quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu não tenho o direito

Foi em uma manhã desta semana. Orava eu a Deus, mesclando adoração com louvor; agradecendo ao Senhor por minha esposa, meus filhos, minhas noras, meu genro e meus netos - como sempre faço. Louvei a Deus por minha vida. Enfim, por tudo o que o Senhor tem feito por mim. Lembrei-me de sonhos antigos e sonhos recentes. Fiz uma espécie de auto-análise. Foi um momento de grande quebrantamento e intensa emoção. Não sei como explicar o momento que passei com o meu Senhor naquela manhã. Mas sei que foi uma manhã para não ser esquecida!

Na conversa que mantive com o meu Pai celestial, falei sobre tudo e sobre todos. Consegui, mais uma vez, subjugar a minha alma - este elemento racional e recalcitrante do meu ser inteiro; depondo-a no único lugar em que ela não me expõe nem me compromete negativamente: Aos pés do meu Senhor! Ali, quebrantado e contrito, procurando refletir sobre as dádivas do meu Deus; recordei-me e balbuciei aquilo a que não tenho direito. E, dentre essas coisas vedadas, que as vezes teimamos em querer sem ter direito, achei por bem enumerar algumas:

Eu não tenho o direito...

... De reclamar, quanto a tudo aquilo que me falta. Ou melhor: que julgo me fazer falta. Em minha vida comum e limitada, posso não ter tudo; mas, tenho o que me é necessário - com direito a mimos e afeto do Deus que me ama e me toma em Seus braços, aleluia!

... De exigir ascensão, além do ponto em que me encontro. Reconheço que Deus me levou a um ponto elevado; muito além do que as minhas reais condições permitiriam. Um pássaro não pode voar além da envergadura de suas asas. Obrigado, Senhor!

... De tripudiar sobre aqueles que me feriram ou zombaram de mim. Preciso entender que, pelo simples fato de Deus ter-me colocado acima de alguém que me tenha feito mal - isso não me dá o direito de submetê-lo aos meus caprichos. Guarda-me, Senhor!

... De invadir o "pedaço" do meu próximo. Afinal de contas, os limites que nos separam - por mais frágeis que sejam - precisam ser por mim respeitados. Não devo saltar para o seu lado, para bem ou para mal, sem o seu consentimento. Preciso entender que o meu "pedaço" é o meu direito.

... De cobrar dos meus devedores; além daquilo que sejam capazes de pagar. Por mais devedores que eu tenha à minha volta, preciso entender que também sou devedor - tal como eles. Portanto, com relação às minhas dívidas impagáveis: Perdoa-me, Senhor!

... De cobiçar a mulher do meu próximo. Em termos comparativos - Mulher por mulher - a mulher que Deus me deu será sempre a melhor mulher do mundo; sem que isso signifique que ela não tenha defeitos. Afinal - como acontece com tudo nesta vida - sempre temos os nossos "defeitos de fabrica". Ensina-me a entendê-los, Senhor!

... De esperar dos meus provedores, algo além de suas obrigações para comigo. E, mesmo assim, preciso compreender que as obrigações de alguém para comigo - se é que existem de fato - são sempre condicionais. Preciso aprender a lidar com isso, para não passar pela vida a reclamar de tudo, Senhor!

Enfim; preciso saber que ... Eu não tenho esse direito todo!

Na verdade, existem muitas coisas na vida, que vão alem do nosso direito. E se ficarmos querendo arrolar "direitos adquiridos", na tentativa de vindicá-los em ocasião oportuna; descobriremos - para a nossa frustração - que eles serão em muito menor número do que julgávamos, em nossa avaliação inicial.

E, o que é ainda pior: Se fizermos uma atualização desta "lista de direitos", iremos perceber que ela irá ficando cada vez menor - até ao ponto de nos convencermos que, caso não paremos de atualizar, chegaremos a uma "conta zerada" - onde não haverá mais direito algum! Passando a ser apenas direito nosso - aquele que o nosso Deus bondosamente nos concedeu em Cristo Jesus.

Cordialmente;
Bispo Calegari

Um comentário:

  1. Bispo, tenho sido muito edificada pelos posts!
    Seu testemunho, suas palavras...Que Deus continue abençoando grandemente!

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