terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mundo de aparência

"29 Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; 30 E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; 31 E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa"
(1 Coríntios 7.29-31).

No mundo em que vivemos nem tudo é o que parece ser. Uns parecem ser tão mansos... Mas, não são! Outros parecem ser convertidos... Mas, não são! Existem também os que parecem ser sinceros... E não são! Pois é... Não precisamos ir longe, para ver que mundo de aparências e este nosso. Mundo em que se torna cada vez mais difícil sabermos realmente "quem é quem"!

E quanto mais convivemos com pessoas e damos importância as coisas - mais nos damos conta de que vivemos mesmo em um mundo de aparências. E existe um razão fundamental para que este seja um mundo de aparências: É que o mundo em que vivemos é um mundo de engano - mundo que procura sufocar a Palavra de Deus em nossa vida! "Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Marcos 4:19).

Necessidade de cautela

"3 E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; 5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos"
(Mateus 24.3-5).

A pergunta feita pelos discípulos - registrada no verso 3 - recebe de Jesus pronta resposta: O maravilhoso sermão escatológico; o qual abrange os capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus. E quando o Senhor Jesus inicia sua resposta aos discípulos, Ele chama sua atenção para o cuidado que precisamos ter com o espírito de engano (versos 4 e 5).

A Palavra de Deus recomenda muito cuidado com aqueles que vivem "3 sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, 4 traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te" (II Timóteo 3:3-5). Ela também nos orienta a afastar-nos de pessoas assim.

E o próprio Jesus procura chamar a nossa atenção para os frutos de um verdadeiro cristão; exortando-nos a atentar, não para a aparência, e sim para os frutos: "Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?" (Mateus 7:16). E deixa bem claro que aqueles que não produzem frutos, serão rejeitados: "Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo" (Mateus 7.19).

Jesus também adverte que Deus não se deixará levar pela aparência: "21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? 23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mateus 7.21-23). Que os obreiros que trabalham com cura e libertação atentem para isso!

Portanto precisamos ter cuidado com o nosso testemunho

E Ele também nos exorta a decidir que tipo de árvore queremos ser: "Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore" (Mateus 12:33). E conclui advertindo que é pelos nossos frutos que saberão se somos bons ou maus cristãos.

O Apóstolo Paulo denuncia a conduta dúbia de alguns cristãos que se apresentavam como fiéis - por guardarem os preceitos da lei; mas que deixavam a desejar, quanto ao seu caráter e testemunho cristão: "E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram" (Gálatas 2:6).

Mas... É assim mesmo! Este é o mundo em que vivemos. Daí a razão de sermos exortados a olhar as pessoas, não pelo que aparentam ser; amando-as e perdoando-as quando nos ofendem. Nos dedicando a sua salvação - mesmo que estejam na pior condição de miséria, opressão e maldade - por aquilo que elas valem aos olhos de Deus: Por isso, a Palavra adverte: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26).

Precisamos cumprir missão que Deus nos deu

Pois, se cumprirmos bem a nossa missão, pregando a Palavra de Deus e testemunhando de Jesus, muitos serão resgatados de sua vã maneira de viver. Pois, Deus nos faz lembrar que éramos assim, antes de conhecermos a Jesus: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais" (I Pedro 1:18).

Portanto precisamos saber que nem tudo está perdido! Mesmo estando rodeados de tanta maldade... A bondade continua a florescer! Mesmo vendo inúmeros cristãos vivendo uma vida sem fruto... A santidade pulula através daqueles que continuam vivendo com propósito! E, acima de tudo isso, temos o conforto de saber que Jesus continua salvando... E que o nosso Deus sempre sabe "quem é quem"!

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 2)

"1 Ó INSENSATOS gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? 2 Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3 Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? 4 Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5 Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?"
(Gálatas 3.1-6).

Antes de continuar com este importante assunto, quero aqui declarar que o meu objetivo não é criticar ou atacar aqueles que pensam diferente do que aqui exponho. Não mesmo! O meu único objetivo é - não atacar a Lei de Moisés, pela qual tenho o maior respeito - mas fazer a defesa da Graça que foi revelada em Jesus Cristo. E é com este único objetivo que esta mensagem é postada.

Quando examinamos a história do povo de Israel, percebemos que tanto sua religião, como a tradição dos antigos e seus usos e costumes - estão profundamente interligados com a Lei de Moisés; seja em seu aspecto substantivo, seja em seu aspecto adjetivo. Portanto, será inadmissível pensar em Israel (sua religião, nação e tradição) sem que se veja a Lei de Moisés como seu fundamento. Na verdade, fica claro em uma exegese fiel do Antigo Testamento, que os aspectos cerimoniais e morais estavam definitivamente ligados à lei e ao testemunho hebreu.

No entanto, se atentarmos para o modo como a Lei era interpretada e aplicada, tanto no desenvolvimento da nação como nos dias de Cristo, vamos perceber que o componente mais importante da lei - o qual deveria dar sentido a mesma - esteve sempre ausente: A espiritualidade; ou, o sentido espiritual em que ela se constituía em sua essência.

Esta foi a principal razão dos desvios de finalidade que marcaram profundamente a história de Israel ao longo dos séculos. E  muitos sacerdotes e profetas perderam suas vidas, por advertir os governantes e os sacerdotes quanto a esse desvio. Mais tarde Jesus lança em rosto dos doutores da lei, o triste fato de seus pais terem torturado e eliminado os profetas; cuja memória eles agora aclamavam.

E esta deve ter sido também a razão principal da intolerância transformada em ódio - tanto dos sacerdotes como dos doutores da lei - contra Jesus. Na verdade, Jesus só granjeou alguma simpatia desta classe quando, durante a sua adolescência, os impressionou com o conhecimento da lei que demonstrava ter. No entanto, a interpretação que lhe dava jamais fora vista com bons olhos pelos mesmos. E quando ele conceituou a lei, dando-lhe uma nova interpretação - mostrando o verdadeiro modo de praticá-la - granjeou inimigos mortais entre aqueles que se julgavam os seus guardiães.

Outro detalhe interessante encontrado na lei de Moisés, é o modo como o judaísmo dá destaque aos quatro elementos mais influentes na tradição religiosa e cultural dos judeus nos dias de Jesus: A exclusividade, o dízimo, a circuncisão e o sábado. E quando o Mestre procurou demonstrar-lhes o verdadeiro sentido destes quatro elementos, acabou atraindo para si a fúria daqueles que mais deveriam admirar e exaltar o seu ministério. E podemos ver isso com clareza - item por item - como se segue:

A questão da exclusividade

Realmente, os judeus, por ocasião da vinda de Jesus, viam a humanidade dividida entre judeus e gentios, considerando-se superiores a qualquer outro povo por se julgarem como povo exclusivo de Deus. No entanto, na parábola do fariseu e do publicano, Jesus demonstra que Deus não vê o ser humano como os judeus o viam, através da lente da Lei e da tradição eivada de preconceito:

"9 E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. 11 O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. 12 Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. 13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado"
(Lucas 18.9-14).

Ao combater as atitudes preconceituosas e exclusivistas dos judeus, o Apóstolo Paulo lança em seu rosto o fato de que - mesmo utilizando a lei como fundamento para o seu preconceito - eles nunca foram capazes de cumpri-la integralmente:

"17 Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 18 E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; 19 E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, 20 Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; 21 Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 22 Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 24 Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós"
(Romanos 2.17-24).

A questão do dízimo

Os líderes judeus tinham por costume, mesmo quando oravam, conferir a si mesmos uma espécie de atestado de fidelidade e autenticidade - alegando, inclusive, darem o dízimo de tudo. No entanto, Jesus adverte os escribas e fariseus - acusando-os de desprezar aquilo que era mais importante na lei: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas" (Mateus 23:23).

Neste texto, fica patente o legalismo que caracterizava o seu modo de verem as coisas, mesmo sob o foco da lei que tanto exaltavam. Os assuntos relacionados com o "espirito da lei" não eram levados em conta por eles. E justamente por falta de uma visão espiritual da lei, as maiores injustiças eram cometidas contra o próximo - tanto em nome da lei como em nome do próprio Deus!

A questão da circuncisão

No tocante a circuncisão, Jesus declara que esta prática fora por Moisés incorporada na lei - herdada da tradição dos pais. "Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?" (João 7:22-23).

Portanto, o que Jesus denuncia é que, para cumprir os dias determinados na lei para que um menino fosse circuncidado - no caso desse dia coincidir com o sábado - os sacerdotes praticavam no sábado uma atividade que o violava. Na verdade, Jesus procurava mostra-lhes, deste modo, que o ato de curar de um enfermo - pelo bem que lhe causava - justificava de igual modo a violação do sábado.

Com o trabalho realizado pela Igreja Primitiva, muitos líderes judeus se converteram a Cristo. Todavia, dentre eles, haviam aqueles que eram ferrenhos defensores do cumprimento da Lei de Moisés pelos gentios convertidos: "ENTÃO alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (Atos 15.1). Estes cristãos judaizantes procuravam ir após os pregadores do evangelho, para convencer os novos crentes que, além de aceitar a Cristo, era necessário guardar a Lei de Moisés.

O Apóstolo Paulo sofreu sérios ataques desses obreiros cristãos que tentavam a todo custo impor a circuncisão. Ele, inclusive, os chama de maus obreiros: "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão; porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne" (Filipenses 3:2-3). E conclama os cristãos gentios a não se deixarem circuncidar; afirmando que aqueles que servem a Deus em espirito é que são os verdadeiros circuncidados.

E na epístola aos Gálatas, na qual ele repudia com severidade a tentativa dos obreiros judaizantes de impor a observância da Lei de Moisés aos crentes gentios, ele demonstra que o importante não é ser circuncidado; e sim, viver, em Cristo, a fé que opera pelo amor: "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5:6).


Na epístola ao Romanos, o mesmo apóstolo indica qual é a verdadeira circuncisão: "25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. 26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? 27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará porventura a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei? 28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. 29 Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus" (Romanos 2.25-29).

A questão do sábado

Sendo os discípulos interpelados pelos fariseus por colherem espigas em dia de sábado, Jesus reprovou o legalismo daqueles que se julgavam únicos intérpretes e guardiães da Lei: "1 E aconteceu que, no sábado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam. 2 E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? 3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? 5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado" (Lucas 6.1-5). E também se declara Senhor de tudo - do sábado inclusive.

Aqueles que se tornaram seus inimigos, devido ao espirito de legalismo de que eram possuídos, discutiam entre si a pessoa singular de Jesus: "Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles" (João 9:16). Havia confusão entre eles mesmos.

Portanto, era as duas principais razões pelas quais os líderes religiosos arquitetavam a sua morte: "Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (João 5:18).

E triste ver até onde pode chegar um radicalismo eivado de preconceito e fanatismo. Na verdade, quando aquilo que a lei se propõe a transmitir - o amor, a misericórdia e a fé - é sufocado; em seu lugar cresce um sentimento religioso despido do "sentimento de Cristo". Não há como viver segundo a vontade de Deus sem espiritualidade; ou, sem a presença do Espírito Santo na vida.

Antes de concluir esta mensagem, deixo o texto abaixo como fonte de consulta - para que se saiba que todos os homens estão debaixo do pecado; e que a justificação só é possível pela fé em Jesus Cristo, não pelas obras da lei:

"9 Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; 10 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. 11 Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. 12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. 13 A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; 14 Cuja boca está cheia de maldição e amargura. 15 Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. 16 Em seus caminhos há destruição e miséria; 17 E não conheceram o caminho da paz. 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos. 19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. 20 Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. 21 Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; 22 Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença"
(Romanos 3.9-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A natureza geme

"18  Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 19  Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. 20  Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, 21  Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22  Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. 23  E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8.18-23).

No dia primeiro deste, postei uma mensagem intitulada "O mundo não acabou". Senti, que nesta reflexão, o Senhor me levou a vislumbrar uma cadeia sucessiva de acontecimentos até certo ponto previstos - tanto pela ciência como pelo observador comum. Na verdade, a humanidade inteira, com raras exceções, olha com um misto de esperança e apreensão os dias vindouros. E os cristãos mais atentos às Escrituras devem supor que este sistema está prestes a ruir.

Pois bem; na postagem acima referida, deixei transparecer alguns "mas..." - relacionados ao desgaste progressivo dos diversos elementos que se constituem em dádiva de Deus a um mundo carente; para que ele desfrutasse de todas estas riquezas sob a forma de clima, estações do ano, mananciais abundantes, grandes florestas e oceanos aparentemente inesgotáveis. Riquezas estas que os homens, salvo poucas exceções, nunca reconheceram como Seu beneplácito.

E, neste momento, o novo ano já nos recebe com algumas catástrofes em vários lugares do planeta. Todavia, nós aqui no Brasil, não precisamos ir muito longe para assistir a alguns horrores. Se os iraquianos e os afegãos têm os seus homens-bomba... se algumas nações árabes têm os seus ditadores de plantão, forjando meios de fazer sofrer ainda mais os seus súditos... Se a Coreia do Norte tem o seu louco regime plenipotenciário...

Nós temos também os nossos motivos de preocupação, mesmo em contexto diferente (secas, enchentes, deslizamentos, corrupção crescente, leis injustas). Portanto, posso afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que nós podemos podemos ouvir os gemidos da natureza!

E a natureza inteira geme 

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora"
(Romanos 8.22).

E seus gemidos aumentam de ritmo e de volume a cada dia. O ribombar dos terremotos e vulcões podem ser ouvidos a longa distância, sem que os homens possam fazer alguma coisa para conter a sua fúria. Eles se fazem ouvir nos quatro cantos da terra, derrubando ou incinerando tudo a sua volta - mesmo em lugares em que não era comum o seu aparecimento.

E seus gemidos podem também ser ouvidos no rugir das ondas do mar e no zumbido assustador dos tornados e furacões. E não há como estabelecer limites para estas forças da natureza, de modo a que não invadam cidades costeiras com suas temidas tsunami; ou mesmo impedir os seus tornados de levar literalmente para o espaço casas, objetos, animais e pessoas.

E seus gemidos chegam bem perto de nós, através das cheias dos nossos rios e igarapés; e dos deslizamentos das nossas encostas; fazendo com que um simples ribeiro serpenteando o vale, se torne repentinamente em um caldal de água e lama, que a leva tudo pela frente - sem que possamos fazer muito mais do que lutar com bravura para salvar a família e a própria vida.

E a própria natureza também ouve os nossos gemidos

"E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" 
(Romanos 8.23).

Os gemidos humanos são oriundos de três principais fontes: Existem os gemidos daquela parte da humanidade que vive sem esperança. Existem também os gemidos de uma outra parte da humanidade baseada em falsas esperanças. E, existem os gemidos daqueles cuja força está no Deus verdadeiro e cuja esperança está em Cristo. As Escrituras os denominam de "nossos gemidos".

Os gemidos da humanidade sem esperança são emitidos por aqueles que não crêem em vida após a morte. Portanto, sem esperança alguma de vida eterna, são obrigados o buscar conforto em seu carma. Justificam sua recompensa e castigo - como algo ligado ao seu destino. Para estes, a morte é o único conforto possível para uma vida sem futuro.

Já os gemidos da humanidade ligada a esperanças infundadas, são os gemidos daqueles que baseiam-se em falsos pressupostos. Dentre eles, estão os que crêem na reencarnação, certos de que retornarão em outro corpo - ignorando que depois da morte vem o juízo (Hebreus 9:27). Existem os que querem se salvar por seus próprios meios; e os adeptos de falsas religiões (induísmo, budismo, animismo, islamismo, espiritismo, mormonismo, etc.), em um mundo saturado de falsos deuses.

Mas existem também os gemidos daqueles que acreditam no Deus verdadeiro.O Deus da Bíblia! O Deus dos patriarcas, dos apóstolos e dos profetas! O Pai, que nos amou de tal maneira; que enviou o Seu filho unigênito para que por Ele sejamos salvos da perdição eterna (João 3.16); e, nos enviou o Seu Espírito Santo, que testifica de Jesus (João 15.26). Êle nos guiará na verdade e nos ensinará o que há de vir (João 16.13), para que não sejamos enganados!

O que é diferente em nosso gemido 

Existe, de fato, uma diferença nos gemidos daqueles que - inconformados com este mundo - vivem a espera de dias melhores! A diferença está no motivo: "E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu" (II Coríntios 5:2). Gememos, esperando a redenção do nosso corpo - baseados na certeza de que Deus nos ouve... "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?" (Lucas 18:7).

E, enquanto os gemidos se multiplicam 

Ficamos a espera do glorioso dia da vinda do Senhor Jesus, atentos a exortação da Palavra de Deus que diz: "ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.1-2).

E, nesta espera, os nascidos de novo em Cristo Jesus, não terão o menor problema quanto a passagem do tempo; uma vez que o tempo é nosso aliado nessa bendita esperança; "PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (II Coríntios 5:1). Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Devo testemunho cristão a minha família

O testemunho cristão e a família

Ontem, enquanto postava uma pastoral no facebook sobre a importância do testemunho cristão no lar, procurei entender o "por que" de tantos problemas em lares cristãos. Cheguei a conclusão de que, na maioria dos casos, não são problemas relacionados a falta de amor genuíno os principais causadores das desavenças e desenlaces no meio cristão.

Estou convencido de que a principal causa é a não aplicação dos princípios bíblicos no relacionamento conjugal e familiar. Na verdade, quando a Palavra de Deus não é levada em conta na vida familiar e nos projetos a ela relacionados, até mesmo cristãos verdadeiramente comprometidos com Deus podem ver a sua família submergir nas águas turvas de um lar sem bíblia - portanto, sem rumo.

O lar é a nossa fortaleza e também o nosso elo mais fraco

Creio que não existe lugar mais importante do que o nosso lar, para sermos um verdadeiro exemplo de cristãos, pelo simples fato de termos ali o nosso cônjuge e os nossos filhos; enfim, as pessoas que mais amamos nesta vida. Entretanto, como é no lar que nos despimos de formalidades e daquelas condutas sociais vistas como para "consumo externo", acabamos por ficar vulneráveis nele.

Na verdade, o ambiente familiar é o lugar em que nos tornamos nós mesmos por inteiro, sem necessidade de máscaras ou de encenação! E, devido a isso, nossas fraquezas ficam expostas - justamente por nos sentirmos mais a vontade e nos descuidarmos da vigilância. Todavia, a Palavra nos exorta a orar e vigiar sem cessar! E isso inclui também o ambiente familiar.

O lar - laboratório para prática do testemunho cristão

Por tudo aquilo que tenho visto ao longo dos anos, estou certo de que o lar é o mais importante laboratório para que um cristão possa amadurecer o seu testemunho cristão. Tenho chegado a conclusão que o cristão que conseguir praticar os princípios da Palavra de Deus em seu próprio lar; também estará preparado para demonstrar um testemunho de vida transformada em qualquer outro lugar em que se encontre. É que não existe lugar mais desafiador para um cristão do que o próprio lar. 

Devo testemunho cristão a minha família 

Devo testemunho cristão a minha família, porque o próprio Jesus exortou o gadareno liberto a que desse testemunho em sua casa: "Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o SENHOR te fez, e como teve misericórdia de ti" (Marcos 5.19).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o meio mais importante de levar o próprio Jesus a agir em meu lar, levando cura aos meus queridos: "E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva" (Marcos 5.23).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o melhor meio de abençoar o meu lar, compartilhando alegria e paz; desfrutando de comunhão e alegria com meu cônjuge: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade" (Provérbios 5:18).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é antídoto contra a deslealdade - algo que Deus abomina: "E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança" (Malaquias 2:14).

O testemunho cristão ajuda nos deveres domésticos

Quando damos um testemunho cristão no seio da família, nos tornamos facilitadores da prática dos princípios para convivência saudável - apresentados como deveres domésticos no texto seguinte:

"VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor"
(Efésios 6.1-4).

Enfim... Devo testemunho cristão a minha família, porque o testemunho cristão é a base essencial para demonstrar aos meus familiares, que os amo de verdade!

Para encerrar esta pastoral, apresento o texto de Efésios - utilizado em muitas cerimônias de casamento - um dos mais profundos na abordagem do relacionamento "marido e esposa": 

"22 Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; 23 Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. 24 De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. 25 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27 Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28 Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29 Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; 30 Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. 31 Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. 32 Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. 33 Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido"
(Efésios 5.22-32).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vida Espiritual

Desde que me entendo por crente, tenho procurado pensar em minha vida espiritual. Tenho aprendido na Palavra de Deus, que ter vida espiritual não é simplesmente ter uma posição religiosa ou ideológica. Também não é adquirir uma experiência espiritual qualquer. Tampouco a conscientização doutrinária adquirida por meio de um discipulado ou de uma catequese. Todavia, tenho pensado bastante na importância de se ter vida espiritual.

Não é necessário sermos grandes observadores, para percebermos que o mundo em que vivemos é um mundo declaradamente contra Deus e Sua Palavra. E esta atitude de rebelião contra Deus não é um fenômeno existente apenas em alguns Países ou em um determinado Continente. Não mesmo! É, na verdade, uma tendência universal e crescente. E não me refiro a conflitos religiosos simplesmente. Sei que existe intolerância assustadora em algumas religiões.

Todavia, a rebelião contra Deus a que me refiro, não tem motivação religiosa; e, se tem, é algo que não se percebe. Na verdade, assim como cresce o percentual de cristãos nominais e de crentes desviados; o percentual de não religiosos também vem crescendo. Muitos, para não declararem abertamente a sua condição de ateus, declaram-se "sem religião". E isso acontece no mundo inteiro - com maior incidência no mundo ocidental - especialmente no continente europeu.

Sei também que existe em cada um de nós, uma forte tendência de buscar, por todos os meios possíveis, satisfazer alguns desejos egoístas nossos; mesmo que, para isso, tenhamos que violar os direitos de outras pessoas. Percebo que, em nossa condição de cristãos, quando desejamos demais alguma coisa - nossa primeira atitude é nos auto-convencer de que aquilo que desejamos é da vontade de Deus; mesmo que o objeto do nosso desejo seja algo contrário à Palavra de Deus.

Posso dar alguns exemplos: Se desejamos muito um carro, tentamos nos convencer de que é Deus que nos inspira tal desejo. Se desejamos muito um relacionamento com alguém, mesmo em aventura extra-conjugal, procuramos justificar tamanha loucura - vendo-a como algo da vontade de Deus. Enfim... Temos uma forte tendência de tentar fazer de Deus o nosso cúmplice em algo que nossa vontade ambiciona - atribuindo a Ele a autoria do nosso desejo!

Tenho mesmo pensado em minha vida com Deus! E, ciente da pressão exercida por minha natureza rebelde, chego a conclusão de que o único modo de escapar às armadilhas do sentimento e da vontade; é submeter aquilo que sinto e que desejo aos ensinos da Palavra de Deus. Se ela abonar o meu sentimento, tudo bem. Em caso contrário, devo abrir mão do meu próprio desejo e da minha própria vontade - sujeitando-me inteiramente a Deus e à Sua Palavra. Isto sim é ter vida espiritual!

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 1)

A inconstância dos gálatas
Paulo vindica a autoridade divina do seu apostolado e da sua doutrina

"6  Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; 7  O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. 8  Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 9  Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10  Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. 11  Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" 
(Gálatas 1.6-12).

Os dias de hoje são marcados por crescente confronto. E este confronto ocorre em todos os sentidos, seja militar ou civil, político ou religioso, santo ou profano. Mas esta atmosfera não traz novidade alguma em sua esteira. A Palavra de Deus adverte que os últimos dias seriam mesmo assim.

E nesta postagem, quero chamar a atenção daqueles que seguem e acessam o meu blog, para um confronto que vem permeando a vida da Igreja de Cristo ao longo dos séculos - desde os dias primitivos da Igreja: O confronto entre a Lei e a Graça! Eu entendo, à luz das Escrituras, que este tipo de conflito, por parte daqueles que desejam seguir a Jesus,  já não deveria mais existir - devido ao posicionamento claro, tanto do próprio Jesus, como dos apóstolos, concernente a este assunto.

É lamentável dizer que este confronto soa como se estivessem sendo pregados dois evangelhos - o Evangelho da Lei e o Evangelho da Graça. Aliás, é exatamente assim que o Apóstolo Paulo se expressa, ao se referir às obras da Lei como "outro evangelho". E com esta palavra, ele proclama como verdadeiro, o evangelho da Graça!

Introduzindo o assunto

Para melhor entendermos este ponto, é necessário que saibamos que a Lei está relacionada com o pacto de Deus com Israel; assim como a Graça está relacionada com o Pacto de Deus com a Igreja. Na verdade, jamais haveria lugar para os gentios, entre aqueles que estão sob Lei - os judeus - salvo em casos especiais e raros.

Portanto, o ser humano não é salvo pelas obras da Lei; e sim, pela Graça. É interessante notarmos que estas duas dádivas (lei e graça) foram concedidas em duas alianças distintas: A "Aliança do Sinai" e a "Aliança do Calvário". Na Aliança do Sinai, a Lei foi dada por Moisés, para um povo específico: O povo judeu. Já na Aliança do Calvário, a Graça foi dada por Jesus Cristo, para todo aquele que nele crer. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17).

É importante frisarmos que, sob a vigência da Lei, o homem só poderia ser salvo se cumprisse integralmente as obras da Lei - algo impossível, visto que a lei estava enferma pela carne: "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3). Já sob a vigência da Graça, o ser humano é salvo pela graça, mediante a fé. Resumindo: A Lei tem tudo a ver com obras; enquanto, a Graça tem tudo a ver com fé.

A Lei denuncia o pecado e condena o transgressor

A Palavra de Deus nos ensina que homem algum poderá ser justificado pela Lei; pois, esta não é a sua finalidade. "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gálatas 3.11). Portanto, o objetivo da Lei não é salvar; e sim, trazer o conhecimento do pecado. "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Romanos 7.7).

Como o objetivo da Lei era denunciar a transgressão - e não justificar o pecador - ela jamais poderia salvar. "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gálatas 2.16). Fica, então, patente que a Lei mostrou-se incapaz de salvar os que a ela se apegam. Exceção feita àqueles seguidores que fossem capazes de guarda-la plenamente - algo improvável.

Ao se referir aos que buscam justificar-se pelas obras da Lei, a Palavra de Deus afirma que "todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3.10). E é muito importante que aqui se diga: Não é a Lei que amaldiçoa aqueles que buscam sua cobertura - e sim, o fato de buscarem justificar-se nela; todavia, sem terem condição de cumpri-la integralmente.

A Graça reconhece o pecado mas redime o pecador arrependido

Mas, com relação a Graça, a Palavra de Deus declara: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8). No livro de Atos cap. 15, encontramos o relato de um perigoso conflito provocado pela ida de alguns cristãos judaizantes a Antioquia; onde crescia uma abençoada comunidade cristã gentílica. Eles pretendiam impor os ensinos de Moisés, causando confusão entre os crentes gentios (v. 1). Após acirrada discussão, Paulo e Barnabé resolveram levar este assunto aos apóstolos (v. 2).  Em Jerusalém, ao discutirem o assunto, Pedro faz a defesa da Graça revelada aos gentios - denunciando o jugo da Lei; o qual nem os seus ancestrais conseguiram suportar (v. 7 a 10).

Quando Tiago, que presidia aquela assembléia, toma a palavra; assim se pronuncia: "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas" (Atos 15.19-21). Neste texto, Tiago deixa bem claro que o ensino da Lei de Moisés era do interesse dos judeus; e continuaria sendo feito nas sinagogas - lugar onde os judeus se reuniam; mas que os cristãos gentios deveriam ser ensinados de outro modo.

Lemos também, na Palavra de Deus, que "a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17). Quando se proclama nas Escrituras que a "graça e a verdade vieram por Jesus Cristo"; o propósito não é afirmar que a Lei não era verdadeira; e sim, que a verdade plena de Deus é revelada somente pela graça. Não existe outro meio de sermos salvos, a não ser pela graça de Deus. E a lei é inoperante neste processo. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum" (Romanos 6.14-15).

Encerrando esta primeira parte

Na Antiga Aliança, sob a vigência da Lei, os judeus tinham os mandamentos de Deus gravados em tábuas de pedra. Na Nova Aliança, sob a vigência da Graça, os cristãos tem os mandamentos de Deus gravados nas tábuas de carne do coração: "Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (II Coríntios 3:3).

Sob a vigência da Lei, era necessário que se fizesse sacrifício todos os anos, com a morte de animais, sem que isso pudesse de fato purificar os pecados (Hebreus 9.3-4). Sob a vigência da Graça, Jesus morreu apenas uma vez, para nos resgatar de todos os nossos pecados: "Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação" (Hebreus 9.28).

Para finalizar esta primeira parte; sinto-me em condição de afirmar que Deus, em Seu plano de redenção, tem compromisso com dois povos: O povo judeu - povo da Antiga Aliança - que é o "Israel material"; e, o povo cristão (Igreja) - povo da Nova Aliança - que é o "Israel espiritual". E, destes dois povos, Deus faz UM - não pelas obras da lei; mas, pela graça. A Palavra declara que Cristo, pelo Seu sangue, desfez a inimizade criada pela "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças"; pela cruz matando as inimizades e reconciliando ambos com Deus. Deixo, para confirmar aquilo que digo, o seguinte texto:

Os gentios e os judeus são unidos por Deus pela cruz de Cristo

"11 Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; 12 Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. 13 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 16 E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. 17 E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; 18 Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. 19 Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; 20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21 No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22 No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito."
(Efésios 2.11-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

45 anos de história

Hoje faz 45 anos! Isso mesmo! 5 de janeiro de 1967: O dia em nasceu a Igreja Metodista Wesleyana! Tudo aconteceu no pátio da Fundação Getúlio Vargas - na cidade de Nova Friburgo. As 14 horas de um dia como este, um pequeno grupo de metodistas se reuniu, sob a direção dos pastores: Idelmício Cabral dos Santos e Waldemar Gomes de Figueiredo. A pequena ponte ali existente foi o local exato - hoje histórico - da famosa "reunião da ponte".

O pequeno grupo de metodistas que ali se reuniu, estava descontente a algum tempo. E seu descontentamento fora provocado por duas razões básicas: Em primeiro lugar, o distanciamento da liderança daquele tempo ao movimento pentecostal. Em segundo lugar, com a própria espiritualidade (ou falta dela) do povo chamado metodista - inclusive eles mesmos - naquele tempo bastante influenciado pelo  ecumenismo e pela Teologia da Libertação.
 
Este pequeno grupo incluía clérigos e leigos; os quais estavam irmanados em um mesmo sentimento: O desejo de receber o batismo com o Espirito Santo e desfrutar dos dons espirituais mencionados na Palavra de Deus. Na verdade, eles não desejavam retirar-se da Igreja mãe; mas, sim, servir a Deus sob a égide do avivamento espiritual - com cânticos espirituais e orações pelos enfermos. Portanto, o seu descontentamento nada tinha a ver com a questão organizacional ou o sistema de governo. Mas, sim, a falta de metas espirituais e evangelísticas por parte de seus líderes.

Não tive a honra de participar deste começo. É que, na mesma época em que a IMW nascia, eu me encontrava em regime interno - no Colégio de Cadetes do Exército de Salvação - preparando-me para o ministério. Ao formar-me, em janeiro de 1968, fui enviado para pastorear na cidade de Campos/RJ. E foi lá que conheci alguns líderes desta Denominação, em um Encontro de Renovação Espiritual. Convivendo e conversando por alguns dias com eles, cheguei a conclusão que esta seria uma boa Igreja para que eu pudesse desenvolver o meu ministério e constituir minha família.

Em agosto de 1969, já estava servindo a Deus sob a bandeira wesleyana; tendo sido formalmente recebido como seu obreiro em janeiro de 1970. Portanto, neste dia, posso afirmar que tenho sido um daqueles milhares e milhares abençoados pelo trabalho dedicado que vem sendo feito por esta Igreja, através de seus pastores e membros, ao longo destes 45 anos. Isso mesmo! Tenho motivos de sobra para louvar a Deus pela Igreja Metodista Wesleyana!

Cordialmente;
Bispo Calegari

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