terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Viagem à eternidade


A dias atrás, passei cerca de dez horas em um ônibus - em viagem de Belo Horizonte à Guarapari, chegando na manhã do dia seguinte, ao encontro de Maria Célia; para viajarmos até Guaçuí. enquanto fazia este cansativo percurso, ao som de murmúrios e queixumes; tentei imaginar aquele ônibus como uma espécie de mostruário da própria humanidade. Cheguei a pensar no que o Talmude diz sobre o valor do ser humano; ao afirmar que aquele que conseguir salvar uma vida, estará salvando a humanidade inteira. Vi que esta declaração está de acordo com os ensinos da Bíblia, sobre o valor da alma humana. E, ao ver que um vasto leque de pessoas - com suas opiniões, seus conflitos, seus medos - estava concentrado naquele ônibus; senti como se a humanidade inteira ali estivesse.
 
Ali, percebi uma vez mais, que, o simples fato de conhecermos a Bíblia e adotarmos seus ensinos; já é uma riqueza de valor incomparável! E, para exemplificar, cito este texto: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas." (Mateus 7.12). Este princípio bíblico, assim como tantos outros; traz um modelo de relacionamento diferente daquilo que costumamos ver no dia-a-dia; mesmo entre muitos cristãos dedicados. Enquanto o mundo gira; muitas pessoas vivem como se tudo devesse girar em torno de si mesmas; e a palavra para explicar este tipo de conduta é "egoísmo". Enquanto procuro refletir; vejo lares se fragmentando e pessoas se odiando... E encontro nesta palavra uma das explicações para o mal existente no mundo.
 
Enquanto isso... O ônibus da angústia e do medo em que a humanidade viaja, segue - tentando ocultar os males que transporta - rumo a um destino que se afigura trágico. Seu condutor fez opção pelo caminho largo; levando consigo um misto de gente com seus medos e conflitos; sem imaginar que, por pior que seja o o mundo e o trajeto; o destino final será ainda pior. No entanto... Existe um transporte alternativo, com luzes inundando o seu interior. Ele segue pelo caminho estreito que conduz à Vida. Enquanto no primeiro carro, seu condutor tem o rosto envolto em penumbra; mal deixando entrever seus traços de maldade (conhecido como anjo das trevas); no segundo transporte, seu condutor é "Amigo do Noivo" - luz em pessoa - e tem um nome que diz tudo: Espírito Santo.
 
Este texto resume o que a mensagem que postei pretende passar: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." (Mateus 7. 13-14). Portanto, não existe caminho alternativo para a salvação, pois: "Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14.5-6). Assim, não existe a menor dúvida quanto ao fato de que a Palavra de Deus deixa bem claro que Jesus é o único caminho que conduz à Vida Eterna; sendo ele mesmo Deus criador e Autor da Vida!
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Verdade profética ignorada




Nesta madrugada, enquanto eu orava ao Pai; duas perguntas ocuparam a minha mente - ambas relacionadas entre si: 1) "Estará a maioria dos crentes gerados nestes dias nebulosos; preparada para lidar com aquilo que está por vir?". 2) "Estará a maioria desses crentes; embalados por propostas de um mundo favorável aos seus sonhos; ciente daquilo que está por vir, ainda nesta geração?". Confesso que me assustei ao contemplar o quadro estampado ante os meus olhos; Os Eventos reservados para este tempo, são inadiáveis e inevitáveis. Então, louvei a Deus por me manter em sintonia com uma verdade profética ignorada por muitos; todavia, tão real como o ar que respiro.


Se alguém quiser entender melhor o meu sentimento em relação a tudo isso, pense nos efeitos de uma tromba d'água ou de um terremoto - chegando repentinamente e surpreendendo uma comunidade inteira; pense no misto de surpresa e desespero estampado no rosto das pessoas; muitas delas a pensar que o mundo está acabando; mesmo sabendo que tragédias assim é algo comum no mundo... E, por mais avisados e prevenidos que estejamos em relação a tragédias iminentes; somos sempre pegos de surpresa quando elas chegam. E os dias reservados para esta geração, serão muito mais assustadores do que tudo aquilo que estamos acostumados a ver neste mundo.
 
Sinto que devo manter os meus olhos neste texto:
 
"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz."
(2 Pedro 3.9-14).
 
Recomendo também cuidadosa leitura dos capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus.
 
Cordialmente
Bispo Calegari

domingo, 15 de dezembro de 2013

Preferência em família


Na última qunta-feira, Deus me deu a graça de participar do culto na Igreja Metodista Wesleyana em Milionários_ BH/MG. O Pastor Lino e sua esposa Júnia fizeram a gentileza de me buscar em casa e me levar, em meio a forte chuva que caia sobre BH. Deus me deu uma palavra à igreja, sobre a necessidade de uma vida de oração incessante; de regozijo; de gratidão; enfim, de constante busca do bem, conservando acesa a chama do Espírito em nosso interior. A palavra, sob unção de Deus, me trouxe grande alegria e conforto. Sei que alguém pode estar pensando: "Bispo, me diga algo que eu não saiba". No entanto, quero aqui afirmar que o maior problema dos crentes, não é ignorar preceitos importantes para uma vida melhor; e sim, o de não procurar cumprir aqueles que ele já está cansado de saber.
 
Enquanto pensava no culto, fui levado a pensar na perigosa relação entre Isaque, Rebeca, Esaú e Jacó
- uma família com graves problemas de preferências em seu relacionamento; que acabaram por infelicitar a todos os envolvidos: Isaque demonstrava preferência por Esaú; e Rebeca não escondia sua preferência por Jacó. E pude perceber que o ideal é quando os pais podem amar os seus filhos de igual modo; sem visível preferência por um ou por outro. Mas, sei o quanto isso é difícil. Porém, se ao menos conseguirmos afagar um filho, sem ignorar o outro; ou, ajudar um filho, exibindo semblante alegre, sem ajudar um outro filho com semblante ou tom de censura. Podemos até não resolver os problemas dos nossos vizinhos; mas, não contribuiremos para criar problemas em nossa própria família.
 
Hoje achei por bem comentar a mensagem com dois textos. Este, relacionado à parte inicial da mensagem: "Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal." (1 Tes. 5.16-22). Este outro, relacionado à parte final da mensagem: "Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo." Col. 3.18-21). Se conseguirmos praticá-los, seremos e faremos pessoas felizes; e conseguiremos cumprir com leveza o propósito de Deus para a nossa vida.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 14 de dezembro de 2013

O Sol nasceu pra todos

 

Enquanto me prostrei nesta madrugada, senti o peso daqueles que se desviam do caminho do Senhor. Não vai muito distante o tempo em que o próprio desviado reconhecia o seu estado e buscava auxílio para se reerguer. Bem diferente do tempo presente, no qual o foco da grande maioria das pregações que se ouvem não é mais vida com Deus; e sim, vida abençoada por Deus. O adjetivo "abençoado" e "abençoada" é aplicado indistintamente, sem que se tenha uma ideia clara sobre a essência deste termo. Até porque, vida abençoada é expressão que vai muito além dos benefícios terrenos que alguém consiga usufruir neste mundo passageiro.
 
Antes de prosseguir, preciso afirmar que creio nesta declaração de Jesus: "Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos." (Mateus 5.45). Esta palavra dita pelo próprio Deus demonstra que mesmos os perversos e injustos desfrutam de benefícios gerados pelo Senhor. Não ignoro o conceito elementar de que "o sol nasceu pra todos". No entanto, existe a possibilidade de alguém viver intercalando vida cristã formal com vida profana informal. Quero dizer com isso, que: É possível alguém passar boa parte de sua vida conjugando bênção com maldição; sem sequer pensar no final ruim que o espera.
 
Então, louvei outra vez ao Senhor; pois, sei do abismo de onde me tirou, por meio de Jesus; me dando o direito de andar em Sua presença. Não ignoro as aflições que sofrem aqueles que querem viver com verdade e seriedade, o evangelho da graça legado pelo próprio Jesus e pelos homens que nomeou seus apóstolos. Todavia, percebo que a vida é de curta duração; e que, por mais prazer que alguém possa ter, em seu envolvimento com este mundo, nada compensa a perdição eterna. Prefiro pensar que o melhor mesmo é trazer no corpo as marcas do padecer de Cristo, nesta vida temporária; e desfrutar no futuro a bem-aventurança eterna.

Penso ser urgente meditar neste texto:
 
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom."
(Mateus 6.19-24).
 
Creio que, em momento algum da História da Igreja, ele foi tão relevante como em nossos dias!
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Buscando loucas diversões


Hoje eu despertei com uma insistente pergunta em minha mente: "Por que eu penso e vivo, como se esta fosse a geração do fim?" Enquanto eu "matutava" sobre esta questão; procurei rebuscar em meu interior as razões que alimentam esta convicção. E, vejam o que encontrei: Somos uma geração desafiada, por vozes internas e externas, a pregar o Evangelho - em todo tempo, em todo lugar e por todos possíveis - como se esta fosse a mais urgente tarefa destes últimos dias. Somos uma geração cercada de meios de diversão e lazer, como nunca se viu em toda a história humana; como se Deus tivesse criado os humanos apenas para viverem em mundo de fantasia e diversão.
 
Ah... E somos também a geração que mais escândalos produziu em sua curta história. Geração marcada por conduta libidinosa, sempre em busca de novas formas de prazer sexual; em que nem mesmo as crianças são poupadas, contanto que homens e mulheres tenham os seus minutinhos de prazer sexual. Geração ao mesmo tempo vítima e vilã de elevados índices de corrupção em todos os níveis. Geração que tenta silenciar a dor do seu pecado - do mesmo modo que o alcoólico procura aplacar os sintomas de sua ressaca - pecando um pouco mais. É verdade! Geração que procura aplacar o sentimento de desconforto por seus pecados, buscando loucas diversões.
 
Todavia, aquilo que mais me convence de que estamos perto do fim; é o desvio de rumo de muitos cristãos, que vivem como se do mundo fossem; ou, como se nunca tivessem conhecido a Jesus e Sua Palavra. Cristãos que ao mal chamam de bem e ao bem chamam de mal. Crentes para os quais o adultério já não é mais o único fator capaz de quebrar os laços do matrimônio. Multidões frenéticas que vão substituindo os cultos a Deus; por um tipo de show, em que seus artistas são aclamados como se deuses fossem... Sem ao menos tentar entender o "por que" de suas canções de louvor exaltarem de modo sutil o homem, como se ele fosse o centro do universo.
 
Devemos refletir sobre o contexto desta advertência: "E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar." (Mateus 24.29-35). O ideal é meditarmos nos capítulos 24 a 26 de Mateus. O fim vem!
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Adoração e gratidão


Não há um dia em que eu ore; em que meu coração não se volte para adoração e gratidão! Algumas vezes, chego a pensar que estes dois sentimentos devem ser demonstrados logo no início de cada oração feita - como um carro chefe - conduzindo os demais motivos da oração pelo caminho vertical que conduz à presença do Pai. Nesta madrugada, enquanto eu orava, me reportava ao culto de ontem na IMW de Vila Isa/Governador Valadares. Louvei a Deus pelo Pastor Washington e pelo brilhante ministério que vem exercendo ali; nutrindo e conduzindo com zelo e dedicação o rebanho do Senhor entregue aos seus cuidados pastorais.
 
Então, após conduzir minha querida família aos pés do Senhor; procurei interceder pela 2ª Região, sob meus cuidados pastorais; pois conheço muito bem os ardis de Satã e os diversos meios que utiliza para tentar atingir e afligir aqueles que temem ao Senhor e perseveram em Seus caminhos. Sei que esta região tem suas exceções (crentes que ainda não entenderam que fé cristã não é uma bandeira semelhante às erguidas por torcidas de futebol, incitando à confusão); todavia, em sua maioria, os obreiros e crentes da 2ª Região procuram conhecer melhor ao Senhor. E isso tem sido demonstrado nos eventos regionais promovidos pelos diversos departamentos.
 
E hoje, na sala do Pastor Sidenilson Alvino Pereira - onde estendi o meu lugar de oração - adorei e agradeci ao Deus eterno; por me ter tirado do império das trevas e me transportado para o reino do Filho do Seu amor. Ali, mais uma vez, agradeci por me ter dado nova vida e nova identidade. E declarei que considero meus títulos e conhecimentos - mesmo os mais nobres - sem proveito algum para aquilo que pretendo, nesta e na outra vida. Ainda bem que tenho o Espírito Santo em mim; me guiando e me motivando a pautar minha vida na revelação da Palavra, trazida por Aquele que conhece todas as coisas, mesmo as profundezas do próprio Deus.

Creio que o meu sentimento é muito bem expresso por este texto bíblico:
 
"Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."
(Filipenses 3.7-14).
 
Pretendo viver de modo coerente à ele.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Duas palavras


Enquanto eu buscava a Deus, meu espírito se deteve em duas palavras: Religiosidade e espiritualidade. Parecem afins; no entanto, quão diferentes são em seu real significado. Enquanto que a primeira leva as pessoas a adotar e formatar ao seu gosto e convicção, um tipo de culto e de sistema doutrinário, chegando a criar um deus que se encaixe em seu conceito; a segunda, promove um choque interior que nos coloca acima das discussões que reduzem a Palavra e a Obra de Deus aos limites do nosso próprio entendimento. Sei que há momentos em que ambas as experiências parecem ser a mesma coisa. No entanto, suas diferenças são bem maiores que suas semelhanças. Na verdade, a diferença entre elas está na essência e conteúdo das mesmas. Foi isso que levou muitos fariseus e doutores da lei a rejeitar a graça; pois o formato e significado que deram à Lei; bem como o seu apego a conceitos deturpados, os levaram a se tornar cada vez mais religiosos e menos espirituais. Enfim, tentar definir lei e graça à nosso modo - algo próprio da religiosidade - pode nos levar a negar o fim da Lei ou tentar mudar o sentido da Graça.
 
E ainda hoje, vemos pessoas agirem assim; bem mais religiosas do que espirituais. E, em decorrência disso, vemos conflitos religiosos ocorrendo em várias partes do mundo; deixando em sua esteira um número de mortos e feridos que não para de crescer; pois, enquanto que a religiosidade nos leva à loucura de brigar e até matar em prol dos conceitos que adotamos e da causa que defendemos; a espiritualidade, por sua vez, transfere o campo de luta para dentro de nós mesmos; onde residem as paixões carnais. Então passamos nos preocupar com o nosso pecado e não com o pecado do nosso irmão. E passamos a ver o Deus eterno acima dos conceitos que procuram defini-lo; ou da causa que julgamos ser Dele. Foi este sentimento que levou Jesus a acalmar os impetuosos discípulos, que queriam a todo custo silenciar alguém que expulsava demônios em Seu nome; dizendo-lhes: "Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós." (Marcos 9.39-40).
 
Creio ser de grande importância meditarmos nos termos deste texto: "E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande. Quem não é contra nós é por nós. E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós." (Lucas 9.46-50). Digo isto; pois percebo que, por falta desta visão, alguns vivem a tentar crescer por fora, investindo tempo e dinheiro em seu homem exterior; enquanto o seu homem interior definha e diminui de tamanho a cada dia.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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