sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Era uma vez...

Tenho a grata satisfação de conseguir postar mais um "Era uma vez...". Tenho buscado de Deus a motivação e a inspiração, para poder manter a regularidade deste "marcador". Nesta segunda edição, estou tomando como base a narrativa do capítulo 23 do evangelho de Mateus. Espero que sirva de subsídio para uma boa reflexão sobre os verdadeiros valores pelos quais a vida cristã deve se pautar. Portanto, leiam esta história que tem como título:

Os Engolidores de Camelos

Era uma vez... "Uma terra de gigantes. O seu povo era de estatura mediana; mas, seus dominadores faziam parte de uma estranha estirpe de gigantes. Estes, exerciam domínio e posse sobre um povinho que dependia inteiramente dos rumos que os gigantes determinavam. É preciso dizer que este povo nem sempre fora um povinho. Eles vinham de uma linhagem real. Possuíam um sistema de governo e de leis que o colocavam acima de todos os povos que viviam a sua volta. Mas isto era coisa do passado. O que prevalecia agora era o "governo dos gigantes"; e o povo de estatura mediana via seu glorioso passado cada vez mais distante; e sua estatura diminuir cada vez mais.

No dia-a-dia da vida desse povo, mesmo existindo leis milenares que pautaram por séculos sua história e sua vida; seus dominadores - não contentes com a aplicação pura e simples de suas leis milenares - elaboravam conceitos ainda mais rígidos do que as leis vigentes determinavam. Além dos rigores interpretativos, imprimiam costumes e tradições que tornavam a vida daquele pequeno povo sob seu comando, ainda mais dominado e infeliz.

Estes gigantes eram tão conscientes de sua voracidade, que, em suas horas de ócio, disputavam entre si, quem conseguiria "engolir" o maior animal daquelas terras. Como o maior animal era o camelo, resolveram transforma-lo em uma espécie de aferidor de sua estranha capacidade de engolir grandes volumes - capacidade esta, de utilidade duvidosa. E lá iam os camelos descendo por sua garganta abaixo - um camelo aqui, um camelo ali. E quanto a seu povo? Cada vez menor e mais sofrido. Era de dar pena!

Todavia, como acontece em toda história, apareceu por aquelas terras um herói - um herói de verdade; de carne e ossos. Embora todos os que conviviam com ele afirmassem que era Deus; o que se percebia, de fato, é que ele era um herói sofrido. Suas dores eram visíveis, Seu semblante sempre marcado por sofrimento; embora sempre conseguisse sorrir para o sofrido povo que o rodeava - que o acompanhava por onde ia. Este herói denunciou a falta de rumo daqueles gigantes, chamando sua atenção para um detalhe aparentemente insignificante daquela estranha "brincadeira" de engolir camelos. "Guias cegos! Que coais um mosquito, e engolis um camelo" (Mateus 23.24). O herói chamado Jesus apontou para o fato de que eles sentiam o maior medo de se engasgarem com algum mosquito que se interpusesse entre o camelo pretendido e a garganta ávida por engolir grandiosidades, mesmo que estas tivessem a forma e o cheiro de um camelo. Resumindo: Para aqueles gigantes, engolir um pequeno inseto era muito perigoso e assustador. Portanto, tinham que preservar, a qualquer custo, a cultura de engolir camelos; ou mesmo um dromedário. E lá ia o pobre animal... Sua cabeça primeiro, com pescoço tão comprido. Ou começavam pela cauda? Uma corcova... não! Isto é coisa de dromedário. Duas corcovas! E aquelas pernas e patas enormes. Que bruta indigestão não causaria, se seus estomagos não fossem tão insensíveis e habituados a degustação de péssimo gosto. Todavia, precisavam deixar o pequeno inseto de fora... Assim como faziam questão de deixar o seu cada dia mais pequeno povo de fora... De fora das promessas do Deus de seus pais; de fora da graça do Deus que prometera um glorioso futuro para aquela nação... Enfim, de fora do cenário profético mais importante de sua história - a chegada do Messias prometido, na pessoa do grande herói que se movimentava entre eles. Quanto prejuízo causado pelos engolidores de camelos. Uma lástima!"

Lições que ficam

O objetivo desta história, é demonstrar que só conseguiremos entender plenamente o valor de uma alma, quando conseguirmos pensar nela com a "mente de Deus"; e a olhá-la com os "olhos de Cristo". Quando a Palavra de Deus declara que "uma alma vale mais do que o mundo todo" - ela está simplesmente afirmando que uma vida vale mais do que o meio ambiente em que ela se desenvolve; do que o conjunto de leis que a governam; do que o lugar onde vive; do que as próprias medidas de segurança criadas para protegê-la. Enfim... Falando em termos humanos, uma vida só se iguala em valor a uma outra vida!

Cordialmente;
Bispo Calegari

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