quinta-feira, 9 de maio de 2013

Culto ao corpo

 
"24 Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; 25 Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. 26 Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? 27 Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras."
(Mateus 16.24-27)
 
A dias atrás estive orando e buscando a face do Senhor em espírito. E não pude deixar de refletir sobre a fragilidade da vida; vida efêmera, de curta duração. Então, perguntei a mim mesmo: Se, por um lado, a vida humana é tão curta e frágil, por que então o ser humano se apega tanto a ela e a cobre de cuidados e de regalos? E se, por outro lado, a essência contida no corpo humano é o que vai durar eternamente; por que então o homem dá tão pouco valor ao espírito e a alma, chegando ao ponto de sufocá-los e oprimi-los com certos conhecimentos e experiências sem proveito algum? Entim... Por que valorizarmos em demasia o corpo físico - temporal e passageiro - praticando fisiculturismo e prestando um verdadeiro culto ao corpo; se, ao final de tudo, o mesmo se restringirá a um amontoado de carne ainda em forma humana, provisóriamente depositada em um féretro rumo à sepultura?
 
Entretanto, não é de hoje que as pessoas recorrem ao auxílio de produtos rejuvenescedores e ao bisturí de um cirurgião, na tentativa nem sempre bem-sucedida de melhorar a estética ou tornar mais jovem um corpo que começa a morrer desde o dia em que nasce. Não que eu ache isso errado; mas vejo as pessoas priorizarem cada vez mais a diversão física, o prazer físico e a aparência física; sem se importar muito com aquilo que virá depois. Além disso, até mesmo entre os crentes mais dedicados, encontramos os que são capazes de fazer qualquer coisa para incluir fama em seu currículo e algumas moedas a mais em sua bolsa; como se felicidade fosse apenas isso. E assim, um corpo físico, perecível - cuja beleza é relativa e temporária - recebe mais atenção por parte do ser humano, do que sua alma sequiosa por conhecimento... E do seu espírito que clama por Deus desde que nasce.
 
Antes de concluir, preciso dizer que não acho errado o cuidado devido ao corpo físico - seja em sua higiene, nutrição ou saúde - pois ele - além de Deus - é nossa habitação temporária. Inclusive, penso que exercícios físicos deve ter o seu lugar entre as diversas ocupações diárias de alguém. Penso também que um cuidado racional, sem exageros, com a estética é algo saudável e socialmente válido. No entanto, o que me preocupa é a prioridade que vem sendo dada ao corpo material - em detrimento do corpo espiritual - como se ele fosse a "menina dos olhos" de Deus. A Palavra de Deus ensina que "o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir." (I Timóteo 4.8). Além disso, somos instados por Jesus, a buscar "primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6.33).
 
"16 E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; 17 E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. 18 E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; 19 E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. 20 Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"
(Lucas 12.16-20) 
 
Cordialmente;
Bispo Calegari

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