sábado, 11 de janeiro de 2014

Natureza morta


Algo que sempre me causou impressão - tanto em minha limitação cristã - quanto humana; é a seguinte advertência feita por Jesus: "Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus." (Lucas 9.60). Ela foi feita também por Paulo; embora em outros outros termos: "E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas" (Colossenses 2.13). Não é que eu não tenha uma visão teológica quanto a isso; mas... Isso sempre incomodou o meu espírito. Assim, a semelhança de Nicodemos; resolvi buscar de Deus uma palavra que me desse melhor entendimento sobre este estado. Creio que fui atendido; pois, pude entender melhor este assunto tão complexo.
 
Percebi que natureza caída e espírito humano renascido não podem conviver em um mesmo corpo; ou seja: Um deles precisa morrer, para que o outro possa existir. O interessante é que, qualquer um dos dois pode se mover e relacionar sem a presença do outro. A genuína conversão é o único elemento que pode definir a recriação do espírito humano; e, ao mesmo tempo, aplicar um golpe de morte na velha natureza, mediante o processo que todos os cristãos esclarecidos conhecem como crucificação do ego ou velho homem. Então, a partir deste processo que se consuma na cruz, sob o olhar de Deus e o sangue de Jesus; o novo ser ali gerado pode iniciar seus movimentos, relacionamentos e procurar desenvolver suas experiências; procurando a qualquer custo viver no centro da vontade de Deus.
 
No entanto, devido à fraqueza do corpo - causada por suas necessidades e instintos - o espírito humano recriado precisa estar sempre atento, para não se deixar persuadir pelo processo de sedução orquestrado pela natureza carnal, ávida por satisfazer seus apetites e prazeres. Se considerarmos que os interesses da carne e do espírito são antagônicos; podemos deduzir - sem medo de errar - que quando um é atendido, o outro é contrariado. Todavia, como as coisas de Deus são as que dão prazer ao espírito; elas devem ser priorizadas, acima da relações humanas e das diversões mundanas. Mas esta atitude impõe sacrifício; sem o qual o espírito humano recriado pode definhar, correndo o risco de regredir ao seu estado anterior. Devido a este risco, Jesus determinou que orássemos e vigiássemos!
 
Este texto pode nos ajudar a entender o conflito de interesses entra o espírito e a carne:
 
"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências."
(Gálatas 5.16-24).
 
Assim, nas lutas que travamos no íntimo, meditar nele pode nos fortalecer.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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