sábado, 7 de janeiro de 2012

Lei ou Graça (parte 1)

A inconstância dos gálatas
Paulo vindica a autoridade divina do seu apostolado e da sua doutrina

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10  Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. 11  Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" 
(Gálatas 1.6-12).

Os dias de hoje são marcados por crescente confronto. E este confronto ocorre em todos os sentidos, seja militar ou civil, político ou religioso, santo ou profano. Mas esta atmosfera não traz novidade alguma em sua esteira. A Palavra de Deus adverte que os últimos dias seriam mesmo assim.

E nesta postagem, quero chamar a atenção daqueles que seguem e acessam o meu blog, para um confronto que vem permeando a vida da Igreja de Cristo ao longo dos séculos - desde os dias primitivos da Igreja: O confronto entre a Lei e a Graça! Eu entendo, à luz das Escrituras, que este tipo de conflito, por parte daqueles que desejam seguir a Jesus,  já não deveria mais existir - devido ao posicionamento claro, tanto do próprio Jesus, como dos apóstolos, concernente a este assunto.

É lamentável dizer que este confronto soa como se estivessem sendo pregados dois evangelhos - o Evangelho da Lei e o Evangelho da Graça. Aliás, é exatamente assim que o Apóstolo Paulo se expressa, ao se referir às obras da Lei como "outro evangelho". E com esta palavra, ele proclama como verdadeiro, o evangelho da Graça!

Introduzindo o assunto

Para melhor entendermos este ponto, é necessário que saibamos que a Lei está relacionada com o pacto de Deus com Israel; assim como a Graça está relacionada com o Pacto de Deus com a Igreja. Na verdade, jamais haveria lugar para os gentios, entre aqueles que estão sob Lei - os judeus - salvo em casos especiais e raros.

Portanto, o ser humano não é salvo pelas obras da Lei; e sim, pela Graça. É interessante notarmos que estas duas dádivas (lei e graça) foram concedidas em duas alianças distintas: A "Aliança do Sinai" e a "Aliança do Calvário". Na Aliança do Sinai, a Lei foi dada por Moisés, para um povo específico: O povo judeu. Já na Aliança do Calvário, a Graça foi dada por Jesus Cristo, para todo aquele que nele crer. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17).

É importante frisarmos que, sob a vigência da Lei, o homem só poderia ser salvo se cumprisse integralmente as obras da Lei - algo impossível, visto que a lei estava enferma pela carne: "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3). Já sob a vigência da Graça, o ser humano é salvo pela graça, mediante a fé. Resumindo: A Lei tem tudo a ver com obras; enquanto, a Graça tem tudo a ver com fé.

A Lei denuncia o pecado e condena o transgressor

A Palavra de Deus nos ensina que homem algum poderá ser justificado pela Lei; pois, esta não é a sua finalidade. "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gálatas 3.11). Portanto, o objetivo da Lei não é salvar; e sim, trazer o conhecimento do pecado. "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Romanos 7.7).

Como o objetivo da Lei era denunciar a transgressão - e não justificar o pecador - ela jamais poderia salvar. "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gálatas 2.16). Fica, então, patente que a Lei mostrou-se incapaz de salvar os que a ela se apegam. Exceção feita àqueles seguidores que fossem capazes de guarda-la plenamente - algo improvável.

Ao se referir aos que buscam justificar-se pelas obras da Lei, a Palavra de Deus afirma que "todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3.10). E é muito importante que aqui se diga: Não é a Lei que amaldiçoa aqueles que buscam sua cobertura - e sim, o fato de buscarem justificar-se nela; todavia, sem terem condição de cumpri-la integralmente.

A Graça reconhece o pecado mas redime o pecador arrependido

Mas, com relação a Graça, a Palavra de Deus declara: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8). No livro de Atos cap. 15, encontramos o relato de um perigoso conflito provocado pela ida de alguns cristãos judaizantes a Antioquia; onde crescia uma abençoada comunidade cristã gentílica. Eles pretendiam impor os ensinos de Moisés, causando confusão entre os crentes gentios (v. 1). Após acirrada discussão, Paulo e Barnabé resolveram levar este assunto aos apóstolos (v. 2).  Em Jerusalém, ao discutirem o assunto, Pedro faz a defesa da Graça revelada aos gentios - denunciando o jugo da Lei; o qual nem os seus ancestrais conseguiram suportar (v. 7 a 10).

Quando Tiago, que presidia aquela assembléia, toma a palavra; assim se pronuncia: "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas" (Atos 15.19-21). Neste texto, Tiago deixa bem claro que o ensino da Lei de Moisés era do interesse dos judeus; e continuaria sendo feito nas sinagogas - lugar onde os judeus se reuniam; mas que os cristãos gentios deveriam ser ensinados de outro modo.

Lemos também, na Palavra de Deus, que "a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17). Quando se proclama nas Escrituras que a "graça e a verdade vieram por Jesus Cristo"; o propósito não é afirmar que a Lei não era verdadeira; e sim, que a verdade plena de Deus é revelada somente pela graça. Não existe outro meio de sermos salvos, a não ser pela graça de Deus. E a lei é inoperante neste processo. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum" (Romanos 6.14-15).

Encerrando esta primeira parte

Na Antiga Aliança, sob a vigência da Lei, os judeus tinham os mandamentos de Deus gravados em tábuas de pedra. Na Nova Aliança, sob a vigência da Graça, os cristãos tem os mandamentos de Deus gravados nas tábuas de carne do coração: "Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (II Coríntios 3:3).

Sob a vigência da Lei, era necessário que se fizesse sacrifício todos os anos, com a morte de animais, sem que isso pudesse de fato purificar os pecados (Hebreus 9.3-4). Sob a vigência da Graça, Jesus morreu apenas uma vez, para nos resgatar de todos os nossos pecados: "Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação" (Hebreus 9.28).

Para finalizar esta primeira parte; sinto-me em condição de afirmar que Deus, em Seu plano de redenção, tem compromisso com dois povos: O povo judeu - povo da Antiga Aliança - que é o "Israel material"; e, o povo cristão (Igreja) - povo da Nova Aliança - que é o "Israel espiritual". E, destes dois povos, Deus faz UM - não pelas obras da lei; mas, pela graça. A Palavra declara que Cristo, pelo Seu sangue, desfez a inimizade criada pela "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças"; pela cruz matando as inimizades e reconciliando ambos com Deus. Deixo, para confirmar aquilo que digo, o seguinte texto:

Os gentios e os judeus são unidos por Deus pela cruz de Cristo

"11 Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; 12 Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. 13 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 16 E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. 17 E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; 18 Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. 19 Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; 20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21 No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22 No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito."
(Efésios 2.11-22).

Cordialmente;
Bispo Calegari

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