sábado, 24 de abril de 2010

Prenuncio do Fim (parte final)

Engano


"Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane" (Mat. 24.4)


Ao examinarmos este texto, notamos que Jesus denuncia o engano como um dos maiores fatores de risco em nossa caminhada rumo à Pátria Celestial. E não é necessário sermos grandes conhecedores das Escrituras, ou mesmo alguém muito familiarizado com as coisas de Deus, para termos uma visão essencial e razoavel compreensão quanto a este tão importante assunto. Jesus é bem claro em suas advertências. O espírito de engano se move entre nós com desenvoltura. Suas múltiplas manifestações, ora sutís, ora ostensivas, ocorrem em todos os lugares e circustâncias, possíveis e imaginaveis.

Neste texto, de forte conteúdo escatológico, Jesus identifica a manifestação do engano nos seguintes termos:

"Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão" (v. 5).

Não é de hoje que se percebe a loucura de muitos aventureiros, em sua insana tentativa de assumir a identidade de Jesus. Esta atitude se manifesta, notadamente, em dois grupos:

1. O grupo daqueles que procuram ensombrear Jesus, demonstrando abertamente que desejam parte da glória que pertence ao Senhor. Procuram as luzes dos refletores, como se fossem os astros de um show business. E fazem tudo isso em nome de Deus!

Sou do tempo em que o trabalho de um pregador, ou de um pastor, era marcado por humildade e simplicidade (Isso não deve ser entendido como mediocridade, como alguns ousariam pensar). Isso mesmo: Homens de Deus a procura de virtudes essenciais ao cristianismo autêntico (mansidão, humildade, paciencia, longanimidade, etc. etc. etc.). Sim, afirmo com prazer: faço parte de uma escola de ministério à moda antiga.

Mas, infelizmente, não é o que se vê em nossos dias. Pelo contrário: Corro até o risco de ser "execrado", em nome de um "cristianismo" que julgam ser "politicamente correto" (a este tipo de cristianismo eu chamo de "cristianismo dos espertalhões", ou então: "cristianismo dos vendilhões do templo"). Até onde irá toda essa loucura!

Ao ouvir e contemplar o mundo gospel em nossos dias, fico com a impressão de que a maioria dos que "servem" a Deus, está mais preocupada em cuidar do seu próprio umbigo; disputando um lugar entre os "famosos". A idéia que fica é que, para alguns, as luzes dos refletores terrenos são mais deslumbrantes do que a luz da glória de Deus (ocorre que a luz da glória de Deus não pode ser compartilhada, subtraída, e isso acaba por desestimular os que buscam os seus "cinco minutinhos de fama").

Existem também os menos ambiciosos (aqueles que trabalham na Obra de Deus, pelo "prato de feijão"). São os que não estão nem aí para o rebanho confiado ao seus cuidados (os maus e negligentes servos, sobre os quais lamenta Jesus). São movidos "a salário"; incapazes de sentir o drama da humanidade; pois, em sua insensibilidade, estão desatentos até mesmo ao sofrimentos rotineiro de seu próprio rebanho. Quando choram e lamentam, não é por uma vida que se perde; e sim, porque seu salário não foi pago em dia. Ou porque não são regiamente recompensados pelo "serviço" que prestam (alguns falam até em processar a Igreja por não "cumprirem suas obrigações" com eles). Todavia, o fato de serem menos ambiciosos não os torna menos culpados por toda a dor do "Corpo de Cristo". Irão passar pelo mesmo crivo do juízo de Deus, tal e qual aqueles.

2. Ah, não podemos deixar de fora aquele grupo, dos que chegam a ultrapassar todos os limites do bom senso, com desmedida arrogancia, chegando a declarar abertamente serem o próprio Cristo. Temos inclusive, entre nós, um exemplo clássico de extremismo; que poderiamos rotular de cômico, se não fosse trágico: A "figurinha carimbada" e tão conhecida, que se autointitula "Inri Cristo", o qual usa e abusa da mídia para passar esta pretensão blasfema, afirmando ser o Cristo das Escrituras. Que Deus nos guarde!

O conhecido "Papa Moon", importante líder de famosa religião mundial, costuma utilizar parte de sua grande riqueza pessoal, para difundir a idéia de que ele é o "terceiro Cristo" (segundo seus ensinos, Adão foi o "primeiro Cristo", mas pecou e não pode cumprir a missão; Jesus foi o "segundo Cristo", mas foi morto pela multidão enfurecida e não pode cumprir a missão; ele é o "terceiro cristo" e está preparado para cumprir plenamente a missão que lhe foi confiada). É lamentavel! E quantos se perderão no rastro de tamanhas invencionices.

"Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo" (v.13)

Graças a Deus, somos exortados pelo Senhor Jesus a conservar nossa posição firmada em Sua Palavra; perseverantes em Sua santa doutrina. Sem nos deixarmos levar pelo espírito de engano que se manifesta com liberdade entre nós e, muitas vezes, até com a cumplicidade de muitos daqueles que experimentaram a obra de Deus em suas vidas; alguns até conhecidos nossos. A Palavra afirma que, em Jesus, "somos mais do que vencedores". Todavia, esta super vitória só se concretizará, se combatermos com firmeza o "bom combate da fé", vivendo cada dia em Jesus. Sem nos desviarmos, nem para a direita, nem para a esquerda; mas sempre "olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé; o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e está assentado à direita do trono de Deus" (Hebreus 12.2).

Cordialmente;

Bispo Calegari

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