segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Unção de dentro e Unção de fora (parte I)

Na palavra pastoral deste "post", estarei resumindo um dos momentos mais desafiadores do XV Concílio Regional da II Região. Como eu havia prometido no último "Palavra Pastoral", estarei tecendo considerações sobre este tema, que se revestiu de revelação profética para todos os pastores e obreiros presentes no culto de encerramento, no dia 18 deste. Reconheço que fiquei impactado com a grandeza daquilo que Deus me mostrou, à despeito de minha pequenez ministerial. Naquele momento, me senti como um daqueles vasos pequenos e insignificantes, transportando essência da mais alta importância para a Igreja do Senhor.

Unção de Dentro X Unção de Fora

A Palavra de Deus nos apresenta diversos modelos de ministério; alguns deles com testemunho de conduta exemplar, que formaram e inspiraram inúmeras gerações de obreiros: Abraão - o peregrino; Moisés - o iluminado; Josué - o lutador; Samuel - o "três em um" (profeta, sacerdote e rei); Davi - o poeta; Elias - o profeta; Daniel - o conselheiro; entre outros.

Mas também encontramos diversos casos de obreiros com trágico desvio de conduta ministerial. Dentre eles, apontamos três casos que podemos identificar como exemplos de um ministério que perdeu primeiramente o foco; e depois o rumo. Os textos postados, com os títulos que achei por bem lhes dar, denunciam a infeliz escolha que estes obreiros fizeram e o péssimo exemplo que deixaram para a posteridade.

O caso do levita acomodado

"(6) Naquelas dias não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia bem aos seus olhos. (7) E havia um mancebo de Belém de Judá, da família de Judá, que era levita, e peregrinava ali. (8) Este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse conveniente. Seguindo ele o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, à casa de Mica, (9) o qual lhe perguntou: Donde vens? E ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá, e vou peregrinar onde achar conveniente. (10) Então lhe disse Mica: Fica comigo, e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, o vestuário e o sustento. E o levita entrou. (11) Consentiu, pois, o levita em ficar com aquele homem, e lhe foi como um de seus filhos. (12) E Mica consagrou o levita, e o mancebo lhe serviu de sacerdote, e ficou em sua casa" (Juízes 17.6-12).

Sabemos que este comodismo o lançou nos braços de um ídolo, amarrando seu ministério a um culto ganancioso e perverso. Em sua procura por vida fácil, priorizando o ganho sem esforço, acabou por perder o rumo e, provavelmente, sua própria alma.

O caso do seminarista ganancioso

"(20) Quando Naamã já ia a uma pequena distância, Geazi, moço de Eliseu, o homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da mão dele coisa alguma do que trazia; vive o Senhor, que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. (21) Foi, pois, Geazi em alcance de Naamã. Este, vendo que alguém corria atrás dele, saltou do carro a encontrá-lo, e perguntou: Vai tudo bem? (22) Respondeu ele: Tudo vai bem. Meu senhor me enviou a dizer-te: Eis que agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos profetas da região montanhosa de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupa. (23) Disse Naamã: Sê servido de tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupa, e -los sobre dois dos seus moços, os quais os levaram adiante de Geazi. (24) Tendo ele chegado ao outeiro, tomou-os das mãos deles e os depositou na casa; e despediu aqueles homens, e eles se foram. (25) Mas ele entrou e pôs-se diante de seu amo. Então lhe perguntou Eliseu: Donde vens, Geazi? Respondeu ele: Teu servo não foi a parte alguma. (26) Eliseu porém, lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro ao teu encontro? Era isto ocasião para receberes prata e roupa, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? (27) Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então Geazi saiu da presença dele leproso, branco como a neve" (2 Reis 5.20-27).

Este é um daqueles exemplos de obreiros que já começam mal. O "moço do profeta" (seminarista) logo percebeu que o ministério podia lhe auferir bons lucros. Em sua ganância, acabou por tirar os olhos dos milagres que Deus realizava através de Eliseu; e passou a "medir" o tamanho da bolsa dos que buscavam a ajuda do profeta. Naamã era um desses prósperos; e ele não iria perder aquela rica oportunidade. Se deu mal! Acabou leproso da cabeça aos pés.

O caso do pastor insensato

"(9) Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de ter entre eles a primazia, não nos recebe. (10) Pelo que, se eu aí for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, ele não somente deixa de receber os irmãos, mas aos que os querem receber ele proíbe de o fazerem e ainda os exclui da igreja" (3 João 9-10).

Aquele homem perdera, a muito tempo, o respeito ao conceito bíblico de hierarquia, se é que algum dia o tivera. Respeito às instâncias hierárquicas é um princípio que vigora no céu e na terra. Ninguém está fora dele! Mas aquele Pastor julgava-se no direito de exercer domínio sobre a herança de Deus. Em seu ciúme insensato e arrogância desmedida, impedia até mesmo os apóstolos de trazerem edificação e conforto à igreja por ele pastoreada. Colocava sua palavra e sua autoridade acima dos limites por Deus estabelecidos. Que pena! Isso não deve ter terminado bem.

Vários fatores contribuem para destruir a unção na vida de um pastor

Não me sinto em condições de enumerar a todos, por julgar isso uma tarefa impossível. Todavia, acredito que os que enumero abaixo façam parte dessa relação:

1. Ganância: Este sentimento tem relação direta com o amor ao dinheiro, algo condenado na Palavra de Deus. A história da Igreja está pontilhada de exemplos de obreiros que, à semelhança de Geazi, aproveitaram o fruto da unção de Deus para faturar o máximo.
2. Insensatez: Este sentimento abre brecha para muitos outros. Produz natureza agressiva; dotando o seu possuidor de um perfil possessivo, vingativo, egoísta. Este tipo de dominação enlouquece os que por ela são dominados. Penso que a "escola de Diótrefes" tenha produzido muitos seguidores em nossos dias.
3. Contaminação: Daniel não se contaminou com as iguarias do rei. Mas alguns obreiros nem precisam ser atraídos pelas iguarias do rei - vão ao encontro delas! Para eles, Babilônia é logo ali! E em nossos dias, o rei de "Babilônia" oferece iguarias sob a forma de relacionamento social promiscuo; de sites pornográficos, terrivelmente perversos; de vida sexual impura; de diversões e prazeres de conteúdo, no mínimo, duvidosos.
4. Arrogância: Os obreiros arrogantes se tornam alienados. Olham a todos à sua volta de "cima para baixo". Agem como se fossem as únicas pessoas importantes deste mundo - como se tudo girasse à sua volta. Geralmente preferem a companhia de pessoas que "reconheçam e valorizem" a sua "grandeza". Talvez, devido a isso, o número de seus amigos e admiradores siga diminuindo a cada dia. Tal como o Hamã dos dias da Rainha Ester, vão construindo a sua própria forca; o seu próprio cadafalso.
5. Vida fútil: São aqueles que vivem sem nenhum objetivo de real valor. Só pensam em se divertir; em "aproveitar a vida". São motivados e alimentados por coisas medíocres. Não percebem que a verdadeira vida é aquela que busca a nobreza e a excelência do viver em Deus, cujo essência eterniza os sonhos e realizações de um verdadeiro obreiro do Senhor. Não sou obtuso, a ponto de pensar ou dizer que algumas formas de lazer sejam "erradas" em si mesmas. Gosto de me descontrair com o futebol; gosto de ver um filme que possa me trazer alguma lição; gosto de conversar sobre coisas comuns (animais, plantas, flores, política, etc.). Todavia, existem práticas que já se iniciam corrompidas, destituídas de qualquer valor. Belsazar vivia no palácio, desfrutando da "futilidade de cada dia". E foi destruído devido a isso!

No próximo "post" pretendo chegar ao ponto central desta mensagem, abordando de modo claro e objetivo a visão que recebi do Senhor, acerca da unção de dentro e da unção de fora.

Cordialmente;
Bispo Calegari

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