domingo, 2 de janeiro de 2011

Era uma vez...

"Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada" (Lucas 10.41-42).

Hoje pela manhã bem cedo, quando eu orava, minha intercessão focava alguns conflitos que tentam nos levar a quebra de alianças. Já de a muito tempo, tenho sabido que uma quebra de aliança tem efeitos colaterais que podem ir de ruim a trágico. E vários exemplos - tanto no mundo bíblico como no mundo secular - respaldam esta minha profunda convicção. Enquanto orava, meu espírito cantarolou a canção de Ludmila Ferber, que adverte, dentre outras coisas, que em tempo de guerra nunca devemos parar de lutar. Nesta canção ela também expõe que os ferimentos de um soldado de Cristo podem ser produzidos por "uma quebra de aliança ou um contra-ataque do mal". E aquilo que meu espírito vislumbrou me fez um grande bem. Senti-me fortalecido e renovado!

Deus me fez lembrar das marcas dos ferimentos de guerra que trago comigo. Deus me fez ver que eles não gangrenaram; nem se tornaram feridas cronicas. Antes, pelo contrário: Ao cicatrizarem, tornaram-se marcas históricas do meu ministério. Que satisfação isso me trouxe! Não sei por onde anda a maioria daqueles que me desferiram golpes - bem ou mau intencionados; por uma boa causa ou sem justa causa. Mas sou grato pelos golpes sofridos. Espero que eles tenham sido tão felizes pelos golpes que me infringiram; como sou feliz pelos golpes sofridos.

Entretanto, o foco desta manhã não é este. Recebi também uma palavra do Senhor sobre quatro alianças muito importantes que comprometem radicalmente a nossa vida. Também não vou escrever sobre isso hoje. Vamos então ao foco: Enquanto eu orava, o Senhor me levou a Betânia, por ocasião de uma das visitas de Jesus aos três irmãos - Lázaro, Marta e Maria (Lucas 10.38-42). Enquanto meu espírito se alimentava com esta história, nasceu ali um novo marcador para o meu blog: Era uma vez... Isso Mesmo! E assim nasce a primeira história deste momento tão especial. E a ela darei o título de:

Muitas Coisas & Boa Parte

Era uma vez... Dois personagens por nome "Muitas Coisas" & "Boa Parte". Eles iam caminhando juntos, procurando um lugar onde pudessem pousar. Depois de terem percorrido um longo percurso, tendo estado em vários lugares e se hospedado em várias casas, chegaram finalmente a uma pequenina aldeia por nome Betânia. Então, resolveram entre si ficar ali por algum tempo. Acharam guarida em uma humilde residência, pertencente a uma família muito piedosa e estimada naquela aldeia As duas irmãs que ali residiam resolveram dar-lhes uma atenção especial. E como as duas acharam que não poderiam cuidar dos dois ao mesmo tempo; acabaram tomando a seguinte decisão: Marta escolheu ficar com "Muitas Coisas", enquanto Maria Escolheu ficar com "Boa Parte".

Com o passar dos dias, ambas começaram a ter pequenos conflitos, devido a escolha que fizeram. Na verdade, o conflito tinha tudo a ver com a escolha de Marta, pois, esta - sem perceber - escolhera o personagem mais trabalhoso, "Muitas Coisas", que afligia sua alma a ponto de tirá-la do sério, provocando-lhe surtos de nervosismo e reclamação. Como Maria fora mais feliz na escolha que fizera - "Boa Parte" - sentia-se tranquila e descansada. Entretanto, o que elas não perceberam é que ambas poderiam, conjuntamente, cuidar de "Muitas Coisas" e "Boa Parte" ao mesmo tempo. Se assim tivessem feito. Ambas teriam sido beneficiadas! "Boa Parte" poderia ter fortalecido e acalmado Marta no cuidado de "Muitas Coisas"; ao passo que "Muitas Coisas" poderia ter enriquecido Maria, sob a supervisão de "Boa Parte". Mas elas não pensaram nisso quando fizeram suas escolhas. Na verdade, Maria estava em vantagem, pois, ao menos tinha descanso. Todavia, se ela tivesse cuidado de ambas conjuntamente, poderia ter enriquecido ainda mais a sua história. Quanto a Marta - esta teria mas alegria e paz em suas realizações, se tivesse cuidado de "Muitas coisas" e "Boa Parte" ao mesmo tempo. Enfim... Jesus chegou naquela casa e nada disso teria sido focado, se Marta não estivesse tão cansada e agitada por causa de "Muitas Coisas". Jesus calou as queixas de Marta contra sua irmã, demonstrando que Maria fizera muito bem ao escolher "Boa Parte".

Ao examinarmos esta história, ficamos com a nítida impressão que Jesus não desqualificou "Muitas Coisas"; Ele apenas a colocou em seu devido lugar - em nível abaixo de "Boa Parte". Porém, ele parece indicar uma terceira via: É como se ele sugerisse que, entre "Muitas coisas" e "Boa Parte", existe um terceiro elemento chamado "Poucas Coisas"; o qual, em dupla com "Boa Parte", poderia ter dado um melhor final a esta história (contanto que "Boa Parte" fosse o elemento prioritário). É isso!

E assim encerramos este episódio, de uma interessante história que não termina aqui (sendo este apenas um de seus capítulos). É que estes dois personagens continuam sua jornada, visitando cidades e aldeias; procurando famílias e pessoas que os acolham. E o modo como lidarmos com eles vai determinar o estado de espírito que conseguiremos cultivar - tanto diante de Deus como diante dos homens.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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