segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Procura-se homens de Deus

"26. Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem ferença entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. 27. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa: derramando o sangue, e destruindo vidas, para adquirirem lucro desonesto. 28. E os profetas têm feito para eles reboco com argamassa fraca tendo visões falsas, e adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado. 29. O povo da terra tem usado de opressão, e andado roubando e fazendo violência ao pobre e ao necessitado, e tem oprimido injustamente ao estrangeiro. 30. E busquei dentre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei. 31. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho lhes recaísse sobre a cabeça, diz o Senhor Deus" (Ezequiel 22.30).

A frase serve de título, pode ser considerada uma paráfrase de uma outra, bem parecida, que tem sido cunhada com o objetivo de procurar objetos perdidos, pessoas desaparecidas, etc. Quando examinamos alguns textos bíblicos, que apontam a relação de causa e efeito entre rebelião e punição, percebemos que Deus utiliza o termo para indicar que Ele mesmo procura homens. Ele os procura, para ser adorado; Ele os procura, para ser servido; e, de um modo especial, Ele os procura, para a realização de tarefas especiais.

O texto de Ezequiel 22, em destaque acima, revela o estado de decadência moral em que o povo de Deus se encontrava; motivo este que levou o próprio Deus a duas medidas básicas: Em primeiro lugar, Ele denuncia a crise espiritual e moral que atingia em cheio a própria liderança que estava sobre o Seu povo. E também, demonstra o desejo de encontrar alguém que pudesse ser usado para reverter o tragédia iminente, decorrente do descaso e arrogância em que se encontrava o governo do Seu povo. Examinemos resumidamente os versículos propostos:

"Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro" (v. 26)
Os sacerdotes - instância máxima do governo espiritual da nação de Israel, se corromperam; seu culto a Deus era tendenciosos; uma flagrante profanação daquilo que era sagrado. Distantes de Deus como se encontravam, perderam o discernimento, a ponto de não saberem a diferença entre o que era santo e o que era profano; entre o que era puro e o que era impuro. Eram cegos guiando cegos!

"Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa: derramando o sangue, e destruindo vidas, para adquirirem lucro desonesto" (v. 27).
A esfera política de governo fora tremendamente afetada pela ruína espiritual dos sacerdotes, que atingiu em cheio os príncipes. Estes, influenciados pelo péssimo testemunho daqueles, tornaram-se semelhantes a animais vorazes; verdadeiros predadores, capazes de qualquer coisa para auferir lucro. Em sua desmedida ganância, não se importavam em destruir vidas indefesas, para acumularem bens e riquezas.

"E os profetas têm feito para eles reboco com argamassa fraca tendo visões falsas, e adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado" (v. 28).
Os profetas - reconhecido marco de advertência, se deixaram manipular pelo suborno. Suas profecias procuravam atender aos caprichos dos que "encomendavam" os seus serviços. Havia profecias para todos os gostos, moldadas à serviço de régias recompensas. Em sua busca compulsiva por vantagens, valiam-se de tudo para agradar a clientela. Vendiam-se a quem pagava mais; cada profecia tinha um determinado preço; portanto, os que mais podiam pagar, obtinham as mais favoráveis profecias.

"O povo da terra tem usado de opressão, e andado roubando e fazendo violência ao pobre e ao necessitado, e tem oprimido injustamente ao estrangeiro (v. 29).
A iniquidade crescente entre os que governavam o povo de Deus, tanto na esfera religiosa como política, provocou a decadência de toda a nação. A iniquidade dos líderes tornou-se uma espécie de polvo, com seus tentáculos se movendo em direção aos seus liderados, enrodilhando e sufocando as pessoas. A violência dominava as ruas da cidade. Não havia segurança em lugar algum. E, geralmente, os que mais sofriam vítimas de tamanha violência, eram os pobres e necessitados; completamente desamparados pela classe dominante, pelo simples fato de não terem nada o que oferecer em troca..

"E busquei dentre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei" (v. 30).
Em meio a tamanha confusão, miséria e desespero, o próprio Deus se põe à procura de alguém que se pusesse como intercessor, para que o devido castigo não se manifestasse em toda a sua magnitude. E segundo o testemunho do próprio Deus, a procura foi em vão. O contágio produzido pela maldade já atingira a todos sem distinção. Não havia alguém que Deus pudesse usar. Que pena!

"Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho lhes recaísse sobre a cabeça, diz o Senhor Deus" (v. 31).
A falta de um vaso limpo, de um intercessor dedicado, acabou por provocar a ira divina. E quando Deus se ira com a maldade dos homens; quando Ele se indigna com a depravação dos homens, a consequente punição se torna inevitável. E a Palavra de Deus nos dá a inteira certeza de que quando o mal moral se torna incontrolável (pecado), a ponto de contaminar crianças e velhos, homens e mulheres, pobres e ricos, pastores e ovelhas; a resposta de Deus pode vir em forma do mal natural, que se manifesta em forma de terremotos, furacões, maremotos. A natureza em fúria costuma ser o mais frequente agente de Deus para punir a opressão; a maldade; a profanação; e tudo o mais que o homem distante de Deus arquiteta contra o seu próximo e, em última instância, contra o próprio Deus eterno. Misericórdia, Senhor!!!

Cordialmente;
Bispo Calegari

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