sexta-feira, 7 de maio de 2010

Jericó - Oportunidade Única

Jericó, uma das cidades mais antigas da terra. E nos dias da incursão à terra prometida por parte dos hebreus, era considerada inexpugnável; tanto pela altura de suas muralhas, como também da largura das mesmas, com uma incomum espessura, próxima dos dois metros. Não havia naquele tempo, aparato militar capaz de violar aquela cidade. Geralmente, seu povo ria-se daqueles que tentavam invadí-la, por mais forte que fosse seu exército. Ao longo de sua história, foi visitada por Deus duas vezes: Na primeira, nos dias de Josué, para sua destruição; na segunda, nos dias de Jesus, para sua salvação.

É interessante e, ao mesmo tempo, lamentavel notarmos que poucos souberam tirar proveito da passagem de Jesus por aquela cidade. Para sermos mais exatos, apenas tres homens conseguiram alcançar graça naquela ocasião: Zaqueu, um exemplo clássico; e dois cegos, que estavam na hora certa, no lugar certo (realmente, estar no lugar por onde Jesus passa é estar no lugar certo). Observamos também que, devido a narrativa diferenciada em cada um dos evangelhos sinóticos, pode o leitor desatento ficar com a idéia de que houve contradição no relato. Todavia, uma observação cuidadosa e atenta dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas irá demostrar que a contradição é apenas aparente. Senão, vejamos:

1. Em Mateus 20.29-34, encontramos o relato da cura de dois cegos em Jericó. Ocorre que, em sua narrativa, Mateus optou por resumir os dois milagres da cura de dois cegos em um só relato.

2. Já em Marcos 10.46-52, encontramos o relato da cura de um cego, na saída de Jericó. E é exatamente isso: Saindo de Jericó, Jesus é clamado aos gritos por Bartimeu. É o milagre é decorrente desse insistente clamor.

3. Ao passo que, em Lucas 18.35-43, encontramos o relato da cura de um cego, na entrada de Jericó. E não existe contradição, como à princípio pode parecer. Na verdade, Lucas focaliza, em seu evangelho, a cura operada por Jesus, ao se aproximar da cidade.

Finalizando esta reflexão, concluo que o fato de, em ambas as narrativas de Marcos e Lucas, ocorrerem formas semelhantes de clamor (ambos os cegos clamaram de modo parecido); e também formas semelhantes de reação da multidão (o procedimento da multidão foi também parecido); sim, duas coisas devem ser levadas em consideração: A primeira, é que as necessidades dos cegos eram exatamente iguais; portanto, nada mais natural do que clamarem de maneira igual. A segunda, é que ambas as reações da multidão são parecidas; mas devemos levar em conta que devia ser a mesma multidão, tanto na entrada como na saída da famosa cidade. E por hoje é só!
(Ah, não esqueça de dar uma olhadinha no blog de 24 de abril de 2010. Vale a pena!)

Cordialmente;
Bispo Calegari

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