quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A natureza geme

"18  Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 19  Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. 20  Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, 21  Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22  Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. 23  E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8.18-23).

No dia primeiro deste, postei uma mensagem intitulada "O mundo não acabou". Senti, que nesta reflexão, o Senhor me levou a vislumbrar uma cadeia sucessiva de acontecimentos até certo ponto previstos - tanto pela ciência como pelo observador comum. Na verdade, a humanidade inteira, com raras exceções, olha com um misto de esperança e apreensão os dias vindouros. E os cristãos mais atentos às Escrituras devem supor que este sistema está prestes a ruir.

Pois bem; na postagem acima referida, deixei transparecer alguns "mas..." - relacionados ao desgaste progressivo dos diversos elementos que se constituem em dádiva de Deus a um mundo carente; para que ele desfrutasse de todas estas riquezas sob a forma de clima, estações do ano, mananciais abundantes, grandes florestas e oceanos aparentemente inesgotáveis. Riquezas estas que os homens, salvo poucas exceções, nunca reconheceram como Seu beneplácito.

E, neste momento, o novo ano já nos recebe com algumas catástrofes em vários lugares do planeta. Todavia, nós aqui no Brasil, não precisamos ir muito longe para assistir a alguns horrores. Se os iraquianos e os afegãos têm os seus homens-bomba... se algumas nações árabes têm os seus ditadores de plantão, forjando meios de fazer sofrer ainda mais os seus súditos... Se a Coreia do Norte tem o seu louco regime plenipotenciário...

Nós temos também os nossos motivos de preocupação, mesmo em contexto diferente (secas, enchentes, deslizamentos, corrupção crescente, leis injustas). Portanto, posso afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que nós podemos podemos ouvir os gemidos da natureza!

E a natureza inteira geme 

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora"
(Romanos 8.22).

E seus gemidos aumentam de ritmo e de volume a cada dia. O ribombar dos terremotos e vulcões podem ser ouvidos a longa distância, sem que os homens possam fazer alguma coisa para conter a sua fúria. Eles se fazem ouvir nos quatro cantos da terra, derrubando ou incinerando tudo a sua volta - mesmo em lugares em que não era comum o seu aparecimento.

E seus gemidos podem também ser ouvidos no rugir das ondas do mar e no zumbido assustador dos tornados e furacões. E não há como estabelecer limites para estas forças da natureza, de modo a que não invadam cidades costeiras com suas temidas tsunami; ou mesmo impedir os seus tornados de levar literalmente para o espaço casas, objetos, animais e pessoas.

E seus gemidos chegam bem perto de nós, através das cheias dos nossos rios e igarapés; e dos deslizamentos das nossas encostas; fazendo com que um simples ribeiro serpenteando o vale, se torne repentinamente em um caldal de água e lama, que a leva tudo pela frente - sem que possamos fazer muito mais do que lutar com bravura para salvar a família e a própria vida.

E a própria natureza também ouve os nossos gemidos

"E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" 
(Romanos 8.23).

Os gemidos humanos são oriundos de três principais fontes: Existem os gemidos daquela parte da humanidade que vive sem esperança. Existem também os gemidos de uma outra parte da humanidade baseada em falsas esperanças. E, existem os gemidos daqueles cuja força está no Deus verdadeiro e cuja esperança está em Cristo. As Escrituras os denominam de "nossos gemidos".

Os gemidos da humanidade sem esperança são emitidos por aqueles que não crêem em vida após a morte. Portanto, sem esperança alguma de vida eterna, são obrigados o buscar conforto em seu carma. Justificam sua recompensa e castigo - como algo ligado ao seu destino. Para estes, a morte é o único conforto possível para uma vida sem futuro.

Já os gemidos da humanidade ligada a esperanças infundadas, são os gemidos daqueles que baseiam-se em falsos pressupostos. Dentre eles, estão os que crêem na reencarnação, certos de que retornarão em outro corpo - ignorando que depois da morte vem o juízo (Hebreus 9:27). Existem os que querem se salvar por seus próprios meios; e os adeptos de falsas religiões (induísmo, budismo, animismo, islamismo, espiritismo, mormonismo, etc.), em um mundo saturado de falsos deuses.

Mas existem também os gemidos daqueles que acreditam no Deus verdadeiro.O Deus da Bíblia! O Deus dos patriarcas, dos apóstolos e dos profetas! O Pai, que nos amou de tal maneira; que enviou o Seu filho unigênito para que por Ele sejamos salvos da perdição eterna (João 3.16); e, nos enviou o Seu Espírito Santo, que testifica de Jesus (João 15.26). Êle nos guiará na verdade e nos ensinará o que há de vir (João 16.13), para que não sejamos enganados!

O que é diferente em nosso gemido 

Existe, de fato, uma diferença nos gemidos daqueles que - inconformados com este mundo - vivem a espera de dias melhores! A diferença está no motivo: "E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu" (II Coríntios 5:2). Gememos, esperando a redenção do nosso corpo - baseados na certeza de que Deus nos ouve... "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?" (Lucas 18:7).

E, enquanto os gemidos se multiplicam 

Ficamos a espera do glorioso dia da vinda do Senhor Jesus, atentos a exortação da Palavra de Deus que diz: "ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.1-2).

E, nesta espera, os nascidos de novo em Cristo Jesus, não terão o menor problema quanto a passagem do tempo; uma vez que o tempo é nosso aliado nessa bendita esperança; "PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (II Coríntios 5:1). Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Devo testemunho cristão a minha família

O testemunho cristão e a família

Ontem, enquanto postava uma pastoral no facebook sobre a importância do testemunho cristão no lar, procurei entender o "por que" de tantos problemas em lares cristãos. Cheguei a conclusão de que, na maioria dos casos, não são problemas relacionados a falta de amor genuíno os principais causadores das desavenças e desenlaces no meio cristão.

Estou convencido de que a principal causa é a não aplicação dos princípios bíblicos no relacionamento conjugal e familiar. Na verdade, quando a Palavra de Deus não é levada em conta na vida familiar e nos projetos a ela relacionados, até mesmo cristãos verdadeiramente comprometidos com Deus podem ver a sua família submergir nas águas turvas de um lar sem bíblia - portanto, sem rumo.

O lar é a nossa fortaleza e também o nosso elo mais fraco

Creio que não existe lugar mais importante do que o nosso lar, para sermos um verdadeiro exemplo de cristãos, pelo simples fato de termos ali o nosso cônjuge e os nossos filhos; enfim, as pessoas que mais amamos nesta vida. Entretanto, como é no lar que nos despimos de formalidades e daquelas condutas sociais vistas como para "consumo externo", acabamos por ficar vulneráveis nele.

Na verdade, o ambiente familiar é o lugar em que nos tornamos nós mesmos por inteiro, sem necessidade de máscaras ou de encenação! E, devido a isso, nossas fraquezas ficam expostas - justamente por nos sentirmos mais a vontade e nos descuidarmos da vigilância. Todavia, a Palavra nos exorta a orar e vigiar sem cessar! E isso inclui também o ambiente familiar.

O lar - laboratório para prática do testemunho cristão

Por tudo aquilo que tenho visto ao longo dos anos, estou certo de que o lar é o mais importante laboratório para que um cristão possa amadurecer o seu testemunho cristão. Tenho chegado a conclusão que o cristão que conseguir praticar os princípios da Palavra de Deus em seu próprio lar; também estará preparado para demonstrar um testemunho de vida transformada em qualquer outro lugar em que se encontre. É que não existe lugar mais desafiador para um cristão do que o próprio lar. 

Devo testemunho cristão a minha família 

Devo testemunho cristão a minha família, porque o próprio Jesus exortou o gadareno liberto a que desse testemunho em sua casa: "Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o SENHOR te fez, e como teve misericórdia de ti" (Marcos 5.19).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o meio mais importante de levar o próprio Jesus a agir em meu lar, levando cura aos meus queridos: "E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva" (Marcos 5.23).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o melhor meio de abençoar o meu lar, compartilhando alegria e paz; desfrutando de comunhão e alegria com meu cônjuge: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade" (Provérbios 5:18).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é antídoto contra a deslealdade - algo que Deus abomina: "E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança" (Malaquias 2:14).

O testemunho cristão ajuda nos deveres domésticos

Quando damos um testemunho cristão no seio da família, nos tornamos facilitadores da prática dos princípios para convivência saudável - apresentados como deveres domésticos no texto seguinte:

"VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor"
(Efésios 6.1-4).

Enfim... Devo testemunho cristão a minha família, porque o testemunho cristão é a base essencial para demonstrar aos meus familiares, que os amo de verdade!

Para encerrar esta pastoral, apresento o texto de Efésios - utilizado em muitas cerimônias de casamento - um dos mais profundos na abordagem do relacionamento "marido e esposa": 

"22 Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; 23 Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. 24 De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. 25 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27 Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28 Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29 Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; 30 Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. 31 Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. 32 Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. 33 Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido"
(Efésios 5.22-32).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vida Espiritual

Desde que me entendo por crente, tenho procurado pensar em minha vida espiritual. Tenho aprendido na Palavra de Deus, que ter vida espiritual não é simplesmente ter uma posição religiosa ou ideológica. Também não é adquirir uma experiência espiritual qualquer. Tampouco a conscientização doutrinária adquirida por meio de um discipulado ou de uma catequese. Todavia, tenho pensado bastante na importância de se ter vida espiritual.

Não é necessário sermos grandes observadores, para percebermos que o mundo em que vivemos é um mundo declaradamente contra Deus e Sua Palavra. E esta atitude de rebelião contra Deus não é um fenômeno existente apenas em alguns Países ou em um determinado Continente. Não mesmo! É, na verdade, uma tendência universal e crescente. E não me refiro a conflitos religiosos simplesmente. Sei que existe intolerância assustadora em algumas religiões.

Todavia, a rebelião contra Deus a que me refiro, não tem motivação religiosa; e, se tem, é algo que não se percebe. Na verdade, assim como cresce o percentual de cristãos nominais e de crentes desviados; o percentual de não religiosos também vem crescendo. Muitos, para não declararem abertamente a sua condição de ateus, declaram-se "sem religião". E isso acontece no mundo inteiro - com maior incidência no mundo ocidental - especialmente no continente europeu.

Sei também que existe em cada um de nós, uma forte tendência de buscar, por todos os meios possíveis, satisfazer alguns desejos egoístas nossos; mesmo que, para isso, tenhamos que violar os direitos de outras pessoas. Percebo que, em nossa condição de cristãos, quando desejamos demais alguma coisa - nossa primeira atitude é nos auto-convencer de que aquilo que desejamos é da vontade de Deus; mesmo que o objeto do nosso desejo seja algo contrário à Palavra de Deus.

Posso dar alguns exemplos: Se desejamos muito um carro, tentamos nos convencer de que é Deus que nos inspira tal desejo. Se desejamos muito um relacionamento com alguém, mesmo em aventura extra-conjugal, procuramos justificar tamanha loucura - vendo-a como algo da vontade de Deus. Enfim... Temos uma forte tendência de tentar fazer de Deus o nosso cúmplice em algo que nossa vontade ambiciona - atribuindo a Ele a autoria do nosso desejo!

Tenho mesmo pensado em minha vida com Deus! E, ciente da pressão exercida por minha natureza rebelde, chego a conclusão de que o único modo de escapar às armadilhas do sentimento e da vontade; é submeter aquilo que sinto e que desejo aos ensinos da Palavra de Deus. Se ela abonar o meu sentimento, tudo bem. Em caso contrário, devo abrir mão do meu próprio desejo e da minha própria vontade - sujeitando-me inteiramente a Deus e à Sua Palavra. Isto sim é ter vida espiritual!

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 1)

A inconstância dos gálatas
Paulo vindica a autoridade divina do seu apostolado e da sua doutrina

"6  Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; 7  O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. 8  Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 9  Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10  Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. 11  Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" 
(Gálatas 1.6-12).

Os dias de hoje são marcados por crescente confronto. E este confronto ocorre em todos os sentidos, seja militar ou civil, político ou religioso, santo ou profano. Mas esta atmosfera não traz novidade alguma em sua esteira. A Palavra de Deus adverte que os últimos dias seriam mesmo assim.

E nesta postagem, quero chamar a atenção daqueles que seguem e acessam o meu blog, para um confronto que vem permeando a vida da Igreja de Cristo ao longo dos séculos - desde os dias primitivos da Igreja: O confronto entre a Lei e a Graça! Eu entendo, à luz das Escrituras, que este tipo de conflito, por parte daqueles que desejam seguir a Jesus,  já não deveria mais existir - devido ao posicionamento claro, tanto do próprio Jesus, como dos apóstolos, concernente a este assunto.

É lamentável dizer que este confronto soa como se estivessem sendo pregados dois evangelhos - o Evangelho da Lei e o Evangelho da Graça. Aliás, é exatamente assim que o Apóstolo Paulo se expressa, ao se referir às obras da Lei como "outro evangelho". E com esta palavra, ele proclama como verdadeiro, o evangelho da Graça!

Introduzindo o assunto

Para melhor entendermos este ponto, é necessário que saibamos que a Lei está relacionada com o pacto de Deus com Israel; assim como a Graça está relacionada com o Pacto de Deus com a Igreja. Na verdade, jamais haveria lugar para os gentios, entre aqueles que estão sob Lei - os judeus - salvo em casos especiais e raros.

Portanto, o ser humano não é salvo pelas obras da Lei; e sim, pela Graça. É interessante notarmos que estas duas dádivas (lei e graça) foram concedidas em duas alianças distintas: A "Aliança do Sinai" e a "Aliança do Calvário". Na Aliança do Sinai, a Lei foi dada por Moisés, para um povo específico: O povo judeu. Já na Aliança do Calvário, a Graça foi dada por Jesus Cristo, para todo aquele que nele crer. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17).

É importante frisarmos que, sob a vigência da Lei, o homem só poderia ser salvo se cumprisse integralmente as obras da Lei - algo impossível, visto que a lei estava enferma pela carne: "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3). Já sob a vigência da Graça, o ser humano é salvo pela graça, mediante a fé. Resumindo: A Lei tem tudo a ver com obras; enquanto, a Graça tem tudo a ver com fé.

A Lei denuncia o pecado e condena o transgressor

A Palavra de Deus nos ensina que homem algum poderá ser justificado pela Lei; pois, esta não é a sua finalidade. "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gálatas 3.11). Portanto, o objetivo da Lei não é salvar; e sim, trazer o conhecimento do pecado. "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Romanos 7.7).

Como o objetivo da Lei era denunciar a transgressão - e não justificar o pecador - ela jamais poderia salvar. "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gálatas 2.16). Fica, então, patente que a Lei mostrou-se incapaz de salvar os que a ela se apegam. Exceção feita àqueles seguidores que fossem capazes de guarda-la plenamente - algo improvável.

Ao se referir aos que buscam justificar-se pelas obras da Lei, a Palavra de Deus afirma que "todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3.10). E é muito importante que aqui se diga: Não é a Lei que amaldiçoa aqueles que buscam sua cobertura - e sim, o fato de buscarem justificar-se nela; todavia, sem terem condição de cumpri-la integralmente.

A Graça reconhece o pecado mas redime o pecador arrependido

Mas, com relação a Graça, a Palavra de Deus declara: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8). No livro de Atos cap. 15, encontramos o relato de um perigoso conflito provocado pela ida de alguns cristãos judaizantes a Antioquia; onde crescia uma abençoada comunidade cristã gentílica. Eles pretendiam impor os ensinos de Moisés, causando confusão entre os crentes gentios (v. 1). Após acirrada discussão, Paulo e Barnabé resolveram levar este assunto aos apóstolos (v. 2).  Em Jerusalém, ao discutirem o assunto, Pedro faz a defesa da Graça revelada aos gentios - denunciando o jugo da Lei; o qual nem os seus ancestrais conseguiram suportar (v. 7 a 10).

Quando Tiago, que presidia aquela assembléia, toma a palavra; assim se pronuncia: "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas" (Atos 15.19-21). Neste texto, Tiago deixa bem claro que o ensino da Lei de Moisés era do interesse dos judeus; e continuaria sendo feito nas sinagogas - lugar onde os judeus se reuniam; mas que os cristãos gentios deveriam ser ensinados de outro modo.

Lemos também, na Palavra de Deus, que "a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17). Quando se proclama nas Escrituras que a "graça e a verdade vieram por Jesus Cristo"; o propósito não é afirmar que a Lei não era verdadeira; e sim, que a verdade plena de Deus é revelada somente pela graça. Não existe outro meio de sermos salvos, a não ser pela graça de Deus. E a lei é inoperante neste processo. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum" (Romanos 6.14-15).

Encerrando esta primeira parte

Na Antiga Aliança, sob a vigência da Lei, os judeus tinham os mandamentos de Deus gravados em tábuas de pedra. Na Nova Aliança, sob a vigência da Graça, os cristãos tem os mandamentos de Deus gravados nas tábuas de carne do coração: "Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (II Coríntios 3:3).

Sob a vigência da Lei, era necessário que se fizesse sacrifício todos os anos, com a morte de animais, sem que isso pudesse de fato purificar os pecados (Hebreus 9.3-4). Sob a vigência da Graça, Jesus morreu apenas uma vez, para nos resgatar de todos os nossos pecados: "Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação" (Hebreus 9.28).

Para finalizar esta primeira parte; sinto-me em condição de afirmar que Deus, em Seu plano de redenção, tem compromisso com dois povos: O povo judeu - povo da Antiga Aliança - que é o "Israel material"; e, o povo cristão (Igreja) - povo da Nova Aliança - que é o "Israel espiritual". E, destes dois povos, Deus faz UM - não pelas obras da lei; mas, pela graça. A Palavra declara que Cristo, pelo Seu sangue, desfez a inimizade criada pela "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças"; pela cruz matando as inimizades e reconciliando ambos com Deus. Deixo, para confirmar aquilo que digo, o seguinte texto:

Os gentios e os judeus são unidos por Deus pela cruz de Cristo

"11 Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; 12 Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. 13 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 16 E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. 17 E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; 18 Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. 19 Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; 20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21 No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22 No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito."
(Efésios 2.11-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

45 anos de história

Hoje faz 45 anos! Isso mesmo! 5 de janeiro de 1967: O dia em nasceu a Igreja Metodista Wesleyana! Tudo aconteceu no pátio da Fundação Getúlio Vargas - na cidade de Nova Friburgo. As 14 horas de um dia como este, um pequeno grupo de metodistas se reuniu, sob a direção dos pastores: Idelmício Cabral dos Santos e Waldemar Gomes de Figueiredo. A pequena ponte ali existente foi o local exato - hoje histórico - da famosa "reunião da ponte".

O pequeno grupo de metodistas que ali se reuniu, estava descontente a algum tempo. E seu descontentamento fora provocado por duas razões básicas: Em primeiro lugar, o distanciamento da liderança daquele tempo ao movimento pentecostal. Em segundo lugar, com a própria espiritualidade (ou falta dela) do povo chamado metodista - inclusive eles mesmos - naquele tempo bastante influenciado pelo  ecumenismo e pela Teologia da Libertação.
 
Este pequeno grupo incluía clérigos e leigos; os quais estavam irmanados em um mesmo sentimento: O desejo de receber o batismo com o Espirito Santo e desfrutar dos dons espirituais mencionados na Palavra de Deus. Na verdade, eles não desejavam retirar-se da Igreja mãe; mas, sim, servir a Deus sob a égide do avivamento espiritual - com cânticos espirituais e orações pelos enfermos. Portanto, o seu descontentamento nada tinha a ver com a questão organizacional ou o sistema de governo. Mas, sim, a falta de metas espirituais e evangelísticas por parte de seus líderes.

Não tive a honra de participar deste começo. É que, na mesma época em que a IMW nascia, eu me encontrava em regime interno - no Colégio de Cadetes do Exército de Salvação - preparando-me para o ministério. Ao formar-me, em janeiro de 1968, fui enviado para pastorear na cidade de Campos/RJ. E foi lá que conheci alguns líderes desta Denominação, em um Encontro de Renovação Espiritual. Convivendo e conversando por alguns dias com eles, cheguei a conclusão que esta seria uma boa Igreja para que eu pudesse desenvolver o meu ministério e constituir minha família.

Em agosto de 1969, já estava servindo a Deus sob a bandeira wesleyana; tendo sido formalmente recebido como seu obreiro em janeiro de 1970. Portanto, neste dia, posso afirmar que tenho sido um daqueles milhares e milhares abençoados pelo trabalho dedicado que vem sendo feito por esta Igreja, através de seus pastores e membros, ao longo destes 45 anos. Isso mesmo! Tenho motivos de sobra para louvar a Deus pela Igreja Metodista Wesleyana!

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Orçamento familiar II

Parábola acerca da previdência

"28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29 Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz" 
(Lucas 14.28-32).

Como eu afirmei na primeira parte deste artigo, recordo-me que meus primeiros anos no ministério, foram anos muito difíceis. Lembro-me muito bem que nossa preocupação material estava relacionada ao comer. E, mesmo assim, o básico dos básicos (arroz, feijão e alguma verdura). Carne e outros "exageros", só uma vez ou outra.

Ah... Esta foi muito interessante: Quando fui nomeado para plantar a IMW em solo português (lembro-me como se fosse hoje), embarquei no Aeroporto do Galeão por volta das 22 horas do dia 17 de setembro de 1978. Fui sozinho; pois, Celia e as crianças só iriam em novembro. Como eu não sabia o que iria encontrar por lá, não queria envolvê-los em minhas dificuldades iniciais.

O Pastor Jose Ribeiro (naquela altura, um jovem com cerca de 18 anos) foi sempre um grande companheiro. Nos conhecemos em Lisboa, na casa do Capitão Paulo Franke, do Exército de Salvação, amigo de longa data. Ali mesmo nasceu um discipulado que nunca chegou a ser concluído. Ele me acompanhou para Aveiro, residindo conosco durante mais de dois anos. Nas primeiras semanas, ficamos em casa de um irmão que nos ajudou muito, tornando-se mais tarde um dos pastores da IMW portuguesa (Pastor Joaquim Soares).

Todavia, o ponto que quero destacar nesta introdução é o seguinte: Antes de Celia embarcar com as crianças, no cais do porto da Praça Mauá - Rio de Janeiro; mandei-lhe uma carta, orientando: "Traga na bagagem 40 kg de arroz, 20 kg de feijão, 10 kg de açúcar e 5 kg de café. Os dias que iremos passar por aqui serão muito difíceis; e, não sei quando vão melhorar." Ela atendeu ao meu pedido; e, assim, tivemos provisão para muitos dias de "vacas magras".

O obreiro deve se preparar para os "dias maus"

Ao observarmos o modo como alguns obreiros esbanjam dinheiro, ficamos estarrecidos. "Será que não percebem que este tempo de fartura pode acabar?" Não é uma questão de fé; é sim, uma questão de previdência. Isso mesmo! O servo do Senhor precisa ser previdente, para que os maus dias não o peguem desprevenido. Geralmente, alguns obreiros que conhecemos - revoltados com a sua fraca condição financeira - nunca se preocuparam com economia.

É triste vermos irmãos afundados em dívidas (a dívida do carro novo; a dívida da roupa nova; a dívida do salão de beleza). Alguns devem até mesmo a comida que comeram no mês anterior. O princípio da estabilidade econômica impõe que, em tempo de abundância, devemos economizar, gastando apenas o necessário; e, mesmo assim, em algo que seja necessário.

Quero aqui declarar - sem pôr em dúvida o poder de Deus para nos socorrer - que é temerário ficarmos nos atolando em dívidas desnecessárias; e depois ficarmos implorando a Deus para "pagar as nossas contas". O reino de Deus é um reino de princípios. E quero aqui ensinar um valioso princípio do reino de Deus: A prosperidade não vem apenas pelo ganho ou pela fidelidade para com Deus. Ela vem também pelo senso de economia!

E mesmo a prosperidade que se recebe por fidelidade de Deus não resiste por muito tempo ao consumo exagerado daqueles que a possuem. A natureza consumista é tão inimiga da prosperidade, quanto a infidelidade ao Senhor. Portanto, se queremos ser prósperos, não devemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. Este é um passo muito importante para chegarmos ao futuro risonho que almejamos.

O obreiro não deve "amar o dinheiro" 

Em nossa condição humana, convivemos com dúvidas concernentes a diversos assuntos que envolvem a nossa existência. Na verdade, o ser humano vive cercado de indagações que jamais terão resposta nesta vida. No entanto, dentre as certezas que já possuímos, não podemos ignorar a de que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10).

Jesus adverte quanto ao perigo da avareza, ao usar como referência a história do homem rico; que falava consigo mesmo: "E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus" (Lucas 12.19-21). Neste texto, Jesus deixa bem claro que nossas maiores riquezas são as espirituais.

O obreiro deve se adequar aos seus rendimentos

É muito comum vermos servos e servas de Deus procurando viver "a vida dos outros". Se alguém compra uma nova mobília, eles decidem também comprar. Se alguém compra um carro novo, eles fazem imensas dívidas, para também comprar. Vivem sempre de olho no padrão de vida de alguém que tentam igualar ou superar. É triste este tipo de vida. Uma verdadeira prisão!

Precisamos aprender com a Palavra de Deus. E ela nos ensina que não devemos ambicionar aquilo que está acima das nossas posses. Pelo contrário, diz ela, "sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Outro princípio do reino de Deus é que, devemos aprender a nos contentar e dar graças a Deus por aquilo que temos.

Ao ministrar sobre o discípulo carregar a sua cruz e segui-lo, Jesus adverte que nada justifica colocarmos em risco a nossa alma: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26). Geralmente, a falta de planejamento financeiro na economia do lar pode colocar em risco a nossa própria alma.

O obreiro deve ter sua prioridade-mor

Todo servo e serva de Deus deve estabelecer uma relação de prioridades. E, uma vez que tenha feito isso, deve colocar como sua prioridade nº 1, que é o princípio do Reino de Deus baseado neste texto: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). Aprendemos aqui que, se queremos ter sucesso em algo que fazemos, precisamos buscar o reino de Deus em primeiro lugar.

Existem ocasiões em que precisamos acordar e perceber que nos desviamos do "primeiro amor". É muito comum, nos dias de hoje, vermos obreiros que estão agindo bem diferente do modo como iniciaram sua carreira ministerial. E quando descobrimos seus motivos, chegamos a conclusão de que olharam na direção errada. Em suma, escolheram modelos errados para imitar. E, devido a isso, começam a naufragar em seu ministério. É muito triste isso!

Conclusão

Quando postei a mensagem "Orçamento Familiar I", procurei deixar claro que o meu objetivo é advertir quanto ao perigo do consumismo e, ao mesmo tempo, falar sobre a necessidade de administrarmos bem os recursos - poucos ou muitos - que o Senhor coloca em nossas mãos. E, ao dar por encerrado este assunto, quero afirmar que existem dois tipos de futuro a nossa espera: O futuro risonho e o futuro incerto. E o modo como agirmos em relação aos princípios aqui alinhavados é que vai determinar qual o futuro que teremos quando chegarmos à jubilação.
"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" 
(Mateus 25:21).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 1 de janeiro de 2012

O mundo não acabou

"E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor DEUS acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra" 
(Ezequiel 7:2)

Um dos assuntos mais discutidos e conversados nos dias atuais é o "fim do mundo". Em todas as rodas e instâncias é comum, de quando em vez, este assunto vir à baila. Existem, inclusive, livros, filmes e canções abordando este tema; alguns deles causando verdadeiro impacto nas emoções de muitos. No entanto, isso não aconteceu em 2011!

E, deste modo, atravessamos os umbrais de mais um ano. 2012 já é parte integrante dos nossos sonhos e projetos. Alguns não conseguiram transpor suas fronteiras; mas, nós estamos aqui. Serão 366 dias (ano bissexto) se constituindo em 366 etapas que precisaremos ultrapassar. E isso somente será possível se Deus nos der vida e saúde para chegarmos a um outro provável final de ano. Penso que será desafiadora a jornada... E tenho razões para pensar assim!

Na verdade, o mundo não acabou... Todavia, alguns valores de fundamental importância para o planeta, estão acabando - em ritmo crescente - sem que muitas vezes notemos o seu enfraquecimento e diminuição. São valores milenares que já vem definhando a algum tempo; mas que, agora, começam a se acabar.

Realmente... O mundo não acabou

"E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo" 
(Apocalipse 16:8)

Mas... A camada de ozônio que envolve o planeta parece estar acabando, dando sinais de preocupante diminuição. Segundo os cientistas, um grande buraco já pode ser visto na camada de ozônio. O ser humano precisa ver o ozônio como o filtro que Deus criou, para preservar a biodiversidade e a própria vida humana no planeta. Ele é uma forma alotrópica do oxigênio e, formando uma grande bolha na estratosfera, se constitui em uma lente a filtrar os raios do sol. Todavia, se ele se enfraquece, o seu enfraquecimento já é uma ameaça à vida na terra.

"Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão"
(II Pedro 3:10)

Mas... As florestas parecem estar acabando. E a crescente desertificação do planeta pode ser consequência direta do desmatamento. A medida em que as florestas diminuem, diminui também a biodiversidade; e se eleva a temperatura do planeta. Os constantes desmatamentos no Oriente Médio, desde os tempos bíblicos, resultaram um uma região desértica que, em muito, difere dos relatos bíblicos sobre Canaã - outrora com suas florestas, seus mananciais e suas terras férteis. Será que o mavioso canto dos pássaros, o rugido assustador das feras, assim como a cor e o perfume das flores, correm o risco de se extinguir - tornando-se num futuro próximo, em figuras de museu e exemplares de zoológico?

Mas... As calotas polares parecem estar acabando. Sua diminuição é visível, sendo constantemente denunciada por cientistas. Elas funcionam como uma espécie de "dosador do clima", mantendo o nosso mundo com uma temperatura equilibrada e suportável, mesmo em regiões tórridas. Mas a avassaladora poluição na terra - causada por lixo, lixo e mais lixo - vem afetando os rios, os oceanos as calotas polares e até mesmo o espaço. Esta é uma triste verdade: Nós conseguimos emporcalhar o nosso meio ambiente!

Mas... A paz entre os homens parece estar acabando. Os crescentes movimentos de provocação e guerra entre povos, prenuncia dias de angústia para as nações. E a medida em que os tambores da guerra ampliam o seu batuque, amplia-se o número de nações envolvidas com a industria da guerra e com a guerra propriamente dita. Em alguns continentes, já não é mais possível controlar o recrudescimento da violência. E o arsenal de antigas armas - capaz de destruir grande parte da humanidade - não enfraquece a pesquisa por novas armas, ainda mais cruéis e terrivelmente aniquiladoras. O fim vem!

"AI dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão." (Isaías 10 : 1) "Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna" 
(Isaías 24:5)

Mas... As leis morais parecem estar acabando. Leis milenares que estabeleceram limites para os desvios e exageros da conduta humana parecem estar com os seus dias contados. E, em seu lugar, surgem novas leis - absurdas e obscenas - que bagunçam de uma vez por todas a já combalida harmonia e respeito entre as pessoas. Novas conceituações sobre família vão ganhando força e aplausos, até mesmo daqueles que deveriam repudia-las com veemência. Leis são forjadas e promulgadas para atender os interesses de uma minoria, sem levar em conta os interesses de uma nação inteira; sob o olhar - ora indiferente, ora perplexo, ora angustiado - do cidadão comum, que já não pode fazer grande coisa; a não ser ficar olhando enquanto o "circo pega fogo". E isso vem acontecendo em todo o planeta! 

"E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe"
 (Apocalipse 21:1)

Mas... O mundo parece mesmo estar acabando! E não devemos nos inquietar ante esta assustadora possibilidade, uma vez que temos a Palavra de Deus a nosso favor. E ela proclama que Deus nos dará novos céus e nova terra. O mundo e a maioria dos seus moradores, neste tempo de extrema maldade, se rebelaram contra o Deus eterno - estabelecendo cumplicidade e laços de morte com o pecado. Mas... Não tem importância. Nosso Deus está construindo um outro mundo, muito melhor, em que habita verdadeira justiça e paz verdadeira!

"Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3:13)

Nesse novo mundo que Ele está preparando, só entrará aquele que estiver com as vestes nupciais. Isso mesmo! É o mundo daqueles que não se renderam a Satanás, nem aos prazeres da carne, não se deixando levar pela sedução deste mundo. Nele, a morte não terá vez! Nem haverá possibilidade de fracasso e degeneração, porque não será governado por Lúcifer ou por homens. O novo mundo será governado por Jesus. Ele conduzirá os seus seguidores para pastos verdejantes e águas tranquilas. Será um lugar de descanso e paz, que se estenderá por toda a eternidade. Venha o teu reino, Senhor! Ora vem, Senhor Jesus!

Finalizando esta palavra pastoral, deixo aqui um texto da Bíblia que pode nos ajudar a refletir ao longo do ano de 2012 - um ano que chega envolto em sombras inquietantes.

A vinda do Senhor

1  AMADOS, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero; 2  Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. 3  Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, 4  E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5  Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. 6  Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, 7  Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. 8  Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. 9  O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 10  Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. 11  Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, 12  Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? 13  Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. 14  Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. 15  E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; 16  Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. 17  Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; 18  Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém" (II Pedro 3.1-18).

Cordialmente;
Bispo Calegari

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