quarta-feira, 24 de março de 2010

Julgando e sendo Julgados
"Nenhum poder terias contra mim, se do Céu não te fosse dado" (João 19.11)
Muitas vezes, nos deparamos com textos que desafiam a nossa imaginação; o nosso discernimento. E podemos considerar o texto em epígrafe, um desses textos. Aliás, uma análise cuidadosa do assunto, à luz das Escrituras, irá constatar o principio da hierarquia e da autoridade impregnando as páginas das Escrituras, como sendo algo de Deus. E sua aplicação, por parte dos que recebem este poder, pode contribuir tanto para o nosso bem como para o nosso mal.
"Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus" (Romanos 13.1)
Durante o julgamento de Jesus, ali estava ele perante o homem que se apresentava como o seu juiz. Sim, Pilatos detinha o poder de entregá-lo aos seus inimigos, ávidos por seu linchamento, sedentos por uma "justiça" que tinha tudo à ver com seus interesses pessoais e egoístas. Ele podia também absolvê-lo de tudo aquilo, se o quisesse. A multidão clamava pela crucificação de Jesus; açodada pela voz que vinha lá detrás, dos verdadeiros arquitetos de tudo aquilo, ocultos no meio da multidão manipulada. E Jesus declara válida a autoridade de Pilatos, condedida pelo próprio Deus, ainda que discordando do seu critério, pelo qual responderia um dia diante do Supremo Juiz.
O Sinédrio sabia que a única possibilidade de sentenciar Jesus aos olhos de Roma, seria mediante um ato "legal"; por decisão condenatória de quem detinha o poder legitimanente garantido pelo Império. Jesus era o réu, segundo o juízo do Sinédrio. Pilatos era o instrumento capaz de tornar legal a aplicação da pena. A multidão era apenas um joguete em toda aquela cena. E o próprio Jesus não contradiz a autoridade do julgador.
Nós também, ao longo de nossa existencia, nos tornamos alvo do julgamento de pessoas que detem o poder para decidir sobre nossas vidas. E, de modo geral, ou nos sentimos aliviados ao sermos absolvidos; ou recalcitramos quando a decisão nos desfavorece, ou quando nos sentimos injustiçados por aquele que nos julga. Todavia, o fato de existirem "dois pesos e duas medidas" no julgamento que nos penaliza; ou mesmo um ato de injustiça que porventura soframos quando somos julgados; tais harbitrariedades não desqualificam a autoridade de quem foi levantado por Deus para nos julgar. Precisamos saber que o Principio da Autoridade tem sua origem em Deus, que a outorga a quem lhe compraz, muitas vezes utilizando os instrumentos reguladores da escolha de quem deva exercê-la; ou em nome de Deus; ou em nome de uma Instituição; ou em seu próprio nome.
No entanto, seja qual for o marco regulatório que determina a autoridade de alguém sobre outrem, de uma coisa podemos ter certeza: Deus há de cobrar de todos os que detem o poder, o modo como o utilizam, como o exercem. O julgamento de Deus sobre os julgadores, seguirá o seguinte critério: Será sem misericórdia, para os que julgam sem misericórdia; será sem piedade, para os que julgam impiedosamente; será inflexivel, para os que são inflexiveis em seu modo de julgar; será piedoso para com os piedosos no modo de julgar; será misericordioso para com os que usaram de misericórdia.
Em suma: Se proventura nós - julgadores de plantão - formos justos ou injustos no modo como julgamos aqueles que foram entregues sob nossa autoridade, ou daqueles que cairam em desgraça e ficaram à mercê do nosso julgamento; precisamos saber que jamais escaparemos do julgamento de Deus sobre nosso modo de julgar. E podemos ter a certeza de que Seu julgamento será justo, infalivel; pois Ele é aquele que julga segundo a reta justiça.
Portanto, muita atenção devem ter os julgadores de plantão!
Bispo Calegari

Um comentário:

  1. GRAÇA E PAZ, SENHOR BISPO, SEI QUE JÁ FAZEM ALGUNS DIAS QUE O SENHOR ESCREVEU ESTE PEQUENO ENSAIO, MAS FIQUEI TOCADO, POIS COMO SEMPRE O SENHOR USANDO DE MAESTRIA USA AS PALAVRAS DE UMA FORMA CONCISA E LÚCIDA PARA TRAZER A LUMEM UM ASSUNTO QUE A MEU VER NUNCA SE ESGOTARA "JULGAMENTO E JULGAMENTOS",DE SEU CONSERVO EM CRISTO, FRANCÉLIO BRAGA, PASTOR EM ARIQUEMES - RONDONIA.

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