quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Condicionamento infrutífero

 

No sábado passado, precisei me levantar um pouco mais cedo para estar diante do Senhor; pois, Maria Célia e eu iríamos a uma reunião de liderança dos três distritos da região metropolitana de Belo Horizonte. Enquanto procurava ordenar meus pensamentos e meus sentimentos, em linha com a Palavra de Deus depurada de conceitos religiosos construídos sobre a letra desprovida do Espírito - em dissonância com a essência sobrenatural da revelação divina - o meu coração se voltou para o perigo embutido no condicionamento bíblico errado. Me refiro aos conceitos baseados na letra da lei e não no palpitar do coração de Deus e no sussurrar de Seus lábios; sons que só podem ser captados por homens capazes de ouvir e entender com 100% de aprovação aos olhos do Pai.
 
Então, me dei conta de que existem discussões em torno do nome de Deus; da natureza de Jesus; da pessoa do Espírito Santo; da lei de Deus; da doutrina cristã... Enfim, diversas correntes afirmam suas posições; cada uma delas com os olhos brilhando de convicção e a certeza de que são as únicas certas; como se a Verdade Absoluta pudesse ser do domínio de um segmento religioso - mesmo cristão - ou se a Verdade Plena pudesse ser contida em um conceito construído em torno dela.
 
Enfim, concluí que um número incalculável de cristãos são confinados em tais conceitos, mediante um discipulado imposto - sofrendo prejuízos espirituais devido a isso - e correndo o risco de se tornarem meras cópias repetitivas de doutrinadores de plantão; os quais, no afã de impor suas ideias, declaram fazê-lo por ordem de Deus; em sua aparente convicção de que são os únicos capazes de interpretar corretamente pontos de difícil interpretação das Escrituras sagradas. E assim, muitos crentes ficam presos a tais mestres; ao ponto de não receberem o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais; desprovidos da simplicidade de uma vida piedosa e da alegria de uma vida realmente liberta de preconceitos e conceitos espúrios. Que o Senhor nos guarde de tais condicionamentos.

Sou um admirador das posições doutrinárias de Paulo: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." (Gálatas 1.6-8). Se estudarmos esta epístola com zelo sem preconceito, veremos com clareza a aversão do apóstolo às tentativas judaizantes de contaminar o evangelho da graça.
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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