quinta-feira, 14 de julho de 2011

Até que a tempestade passe - I

"Vem, povo meu, entra nas tuas câmaras, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a indignação. Pois eis que o Senhor está saindo do seu lugar para castigar os moradores da terra por causa da sua iniquidade; e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos" (Isaías 26.20-21).

A Palavra de Deus proclama um tempo de dor e aflição para os povos e nações da terra. Segundo as profecias, este sofrimento será uma resposta a uma geração promotora de duas grandes maldades: A primeira maldade, é o seu afastamento sistemático dos ensinamentos do Senhor. A segunda maldade é sua crescente rebelião contra o Deus verdadeiro e contra as Escrituras sagradas. E ambos os atos de maldade, que são a causa de todas as demais maldades do ser humano, são indesculpáveis aos olhos de Deus. E a este tempo de aflição; que a Bíblia chama de "angústia das nações", será a resposta de Deus à crescente decadência moral que tem mergulhado os homens na ruína e da aniquilação inevitável. O que os ímpios precisam entender é que jamais conseguirão resistir ao braço forte do Senhor!

As tempestades da vida

"Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda" (Mateus 7.24-27).

Na parábola dos dois construtores, Jesus deixa bem claro que as tempestades da vida são uma constante na vida humana. Elas sempre vêm - imprevisíveis e inevitáveis. E ele chama nossa atenção para o fator que diferencia uma construção da outra: O modo como ambos os construtores fundamentaram a sua casa. E esta história ilustra as duas maneiras pelas quais podemos alicerçar e construir a nossa vida: Ou sobre a rocha; ou sobre a areia.

À luz da Palavra de Deus, podemos perceber que a tempestade desta parábola simboliza os mais diversos tipos de aflição e de provação que se abatem sobre alguém. Em assim sendo, podemos considerar como "tempestades da vida", situações aflitivas relacionadas com os mais diversos problemas: conflitos familiares; enfermidades físicas; desajuste psicológico; problemas financeiros; etc. E também aqueles problemas que nos atingem no dia-a-dia.

E não há como enfrentar e vencer tais problemas, sem por em prática os ensinamentos de Jesus. Ele, ao contar esta história, procura demonstrar o que pode suceder: Para "aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática"; e também para "aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática". Uma coisa fica bem clara nesta parábola: O que determina a condição futura da nossa vida, é modo como estabelecemos as nossas bases!

Até que passe a ira

Mas o meu objetivo nesta postagem, não é alertar quando aos problemas do cotidiano. E sim, alertar quanto a um outro nível de tempestade; um nível que vai muito além das tempestades que nos afligem em nosso dia-a-dia. E a tempestade a que me refiro, é desencadeada pela indignação do Senhor. Vemos nas Escrituras, que a ira divina é potencializada pela indignação. Ao revelar a Abraão o exílio do seu povo no Egito e o seu futuro retorno a Canaã; Deus proclama: "Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniquidade dos amorreus não está ainda cheia" (Gênesis 15.16). Ou seja, a vida pecaminosa dos amorreus não havia atingido o nível em que sua indignação explode em ira.

Mais tarde, no deserto, Moisés percebeu a crescente indignação de Deus com o povo de Israel, devido ao estado de rebeldia também crescente. Vendo Moisés que o eclodir de Sua ira santa poderia varrer os israelitas da face da terra, este grande líder espiritual buscou incessantemente a Deus, prostrado a Seus pés, para que o furor da Sua ira fosse contido. Assim ele se pronuncia: "Porque temi por causa da ira e do furor com que o Senhor estava irado contra vós para vos destruir; porém ainda essa vez o Senhor me ouviu" (Deuteronômio 9.19).

Não devemos cometer o mesmo erro dos israelitas

A Bíblia Sagrada relata que, em outras ocasiões, Deus já havia manifestado o furor da Sua ira santa sobre outros povos e nações. O exemplo emblemático é a destruição de Sodoma e Gomorra. Mas temos também, como marco de advertência, a ruína da grande cidade de Jericó. E Moisés deixa bem claro que não seria diferente com Israel - se persistisse em manter sua rebeldia contra o propósito de Deus.

"Pelo que a geração vindoura - os vossos filhos que se levantarem depois de vós - e o estrangeiro que vier de terras remotas dirão, ao verem as pragas desta terra, e as suas doenças, com que o Senhor a terá afligido, e que toda a sua terra é enxofre e sal e abrasamento, de sorte que não será semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma, assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o Senhor destruiu na sua ira e no seu furor; sim, todas as nações dirão: Por que fez o Senhor assim com esta terra? Que significa o furor de tamanha ira? Então se dirá: Porquanto deixaram o pacto do Senhor, o Deus de seus pais, que tinha feito com eles, quando os tirou da terra do Egito" (Deuteronômio 29.22-25).

Entretanto, mesmo com as advertências do seu grande líder Moisés; e dos profetas que o sucederam; Israel não perseverou no caminho do Senhor. Os judeus erraram ao pensar - como muitos cristãos fazem nos dias de hoje - que o fato de terem as promessas de Deus a seu favor, era mais que suficiente para determinar vida longa e abençoada na terra. Mas as advertências da Palavra de Deus sinalizam para outro desfecho: "Eles, porém, zombavam dos mensageiros de Deus, desprezando as suas palavras e mofando dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve" (2 Crônicas 36.16). Se o Senhor permitir, pretendo concluir o assunto na próxima postagem.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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