uma questão de previdência. Isso mesmo! O servo do Senhor precisa ser previdente, para que os maus dias não o peguem desprevenido. Geralmente, alguns obreiros que conhecemos - revoltados com a sua fraca condição financeira - nunca se preocuparam com economia.

É triste vermos irmãos afundados em dívidas (a dívida do carro novo; a dívida da roupa nova; a dívida do salão de beleza). Alguns devem até mesmo a comida que comeram no mês anterior. O princípio da estabilidade econômica impõe que, em tempo de abundância, devemos economizar, gastando apenas o necessário; e, mesmo assim, em algo que seja necessário.

Quero aqui declarar - sem pôr em dúvida o poder de Deus para nos socorrer - que é temerário ficarmos nos atolando em dívidas desnecessárias; e depois ficarmos implorando a Deus para "pagar as nossas contas". O reino de Deus é um reino de princípios. E quero aqui ensinar um valioso princípio do reino de Deus: A prosperidade não vem apenas pelo ganho ou pela fidelidade para com Deus. Ela vem também pelo senso de economia!

E mesmo a prosperidade que se recebe por fidelidade de Deus não resiste por muito tempo ao consumo exagerado daqueles que a possuem. A natureza consumista é tão inimiga da prosperidade, quanto a infidelidade ao Senhor. Portanto, se queremos ser prósperos, não devemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. Este é um passo muito importante para chegarmos ao futuro risonho que almejamos.

O obreiro não deve "amar o dinheiro" 

Em nossa condição humana, convivemos com dúvidas concernentes a diversos assuntos que envolvem a nossa existência. Na verdade, o ser humano vive cercado de indagações que jamais terão resposta nesta vida. No entanto, dentre as certezas que já possuímos, não podemos ignorar a de que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10).

Jesus adverte quanto ao perigo da avareza, ao usar como referência a história do homem rico; que falava consigo mesmo: "E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus" (Lucas 12.19-21). Neste texto, Jesus deixa bem claro que nossas maiores riquezas são as espirituais.

O obreiro deve se adequar aos seus rendimentos

É muito comum vermos servos e servas de Deus procurando viver "a vida dos outros". Se alguém compra uma nova mobília, eles decidem também comprar. Se alguém compra um carro novo, eles fazem imensas dívidas, para também comprar. Vivem sempre de olho no padrão de vida de alguém que tentam igualar ou superar. É triste este tipo de vida. Uma verdadeira prisão!

Precisamos aprender com a Palavra de Deus. E ela nos ensina que não devemos ambicionar aquilo que está acima das nossas posses. Pelo contrário, diz ela, "sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Outro princípio do reino de Deus é que, devemos aprender a nos contentar e dar graças a Deus por aquilo que temos.

Ao ministrar sobre o discípulo carregar a sua cruz e segui-lo, Jesus adverte que nada justifica colocarmos em risco a nossa alma: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26). Geralmente, a falta de planejamento financeiro na economia do lar pode colocar em risco a nossa própria alma.

O obreiro deve ter sua prioridade-mor

Todo servo e serva de Deus deve estabelecer uma relação de prioridades. E, uma vez que tenha feito isso, deve colocar como sua prioridade nº 1, que é o princípio do Reino de Deus baseado neste texto: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). Aprendemos aqui que, se queremos ter sucesso em algo que fazemos, precisamos buscar o reino de Deus em primeiro lugar.

Existem ocasiões em que precisamos acordar e perceber que nos desviamos do "primeiro amor". É muito comum, nos dias de hoje, vermos obreiros que estão agindo bem diferente do modo como iniciaram sua carreira ministerial. E quando descobrimos seus motivos, chegamos a conclusão de que olharam na direção errada. Em suma, escolheram modelos errados para imitar. E, devido a isso, começam a naufragar em seu ministério. É muito triste isso!

Conclusão

Quando postei a mensagem "Orçamento Familiar I", procurei deixar claro que o meu objetivo é advertir quanto ao perigo do consumismo e, ao mesmo tempo, falar sobre a necessidade de administrarmos bem os recursos - poucos ou muitos - que o Senhor coloca em nossas mãos. E, ao dar por encerrado este assunto, quero afirmar que existem dois tipos de futuro a nossa espera: O futuro risonho e o futuro incerto. E o modo como agirmos em relação aos princípios aqui alinhavados é que vai determinar qual o futuro que teremos quando chegarmos à jubilação.
"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" 
(Mateus 25:21).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 1 de janeiro de 2012

O mundo não acabou

"E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor DEUS acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra" 
(Ezequiel 7:2)

Um dos assuntos mais discutidos e conversados nos dias atuais é o "fim do mundo". Em todas as rodas e instâncias é comum, de quando em vez, este assunto vir à baila. Existem, inclusive, livros, filmes e canções abordando este tema; alguns deles causando verdadeiro impacto nas emoções de muitos. No entanto, isso não aconteceu em 2011!

E, deste modo, atravessamos os umbrais de mais um ano. 2012 já é parte integrante dos nossos sonhos e projetos. Alguns não conseguiram transpor suas fronteiras; mas, nós estamos aqui. Serão 366 dias (ano bissexto) se constituindo em 366 etapas que precisaremos ultrapassar. E isso somente será possível se Deus nos der vida e saúde para chegarmos a um outro provável final de ano. Penso que será desafiadora a jornada... E tenho razões para pensar assim!

Na verdade, o mundo não acabou... Todavia, alguns valores de fundamental importância para o planeta, estão acabando - em ritmo crescente - sem que muitas vezes notemos o seu enfraquecimento e diminuição. São valores milenares que já vem definhando a algum tempo; mas que, agora, começam a se acabar.

Realmente... O mundo não acabou

"E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo" 
(Apocalipse 16:8)

Mas... A camada de ozônio que envolve o planeta parece estar acabando, dando sinais de preocupante diminuição. Segundo os cientistas, um grande buraco já pode ser visto na camada de ozônio. O ser humano precisa ver o ozônio como o filtro que Deus criou, para preservar a biodiversidade e a própria vida humana no planeta. Ele é uma forma alotrópica do oxigênio e, formando uma grande bolha na estratosfera, se constitui em uma lente a filtrar os raios do sol. Todavia, se ele se enfraquece, o seu enfraquecimento já é uma ameaça à vida na terra.

"Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão"
(II Pedro 3:10)

Mas... As florestas parecem estar acabando. E a crescente desertificação do planeta pode ser consequência direta do desmatamento. A medida em que as florestas diminuem, diminui também a biodiversidade; e se eleva a temperatura do planeta. Os constantes desmatamentos no Oriente Médio, desde os tempos bíblicos, resultaram um uma região desértica que, em muito, difere dos relatos bíblicos sobre Canaã - outrora com suas florestas, seus mananciais e suas terras férteis. Será que o mavioso canto dos pássaros, o rugido assustador das feras, assim como a cor e o perfume das flores, correm o risco de se extinguir - tornando-se num futuro próximo, em figuras de museu e exemplares de zoológico?

Mas... As calotas polares parecem estar acabando. Sua diminuição é visível, sendo constantemente denunciada por cientistas. Elas funcionam como uma espécie de "dosador do clima", mantendo o nosso mundo com uma temperatura equilibrada e suportável, mesmo em regiões tórridas. Mas a avassaladora poluição na terra - causada por lixo, lixo e mais lixo - vem afetando os rios, os oceanos as calotas polares e até mesmo o espaço. Esta é uma triste verdade: Nós conseguimos emporcalhar o nosso meio ambiente!

Mas... A paz entre os homens parece estar acabando. Os crescentes movimentos de provocação e guerra entre povos, prenuncia dias de angústia para as nações. E a medida em que os tambores da guerra ampliam o seu batuque, amplia-se o número de nações envolvidas com a industria da guerra e com a guerra propriamente dita. Em alguns continentes, já não é mais possível controlar o recrudescimento da violência. E o arsenal de antigas armas - capaz de destruir grande parte da humanidade - não enfraquece a pesquisa por novas armas, ainda mais cruéis e terrivelmente aniquiladoras. O fim vem!

"AI dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão." (Isaías 10 : 1) "Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna" 
(Isaías 24:5)

Mas... As leis morais parecem estar acabando. Leis milenares que estabeleceram limites para os desvios e exageros da conduta humana parecem estar com os seus dias contados. E, em seu lugar, surgem novas leis - absurdas e obscenas - que bagunçam de uma vez por todas a já combalida harmonia e respeito entre as pessoas. Novas conceituações sobre família vão ganhando força e aplausos, até mesmo daqueles que deveriam repudia-las com veemência. Leis são forjadas e promulgadas para atender os interesses de uma minoria, sem levar em conta os interesses de uma nação inteira; sob o olhar - ora indiferente, ora perplexo, ora angustiado - do cidadão comum, que já não pode fazer grande coisa; a não ser ficar olhando enquanto o "circo pega fogo". E isso vem acontecendo em todo o planeta! 

"E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe"
 (Apocalipse 21:1)

Mas... O mundo parece mesmo estar acabando! E não devemos nos inquietar ante esta assustadora possibilidade, uma vez que temos a Palavra de Deus a nosso favor. E ela proclama que Deus nos dará novos céus e nova terra. O mundo e a maioria dos seus moradores, neste tempo de extrema maldade, se rebelaram contra o Deus eterno - estabelecendo cumplicidade e laços de morte com o pecado. Mas... Não tem importância. Nosso Deus está construindo um outro mundo, muito melhor, em que habita verdadeira justiça e paz verdadeira!

"Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3:13)

Nesse novo mundo que Ele está preparando, só entrará aquele que estiver com as vestes nupciais. Isso mesmo! É o mundo daqueles que não se renderam a Satanás, nem aos prazeres da carne, não se deixando levar pela sedução deste mundo. Nele, a morte não terá vez! Nem haverá possibilidade de fracasso e degeneração, porque não será governado por Lúcifer ou por homens. O novo mundo será governado por Jesus. Ele conduzirá os seus seguidores para pastos verdejantes e águas tranquilas. Será um lugar de descanso e paz, que se estenderá por toda a eternidade. Venha o teu reino, Senhor! Ora vem, Senhor Jesus!

Finalizando esta palavra pastoral, deixo aqui um texto da Bíblia que pode nos ajudar a refletir ao longo do ano de 2012 - um ano que chega envolto em sombras inquietantes.

A vinda do Senhor

1  AMADOS, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero; 2  Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. 3  Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, 4  E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5  Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. 6  Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, 7  Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. 8  Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. 9  O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 10  Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. 11  Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, 12  Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? 13  Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. 14  Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. 15  E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; 16  Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. 17  Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; 18  Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém" (II Pedro 3.1-18).

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 31 de dezembro de 2011

Graças te dou Senhor

O salmista exorta toda a criatura a louvar ao Senhor

"1  LOUVAI ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. 2  Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza. 3  Louvai-o com o som de trombeta; louvai-o com o saltério e a harpa. 4  Louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos. 5  Louvai-o com os címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes. 6  Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR" (Salmo 150)

Agora a pouco, postando uma reflexão em minha página no facebook, senti o desejo de traze-la também para o meu blog. Se eu fosse um compositor, talvez transformasse esta palavra em um cântico de gratidão. No entanto - não tendo recebido de Deus este dom - contento-me em expressar o meu sentimento do modo como sei fazer.

"Obrigado Senhor"

"Nesta virada de ano - em que saltamos de 2011 para 2012; quero tornar pública a minha gratidão a Deus por ter me conduzido, pelo Seu Espírito, em segurança e paz - ao longo de mais um ano que vejo se findar. Tenho visto Sua potente mão agir com poder - tanto em minha vida, como em minha família e ministério. Não tenho palavras suficientes para expressar toda a minha gratidão! Obrigado por tudo, meu eterno e amado Salvador!

Sou grato a Deus por ter me escolhido para o ministério, sem que houvesse em mim capacidade para exerce-lo. Ele, entretanto, me tornou capaz de honra-Lo e servi-Lo com amor e humildade - missão que venho cumprindo nos 44 anos em que O tenho conhecido como meu Senhor e Salvador. E trazer-me para servi-Lo na II Região Eclesiástica foi muito mais um prêmio do que um dever. É ventura demasiada para um ser pequeno como eu!

Sou grato a Deus pela querida família que me concedeu. Maria Celia tem sido uma esposa exemplar - em todos os sentidos - estando sempre ao meu lado, como companheira fiel e sempre preocupada comigo. Juntos, construímos um projeto de família que resultou em 03 filhos, 01 filha, 02 noras, 01 genro, 05 netas e 02 netos. Uma família abençoada! Cada vez que os contemplo ou converso com eles, sinto-me o mais privilegiado dos mortais!"

E assim, tendo transformado o meu sentimento em palavras de gratidão, começarei a me preparar para romper o sexagésimo sexto ano - desde o início da minha abençoada existência. Obrigado Senhor!

"Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do SENHOR"
 (Salmo 116.12-13)

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mais um ano se finda

Estamos vivendo o "apagar das luzes" de 2011. E quantas lembranças gostaríamos que permanecessem em cativeiro no ano que se finda. Ou que, em nossa memória, se esvaíssem tal e qual um nevoeiro ante a chegada do sol. No entanto, elas insistem em fazer a travessia para o novo ano conosco - enraizadas em nosso consciente. Sem poderem ser descartadas - devido ao registro do bem e do mal que nos marcaram neste ano prestes a morrer - elas se tornam em uma espécie de livro destas experiências.

Se fossemos capazes de fazer uma retrospectiva daquilo que experimentamos durante o ano de 2011, quais seriam os pontos salientes da mesma? O que fizemos... O que deixamos de fazer... O que não deveríamos ter feito... Enfim, quais histórias surgiriam desta retrospectiva imaginária? É natural que, ao longo dos 365 dias de um ano que se finda, muito poderia ser dito sobre nossa atuação durante o mesmo. Triste é quando não temos histórias pra contar...

No entanto, existe uma experiência ainda mais triste do que a de não termos história pra contar. Isso mesmo! Sou daqueles que acreditam que pior ainda do que não ter história é ter histórias de obscenidade e de violência. Ou mesmo histórias sobre males que tenhamos infligido a outras pessoas - humilhando; injuriando; caluniando - enfim, causando-lhes sofrimento. No entanto, estas ainda não são as piores histórias...

Ao longo de minha vida, tenho chegado a conclusão de que as piores histórias protagonizadas por alguém, são aquelas cujo conteúdo está repleto de atitudes inconvenientes contra o Deus eterno. Nossos pecados cometidos a luz do dia ou na escuridão da noite. Nosso modo leviano e irreverente de tratar as coisas de Deus. Nossas preferências idólatras e demoníacas. Enfim... As histórias mais tristes são aquelas protagonizadas por vidas em contumaz desobediência e rebelião contra Deus!

Infelizmente, sou obrigado a dizer que não há muito o que fazer em relação a erros que porventura tenhamos cometido ao longo deste ano. Entretanto, temos o testemunho da Palavra de Deus a nos indicar o modo como agir no novo ano que se aproxima: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Filipenses 3.13-14).
 
E a todos aqueles que ainda não tiveram experiência de salvação em Cristo Jesus, especialmente aqueles que seguem ou acessam o meu blog, quero aqui afirmar que existe esperança de um futuro melhor, quando entregamos nossa vida a Jesus; pois a Bíblia diz que, "se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (II Coríntios 5:17).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Lobo entre ovelhas

"Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho" (Atos 20:29)

Hoje, comentando uma foto postada pelo Pastor José Ribeiro em minha página no facebook, senti o desejo de ampliar e estender o comentário ao meu blog. Penso ser de grande relevância para a realidade com a qual lidamos hoje em dia. É que, do jeito que as coisas vão, convivemos com inúmeros crentes - sem chegarmos a conhece-los - no "pequeno/grande" rebanho do Senhor.

Vivemos em época de produção de medicamentos genéricos em larga escala. O Aurélio define genérico como um adjetivo aplicado a medicamento comercializado com o nome técnico, que é o nome do princípio ativo que o integra. Na verdade, este termo se atribui a remédio cuja patente foi quebrada. É mais ou menos como aquele crente que diz ser "cristão", mas sem ter "patente". Eles dizem ser "de Cristo"; portanto, sem compromisso com  igreja. E quando se introduzem em alguma, é apenas para criticar e tentar confundir alguns crentes mais frágeis que não resistem a argumentos persuasivos, embora contraditórios. Será errado ver este tipo de crente como "crente genérico"?

Todavia, de uma coisa tenho absoluta certeza: Esta espécie de "crente" vai se tornando cada vez mais comun na Igreja do Senhor. Ele não é de estar em todos os cultos, pois, só vai aos mesmos quando "sente de Deus". Quando os encontramos, em meio a um culto cheio da unção de Deus, percebemos uma convincente expressão de temor e quebrantamento. Quando não os conhecemos muito bem, suas lágrimas abundantemente derramadas chegam a nos convencer de que estão entre os crentes mais dedicados.

No entanto, alguns desses "crentes" são capazes de, no dia seguinte, ir a um programa mundano com a mesma expressão de deslumbramento no rosto e no olhar. Tenho, inclusive, sabido de casos tristes; em que este tipo de crente, logo após um fervoroso culto, consegue utilizar sua lábia para seduzir uma ingênua irmãzinha; sendo capaz de desencaminha-la ali mesmo, na porta da igreja. Geralmente, fico sem saber definir se o tal é mesmo um "crente genérico" ou um "lobo entre ovelhas". Então, me ponho a pensar... Aonde os tais pretendem chegar com esta duplicidade de vida?

Chego a triste conclusão que o "lobos entre ovelhas" é um espécimen que vem se reproduzindo assustadoramente - infiltrando-se dentro do rebanho do Senhor e pondo-o em perigo. Geralmente, está sempre muito bem camuflado! E, de tal modo se disfarça, que o seu disfarce somente se desmascara com a pregação da "Palavra da Verdade" - aquela que é como uma espada cortante - única capaz de denunciar o mal (lobos e demônios), diagnosticar a doença (natureza pecaminosa) e indicar a cura (conversão a Cristo)! 

"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas" (Mateus 10:16)

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Orçamento familiar I

A Parábola dos dez talentos
"14  Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. 15  E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. 16  E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. 17  Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. 18  Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19  E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. 20  Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. 21  E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22  E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. 23  Disse-lhe o seu SENHOR: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24  Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; 25  E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26  Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27  Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. 28  Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. 29  Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. 30  Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mateus 25.14-30).

 Nesta manhã, quero compartilhar com aqueles que acessam o meu blog, sobre algo que vem me inquietando ultimamente. Algo que não tem sido levado em conta, como fator de instabilidade na família e até no ministério de muitos obreiros. Logo no início do meu ministério, ouvi dizer que três fatores se constituem em grande ameaça para o Pastor: Sexo, dinheiro e poder. E ter ouvido esta advertência em meus primeiros anos de ministério, me ajudou em muito a procurar me resguardar ao longo de minha vida como obreiro do Senhor.

Todavia, percebo um perigo oculto - tão perigoso quanto os três fatores apontados - até porque não é levado em conta: O consumismo descontrolado de muitos obreiros e suas esposas. Desde garoto, ouvia meu pai dizer que não podemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. Em nossa casa nunca faltou comida, embora tudo fosse muito simples. Meu pai sempre priorizou nossa alimentação e nossa educação, acima de qualquer outra coisa que idealizasse.

Ainda hoje tenho na memória uma cena interessante: Eu era um menininho (talvez uns dois anos) sentado no peito de meu pai; o qual se encontrava deitado na esteira em que dormia com minha mãe. Enquanto ele brincava comigo, peguei um pedaço de pau ao lado e acertei em sua testa. Ele reclamou sorrindo. Ainda menino (seis, sete anos) lembro-me que qualquer coisa diferente que trouxéssemos para casa, ele ordenava que fossemos deixar onde pegamos. Foi sem dúvida um dos homens mais honestos que já conheci... Sinto saudades do meu pai! 

Me recordo de meus primeiros anos no ministério. Foram anos difíceis. Não era difícil colocar pão sobre a mesa; mas, passávamos semanas sem provar algo diferente daquele prato básico (arroz, feijão e algum verdura). Carne, só uma vez ou outra. Passamos alguns anos sem fazer um lanche na rua. Me recordo de, em certa ocasião, ter passado alguns meses sem poder comprar um pedaço de carne... E o rebanho a mim confiado era tão necessitado quanto eu.

Ainda me lembro de uma estratégia que utilizei logo no início do nosso casamento, que muito nos ajudou. Eu pegava os poucos recursos que recebia e distribuía em envelopes identificados - padaria; mercado; quitanda - envelope para cada área de consumo básico. Celia era muito nova (dezesseis anos) e eu lhe dizia: "Cuidado com o uso de cada um destes envelopes; se o recurso de algum deles acabar antes do fim do mês, ficaremos desprovidos". Celia foi sempre uma grande companheira - muito compreensiva. Louvo a Deus pela esposa que Ele me deu!

Na verdade, nós não tínhamos um salário específico. Posso afirmar que vivíamos literalmente "das migalhas que caiam da mesa"! Algumas vezes, eu notava alguns obreiros mais antigos desfrutando de uma condição melhor de vida; e, nessas ocasiões, ouvia uma voz insinuando: "Por que eles tem e você não tem"? "Por que tem que ser desse jeito"? Então, o meu espírito reagia contra tais insinuações. E eu respondia a mim mesmo: "Se eles chegaram a esta condição é porque já superaram suas provas; ou, porque foram fiéis; ou, porque crêem mais no Deus de promessas do que eu". Hoje, louvo a Deus por não ter me deixado influenciar por aquelas insinuações de Satã. Creio ter sido esta a maior vitória em meio aquela provação!

Celia e eu, travávamos muitas batalhas em oração. Era mesmo uma nomeação desafiadora! Em uma noite, nós dois estávamos orando, quando Deus nos falou: "Filhos, não estranheis a prova que vocês estão passando. Eu vos tenho provado e vocês passaram na prova. A partir daqui, em todo o lugar para onde forem, abrirei as janelas do céu sobre vocês. E abençoarei também os que estiverem ao vosso lado". A partir daquele momento, mesmo não percebendo diferença nos meses subsequentes, descansamos plenamente no Senhor. E valeu a pena!

Dali, fomos para Petrópolis. Depois, Governador Valadares; de lá, seguimos em missão pioneira para Portugal... e assim por diante. Em todo esse tempo, cumprindo o nosso ministério em nome de Jesus, vimos as promessas que Deus nos fez se cumprirem ao pé da letra! Ainda hoje, depois de tantos anos no campo, continuamos vendo a mão de Deus agir em nossa vida e na vida daqueles que Ele tem posto ao nosso lado. Suas promessas tem se cumprido fielmente!

Todavia, como antecipei na introdução deste assunto, meu objetivo é advertir quanto ao consumismo e, ao mesmo tempo, falar sobre a necessidade de administrarmos bem os recursos - poucos ou muitos - que o Senhor coloca em nossas mãos. Como não é possível fazer isso em um só post, darei continuidade ao assunto na próxima postagem.

"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" (Mateus 25:21).

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Geazi anda por aí

"20  Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. 21  E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? 22  E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupas. 23  E disse Naamã: Sê servido tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupas; e pô-los sobre dois dos seus servos, os quais os levaram diante dele. 24  E, chegando ele a certa altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou na casa; e despediu aqueles homens, e foram-se. 25  Então ele entrou, e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. 26  Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? 27  Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve".
(II Reis 5.20-27)

Algumas histórias da Bíblia tem conseguido marcar profundamente a minha vida e o meu ministério. Algumas delas, pelos valores morais e espirituais que conseguiram me passar - mediante o bom testemunho daqueles que as protagonizaram. Outras, nem tanto assim... Na verdade, algumas revelam o lado mau de decisões tomadas por alguns que poderiam ter tido um melhor destino. Dentre as que servem de advertência a todos nos - obreiros do Senhor que sentem o chamado de Deus para servir no ministério - chamo a atenção para a triste história de Geazi.

Geazi ainda vive entre nós

Quando afirmo que Geazi ainda continua vivendo entre nós, não estou me referindo a presença física do moço do profeta Eliseu. Assim como Jesus, ao declarar que Elias esteve entre eles, não se referia a Elias, o tisbita; e sim, a unção e virtude de Elias - presentes na vida de João Batista. Longe de insinuar reencarnação, doutrina condenada nas Escrituras, o objetivo do Mestre é demonstrar que João viera no mesmo espírito e virtude de Elias, para cumprir missão análoga a do famoso profeta.

E é neste mesmo sentido, que me refiro ao fato de Geazi continuar existindo entre nós. Não estou proclamando o retorno do Geazi do passado! Mas, sim, denunciando a existência de "moços-do-profeta" e, até mesmo de profetas; vivendo na mesma condição e com a mesma motivação daquele infeliz. São aqueles que - chamados ou não por Deus para o ministério - escolheram seguir os passos de Esaú e de Geazi; trocando a bênção por um prato de comida ou por um punhado de moedas, completamente seduzidos pela ganância e pela cobiça.

Para Geazi, a prioridade já não era o cumprimento da missão; mas, as vantagens materiais que podia auferir através dela. Mesmo que ele tivesse tido um belo início de carreira ministerial, tal experiência fora sufocada por sonhos de prosperidade e de grandeza. O seu maior desejo, agora, era enriquecer e adquirir bens e fama - valendo-se dos privilégios da missão. Portanto, em sua vida, viver em função do chamado e da missão deixou de ser prioridade.

Tentando entender Geazi, percebo que sua motivação foi corrompida pela cobiça. Não sei precisar o ponto em que ele perdeu o rumo. Entretanto, é de supor que foi crescendo dentro de si o desejo de ganho fácil e enriquecimento - tendo a missão se tornado o trampolim para concretizar este desejo. Finalmente, quando atingisse seu objetivo, a missão seria apenas um "faz-de-conta"; ou, uma espécie de "moeda-da-sorte" de um famoso personagem das histórias em quadrinhos. Ou, talvez, a descartasse em um canto escuro qualquer, na tentativa de remove-la de sua lembrança. Quanto a lepra... Não devia fazer parte de seus planos. Triste fim para um promissor "moço-do-profeta"!

O Monte da Tentação é logo ali

Tenho entendido em meu espírito que o "Monte da Tentação" não é apenas um episódio do ministério de Jesus; mas, também, um sinal de alerta, a nos advertir que Satanás não desiste nunca de tentar nos seduzir e aniquilar. Quando ele vê mediocridade em nós, nos oferece alguns "brinquedinhos" de quando em vez, para nos manter sob controle. Se, por outro lado, vê em nós graça e unção acima da média, procura então nos assediar: Primeiro com pressões rotineiras. Caso não isso seja suficiente - tenta nos seduzir com o poder, fama e riquezas deste mundo sob seu absoluto controle.

Foi deste modo que Satã tentou desviar Jesus de sua missão: Oferecendo-lhe fama e riqueza, recusadas de imediato pelo Mestre. E, do mesmo modo, procura desencaminhar os homens de Deus - tanto os profetas, como os "moços-dos-profetas" - voltando-se especialmente para aqueles que trazem marcas de um chamado especial, com grande capacidade de influência; para então, através deles, exercer domínio sobre o povo de Deus. Aos tais, disponibiliza fama e riqueza em larga escala. E não são poucos os que tem sido vencidos por este ardil de Satanás.

Ambição pelo poder e suas conseqüências

O Apóstolo João denuncia a ambição pelo poder existente na vida de Diótrefes: "Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja" (3 João 9-10). Aquele obreiro, plenipotenciário, procurava ter domínio sobre a herança de Deus.

O Apóstolo Pedro exorta aqueles que presidem o rebanho do Senhor, com palavras claras e objetivas: "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória" (1 Pedro 5.2-4). Fica evidente que o homem de Deus deve presidir o rebanho do Senhor com amor e exemplo; não com autoritarismo.

O amor ao dinheiro pode causar muitos danos

A Palavra de Deus nos adverte quanto ao perigo do apego ao dinheiro, "porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10). Em minha missão episcopal, algo que ainda me causa preocupação e angústia é ver como certos obreiros demonstram apego ao dinheiro. Alguns deixam isso muito claro, logo em sua primeira reunião com a liderança. É lamentável!

E o mais triste é que os que assim agem, são os que mais dificuldades enfrentam - tanto de ordem espiritual como de ordem financeira. Em termos de vocação, o que se espera de um verdadeiro servo de Deus - é que o mesmo se preocupe em primeiro lugar com o estado do rebanho do Senhor. Seus primeiros questionamentos devem incluir: O que posso fazer por esta igreja? Em que posso ser útil aos que serão assistidos pelo meu ministério? O que esta igreja espera de mim, como seu pastor? Enfim... Os que assim iniciam o seu ministério a frente de uma igreja, são sempre os que alcançam os melhores resultados. É admirável!

Cordialmente;
Bispo Calegari

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