terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Uma sombra curvada

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém"
(Judas 1.24-25).

Nesta madrugada estava orando a Deus... E me quebrantei até as lágrimas por poder perceber o cuidado de Deus para comigo em coisas simples, mesmo triviais, tai como: O canto de um sabiá, o perfume de uma rosa, o ruído do vento passando pelo bambuzal, o igarapé serpenteando entre as pedras... É belo demais! Glorifiquei a Deus - sem poder "soltar" plenamente a voz, devidos a alguns netos que estão dormindo em minha casa (eles também são fruto desse maravilhoso cuidado).

E ali prostrado, pude contemplar, perpassando ante os meus olhos - como que habilidosamente agrupadas em um caleidoscópio - uma sucessão de imagens, revelando o quanto Deus tem me amado e suprido. Ah... É difícil exprimir sentimento assim! E ali estava eu, se não o menor, um dos menores mortais que Deus ainda tem por este mundo afora. Sei que tenho nome, domicilio, família, ocupação; mas, ali... Que era eu? Uma sombra curvada - refletida no brilho do Seu olhar!

Não sei... Não sei mesmo! Por que terá me amado tanto, se sou somente um homem... Saído da linhagem de Adão? Mas, é assim mesmo! A contemplação das Escrituras sob a luz do Seu rosto revela verdades que estão submersas entre os textos. Glória a Deus! Como é bom perceber que a Verdade absoluta está codificada em meio a verdade revelada - aquela que chegou até nós por instrumentalidade de quarenta escritores... Canais de Deus, esparsos ao longo da linha do tempo.

Mas sei... Sei mesmo! Sou filho de Deus - lavado e remido pelo sangue de Jesus! E este status ninguém me pode roubar... A não ser que eu dele me abstenha - desencaminhado e destruído por insana vontade. Sei que foi a percepção deste glorioso Deus, que me fez quebrar os meus ídolos - reduzindo-os a pó, de modo a não poderem ser reaproveitados. Aleluia! Sou redimido! E isso ninguém pode mudar em mim; pois, sou o que sou pela graça de Deus - um servo inútil entre aqueles que amou!

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desfrutando do cuidado de Deus

"1 MAS agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. 2 Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti"
 (Isaías 43.1-2).

Desfrutando do cuidado de Deus

 Ontem postei em minha página no facebook esta mensagem. Geralmente, posto ali aqueles sentimentos que fluem em determinados momentos. Todavia, ao rever o que escrevi, achei por bem trazer para o meu blog - expandindo um pouco mais a reflexão.

As vezes me ponho a pensar no cuidado de Deus por mim. É algo que não consigo descrever na dimensão do meu sentimento comum e limitado. E não me refiro ao cuidado visível e previsível - aquele que se manifesta no dia-a-dia através de ministrações de cuidado a conta-gotas (ar que respiramos, alimentos que comemos, água que bebemos, amigos que granjeamos). Enfim... Estes são fruto da promessa inserida neste texto: "Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos" (Mateus 5:45). Claro que reconheço o valor destas provisões. Afinal, como poderíamos viver sem elas?

Mas o cuidado a que me refiro é algo especial! Ele se manifesta na dimensão do sobrenatural, através de medidas de cuidado preventivo da parte deste Deus que nos ama. É aquela maldição contra nós proferida - anulada pelas promessas de Deus. Ou até mesmo conspirações de bastidores para nos prejudicar em nossa vida familiar e profissional - desmanteladas por intervenção divina. Pois a Bíblia diz que "Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR, e a sua justiça que de mim procede, diz o SENHOR" (Isaías 54:17).

Portanto, devo me manter em atitude de gratidão a Deus - por tudo aquilo que Ele tem feito por mim, em defesa de minha vida e de tudo aquilo que me concerne. Não devo me esquecer um só minuto, do quanto o meu Deus exerce cuidado e vigilância sobre este simples servo. Posso gritar que Ele é fiel e jamais me abandonará! Glória pois a Ele eternamente amém!

"12 Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus. 13 Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? 14 Assim diz o SENHOR, vosso Redentor, o Santo de Israel: Por amor de vós enviei a Babilônia, e a todos fiz descer como fugitivos, os caldeus, nos navios com que se vangloriavam. 15 Eu sou o SENHOR, vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei"
 (Isaías 43.12-15).

Cordialmente;
Bispo Calegari

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Morrer sem ter vivido

Vivemos em uma dimensão humana, na qual vida e morte transitam por uma mesma estrada - personificadas por pessoas que nascem e pessoas que morrem. Isso mesmo!  Em meio a esta multidão sem forma e sem rosto, existem pessoas que entendem a razão de viver e pessoas que não conseguem entender a necessidade de morrer... E vice-versa. Enfim... É a estrada da existência humana - na qual muitos vivem sem querer viver e a maioria morre sem querer morrer. Na verdade, para o ser humano comum, vida e morte são experiências misteriosas e assustadoras!

É tão comum encontrarmos pessoas caminhando, sem brilho nos olhos. É verdade! Mesmo se movendo, não dão o menor sinal de que estejam realmente vivendo. Dormem, acordam, se movimentam e se alimentam... Mas, não se percebe aqueles sinais de que a vida nelas esteja. Acredito que foi referindo-se a este tipo de pessoa, que Jesus advertiu: "Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus" (Lucas 9:60).

Quantas vezes nos sentimos como aquele médico que - nos primeiros socorros - procura sinais vitais em um corpo inerte. E não são poucas as vezes que, a semelhança de um médico abatido que não conseguiu encontrar os sinais vitais em alguém, não conseguimos encontrar estes sinais em muitos que nos rodeiam - seja sob a forma de um sorriso; ou, de uma lágrima; ou mesmo, de um semblante crispado ou irado. É triste lidarmos com alguém que já morreu e ainda não sabe!

Jesus veio para nos tirar do vale da sombra da morte

É isto que as Escrituras proclamam, quando afirmam que "O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mateus 4:16). Realmente, Ele veio nos tirar deste vale sombrio!

Portanto, existe esperança para alguém que se encontra morto, mesmo pensando estar vivo. E esta esperança é Jesus Cristo, o Autor da Vida! O Apóstolo Paulo declara que "quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas" (Colossenses 2:13). A Palavra de Deus afirma que "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:4).Isto significa que não existe vida sem Jesus!

A Bíblia declara que Jesus trilhou um caminho de dor e de sofrimento - tentado como qualquer ser humano - para nos dar nova vida. Está escrito que, "visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo" (Hebreus 2:14). Vemos neste texto que Jesus aniquilou, por sua morte de cruz, aquele que tinha o império da morte!

Jesus veio para morrer em nosso lugar e para nos salvar 

A Palavra de Deus preconiza que Jesus "em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (I Pedro 1:20). A Bíblia nos ensina que sua manifestação na plenitude dos tempos foi proclamada antecipadamente; e, consumada no tempo da graça - devido ao amor de Deus por nós, perdidos pecadores.

Se examinarmos o plano de redenção, vamos perceber que Jesus teve sua morte anunciada ao longo de toda a história - antes de ter nascido homem - mesmo antes que a humanidade existisse. "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Apocalipse 13:8). Portanto, sua morte física pode ser vista como ato final de uma obra de repercussão eterna - baseada no amor de Deus pela humanidade (João 3.16).

De Jesus a vida e morte nos conduz a morte e vida

Esta é uma grande revelação de Deus a nós: Na manjedoura, Jesus nasceu para nos buscar; no calvário, ele morreu para nos salvar - "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10).

Existe uma máxima, a qual determina que "toda a pessoa que nasce apenas uma vez, morre duas vezes; e, toda a pessoa que nasce duas vezes, morre apenas uma vez". Explicando: Aquele que nasce uma só vez - nasce apenas fisicamente; portanto, morrerá física e espiritualmente. Ao passo que aquele que nasce duas vezes - nasce física e espiritualmente; assim, morrerá apenas fisicamente.

Concluindo
E, mediante tudo isso, eu posso aqui afirmar - com a mais absoluta certeza - que viver com Jesus é viver de verdade; e, morrer com Jesus, também é viver de verdade! "Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos" (II Timóteo 2:11). Oh Glória!

Vemos assim que é trágico viver neste mundo sem nunca tê-lo recebido como salvador pessoal - sem nunca tê-lo conhecido. Pois, aquele que morre sem o reconhecer e aceitar verdadeiramente - morrerá sem ter vivido! Todavia... Bem pior do que morrer sem ter vivido; é morrer sem Jesus - tendo-o rejeitado e negado - após um dia tê-lo conhecido.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Lixo e ser humano

A tempos atrás, percebi uma cena interessante em postagem feita na página do Dr Edison Miranda (pena que ele retirou sua página do facebook; as fotos que postava eram extraordinárias). Nessa foto que, por descuido, não compartilhei, havia um monte de lixo em um canto; o qual, sob o foco de uma luz, projetava na parede uma sombra exatamente como se fossem duas pessoas encostadas uma a outra...

Naquela ocasião, fiz o seguinte comentário: "Cena interessante... E tragicamente analógica. Na verdade, lixo e ser humano - em seu estado de decomposição - acabam por se tornar semelhantes". Lembro-me bem que Edison Miranda sugeriu que o meu comentário poderia tornar-se em um artigo em meu blog. Prometi-lhe que, se um dia o fizesse, ele seria merecedor do crédito - pela postagem de tão interessante foto. É o que faço agora!

Lixo, lixo... E mais lixo

Creio que, neste planeta de Deus, ninguém tem a menor dúvida quanto ao fato de que conseguimos transformar em lixeira todos os continentes, mares, florestas e geleiras. E de tal maneira este planeta tem sido "emporcalhado", que, mesmo em lugares remotos, tem se encontrado lixo espalhado. Alguns Países, inclusive, tentam com sutileza "exportar" o lixo que não conseguem incinerar ou reciclar, para países do terceiro-mundo e emergentes (como é o caso do Brasil).

A sujeira é tanta... Que até na água que bebemos; ou, no ar que respiramos; ou, mesmo, na própria estratosfera, colhem-se amostras com a presença de lixo em abundância. É surpreendente saber que até na lua e em marte existem vestígios do lixo produzido por u'a humanidade que parece não saber fazer outra coisa, a não ser produzir lixo, lixo e mais lixo.

Lixo e ser humano - algo em comum

Existirá algo em comum entre o lixo e o ser humano - além do fato de um ser subproduto do outro? É exatamente este o ponto central desta reflexão. Como cheguei a comentar em foto do Edison Miranda - a mesma constituiu-se em uma cena interessante e tragicamente analógica: Porque, na verdade, lixo e ser humano - em seu estado de decomposição - acabam por se tornar mesmo semelhantes. E não estou me referindo a sujidade física, material; e sim, a decadência moral que submerge o ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, em um charco de lama e lodo.

Fato é, que na vida real temos assistido, pasmos, as piores atrocidades praticadas por gente como nós. Exatamente! Pessoas como nós; que respiram o mesmo ar que respiramos; que frequentam lugares que habitualmente frequentamos... Mas que, em dado momento, transformam-se em seres abjetos - capazes de praticar os mais hediondos crimes contra o seu semelhante.

Só para termos uma idéia da realidade a que me refiro: O violento atentado ao pudor contra uma inocente criança! Existem pessoas dominadas por este vício - capazes de praticar atos de extrema maldade contra uma criancinha que poderia ter sido alguém... Se o "lixo humano" permitisse.

Outro exemplo é a produção e o comércio das drogas. Este é um negócio que movimenta bilhões de dólares em todo o mundo. E entre a produção e o consumo, existem duas figuras diametralmente opostas: O chefe do cartel e seus grandes representantes; e o viciado comum - aquele que, na ânsia de satisfazer sua dependência, é capaz de roubar dos próprios pais; ou mesmo de matar qualquer pessoa, para se abastecer de uma pedrinha de crack; ou de uma "cheirada" de cocaína.

Podemos ainda tomar como exemplo a corrupção. É algo criminoso e perverso a corrupção! E vemos isso, de modo escandaloso, na vida política de nossa nação. Fala-se em cifras astronômicas ao se referir aos valores desviados dos cofres públicos - roubados por pessoas "engravatadas", que ali foram colocadas por pessoas simples e dependentes de suas ações públicas. E podem ser contadas aos milhões as vítimas de tamanho crime! Valha-nos Deus!

Bendito processo de reciclagem

Um dos grandes benefícios produzidos pela imaginação humana é, sem dúvida alguma, a tecnologia voltada para a reciclagem do lixo. Este grande feito da humanidade pode ser comparado ao avanço da industria de medicamentos. Se este último contribui para debelar doenças graves e perigosas; o primeiro contribui efetivamente para diminuir a possibilidade de contaminação e problemas de saúde.

Mas, no tocante a decadência humana, nem tudo está perdido. Deus também estabeleceu um processo de reciclagem do ser humano. Isso mesmo! Por mais degradado que alguem se encontre - mesmo considerado como lixo humano; ou, escória da humanidade - este alguém pode se tornar em uma nova pessoa, completamente depurada de vícios e práticas que a assemelhavam a animais irracionais.

A Palavra de Deus declara: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (II Coríntios 5:17). É o milagre do novo nascimento! O homem, em seu estado natural, não tem chance. Não existe escola ou instituição de assistência ao menor que seja capaz de fazê-lo uma pessoa melhor.

É por isso que muitos criminosos possuem formação superior. Alguns dos piores elementos da sociedade são oriundos de famílias bem formadas e até abastadas. Alguns famosos assassinos. cujos crimes mereceram destaque mundial, foram formados no berço da religião - islâmica, budista e até mesmo cristã.

Novo nascimento é a solução

Daí a imperiosa necessidade de nascermos de novo. A depravação moral é pandêmica. E não existe cura para ela. Somente o novo nascimento para anular os seus efeitos e mudar a história de suas vítimas. Por isso, dirigindo-se a Nicodemos "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). E, ante a perplexidade daquele doutor da lei, Jesus prossegue advertindo: "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7).

Glória a Deus! Existe esperança para o lixo humano! Existe esperança para o perdido! Existe esperança para aquele que já está completamente destruído - tanto por dentro como também por fora. E esta esperança tem nome: O seu nome é Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 3)

Tolerância para com os fracos na fé

"1 ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. 2 Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. 3 O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. 4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. 5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. 6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus. 7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor"
(Romanos 14.1-8).


Com este artigo, estou concluindo o estudo com o tema "Lei ou Graça", em três partes. Como já tenho declarado, meu objetivo é fazer a defesa da graça de Deus revelada em Cristo Jesus. Desde que comecei a pregar, tenho procurado afinar o meu ministério com as doutrinas apostólicas. E qualquer um que examine as mesmas, irá perceber que não falo por mim mesmo.

O grande Apóstolo Paulo foi o pioneiro na tarefa de elaborar a defesa da graça de Deus, em meio aos ataques perpetrados contra ela, por parte dos judaizantes de seu tempo. Na verdade, o Espírito Santo o ungiu para proclamar a graça salvadora em todos os lugares por onde andou.

Cheio de ousadia, ele declara: "Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde" (Gálatas 3.21). Ao colocar a pregação da fé em nível superior às obras da Lei, ele indaga aos crentes gálatas: "Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" (Gálatas 3.5). E sabemos que este grande Apóstolo enfrentou sérios problemas com os judaizantes devido a suas posições apostólicas.

Prazo de validade da Antiga Aliança

É fato que até a vinda de Jesus, a Antiga Aliança estava em pleno vigor. As Escrituras afirmam que o Messias veio em primeiro lugar para os judeus: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11). Os "seus" referidos neste texto são de fato os judeus.

Ao enviar os seus discípulos, o Senhor deu ordens específicas, deixando bem claro a prioridade da missão: "Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mateus 10.5-6). Realmente, a mensagem da graça salvadora deveria ser pregada primeiro aos judeus, devido à promessa feita a Abraão - até que estes a rejeitassem formalmente.

Em certa ocasião, Jesus foi abordado por uma mulher desesperada, que clamava em favor de sua filha possessa:"Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mateus 15.23-24). Neste texto, vemos que os próprios discípulos intercederam em favor dela; mas ele deixa claro aos discípulos o seu primeiro compromisso.

Fica claro nas Escrituras do Novo Testamento que a Antiga Aliança tinha prazo de validade. E este estava prestes a terminar. "Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar" (Hebreus 8.13). Na verdade, todo o capitulo 8 da epístola aos Hebreus mostra a superioridade da nova Aliança: "Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda" (Hebreus 8.6-7).

Rejeição pelos judeus: Senha para a Nova Aliança

O texto de João 1.11 declara que "os seus não o receberam". Portanto, neste texto está implícita a rejeição - consumada por ocasião de sua crucificação e morte. E ele se refere veladamente a esta rejeição, ao proclamar: "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim" (João 12:32). No último ato do seu martírio na cruz, Jesus declara que tudo está consumado: "E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (João 19.30).

Após ressuscitar, e antes de ascender ao céu, Jesus proclama a Grande Comissão: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16:15). E, deste modo, os discípulos foram cientificados que a porta da graça fora aberta. Sua missão agora não era apenas ir às ovelhas perdidas da casa de Israel; mas, por todo o mundo - proclamando a salvação a toda a humanidade.

Podemos perceber nas Escrituras, que o Apóstolo Paulo foi aquele a quem foi dada a plena revelação desta verdade. Seus escritos, divinamente inspirados, fazem a apologia da Nova Aliança; demonstrando por todos os meios que a graça revelada em Cristo era superior a lei dada por Moisés. Inclusive, demonstra o caráter profético da rejeição de Cristo pelos judeus.

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado" (Romanos 11.25). Com esta afirmação, ele demonstra que a rejeição de Cristo pelos judeus tornou-se necessária, para que a salvação pudesse ser anunciada a toda a criatura.

A Cruz é a base da nova aliança de Deus com os homens

Ao desafiar os seus discípulos, Jesus associa o verdadeiro discipulado com a cruz: "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me" (Lucas 9:23). "E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:27). Fica bem claro nestes textos que ser discípulo significa levar a cruz.

Lemos nas Escrituras que o Evangelho de Cristo é também chamado de Palavra da Cruz: "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (I Coríntios 1:18). Não tenho a menor dúvida de que a cruz é o nosso "altar de quatro pontas".

Paulo chama a atenção para o fato de que alguns cristãos procuravam submeter-se ao judaísmo, apenas para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo: "Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo" (Gálatas 6:12).

E Paulo dá o seu testemunho pessoal, apresentando-se como crucificado com Cristo: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6:14). "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20).

E proclama todas as coisas são justificadas e reconciliadas com Deus, mediante o sangue de Cristo derramado na cruz: "E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus" (Colossenses 1:20).

Quero concluir este assunto com o seguinte texto

"6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, 7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. 8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; 10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; 11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; 12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. 13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, 14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. 15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. 16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, 17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. 18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, 19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. 20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: 21 Não toques, não proves, não manuseies? 22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; 23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne"
(Colossenses 2.06-23).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 22 de janeiro de 2012

Se eu orasse um pouco mais

Em um destes dias pela manhã eu estava orando a Deus. Senti-me um pouco cansado. Todavia, mesmo sem estar naquele melhor dia que todos nós geralmente temos, abri meu coração para o meu Mestre e Senhor. Aquela oração de sempre... Adoração, gratidão, choro e profunda intercessão. Em dado momento, comecei a louvar a Deus pelo alimento que supre minhas necessidades espirituais. Que bênção é saber que o Senhor cuida de mim! Enquanto orava, sentia-me sendo nutrido em minhas necessidades; fortalecido no Senhor, para prosseguir na luta de sempre.

Depois de interceder por todos aqueles que fazem parte da minha lista (família, obreiros da II Região, membros do Conselho Geral, as demais Regiões, amigos do facebook, seguidores do blog e os que me pedem orações especiais), levantei-me do "altar da oração" fortalecido por dentro, como se tivesse participado de um grande banquete. Que Deus maravilhoso é este nosso! Sua presença e comunhão supre todas as nossas necessidades. Mas também me pus a pensar...

- Que meus familiares poderiam ser ainda mais abençoados, se eu orasse um pouco mais. Afinal de contas, minhas orações em favor daqueles que me são caros - são degraus que os ajudam a se aproximar um pouco mais, a cada dia, de tudo aquilo que Deus tem reservado para suas vidas.

- Que minha igreja (minha no sentido afetivo) seria ainda mais abençoada, se eu orasse um pouco mais. Afinal de contas, minhas orações são recursos que se somam aos valores que ela já possui - tornando-a mais vigorosa e atuante em um mundo no qual sua presença é de valor incalculável.

- Que meus companheiros de ministério poderiam ser ainda mais abençoados, se eu orasse um pouco mais. Afinal de contas, minha orações representam braços estendidos na direção daqueles que Deus colocou ao meu lado - para o cumprimento cabal do Seu propósito através de nossas vidas.

Enfim... Se eu orasse um pouco mais, poderia fazer um pouco mais... Se eu orasse um pouco mais, poderia ser um vaso mais útil... Se eu orasse um pouco mais, poderia entender melhor o meu potencial e também os meus limites... Se eu orasse um pouco mais seria um melhor esposo; um melhor pai; um melhor avô... Enfim, uma pessoa melhor! Se eu orasse um pouco mais, Deus teria mais de mim mesmo! É verdade: Tudo seria muito melhor a minha volta, se eu orasse um pouco mais!

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 21 de janeiro de 2012

A irmã Cotinha partiu para o Senhor

Faleceu nesta quarta-feira, a querida irmã Cotinha - como era conhecida e carinhosamente tratada. Seu nome era MARIA AUGUSTA AMARAL. Foi, durante muitos anos, membro da IMW de Venda Nova - onde serviu a Deus e criou os seus filhos.

O velório foi no templo da igreja de Venda Nova - que ela tanto amou e na qual serviu a Deus - pouco depois da chegada do corpo; por volta das oito e meia da noite. Após a chegada de muitos amigos, parentes e irmãos; foi realizado um culto, sob a direção do Pastor Roberto Márcio, um de seus genros, casado com Missionária Vânia. O Pastor deu abertura com a leitura da Palavra de Deus, seguida de uma breve meditação, oração e dois cânticos.

Durante o culto, foi concedida a palavra ao Pastor Edmílson, titular da igreja local, que sempre levava a irmã Cotinha, já bem idosa, ao culto na igreja. O Diácono Diovane, um de seus sobrinhos, fez rodar um CD com comovente hino - que todos ouviram atentamente. O irmão Carlos, outro genro, casado com a irmã Delva, entoou dois cânticos. Também se pronunciou, em comovente testemunho, a Missionária Miriam Amaral, sua filha, que também orou e cantou.

Celia e eu, estivemos até por volta de uma e meia da manhã - em ambiente que mesclava saudade e louvor a Deus. O Pastor Roberto Marcio me concedeu a palavra; também orei e louvei. Irmã Maria Célia também teve oportunidade de falar, cantar e orar. O Bispo Roberto Amaral, um de seus filhos, e sua esposa Márcia Amaral (eles foram na juventude membros da IMW de Venda Nova) estavam carregados de intensa emoção.

Ao final, O Bispo Roberto Amaral, Superintendente Regional da VI Região Eclesiástica da Igreja Metodista Wesleyana, fez uso da palavra - agradecendo a presença de todos e fazendo um comovente comentário sobre o testemunho de vida de sua mãe - destacando o seu testemunho cristão e sua incansável vida de oração. Em seguida, orando, fez o encerramento, destacando a importância da presença dos amigos e irmãos em momento de tanta dor.

Neste culto, estiveram presentes irmãos de várias Igrejas - além de diversos membros da própria Wesleyana de Venda Nova. Haviam irmãos da wesleyana de Vera Cruz; da Wesleyana de Florença; da Wesleyana do Veneza - pastoreada pelo Pastor Ronildo Amaral, um de seus filhos. Haviam também amigos da família e vizinhos, além dos parentes (filhos, sobrinhos, netos,  genros e noras) destacando-se a presença do Pastor Belizário - irmão de Maria Augusta Amaral.

Alguns dados da Família Amaral

A irmã Maria Augusta Amaral era casada com o irmão José Amaral, também falecido. Deixa enlutados os seus filhos: Delva Léa Amaral; Miriam Amaral; Roberto Amaral (Bispo da IMW), casado com Márcia Amaral; Vânia Amaral, casada com o Roberto Márcio (Pastor da IMW); Maria Helena Amaral; Ronildo Amaral (Pastor da IMW); e Rubens Amaral. E também outros genros, netos e bisnetos e sobrinhos; cujos nomes, lamentavelmente, não tive tempo de anotar.

Com sentimento de pesar;
Bispo Calegari & Maria Celia

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Visita ao Distrito de Ipatinga (final)

Escola Dominical na IMW do Vale do Sol

Saimos pela manhã (eu, Pastor Eduardo e família) para a Escola dominical da igreja do Vale do Sol. Ao chegarmos lá, encontramos o Ministério de Louvor, sob a direção de Camila, ministrando louvor e adoração com o povo. O ambiente já era de muita alegria. Houve, então, um intervalo para o "Café da Manhã" (mesa farta, com diversos tipos de frutas, biscoitos, pães, bolos, sucos e café com leite). Foi um momento de descontração e comunhão entre as diversas famílias da igreja.

Após o café, tivemos uma EBD diferente. Lá estavam os três Presbíteros do Vale do Sol: Lair, Valter e José Aparecido. O Ministério de Louvor teve mais uma participação, entregando a direção ao Pastor Eduardo; o qual deu uma palavra informativa e fez a minha apresentação, passando-me a oportunidade. Preguei a mensagem de Deus e senti o agir do Espírito em nosso meio.

Ao final, após orarmos pelo povo, nos despedimos e saímos para almoçar em casa de Daniela e Alessandro - nossa filha e genro - os quais nos receberam com um verdadeiro banquete, tendo como prato principal "miolo de alcatra assado no forno". Valber e Raquel também foram convidados.

Culto na IMW Central de Ipatinga

Chegamos um pouco mais cedo para o culto. Alguns irmãos já estavam aguardando. Ficamos ali, dando uma olhada no muro de contenção que existe na parte lateral direita do templo; e que veio abaixo com as fortes chuvas. É encorajador ver a disposição e o dinamismo do Pastor Eduardo, tomando as providências e colocando as coisas em ordem em tão curto espaço de tempo. Creio que nada será a mesma coisa naquela igreja a partir deste ano.

O culto se iniciou, sob a direção do Presbítero Sergio, que líderou o Ministerio de Louvor, em um período de louvor e adoração. Durante o culto, já se podia sentir o agir de Deus na igreja. O Presbítero Gessy, emocionado, me abraçou em lágrimas, por ver Deus agindo na igreja. Daniela e Alessandro, trouxeram seus chefes na Primeira Vara da Justiça Federal. Estavam também presentes, Marilda e sua filha Camilla, acampanhadas de sua mãe e irmã. O Valber fez uma oração e, em seguida, pude pregar a Palavra de Deus. Ao final, Alessandro e Daniela foram recebidos como membros da Central de Ipatinga. Percebi grande alegria no povo, por este novo tempo da igreja.

Após o culto, Valber e Raquel nos ofereceram uma deliciosa macarronada "à italiana" (à bolonhesa e com molho branco). Ficamos ali em seu apartamento, conversando e compartilhando as bênçãos do Senhor. Enquanto isso, Raquel estava com Celia e Daniela, preparando a mesa para o nosso jantar. E, ao final, saímos dalí muito bem alimentados e com dois novos amigos em Ipatinga.

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como será o amanhã

Temos lido e ouvido muitas coisas - sobre o estado deprimente e angustiante do mundo natural no qual vivemos. No entanto, tudo aquilo que tem sido dito - sobre os estado de miséria, confusão e decadência moral em que este mundo se encontra - é apenas um eco nem sempre preciso das palavras de advertência e de juízo que Deus tem pronunciado contra o sistema vigente.

Mas também é importante que se diga: O povo de Deus precisa entender que não está excluído das solenes advertências e do juízo de Deus! Quando olhamos o "modus vivendi" da maioria dos crentes, fica sempre a impressão de que estão priorizando vantagens e bençãos terrenas - como se fossem viver para sempre neste mundo de horror, do qual as vezes parecem não querer se separar.

Portanto, nós - os filhos de Deus - não devemos nunca esquecer que haverá julgamento também para a Casa de Deus! Veja e sinta este texto: "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?" (I Pedro 4:17). Isso significa que NINGUÉM está imune ao julgamento de Deus!

Na verdade, o observador mais atento poderá ver nitidamente a intensa atividade de dois mundos paralelos: O mundo material e o mundo espiritual. E, enquanto o mundo material se deleita com os prazeres deste sistema iníquo - revolvendo-se nos dejetos de sua própria iniquidade e miséria - o mundo espiritual se curva em adoração e se engalana para a Segunda Vinda de Jesus.

E, com ele, todos aqueles que esperam o Messias, com amor e paixão, clamando: Ora vem Senhor Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Visita ao Distrito de Ipatinga

No sábado passado, Celia e eu, saímos de Belo Horizonte a caminho de Ipatinga, a duzentos km de distância. Em la chegando, depois de um breve descanso, participamos do culto de reinauguração do templo da igreja central de Ipatinga. Foi realmente uma grande festa de louvor e de adoração. Dentro das possibilidades - e até acima delas - o Pastor Eduardo conseguiu, com a ajuda de alguns irmãos que se colocaram ao seu lado, preparar o salão; dotando-o de uma bela pintura e iluminação de primeira; adquirindo também um data-show e duas colunas de som para melhorar os equipamentos do culto.

O Pastor Eduardo e eu, subimos ao púlpito, onde já estavam os seguintes Presbíteros: Sérgio e Gessy, da igreja local; e Lair, Valter e José Aparecido, da igreja do Vale do Sol. O Ministério de Louvor do Vale do Sol, sob a direção da jovem Camila, fez uma abertura muito abençoada. O Ministério de Coreografia El Shadday, também do Vale do Sol, dirigido pela irmã Kátia, teve também uma participação muito edificante. Em seguida, foi me dada a oportunidade; falei sobre o crescimento e expansão da IMW na Segunda Região; e preguei a Palavra de Deus.

Por tudo aquilo que vi, nesta reinauguração, senti em meu espírito que a obra wesleyana em Ipatinga viverá um novo tempo. Creio que o agir de Deus, através do ministério do Pastor Eduardo e de sua esposa Anna Paula, irá trazer um tempo de alegria e de paz para a igreja em Ipatinga - pelos anos em que ela foi tremendamente provada - devolvendo e sobrepujando os seus melhores dias, tanto em unção como em crescimento, para a Sua glória. Eu creio nisso! Na próxima postagem sobre este "giro", estarei relatando o culto dominical matutino na IMW do Vale do Sol; e o culto vespertino na IMW Central.

Cordialmente;
Bispo Calegari

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mundo de aparência

"29 Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; 30 E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; 31 E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa"
(1 Coríntios 7.29-31).

No mundo em que vivemos nem tudo é o que parece ser. Uns parecem ser tão mansos... Mas, não são! Outros parecem ser convertidos... Mas, não são! Existem também os que parecem ser sinceros... E não são! Pois é... Não precisamos ir longe, para ver que mundo de aparências e este nosso. Mundo em que se torna cada vez mais difícil sabermos realmente "quem é quem"!

E quanto mais convivemos com pessoas e damos importância as coisas - mais nos damos conta de que vivemos mesmo em um mundo de aparências. E existe um razão fundamental para que este seja um mundo de aparências: É que o mundo em que vivemos é um mundo de engano - mundo que procura sufocar a Palavra de Deus em nossa vida! "Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Marcos 4:19).

Necessidade de cautela

"3 E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; 5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos"
(Mateus 24.3-5).

A pergunta feita pelos discípulos - registrada no verso 3 - recebe de Jesus pronta resposta: O maravilhoso sermão escatológico; o qual abrange os capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus. E quando o Senhor Jesus inicia sua resposta aos discípulos, Ele chama sua atenção para o cuidado que precisamos ter com o espírito de engano (versos 4 e 5).

A Palavra de Deus recomenda muito cuidado com aqueles que vivem "3 sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, 4 traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te" (II Timóteo 3:3-5). Ela também nos orienta a afastar-nos de pessoas assim.

E o próprio Jesus procura chamar a nossa atenção para os frutos de um verdadeiro cristão; exortando-nos a atentar, não para a aparência, e sim para os frutos: "Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?" (Mateus 7:16). E deixa bem claro que aqueles que não produzem frutos, serão rejeitados: "Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo" (Mateus 7.19).

Jesus também adverte que Deus não se deixará levar pela aparência: "21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? 23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mateus 7.21-23). Que os obreiros que trabalham com cura e libertação atentem para isso!

Portanto precisamos ter cuidado com o nosso testemunho

E Ele também nos exorta a decidir que tipo de árvore queremos ser: "Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore" (Mateus 12:33). E conclui advertindo que é pelos nossos frutos que saberão se somos bons ou maus cristãos.

O Apóstolo Paulo denuncia a conduta dúbia de alguns cristãos que se apresentavam como fiéis - por guardarem os preceitos da lei; mas que deixavam a desejar, quanto ao seu caráter e testemunho cristão: "E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram" (Gálatas 2:6).

Mas... É assim mesmo! Este é o mundo em que vivemos. Daí a razão de sermos exortados a olhar as pessoas, não pelo que aparentam ser; amando-as e perdoando-as quando nos ofendem. Nos dedicando a sua salvação - mesmo que estejam na pior condição de miséria, opressão e maldade - por aquilo que elas valem aos olhos de Deus: Por isso, a Palavra adverte: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26).

Precisamos cumprir missão que Deus nos deu

Pois, se cumprirmos bem a nossa missão, pregando a Palavra de Deus e testemunhando de Jesus, muitos serão resgatados de sua vã maneira de viver. Pois, Deus nos faz lembrar que éramos assim, antes de conhecermos a Jesus: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais" (I Pedro 1:18).

Portanto precisamos saber que nem tudo está perdido! Mesmo estando rodeados de tanta maldade... A bondade continua a florescer! Mesmo vendo inúmeros cristãos vivendo uma vida sem fruto... A santidade pulula através daqueles que continuam vivendo com propósito! E, acima de tudo isso, temos o conforto de saber que Jesus continua salvando... E que o nosso Deus sempre sabe "quem é quem"!

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 2)

"1 Ó INSENSATOS gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? 2 Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3 Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? 4 Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5 Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?"
(Gálatas 3.1-6).

Antes de continuar com este importante assunto, quero aqui declarar que o meu objetivo não é criticar ou atacar aqueles que pensam diferente do que aqui exponho. Não mesmo! O meu único objetivo é - não atacar a Lei de Moisés, pela qual tenho o maior respeito - mas fazer a defesa da Graça que foi revelada em Jesus Cristo. E é com este único objetivo que esta mensagem é postada.

Quando examinamos a história do povo de Israel, percebemos que tanto sua religião, como a tradição dos antigos e seus usos e costumes - estão profundamente interligados com a Lei de Moisés; seja em seu aspecto substantivo, seja em seu aspecto adjetivo. Portanto, será inadmissível pensar em Israel (sua religião, nação e tradição) sem que se veja a Lei de Moisés como seu fundamento. Na verdade, fica claro em uma exegese fiel do Antigo Testamento, que os aspectos cerimoniais e morais estavam definitivamente ligados à lei e ao testemunho hebreu.

No entanto, se atentarmos para o modo como a Lei era interpretada e aplicada, tanto no desenvolvimento da nação como nos dias de Cristo, vamos perceber que o componente mais importante da lei - o qual deveria dar sentido a mesma - esteve sempre ausente: A espiritualidade; ou, o sentido espiritual em que ela se constituía em sua essência.

Esta foi a principal razão dos desvios de finalidade que marcaram profundamente a história de Israel ao longo dos séculos. E  muitos sacerdotes e profetas perderam suas vidas, por advertir os governantes e os sacerdotes quanto a esse desvio. Mais tarde Jesus lança em rosto dos doutores da lei, o triste fato de seus pais terem torturado e eliminado os profetas; cuja memória eles agora aclamavam.

E esta deve ter sido também a razão principal da intolerância transformada em ódio - tanto dos sacerdotes como dos doutores da lei - contra Jesus. Na verdade, Jesus só granjeou alguma simpatia desta classe quando, durante a sua adolescência, os impressionou com o conhecimento da lei que demonstrava ter. No entanto, a interpretação que lhe dava jamais fora vista com bons olhos pelos mesmos. E quando ele conceituou a lei, dando-lhe uma nova interpretação - mostrando o verdadeiro modo de praticá-la - granjeou inimigos mortais entre aqueles que se julgavam os seus guardiães.

Outro detalhe interessante encontrado na lei de Moisés, é o modo como o judaísmo dá destaque aos quatro elementos mais influentes na tradição religiosa e cultural dos judeus nos dias de Jesus: A exclusividade, o dízimo, a circuncisão e o sábado. E quando o Mestre procurou demonstrar-lhes o verdadeiro sentido destes quatro elementos, acabou atraindo para si a fúria daqueles que mais deveriam admirar e exaltar o seu ministério. E podemos ver isso com clareza - item por item - como se segue:

A questão da exclusividade

Realmente, os judeus, por ocasião da vinda de Jesus, viam a humanidade dividida entre judeus e gentios, considerando-se superiores a qualquer outro povo por se julgarem como povo exclusivo de Deus. No entanto, na parábola do fariseu e do publicano, Jesus demonstra que Deus não vê o ser humano como os judeus o viam, através da lente da Lei e da tradição eivada de preconceito:

"9 E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. 11 O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. 12 Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. 13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado"
(Lucas 18.9-14).

Ao combater as atitudes preconceituosas e exclusivistas dos judeus, o Apóstolo Paulo lança em seu rosto o fato de que - mesmo utilizando a lei como fundamento para o seu preconceito - eles nunca foram capazes de cumpri-la integralmente:

"17 Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 18 E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; 19 E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, 20 Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; 21 Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 22 Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 24 Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós"
(Romanos 2.17-24).

A questão do dízimo

Os líderes judeus tinham por costume, mesmo quando oravam, conferir a si mesmos uma espécie de atestado de fidelidade e autenticidade - alegando, inclusive, darem o dízimo de tudo. No entanto, Jesus adverte os escribas e fariseus - acusando-os de desprezar aquilo que era mais importante na lei: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas" (Mateus 23:23).

Neste texto, fica patente o legalismo que caracterizava o seu modo de verem as coisas, mesmo sob o foco da lei que tanto exaltavam. Os assuntos relacionados com o "espirito da lei" não eram levados em conta por eles. E justamente por falta de uma visão espiritual da lei, as maiores injustiças eram cometidas contra o próximo - tanto em nome da lei como em nome do próprio Deus!

A questão da circuncisão

No tocante a circuncisão, Jesus declara que esta prática fora por Moisés incorporada na lei - herdada da tradição dos pais. "Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?" (João 7:22-23).

Portanto, o que Jesus denuncia é que, para cumprir os dias determinados na lei para que um menino fosse circuncidado - no caso desse dia coincidir com o sábado - os sacerdotes praticavam no sábado uma atividade que o violava. Na verdade, Jesus procurava mostra-lhes, deste modo, que o ato de curar de um enfermo - pelo bem que lhe causava - justificava de igual modo a violação do sábado.

Com o trabalho realizado pela Igreja Primitiva, muitos líderes judeus se converteram a Cristo. Todavia, dentre eles, haviam aqueles que eram ferrenhos defensores do cumprimento da Lei de Moisés pelos gentios convertidos: "ENTÃO alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (Atos 15.1). Estes cristãos judaizantes procuravam ir após os pregadores do evangelho, para convencer os novos crentes que, além de aceitar a Cristo, era necessário guardar a Lei de Moisés.

O Apóstolo Paulo sofreu sérios ataques desses obreiros cristãos que tentavam a todo custo impor a circuncisão. Ele, inclusive, os chama de maus obreiros: "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão; porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne" (Filipenses 3:2-3). E conclama os cristãos gentios a não se deixarem circuncidar; afirmando que aqueles que servem a Deus em espirito é que são os verdadeiros circuncidados.

E na epístola aos Gálatas, na qual ele repudia com severidade a tentativa dos obreiros judaizantes de impor a observância da Lei de Moisés aos crentes gentios, ele demonstra que o importante não é ser circuncidado; e sim, viver, em Cristo, a fé que opera pelo amor: "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5:6).


Na epístola ao Romanos, o mesmo apóstolo indica qual é a verdadeira circuncisão: "25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. 26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? 27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará porventura a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei? 28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. 29 Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus" (Romanos 2.25-29).

A questão do sábado

Sendo os discípulos interpelados pelos fariseus por colherem espigas em dia de sábado, Jesus reprovou o legalismo daqueles que se julgavam únicos intérpretes e guardiães da Lei: "1 E aconteceu que, no sábado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam. 2 E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? 3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? 5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado" (Lucas 6.1-5). E também se declara Senhor de tudo - do sábado inclusive.

Aqueles que se tornaram seus inimigos, devido ao espirito de legalismo de que eram possuídos, discutiam entre si a pessoa singular de Jesus: "Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles" (João 9:16). Havia confusão entre eles mesmos.

Portanto, era as duas principais razões pelas quais os líderes religiosos arquitetavam a sua morte: "Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (João 5:18).

E triste ver até onde pode chegar um radicalismo eivado de preconceito e fanatismo. Na verdade, quando aquilo que a lei se propõe a transmitir - o amor, a misericórdia e a fé - é sufocado; em seu lugar cresce um sentimento religioso despido do "sentimento de Cristo". Não há como viver segundo a vontade de Deus sem espiritualidade; ou, sem a presença do Espírito Santo na vida.

Antes de concluir esta mensagem, deixo o texto abaixo como fonte de consulta - para que se saiba que todos os homens estão debaixo do pecado; e que a justificação só é possível pela fé em Jesus Cristo, não pelas obras da lei:

"9 Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; 10 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. 11 Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. 12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. 13 A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; 14 Cuja boca está cheia de maldição e amargura. 15 Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. 16 Em seus caminhos há destruição e miséria; 17 E não conheceram o caminho da paz. 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos. 19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. 20 Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. 21 Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; 22 Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença"
(Romanos 3.9-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A natureza geme

"18  Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 19  Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. 20  Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, 21  Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22  Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. 23  E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8.18-23).

No dia primeiro deste, postei uma mensagem intitulada "O mundo não acabou". Senti, que nesta reflexão, o Senhor me levou a vislumbrar uma cadeia sucessiva de acontecimentos até certo ponto previstos - tanto pela ciência como pelo observador comum. Na verdade, a humanidade inteira, com raras exceções, olha com um misto de esperança e apreensão os dias vindouros. E os cristãos mais atentos às Escrituras devem supor que este sistema está prestes a ruir.

Pois bem; na postagem acima referida, deixei transparecer alguns "mas..." - relacionados ao desgaste progressivo dos diversos elementos que se constituem em dádiva de Deus a um mundo carente; para que ele desfrutasse de todas estas riquezas sob a forma de clima, estações do ano, mananciais abundantes, grandes florestas e oceanos aparentemente inesgotáveis. Riquezas estas que os homens, salvo poucas exceções, nunca reconheceram como Seu beneplácito.

E, neste momento, o novo ano já nos recebe com algumas catástrofes em vários lugares do planeta. Todavia, nós aqui no Brasil, não precisamos ir muito longe para assistir a alguns horrores. Se os iraquianos e os afegãos têm os seus homens-bomba... se algumas nações árabes têm os seus ditadores de plantão, forjando meios de fazer sofrer ainda mais os seus súditos... Se a Coreia do Norte tem o seu louco regime plenipotenciário...

Nós temos também os nossos motivos de preocupação, mesmo em contexto diferente (secas, enchentes, deslizamentos, corrupção crescente, leis injustas). Portanto, posso afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que nós podemos podemos ouvir os gemidos da natureza!

E a natureza inteira geme 

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora"
(Romanos 8.22).

E seus gemidos aumentam de ritmo e de volume a cada dia. O ribombar dos terremotos e vulcões podem ser ouvidos a longa distância, sem que os homens possam fazer alguma coisa para conter a sua fúria. Eles se fazem ouvir nos quatro cantos da terra, derrubando ou incinerando tudo a sua volta - mesmo em lugares em que não era comum o seu aparecimento.

E seus gemidos podem também ser ouvidos no rugir das ondas do mar e no zumbido assustador dos tornados e furacões. E não há como estabelecer limites para estas forças da natureza, de modo a que não invadam cidades costeiras com suas temidas tsunami; ou mesmo impedir os seus tornados de levar literalmente para o espaço casas, objetos, animais e pessoas.

E seus gemidos chegam bem perto de nós, através das cheias dos nossos rios e igarapés; e dos deslizamentos das nossas encostas; fazendo com que um simples ribeiro serpenteando o vale, se torne repentinamente em um caldal de água e lama, que a leva tudo pela frente - sem que possamos fazer muito mais do que lutar com bravura para salvar a família e a própria vida.

E a própria natureza também ouve os nossos gemidos

"E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo" 
(Romanos 8.23).

Os gemidos humanos são oriundos de três principais fontes: Existem os gemidos daquela parte da humanidade que vive sem esperança. Existem também os gemidos de uma outra parte da humanidade baseada em falsas esperanças. E, existem os gemidos daqueles cuja força está no Deus verdadeiro e cuja esperança está em Cristo. As Escrituras os denominam de "nossos gemidos".

Os gemidos da humanidade sem esperança são emitidos por aqueles que não crêem em vida após a morte. Portanto, sem esperança alguma de vida eterna, são obrigados o buscar conforto em seu carma. Justificam sua recompensa e castigo - como algo ligado ao seu destino. Para estes, a morte é o único conforto possível para uma vida sem futuro.

Já os gemidos da humanidade ligada a esperanças infundadas, são os gemidos daqueles que baseiam-se em falsos pressupostos. Dentre eles, estão os que crêem na reencarnação, certos de que retornarão em outro corpo - ignorando que depois da morte vem o juízo (Hebreus 9:27). Existem os que querem se salvar por seus próprios meios; e os adeptos de falsas religiões (induísmo, budismo, animismo, islamismo, espiritismo, mormonismo, etc.), em um mundo saturado de falsos deuses.

Mas existem também os gemidos daqueles que acreditam no Deus verdadeiro.O Deus da Bíblia! O Deus dos patriarcas, dos apóstolos e dos profetas! O Pai, que nos amou de tal maneira; que enviou o Seu filho unigênito para que por Ele sejamos salvos da perdição eterna (João 3.16); e, nos enviou o Seu Espírito Santo, que testifica de Jesus (João 15.26). Êle nos guiará na verdade e nos ensinará o que há de vir (João 16.13), para que não sejamos enganados!

O que é diferente em nosso gemido 

Existe, de fato, uma diferença nos gemidos daqueles que - inconformados com este mundo - vivem a espera de dias melhores! A diferença está no motivo: "E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu" (II Coríntios 5:2). Gememos, esperando a redenção do nosso corpo - baseados na certeza de que Deus nos ouve... "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?" (Lucas 18:7).

E, enquanto os gemidos se multiplicam 

Ficamos a espera do glorioso dia da vinda do Senhor Jesus, atentos a exortação da Palavra de Deus que diz: "ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.1-2).

E, nesta espera, os nascidos de novo em Cristo Jesus, não terão o menor problema quanto a passagem do tempo; uma vez que o tempo é nosso aliado nessa bendita esperança; "PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (II Coríntios 5:1). Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Devo testemunho cristão a minha família

O testemunho cristão e a família

Ontem, enquanto postava uma pastoral no facebook sobre a importância do testemunho cristão no lar, procurei entender o "por que" de tantos problemas em lares cristãos. Cheguei a conclusão de que, na maioria dos casos, não são problemas relacionados a falta de amor genuíno os principais causadores das desavenças e desenlaces no meio cristão.

Estou convencido de que a principal causa é a não aplicação dos princípios bíblicos no relacionamento conjugal e familiar. Na verdade, quando a Palavra de Deus não é levada em conta na vida familiar e nos projetos a ela relacionados, até mesmo cristãos verdadeiramente comprometidos com Deus podem ver a sua família submergir nas águas turvas de um lar sem bíblia - portanto, sem rumo.

O lar é a nossa fortaleza e também o nosso elo mais fraco

Creio que não existe lugar mais importante do que o nosso lar, para sermos um verdadeiro exemplo de cristãos, pelo simples fato de termos ali o nosso cônjuge e os nossos filhos; enfim, as pessoas que mais amamos nesta vida. Entretanto, como é no lar que nos despimos de formalidades e daquelas condutas sociais vistas como para "consumo externo", acabamos por ficar vulneráveis nele.

Na verdade, o ambiente familiar é o lugar em que nos tornamos nós mesmos por inteiro, sem necessidade de máscaras ou de encenação! E, devido a isso, nossas fraquezas ficam expostas - justamente por nos sentirmos mais a vontade e nos descuidarmos da vigilância. Todavia, a Palavra nos exorta a orar e vigiar sem cessar! E isso inclui também o ambiente familiar.

O lar - laboratório para prática do testemunho cristão

Por tudo aquilo que tenho visto ao longo dos anos, estou certo de que o lar é o mais importante laboratório para que um cristão possa amadurecer o seu testemunho cristão. Tenho chegado a conclusão que o cristão que conseguir praticar os princípios da Palavra de Deus em seu próprio lar; também estará preparado para demonstrar um testemunho de vida transformada em qualquer outro lugar em que se encontre. É que não existe lugar mais desafiador para um cristão do que o próprio lar. 

Devo testemunho cristão a minha família 

Devo testemunho cristão a minha família, porque o próprio Jesus exortou o gadareno liberto a que desse testemunho em sua casa: "Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o SENHOR te fez, e como teve misericórdia de ti" (Marcos 5.19).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o meio mais importante de levar o próprio Jesus a agir em meu lar, levando cura aos meus queridos: "E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva" (Marcos 5.23).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é o melhor meio de abençoar o meu lar, compartilhando alegria e paz; desfrutando de comunhão e alegria com meu cônjuge: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade" (Provérbios 5:18).

Devo testemunho cristão a minha família, porque é antídoto contra a deslealdade - algo que Deus abomina: "E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança" (Malaquias 2:14).

O testemunho cristão ajuda nos deveres domésticos

Quando damos um testemunho cristão no seio da família, nos tornamos facilitadores da prática dos princípios para convivência saudável - apresentados como deveres domésticos no texto seguinte:

"VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor"
(Efésios 6.1-4).

Enfim... Devo testemunho cristão a minha família, porque o testemunho cristão é a base essencial para demonstrar aos meus familiares, que os amo de verdade!

Para encerrar esta pastoral, apresento o texto de Efésios - utilizado em muitas cerimônias de casamento - um dos mais profundos na abordagem do relacionamento "marido e esposa": 

"22 Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; 23 Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. 24 De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. 25 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27 Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28 Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29 Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; 30 Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. 31 Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. 32 Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. 33 Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido"
(Efésios 5.22-32).

Cordialmente;
Bispo Calegari

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vida Espiritual

Desde que me entendo por crente, tenho procurado pensar em minha vida espiritual. Tenho aprendido na Palavra de Deus, que ter vida espiritual não é simplesmente ter uma posição religiosa ou ideológica. Também não é adquirir uma experiência espiritual qualquer. Tampouco a conscientização doutrinária adquirida por meio de um discipulado ou de uma catequese. Todavia, tenho pensado bastante na importância de se ter vida espiritual.

Não é necessário sermos grandes observadores, para percebermos que o mundo em que vivemos é um mundo declaradamente contra Deus e Sua Palavra. E esta atitude de rebelião contra Deus não é um fenômeno existente apenas em alguns Países ou em um determinado Continente. Não mesmo! É, na verdade, uma tendência universal e crescente. E não me refiro a conflitos religiosos simplesmente. Sei que existe intolerância assustadora em algumas religiões.

Todavia, a rebelião contra Deus a que me refiro, não tem motivação religiosa; e, se tem, é algo que não se percebe. Na verdade, assim como cresce o percentual de cristãos nominais e de crentes desviados; o percentual de não religiosos também vem crescendo. Muitos, para não declararem abertamente a sua condição de ateus, declaram-se "sem religião". E isso acontece no mundo inteiro - com maior incidência no mundo ocidental - especialmente no continente europeu.

Sei também que existe em cada um de nós, uma forte tendência de buscar, por todos os meios possíveis, satisfazer alguns desejos egoístas nossos; mesmo que, para isso, tenhamos que violar os direitos de outras pessoas. Percebo que, em nossa condição de cristãos, quando desejamos demais alguma coisa - nossa primeira atitude é nos auto-convencer de que aquilo que desejamos é da vontade de Deus; mesmo que o objeto do nosso desejo seja algo contrário à Palavra de Deus.

Posso dar alguns exemplos: Se desejamos muito um carro, tentamos nos convencer de que é Deus que nos inspira tal desejo. Se desejamos muito um relacionamento com alguém, mesmo em aventura extra-conjugal, procuramos justificar tamanha loucura - vendo-a como algo da vontade de Deus. Enfim... Temos uma forte tendência de tentar fazer de Deus o nosso cúmplice em algo que nossa vontade ambiciona - atribuindo a Ele a autoria do nosso desejo!

Tenho mesmo pensado em minha vida com Deus! E, ciente da pressão exercida por minha natureza rebelde, chego a conclusão de que o único modo de escapar às armadilhas do sentimento e da vontade; é submeter aquilo que sinto e que desejo aos ensinos da Palavra de Deus. Se ela abonar o meu sentimento, tudo bem. Em caso contrário, devo abrir mão do meu próprio desejo e da minha própria vontade - sujeitando-me inteiramente a Deus e à Sua Palavra. Isto sim é ter vida espiritual!

Cordialmente;
Bispo Calegari

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 1)

A inconstância dos gálatas
Paulo vindica a autoridade divina do seu apostolado e da sua doutrina

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10  Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. 11  Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" 
(Gálatas 1.6-12).

Os dias de hoje são marcados por crescente confronto. E este confronto ocorre em todos os sentidos, seja militar ou civil, político ou religioso, santo ou profano. Mas esta atmosfera não traz novidade alguma em sua esteira. A Palavra de Deus adverte que os últimos dias seriam mesmo assim.

E nesta postagem, quero chamar a atenção daqueles que seguem e acessam o meu blog, para um confronto que vem permeando a vida da Igreja de Cristo ao longo dos séculos - desde os dias primitivos da Igreja: O confronto entre a Lei e a Graça! Eu entendo, à luz das Escrituras, que este tipo de conflito, por parte daqueles que desejam seguir a Jesus,  já não deveria mais existir - devido ao posicionamento claro, tanto do próprio Jesus, como dos apóstolos, concernente a este assunto.

É lamentável dizer que este confronto soa como se estivessem sendo pregados dois evangelhos - o Evangelho da Lei e o Evangelho da Graça. Aliás, é exatamente assim que o Apóstolo Paulo se expressa, ao se referir às obras da Lei como "outro evangelho". E com esta palavra, ele proclama como verdadeiro, o evangelho da Graça!

Introduzindo o assunto

Para melhor entendermos este ponto, é necessário que saibamos que a Lei está relacionada com o pacto de Deus com Israel; assim como a Graça está relacionada com o Pacto de Deus com a Igreja. Na verdade, jamais haveria lugar para os gentios, entre aqueles que estão sob Lei - os judeus - salvo em casos especiais e raros.

Portanto, o ser humano não é salvo pelas obras da Lei; e sim, pela Graça. É interessante notarmos que estas duas dádivas (lei e graça) foram concedidas em duas alianças distintas: A "Aliança do Sinai" e a "Aliança do Calvário". Na Aliança do Sinai, a Lei foi dada por Moisés, para um povo específico: O povo judeu. Já na Aliança do Calvário, a Graça foi dada por Jesus Cristo, para todo aquele que nele crer. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17).

É importante frisarmos que, sob a vigência da Lei, o homem só poderia ser salvo se cumprisse integralmente as obras da Lei - algo impossível, visto que a lei estava enferma pela carne: "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3). Já sob a vigência da Graça, o ser humano é salvo pela graça, mediante a fé. Resumindo: A Lei tem tudo a ver com obras; enquanto, a Graça tem tudo a ver com fé.

A Lei denuncia o pecado e condena o transgressor

A Palavra de Deus nos ensina que homem algum poderá ser justificado pela Lei; pois, esta não é a sua finalidade. "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gálatas 3.11). Portanto, o objetivo da Lei não é salvar; e sim, trazer o conhecimento do pecado. "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Romanos 7.7).

Como o objetivo da Lei era denunciar a transgressão - e não justificar o pecador - ela jamais poderia salvar. "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gálatas 2.16). Fica, então, patente que a Lei mostrou-se incapaz de salvar os que a ela se apegam. Exceção feita àqueles seguidores que fossem capazes de guarda-la plenamente - algo improvável.

Ao se referir aos que buscam justificar-se pelas obras da Lei, a Palavra de Deus afirma que "todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3.10). E é muito importante que aqui se diga: Não é a Lei que amaldiçoa aqueles que buscam sua cobertura - e sim, o fato de buscarem justificar-se nela; todavia, sem terem condição de cumpri-la integralmente.

A Graça reconhece o pecado mas redime o pecador arrependido

Mas, com relação a Graça, a Palavra de Deus declara: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8). No livro de Atos cap. 15, encontramos o relato de um perigoso conflito provocado pela ida de alguns cristãos judaizantes a Antioquia; onde crescia uma abençoada comunidade cristã gentílica. Eles pretendiam impor os ensinos de Moisés, causando confusão entre os crentes gentios (v. 1). Após acirrada discussão, Paulo e Barnabé resolveram levar este assunto aos apóstolos (v. 2).  Em Jerusalém, ao discutirem o assunto, Pedro faz a defesa da Graça revelada aos gentios - denunciando o jugo da Lei; o qual nem os seus ancestrais conseguiram suportar (v. 7 a 10).

Quando Tiago, que presidia aquela assembléia, toma a palavra; assim se pronuncia: "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas" (Atos 15.19-21). Neste texto, Tiago deixa bem claro que o ensino da Lei de Moisés era do interesse dos judeus; e continuaria sendo feito nas sinagogas - lugar onde os judeus se reuniam; mas que os cristãos gentios deveriam ser ensinados de outro modo.

Lemos também, na Palavra de Deus, que "a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17). Quando se proclama nas Escrituras que a "graça e a verdade vieram por Jesus Cristo"; o propósito não é afirmar que a Lei não era verdadeira; e sim, que a verdade plena de Deus é revelada somente pela graça. Não existe outro meio de sermos salvos, a não ser pela graça de Deus. E a lei é inoperante neste processo. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum" (Romanos 6.14-15).

Encerrando esta primeira parte

Na Antiga Aliança, sob a vigência da Lei, os judeus tinham os mandamentos de Deus gravados em tábuas de pedra. Na Nova Aliança, sob a vigência da Graça, os cristãos tem os mandamentos de Deus gravados nas tábuas de carne do coração: "Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (II Coríntios 3:3).

Sob a vigência da Lei, era necessário que se fizesse sacrifício todos os anos, com a morte de animais, sem que isso pudesse de fato purificar os pecados (Hebreus 9.3-4). Sob a vigência da Graça, Jesus morreu apenas uma vez, para nos resgatar de todos os nossos pecados: "Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação" (Hebreus 9.28).

Para finalizar esta primeira parte; sinto-me em condição de afirmar que Deus, em Seu plano de redenção, tem compromisso com dois povos: O povo judeu - povo da Antiga Aliança - que é o "Israel material"; e, o povo cristão (Igreja) - povo da Nova Aliança - que é o "Israel espiritual". E, destes dois povos, Deus faz UM - não pelas obras da lei; mas, pela graça. A Palavra declara que Cristo, pelo Seu sangue, desfez a inimizade criada pela "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças"; pela cruz matando as inimizades e reconciliando ambos com Deus. Deixo, para confirmar aquilo que digo, o seguinte texto:

Os gentios e os judeus são unidos por Deus pela cruz de Cristo

"11 Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; 12 Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. 13 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 16 E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. 17 E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; 18 Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. 19 Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; 20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21 No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22 No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito."
(Efésios 2.11-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

45 anos de história

Hoje faz 45 anos! Isso mesmo! 5 de janeiro de 1967: O dia em nasceu a Igreja Metodista Wesleyana! Tudo aconteceu no pátio da Fundação Getúlio Vargas - na cidade de Nova Friburgo. As 14 horas de um dia como este, um pequeno grupo de metodistas se reuniu, sob a direção dos pastores: Idelmício Cabral dos Santos e Waldemar Gomes de Figueiredo. A pequena ponte ali existente foi o local exato - hoje histórico - da famosa "reunião da ponte".

O pequeno grupo de metodistas que ali se reuniu, estava descontente a algum tempo. E seu descontentamento fora provocado por duas razões básicas: Em primeiro lugar, o distanciamento da liderança daquele tempo ao movimento pentecostal. Em segundo lugar, com a própria espiritualidade (ou falta dela) do povo chamado metodista - inclusive eles mesmos - naquele tempo bastante influenciado pelo  ecumenismo e pela Teologia da Libertação.
 
Este pequeno grupo incluía clérigos e leigos; os quais estavam irmanados em um mesmo sentimento: O desejo de receber o batismo com o Espirito Santo e desfrutar dos dons espirituais mencionados na Palavra de Deus. Na verdade, eles não desejavam retirar-se da Igreja mãe; mas, sim, servir a Deus sob a égide do avivamento espiritual - com cânticos espirituais e orações pelos enfermos. Portanto, o seu descontentamento nada tinha a ver com a questão organizacional ou o sistema de governo. Mas, sim, a falta de metas espirituais e evangelísticas por parte de seus líderes.

Não tive a honra de participar deste começo. É que, na mesma época em que a IMW nascia, eu me encontrava em regime interno - no Colégio de Cadetes do Exército de Salvação - preparando-me para o ministério. Ao formar-me, em janeiro de 1968, fui enviado para pastorear na cidade de Campos/RJ. E foi lá que conheci alguns líderes desta Denominação, em um Encontro de Renovação Espiritual. Convivendo e conversando por alguns dias com eles, cheguei a conclusão que esta seria uma boa Igreja para que eu pudesse desenvolver o meu ministério e constituir minha família.

Em agosto de 1969, já estava servindo a Deus sob a bandeira wesleyana; tendo sido formalmente recebido como seu obreiro em janeiro de 1970. Portanto, neste dia, posso afirmar que tenho sido um daqueles milhares e milhares abençoados pelo trabalho dedicado que vem sendo feito por esta Igreja, através de seus pastores e membros, ao longo destes 45 anos. Isso mesmo! Tenho motivos de sobra para louvar a Deus pela Igreja Metodista Wesleyana!

Cordialmente;
Bispo Calegari

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Orçamento familiar II

Parábola acerca da previdência

"28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29 Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz" 
(Lucas 14.28-32).

Como eu afirmei na primeira parte deste artigo, recordo-me que meus primeiros anos no ministério, foram anos muito difíceis. Lembro-me muito bem que nossa preocupação material estava relacionada ao comer. E, mesmo assim, o básico dos básicos (arroz, feijão e alguma verdura). Carne e outros "exageros", só uma vez ou outra.

Ah... Esta foi muito interessante: Quando fui nomeado para plantar a IMW em solo português (lembro-me como se fosse hoje), embarquei no Aeroporto do Galeão por volta das 22 horas do dia 17 de setembro de 1978. Fui sozinho; pois, Celia e as crianças só iriam em novembro. Como eu não sabia o que iria encontrar por lá, não queria envolvê-los em minhas dificuldades iniciais.

O Pastor Jose Ribeiro (naquela altura, um jovem com cerca de 18 anos) foi sempre um grande companheiro. Nos conhecemos em Lisboa, na casa do Capitão Paulo Franke, do Exército de Salvação, amigo de longa data. Ali mesmo nasceu um discipulado que nunca chegou a ser concluído. Ele me acompanhou para Aveiro, residindo conosco durante mais de dois anos. Nas primeiras semanas, ficamos em casa de um irmão que nos ajudou muito, tornando-se mais tarde um dos pastores da IMW portuguesa (Pastor Joaquim Soares).

Todavia, o ponto que quero destacar nesta introdução é o seguinte: Antes de Celia embarcar com as crianças, no cais do porto da Praça Mauá - Rio de Janeiro; mandei-lhe uma carta, orientando: "Traga na bagagem 40 kg de arroz, 20 kg de feijão, 10 kg de açúcar e 5 kg de café. Os dias que iremos passar por aqui serão muito difíceis; e, não sei quando vão melhorar." Ela atendeu ao meu pedido; e, assim, tivemos provisão para muitos dias de "vacas magras".

O obreiro deve se preparar para os "dias maus"

Ao observarmos o modo como alguns obreiros esbanjam dinheiro, ficamos estarrecidos. "Será que não percebem que este tempo de fartura pode acabar?" Não é uma questão de fé; é sim, uma questão de previdência. Isso mesmo! O servo do Senhor precisa ser previdente, para que os maus dias não o peguem desprevenido. Geralmente, alguns obreiros que conhecemos - revoltados com a sua fraca condição financeira - nunca se preocuparam com economia.

É triste vermos irmãos afundados em dívidas (a dívida do carro novo; a dívida da roupa nova; a dívida do salão de beleza). Alguns devem até mesmo a comida que comeram no mês anterior. O princípio da estabilidade econômica impõe que, em tempo de abundância, devemos economizar, gastando apenas o necessário; e, mesmo assim, em algo que seja necessário.

Quero aqui declarar - sem pôr em dúvida o poder de Deus para nos socorrer - que é temerário ficarmos nos atolando em dívidas desnecessárias; e depois ficarmos implorando a Deus para "pagar as nossas contas". O reino de Deus é um reino de princípios. E quero aqui ensinar um valioso princípio do reino de Deus: A prosperidade não vem apenas pelo ganho ou pela fidelidade para com Deus. Ela vem também pelo senso de economia!

E mesmo a prosperidade que se recebe por fidelidade de Deus não resiste por muito tempo ao consumo exagerado daqueles que a possuem. A natureza consumista é tão inimiga da prosperidade, quanto a infidelidade ao Senhor. Portanto, se queremos ser prósperos, não devemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. Este é um passo muito importante para chegarmos ao futuro risonho que almejamos.

O obreiro não deve "amar o dinheiro" 

Em nossa condição humana, convivemos com dúvidas concernentes a diversos assuntos que envolvem a nossa existência. Na verdade, o ser humano vive cercado de indagações que jamais terão resposta nesta vida. No entanto, dentre as certezas que já possuímos, não podemos ignorar a de que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (I Timóteo 6:10).

Jesus adverte quanto ao perigo da avareza, ao usar como referência a história do homem rico; que falava consigo mesmo: "E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus" (Lucas 12.19-21). Neste texto, Jesus deixa bem claro que nossas maiores riquezas são as espirituais.

O obreiro deve se adequar aos seus rendimentos

É muito comum vermos servos e servas de Deus procurando viver "a vida dos outros". Se alguém compra uma nova mobília, eles decidem também comprar. Se alguém compra um carro novo, eles fazem imensas dívidas, para também comprar. Vivem sempre de olho no padrão de vida de alguém que tentam igualar ou superar. É triste este tipo de vida. Uma verdadeira prisão!

Precisamos aprender com a Palavra de Deus. E ela nos ensina que não devemos ambicionar aquilo que está acima das nossas posses. Pelo contrário, diz ela, "sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Outro princípio do reino de Deus é que, devemos aprender a nos contentar e dar graças a Deus por aquilo que temos.

Ao ministrar sobre o discípulo carregar a sua cruz e segui-lo, Jesus adverte que nada justifica colocarmos em risco a nossa alma: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mateus 16:26). Geralmente, a falta de planejamento financeiro na economia do lar pode colocar em risco a nossa própria alma.

O obreiro deve ter sua prioridade-mor

Todo servo e serva de Deus deve estabelecer uma relação de prioridades. E, uma vez que tenha feito isso, deve colocar como sua prioridade nº 1, que é o princípio do Reino de Deus baseado neste texto: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). Aprendemos aqui que, se queremos ter sucesso em algo que fazemos, precisamos buscar o reino de Deus em primeiro lugar.

Existem ocasiões em que precisamos acordar e perceber que nos desviamos do "primeiro amor". É muito comum, nos dias de hoje, vermos obreiros que estão agindo bem diferente do modo como iniciaram sua carreira ministerial. E quando descobrimos seus motivos, chegamos a conclusão de que olharam na direção errada. Em suma, escolheram modelos errados para imitar. E, devido a isso, começam a naufragar em seu ministério. É muito triste isso!

Conclusão

Quando postei a mensagem "Orçamento Familiar I", procurei deixar claro que o meu objetivo é advertir quanto ao perigo do consumismo e, ao mesmo tempo, falar sobre a necessidade de administrarmos bem os recursos - poucos ou muitos - que o Senhor coloca em nossas mãos. E, ao dar por encerrado este assunto, quero afirmar que existem dois tipos de futuro a nossa espera: O futuro risonho e o futuro incerto. E o modo como agirmos em relação aos princípios aqui alinhavados é que vai determinar qual o futuro que teremos quando chegarmos à jubilação.
"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" 
(Mateus 25:21).

Cordialmente;
Bispo Calegari