quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sinto que Deus quer fazer

Sinto que Deus quer fazer algo comigo - algo diferente e maior do que tudo o que tem feito em mim, até aqui. O meu espírito pressente isso! O meu corpo transpira este sentimento! Minha alma sente algum desconforto com esta possibilidade. Nunca devemos nos esquecer que - na natureza tricotômica - o espírito tem prazer no agir e nas coisas de Deus; a alma tem prazer nos resultados de suas observações e experiências; e o corpo? O corpo é apenas o elemento sensitivo; que reage aos estímulos. Uma espécie de neurotransmissor; cujas sensações de alegria, prazer, medo ou desespero se transportam, através dele, para as profundezas do ser inteiro. Enfim, é nossa habitação temporária, sem a qual não podemos existir enquanto ser humano; mas que pode ser descartada sem dano algum para a essência da vida.

Devido a diferença de finalidade entre estas três partes que se interligam - formando o "todo" que eu penso ser - é que suas reações são tão diferentes .

Todavia; como afirmei antes: Sinto que Deus quer fazer algo comigo. E como o "algo" de Deus sempre está relacionado com âmago e com essência; com eternidade; e com Seus exclusivos interesses - a alma sempre reage a isso com um certo desconforto e mal estar. Afinal de contas, ela gosta mesmo é de "andar sozinha"; ou, preferencialmente, na companhia de quem "pensa como ela". Ela tende a prender-se em conceitos lógicos, palpáveis. E, cativa de suas próprias investigações e invenções, acaba por tornar-se a maior vítima de sua independência. Provavelmente, este é o motivo pelo qual as coisas de Deus não perduram entre as suas prioridades.

Entretanto; sinto que Deus quer fazer algo comigo! E o meu corpo - como reage a este sentimento? Ora, um corpo é sempre um corpo... Sabemos que ele é "templo do Espírito"; mas é também habitação temporária do "homem interior". Eu o vejo como um elemento sensitivo (ou sensorial? Não sei). Seu funcionamento é como o de uma antena ou sensor - que capta ondas de calor e de frio; proximidade ou distanciamento de pessoas; sinais de perigo iminente; e por aí vai. Mas ele não tem discernimento. Portanto, está impossibilitado de compreender aquilo que sente. Na verdade, ele é uma espécie de terminal da alma. Ele não precisa estar vivo para que a alma e o espírito sobrevivam. Na verdade, estes dois componentes só dependem dele para atividades experimentais temporárias - e penso poder provar o que afirmo. E, se não puder, paciência... Fica sendo mais uma teoria a ser discutida, aclamada ou apupada. Afinal de contas, o corpo será mesmo encoberto pela poeira; assim como os conceitos formulados a seu respeito.

Enfim; sinto que Deus quer fazer algo comigo. Algo que somente o meu espírito - também chamado na Bíblia de "homem interior" - será capaz de aguardar com um misto deslumbramento e temor. É que o espírito tem interesse incontido na lei de Deus - sendo Dele procedente. Penso que não seja algo para me projetar entre os demais homens (sei que projeção é muito menos importante do que aprovação). Também não será algo para me tornar famoso (ser famoso é menos importante do que ser conhecido no céu e no inferno - sendo amado neste primeiro e temido neste último). E não será para a minha visibilidade (afinal, ter visibilidade é muito menos importante do que ter contemplatibilidade). E, definitivamente, não será para o meu brilho pessoal; porque, afinal de contas - ter brilho pessoal é muito menos importante do que ser polido por Deus.

Então; vou ficar aguardando aquilo que Deus quer fazer comigo. E, enquanto eu aguardo, peço a você que me ajude em oração. Pois, "a oração de um justo pode muito em seus efeitos" (Tiago 5.16).

No desfecho desta postagem, não resisti ao apelo do meu espírito - de não encerrar simplesmente este assunto, sem "cantar" este tão belo cântico:

"Eu não preciso ser reconhecido por ninguém.
A minha glória é fazer com que conheçam a Ti!
E que diminua eu; pra que Tu cresças, Senhor - mais e mais!
E como os Serafins que encobrem o rosto ante a Ti;
Escondo o rosto pra que vejam Tua face em mim!
E que diminua eu; pra que Tu cresças, Senhor - mais e mais!

No Santo dos Santos a fumaça me esconde; só Teus olhos me vêem!
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo - meu lugar secreto!
Só tua graça me basta! E tua presença é meu prazer!"

Cordialmente;
Bispo Calegari

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