segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De quem é a culpa?

As vezes fico pensando na dificuldade que nós temos, em entender a dor alheia. Ao longo dos meus 43 anos de ministério, tenho visto pessoas vivendo situações aflitivas - semelhantes a algumas que também já tenho suportado ao longo da vida. Na grande maioria das vezes - com maior ou menor intensidade - os problemas parecem ter o mesmo perfil (salvo aqueles casos especiais de pessoas sofrendo com problemas graves). Nestes casos comuns de sofrimento, que afetam a maioria das pessoas, tenho constatado que a diferença - caso a caso - não está no tipo do problema de cada um. E sim, no modo diferenciado com que cada um reage ao seu problema.

Algo que tenho procurado fazer, ao lidar com problemas pessoais, é evitar responsabilizar familiares - ou quem quer que seja - pelas aflições causadas pelos meus problemas. É lógico que não sou ingênuo; a ponto de pensar que certas pessoas não tenham tido algum tipo de participação em algumas das lutas que enfrentei. Não mesmo! Assim como muitos - já fui alvo de mentira e intriga. Também suportei algumas vezes, acusação e desprezo. Todavia, jamais procurei transformar isso em uma espécie de "arma" contra o meu próximo.

Tenho consciência de que muitos dos problemas que nos afligem, foram produzidos "em parceria". Mas nunca usei isso como desculpa para justificar ressentimento e murmuração. Não acho sensato ficar atribuindo a terceiros a responsabilidade pelo meu infortúnio, mesmo que possam ter alguma culpa em minha dor. É que, segundo o meu ponto-de-vista, tanto o prazer como a dor são experiências democráticas. Isto quer dizer que afetam crianças e adultos; pobres e ricos; crentes e incrédulos. E na maioria dos casos, não temos a menor condição de identificar o elemento causador daquilo que inflige infelicidade e sofrimento a alguém. E isso porque os males desta vida surgem de uma conjugação de fatores diversos.

Tenho também aprendido que a mentira é uma das mais eficientes armas do inimigo; tanto para semear discórdias como para destruir reputações - criando ou agravando situações de dor e angústia. O problema é que o "manto da mentira" se revela tão atraente e envolvente; que muitas pessoas - tanto boas como ruins - vivem envolvidas nele. Portanto, não adianta ficarmos tentando achar "culpados ou inocentes" entre as vítimas envoltas neste terrível manto. Até porque, tudo o que acontece sob esta "mortalha" está eivado de engano. Não existe nada aproveitável ali - a menos que passe por um processo de libertação e santificação.

O que nos vale é que temos um grande aliado na solução dos nossos problemas. E este aliado é o próprio Jesus; que subiu o caminho do monte - sangrando e gemendo sob o peso de horrenda cruz - para nos dar vida eterna. E assim, segundo a Palavra de Deus, "o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19 : 10). Tenho plena convicção de que o Senhor, para cumprir sua missão de salvar, entrou debaixo deste abjeto manto - como um bombeiro adentra um um prédio em chamas - com a única finalidade de nos livrar de terrível fim.

E graças à obra expiatória de Cristo; o Pai pode rasgar este véu hediondo; e "nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Colossenses 1:13). E assim, podemos afirmar que Jesus se sujeitou ao Calvário, para salvar pecadores como eu e você. E se almejamos trazer vidas a Jesus; é sob este manto enganoso que vamos encontrá-las - aprisionadas e vitimadas por Satanás - sucumbindo muitas vezes sem saber porque.

Portanto - se pretendemos ajudar; precisamos levar em conta que o ser humano é assim mesmo: Infeliz e fracassado! Por isso é que Jesus veio sofrer e morrer em nosso lugar. Ele mesmo experimentou esta convivência não confiável; pois se angustiou entre a negação de Pedro e a traição de Judas. Todavia - mantendo intacta a sua compaixão pelo perdido - nunca deixou de crer no sucesso da missão; cuja objetivo principal é a salvação do perdido pecador.

E o Senhor Jesus Cristo nos chama à responsabilidade, ao declarar: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus" (Mateus 5.13-16)

Então... É isso mesmo! Nós somos o "sal da terra e luz do mundo". E, como "sal e luz", não devemos desanimar com o fracasso moral dos homens - ou mesmo com os nossos próprios fracassos. Ao invés disso; vamos procurar ver todas as pessoas à nossa volta potenciais redimidos pelo amor de Jesus. Aí então, tudo será bem diferente. Disso tenho absoluta certeza!

Cordialmente;
Bispo Calegari

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