domingo, 20 de novembro de 2011

Praia deserta

Nesta manhã, quando eu orava a Deus, consegui vislumbrar uma cena especial. Na verdade, não posso afirmar que tenha sido uma visão plena; pois, é sempre um relance. Mas, foi este vislumbre que me inspirou a postar a história que se segue:

"Era uma vez... Uma praia deserta em uma noite parcialmente iluminada pela luz da lua. Um grupo de amigos, seguidores de uma nova religião, estava ali. Sentados, cabisbaixos - olhos fixos no horizonte... Tentando entender os acontecimentos que marcaram definitivamente suas humildes vidas. Enquanto isso, as marolas do grande lago - também chamado de "mar de Tiberíades" - chegavam mansamente, em movimento cadenciado, espumando nas areias daquela praia deserta.

E então... O que faremos agora? Alguém tem um plano "B"? Isso mesmo: Um plano B; posto que o plano "A" se desfizera - em uma semana de intenso sofrimento produzido por um julgamento forjado; que condenou à morte o seu Mestre e Senhor, sob cruel tortura. O quadro clínico do frágil grupo, era de stress crescente. Seu líder espiritual - carismático e convincente - morrera e fora sepultado. Fato consumado! E, pensando deste modo, não havia muito mais o que fazer. Esperança frustrada... Sonhos desfeitos... E aquela branca e intermitente espuma produzia um som de coisa alguma. Eles estavam sozinhos... Ou, pelo menos, assim pensavam.

O mais velho dentre eles - homem de palavra fácil e de humor imprevisivel - tomou a iniciativa: Vou pescar! Nós vamos contigo - respondem em tom submisso os demais - sem muita convicção quanto ao que iriam fazer. O velho barco, a algum tempo ancorado e sem uso, singraria novamente aquelas águas. Águas que foram palco de cenas sobrenaturais, protagonizadas por seu misterioso Líder; cujas cenas por eles testemunhadas, seriam dentro em breve imortalizadas. E lá se foram, sem um destino certo, lançando suas redes aqui e ali... Talvez a procura de nada; ou, então, algo muito distante daquele lugar.

Enquanto a lua se recolhia, um misterioso personagem ocupava o lugar ainda marcado por seus assentos. Ele os contemplava de pé - ainda sob a penumbra de um amanhecer não concluído. Tendes algo para comer? Pergunta o estranho personagem. Ao que respondem: Nada... Nada... Nada... Tal e qual o som produzido por uma agulha aprisionada na ranhura de um disco de acetato. Lancem a rede para o lado direito! Verdadeiramente, a voz em tom determinante sabia o que dizia. E a obediência do grupo àquela voz de comando, resultou em uma das melhores pescarias de todos os tempos. Aproximai-vos, ordenou o estranho ao grupo perplexo.

É o Senhor! Gritou o mais velho dentre eles - nu como no dia em que nascera. Dito isto, lançou-se ao mar e seguiu a nado a distância que os separava. Era mesmo o Senhor - deles e nosso - que já os esperava com peixe assado e pão; e, também, com o conforto produzido pelo calor de uma fogueira. Senhor, cuja presença - em uma manhã agora plenamente definida - trouxe alegria, alimento e calor àquela praia - já não deserta como antes."

Não posso terminar esta história, baseada no texto de João 21.1-14; sem antes afirmar - com absoluta certeza - que o nosso mundo é como aquela praia: Um deserto sombrio e sem futuro, quando estamos distantes de Deus. No entanto - na presença do Mestre - a vida se se renova; e com ela a luz, o calor, o alimento - enfim... O conforto que a presença de Jesus sempre nos traz.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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